Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Uma programação enfadonha

Por Willy Schumann em 30/09/2014 na edição 818

Na língua portuguesa, o pleonasmo é uma figura de linguagem que identifica uma repetição desnecessária de uma palavra ou até mesmo para enfatizar uma ideia já expressa. Etimologicamente a palavra pleonasmu é originária do latim e significa redundância. Os “vícios da linguagem” acontecem também nos canais de TV por assinatura. A repetição de sons e imagens, sistematicamente, está inviabilizando o ato de assistir à televisão.

Nos intervalos comerciais ocorre uma exacerbada repetição de chamadas da programação, além dos filmes que teimam em ficar em cartaz por meses seguidos. O caso se agrava no canal Investigação Discovery. É praticamente impossível assistir a um programa sem causar náuseas, uma espécie de consciência subjetiva que identifica um desconforto do organismo ao assistir atrações intercaladas por constantes intervenções de chamadas repetitivas. Um verdadeiro tormento para o assinante.

O foco principal do canal são os documentários sobre crimes e dramatizações do lado obscuro do ser humano. Apesar da qualidade indiscutível destes programas, o canal peca pela massificação de chamadas e comerciais que estão inseridos na programação. Fica impossível acompanhar qualquer atração proposta pelo canal da família Discovery.

Efeito zapping

Um dos quadros mais repetitivos e entediantes da programação é o “Stupid Suspects”, série de vídeos curtos, captados por câmeras instaladas em carros de polícia, circuitos internos de lojas de departamentos e conveniências que mostram a estupidez e trapalhadas de transgressores da lei estadunidense. Esses vídeos não inéditos são exibidos à exaustão durante o intervalo da programação, ocasionando uma espécie de tortura psicológica e imagética no perseverante assinante.

Entre velhinhas assassinas, vigaristas e gêmeos perversos, a agressão maior é para com o telespectador, refém da repetição, falta de respeito e, acima de tudo, falta de bom senso.

Uma programação repetitiva e enfadonha subestima a capacidade de absorção audiovisual do telespectador. A imagem é um produto de consumo vertiginoso e aquilo que já foi consumido ontem, com certeza, não será bem digerido no dia seguinte. É como requentar o que sobrou do almoço vários dias consecutivos. O gosto e o tempero não serão mais os mesmos e, com o tempo, a refeição ficará imprópria para o consumo.

Enquanto os gestores dos canais de televisão por assinatura não apresentam soluções, o melhor a fazer é se apropriar do efeito zapping. Bendito seja o controle remoto.

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Willy Schumann é jornalista e produtor audiovisual

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