Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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TV EM QUESTãO > ‘REALITY SHOW’

Quanto mais canhestro, melhor

Por Mauricio Stycer em 14/10/2014 na edição 820
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/10/2014; intertítulo do OI

Oscar Maroni, dono do Bahamas, a famosa casa noturna frequentada por garotas de programa, participou da mais recente edição do reality show “A Fazenda” na condição de “empresário e psicólogo”. Analisando o comportamento dos demais participantes com brutal sinceridade, ele rapidamente fez vários inimigos.

O porto-riquenho Roy Rossello, ex-cantor do grupo infantil Menudo, também foi selecionado para o programa. Na sua primeira participação, sugeriu ter sido vítima de abuso sexual pelo empresário do grupo. Dias depois, foi levado a uma delegacia por conta do não pagamento de pensão alimentícia a uma ex-mulher. Ficou detido por horas.

Os dois foram indicados para a primeira eliminação do programa. Antes de anunciar o resultado, o apresentador Britto Jr. deu a ambos a oportunidade de dizer por que o rival deveria ser eliminado.

Maroni explicou: “Ele se posiciona muitas vezes como o novo Messias. Quer ensinar às pessoas, falar às pessoas. Ele prega uma religião que eu, particularmente, acho muito hipócrita. Ele se diz num nível mais elevado”.

No seu momento de falar, Roy assim defendeu a saída de Maroni: “Porque ele é ateu. Não acredita em Deus. Simples como isso. E eu tenho Deus no meu coração. É o que eu tento fazer aqui: levar uma mensagem. Só isso. É bem claro”.

O psicólogo Maroni e o missionário Roy são parte de um fenômeno muito nítido para quem acompanha este reality show de confinamento, no qual diferentes pessoas são obrigadas a conviver sem contato com o mundo exterior por até três meses.

Brigas e escândalos

Diferentemente do “Big Brother Brasil”, apresentado pela Globo desde 2002, com participação somente de pessoas anônimas, o programa que a Record exibe desde 2009 é formado por figuras com algum grau de reconhecimento público.

Participar de “A Fazenda” se tornou uma atividade cobiçada no mercado das chamadas subcelebridades –um termo elástico que abrange artistas em baixa sonhando voltar aos holofotes, iniciantes sem talento aspirando a uma primeira chance, modelos sem maior expressão, ex-atletas, além de gente que alcançou fama efêmera por motivos aleatórios.

Além do prêmio em dinheiro (R$ 2 milhões) que espera o campeão, a cada ano dois ou três participantes são recompensados também com um impulso na carreira, em consequência do desempenho alcançado durante o reality.

Por estranho que pareça, quanto mais exótico o comportamento da subcelebridade, mais chances ela tem de brilhar depois que deixar o programa. É essa constatação que tem levado, ano a ano, os participantes de “A Fazenda” a desempenhar os papéis mais extravagantes possíveis.

Nem todos os tipos são tão originais quanto os do psicólogo Maroni e do missionário Roy. Na atual edição da “Fazenda”, é possível observar que alguns candidatos procuram mimetizar “tipos” que fizeram sucesso em outras edições.

A modelo Lorena Bueri e o ator Diego Cristo, por exemplo, têm brindado o público com brigas e escândalos desde o primeiro dia. São tão canhestros que se tornaram anedóticos, o que também ajuda a tornar “A Fazenda” um ótimo divertimento da pior espécie.

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Mauricio Stycer, da Folha de S.Paulo

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