Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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A exuberância da indústria

Por Mauricio Stycer em 26/08/2014 na edição 813

Não é preciso ir muito longe para entender como as séries de TV ocuparam um lugar antes exclusivo do cinema na indústria de entretenimento americana. Basta olhar a lista dos indicados ao Emmy de melhor série dramática do ano.

O prêmio, que será entregue nesta segunda-feira (25), ficará entre um destes seis programas: "True Detective", "Breaking Bad", "House of Cards", "Game of Thrones", "Mad Men" e "Downton Abbey".

Tudo bem, esta última é uma produção britânica. Mas não enfraquece a constatação de que, de fato, a TV americana vive um período de intensa criatividade –uma terceira "era de ouro", como propôs o jornalista Brett Martin no livro "Homens Difíceis", publicado neste ano no Brasil.

Como o Oscar, o Emmy é um prêmio criado pela indústria com o objetivo de festejar a si própria. Desde as indicações até os resultados da premiação, passando pelo "tapete vermelho" e pelas piadas do apresentador, há muitos interesses em jogo que não dizem respeito, necessariamente, à qualidade do conteúdo que está indo ao ar.

Não é possível, porém, ignorar que esta indústria soube se reinventar e está ditando regras para o mercado interno e externo.

É verdade, como aponta Martin em seu livro, que as melhores séries da última década colocaram em primeiro plano personagens com características de anti-herói –é o caso, entre outros, na lista dos indicados ao Emmy, de Walter White, o professor de química que vira traficante de drogas em "Breaking Bad", de Frank Underwood, o deputado inescrupuloso de "House of Cards", ou de Don Draper, o publicitário com moral duvidosa de "Mad Men".

Mas, contra a ideia de que existe uma fórmula a ser copiada, como parece se tentar no Brasil, as seis indicadas ao prêmio de melhor série dramática refletem uma grande diversidade de temas e formatos.

Também mostram que não bastam boas ideias ou ótimos roteiros. O investimento de recursos nestas produções impressiona, sugerindo que o negócio é altamente lucrativo.

Projetos reavaliados

Na coluna da semana passada, "Testando formatos", falei da série "Animal", desenvolvida por Paulo Nascimento na Globo em 2012, mas que terminou exibida, este ano, em um canal pago do grupo. Descrevendo a trajetória do projeto, escrevi que "a Globo desistiu de produzir Animal' e o repassou para o GNT".

A emissora considera incorreto afirmar que "desistiu" de "Animal". Ela prefere dizer que, em meio a um processo iniciado em 2013, todos os projetos de séries desenvolvidos na Globo foram "revisitados e reavaliados, com vistas à TV fechada e à internet". Um executivo da emissora, Guilherme Bokel, ocupa-se agora desta interação com outros braços do grupo. "Animal" foi justamente o primeiro projeto "reavaliado" que o diretor de entretenimento multiplataforma levou para o GNT.

Mais do que um eufemismo, de fato, há uma mudança de filosofia. Como tentei mostrar no texto da semana passada, a Globo está enxergando a necessidade de aproveitar melhor os seus recursos.

Além de projetos desenvolvidos para canais pagos, há produções feitas exclusivamente para internet. É um movimento interessante, que merece ser acompanhado com atenção.

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Mauricio Stycer, da Folha de S.Paulo

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