Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Emissora de TV ou time de futebol?

Por Thiago Forato em 23/09/2014 na edição 817

Nos fóruns de discussão sobre TV, os “sbtistas” já existem há muitos anos, mas com a criação do Twitter e Facebook, eles se proliferaram e tornaram-se mais evidentes. Esses grupos de torcedores do SBT chamam a atenção pela forma como encaram a emissora, como se fosse um clube de futebol.

Geralmente, são jovens que pegaram a fase de ouro do canal e cresceram assistindo à programação infantil, como Chiquititas (primeira versão nacional), Disney Club e, claro, Silvio Santos. O dono do Baú é capaz de despertar esse tipo de sentimento nas pessoas que nenhuma outra emissora consegue. Os “globistas” ou “recordistas” até passaram a existir de um tempo pra cá, mas não de forma tão flagrante como os sbtistas.

Quando começou?

“O SBT nasceu de um sonho…” Essa é uma frase repetida por executivos da emissora e dita até em institucionais da empresa. O maior “culpado” por toda essa legião de fãs formada atende pelo nome de Senor Abravanel. Não se sabe outra empresa que esteja tão ligada ao carisma do seu dono.

Em espaço para discussão de TV, os sbtistas sempre existiram. Os números do Ibope servem como um placar nos jogos de futebol. Conforme eles aumentam, a torcida se esgoela, acha o máximo ver seu time vencendo e esfrega os resultados nos adversários, no caso, os “recordistas” e “globistas”, que também existem, mas em menor escala (bem menor, na verdade).

Disputa acirrada

Como todo time, é natural que existam os famosos corneteiros, aqueles que torcem para seu clube, mas sempre reclamam do desempenho dentro de campo, pedindo pra mudar tudo. Não é diferente com o SBT. Os “sbtistas” pedem para que programas sejam rifados do ar, contratações de estrelas de outras emissoras, reformulação da grade, cobram diretores etc. O nível de exigência é alto e isso é debatido entre os próprios os fãs.

Ou seja, mesmo torcendo pelo SBT, eles não gostam necessariamente da programação. Pelo contrário, na maioria das vezes não gostam e mudariam muita coisa.

É bastante curioso como uma estação de televisão pode ter a capacidade de aguçar esse tipo de sentimento.

Em conversa com José Eustáquio Júnior, criador do site SBTpedia, ele confirma as teses da existência de sbtistas, e diz que eles existem pelo carisma do SBT e Silvio Santos, que norteia a construção de TV e telespectador que existe entre a emissora e seu público. “A forma de comunicação popular dele atrai rejeição muito baixa. Além disso, o fato de muito dos sbtistas terem crescido no auge dos programas infantis da emissora contribuiu para que essa identidade com o canal fosse criada”, conta.

Curiosamente, a emissora mais “querida” pelo público não é a líder de audiência no Brasil. Pelo contrário, há alguns anos, como se sabe, o SBT se tornou o terceiro colocado, mas que hoje já disputa de forma mais acirrada com a Record.

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Thiago Forato é jornalista

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