Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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A ética nas matérias sobre musculação

Por Thiago Moura Chiappetta em 09/09/2014 na edição 815

A busca pelo corpo perfeito e o crescimento no consumo de suplementos vêm atraindo os olhares da mídia para um esporte outrora desacreditado: a musculação. Seja por uma vida mais saudável, para fins estéticos ou por lazer, a verdade é que o esporte se tornou uma febre e os veículos de comunicação passaram a abordar com maior frequência a rotina de quem o pratica em busca da hipertrofia.

É o caso do programa Conexão Repórter, do SBT. Apresentado pelo competente e experiente jornalista Roberto Cabrini, trata de assuntos polêmicos com uma pitada de melodrama para atrair os espectadores para a emissora, pouco tradicional em coberturas jornalísticas. No último dia 30 de julho, o programa apresentou como temática a musculação. Como sabemos, o esporte é comprovadamente benéfico para a saúde. Um estudo da USP, inclusive, atestou o auxílio do levantamento de peso para a redução da hipertensão. Contudo, Cabrini e sua direção preferiram expor o lado obscuro do esporte. Com o título “Músculos Proibidos”, tratou de abordar o uso desenfreado de esteroides anabolizantes.

É importante frisar que anabolizantes são diferentes de esteroides anabolizantes, pois este é um dos erros mais comuns e graves cometidos por jornalistas e pela sociedade em geral. Anabolizante é todo alimento que produz o anabolismo, ou seja, o processo de construção muscular. Frango, carne vermelha ou ovos são alimentos anabolizantes. Diferente dos esteroides anabolizantes, que são cópias moleculares de hormônio. Se utilizados desenfreadamente, podem, sim, serem maléficos à saúde.

Adjetivos que não entraram na pauta

Foi o caso do personagem principal do documentário do SBT. Um jovem vaidoso, que sonha em ser stripper, e que admitiu utilizar esteroides anabolizantes. A equipe do programa acompanhou o ciclo feito pelo rapaz, que foi relatando os efeitos colaterais. Claro que não sou o maior defensor do uso de esteroides. Mas, com tantos atletas conceituados no esporte, por quê escolher um aspirante a stripper, com pouquíssimo conhecimento de caso?

Depois, o documentário propôs um encontro entre um famoso rapper brasileiro, conhecido por seus vastos músculos e por ser um defensor da prática de musculação, e a mãe de um jovem que morreu por uso de esteroides anabolizantes. Obviamente, Cabrini e sua equipe dramatizaram a cena: fizeram um jogo de luzes com um cenário na qual o rapper parecia um criminoso sendo questionado pela polícia. A mãe chorava, e lamentava pelo cantor.

Como estudante, estava deparando com tudo aquilo que aprendi a não fazer na faculdade. Jornalismo sem apuração, parcial, claramente voltado para a criminalização do esporte, não só do uso de esteroides. Por fim, Cabrini conclui seu documentário com um comentário: “A busca pelo corpo perfeito é até saudável, mas tem que ser perseguida com ética, conhecimento, e acima de tudo, responsabilidade.” Adjetivos que, definitivamente, não entraram na reunião de pauta da equipe do SBT.

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Thiago Moura Chiappetta é estudante de Jornalismo

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