Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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TV EM QUESTãO > ‘JORNAL NACIONAL’

Uma pitada de crítica não faz mal

Por Ana Paula Santos em 19/08/2014 na edição 812

Milton Santos nos alertara em um dos seus clássicos, Por Uma Outra Globalização – do Pensamento Único a Consciência Universal, que a mídia confunde mais do que informa. Sendo assim, não vejo como negativo o Jornal Nacional mudar o tom conforme artigo publicado no Observatório da Imprensa (ver aqui).

Penso que a insatisfação do público com o formato de entrevista veiculada no JN é porque a qualidade das perguntas exige uma compreensão mais ampla do que está sendo discutido. Não é um conteúdo meramente referencial e segue a contramão da propaganda eleitoral que, na maioria das vezes, procura seduzir o eleitor com um discurso idílico sobre perspectivas para o nosso país.

Outro ponto que merece ser destacado é a postura do eleitorado brasileiro: infelizmente a maioria da população é influenciada pelas estatísticas das pesquisas eleitorais, a exemplo do Ibope, do que uma postura cidadã. Ou seja, a formação política do eleitorado brasileiro é precária, precisamos reconhecer que mesmo na democracia ainda temos vertigens do coronelismo e fragilidades no campo educacional o que nos impede de amadurecer alguns comportamentos sobre política.

Sim, precisamos entender que política não é algo ruim, que indiferença no que diz respeito aos projetos que vão mudar a nossa cidade, estado e país não ajudam, ao contrário, só aumentam os problemas.

Então, como a maioria da população se mantém informada por meio do mais importante telejornal do país é interessante que este veículo de alguma forma faça com que o eleitor pesquise sobre os partidos e os candidatos (as) que estão concorrendo ao posto público mais relevante do Brasil, leiam sobre eles, pesquisem!

Agente transformador

Valor notícia, critério de noticiabilidade, pauta, gatekeeper: todos estes códigos linguísticos fazem parte do mundo dos jornalistas e por isso precisamos refletir sobre a importância, do jornalismo político, como agente transformador da sociedade, em tempos que a noticia sobrevive em função do mercado. E os assuntos de interesse público? Como o jornalismo político pode despertar o discernimento para consciência e o exercício da cidadania?

A função do jornalismo é prestar serviço à sociedade no sentido de manter os cidadãos informados, principalmente no que diz respeito às ações do Estado, ou seja, a política tem um lugar de destaque neste processo.

Quanto ao jornalismo político, penso que seu objetivo não é sustentar o status quo, muito menos estar a serviço do poder, mas vigiá-lo de modo que a sociedade possa acompanhar o desempenho profissional dos gestores públicos e compreender que quando elegemos um representante precisamos ficar atentos sobre seu comportamento ético e moral e a atuação do seu partido político.

Para finalizar, uma pitada de crítica não faz mal. Entretanto, não sejamos tolos porque a Globo, assim como outros grupos hegemônicos, não é imparcial e os assuntos sobre políticas públicas voltadas para as classes populares e grupos historicamente discriminados não estão inclusos em seus interesses.

“Ainda na segunda-feira, após a entrevista do candidato do PSDB, Aécio Neves, ao Jornal Nacional, uma avalanche de xingamentos e verborragia conspiratória baixou nas redes sociais. Houve quem interpretasse as perguntas incisivas, feitas por William Bonner e Patrícia Poeta, como algo agressivo, o que definitivamente não ocorreu” (ver aqui).

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Ana Paula Santos é jornalista, produtora, apresentadora e repórter

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