Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Novela vai conseguir ser mais interessante até o juízo final?

Por Murilo Melo em 21/10/2014 na edição 821

Quando estreou a nova novela das nove, em julho, um suspiro de alívio parece ter partido da Globo e ecoado pelos anunciantes, patrocinadores e a mídia em geral: depois daquilo que foi classificado como o fracasso de Em Família, novela-crônica sobre o cotidiano da classe média carioca idealizado por Manoel Carlos, Império, de Aguinaldo Silva – o detentor das maiores audiências do horário –, começou tendo como parâmetro os bons números do Ibope, manteve índices considerados aceitáveis e, pretensiosa, chegou a fazer acreditar que a fórmula teria sido reencontrada e a faixa de horário, carro-chefe da emissora, estaria salva.

De repente, com a narrativa arrastada e personagens pouco desenvolvidos, a aposta ficou aquém do esperado e a média de audiência igual à antecessora, na casa dos trinta pontos (cada ponto equivale a 65 mil residências na Grande São Paulo, são prévios e fornecidos pelo Ibope). Império é uma novela que, longe de ser novidade para o gênero, mostra a luta do núcleo principal em prol do dinheiro e, consequentemente, a ascensão à riqueza. Temos aí ameaças, chantagens, exame falso de DNA, acordos, mentiras e bate-boca. Os métodos usados pelos personagens pouco importam, desde que atinjam seus objetivos. Como esperado do clássico folhetim, tem gente ruim que se dá bem, gente boa que se dá mal, um tantinho de questões sociais.

Os núcleos secundários, como é o caso das personagens das atrizes Elisângela e Nanda Costa, bem como dos personagens dos atores Jonas Torres e Dani Barros, ficam numa modorra de domesticidade e de tédio, soltos e perdidos na história. Já o personagem Manoel, dono de um bar em Santa Tereza, locação do núcleo pobre da trama, ainda não disse a que veio e, com pouco destaque, ao que parece, cairia bem a um ator iniciante – não a Jackson Antunes, velho conhecido da teledramaturgia.

O quanto antes

O blogueiro de fofocas Téo Pereira (Paulo Betti) bate ponto em todos os capítulos. É ele quem movimenta, em parte, núcleo principal e secundário, seja metendo o bedelho no romance gay de Claudio (José Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo), seja contribuindo com os planos maquiavélicos de Cora (Drica Moraes). A mocinha de Leandra Leal, a Cristina, e o mocinho Vicente, de Rafael Cardoso, têm química, mas também têm pouco espaço e, consequentemente, não aproximam o telespectador. Não bastasse o romance ser jogado de lado, há também o descaso com a ausência da radicalização da vilã, ingredientes fundamentais da telenovela.

Não há conflitos densos, e questões como se Cristina é mesmo filha de José Alfredo (Alexandre Nero), e se um dos filhos do comendador é mesmo dele, são empurrados com a barriga até quando não der mais, o típico modelo do folhetim pífio que só se desenrola no juízo final, como se fosse simplesmente uma a mais na linha de montagem.

Tudo isso faz Império encerrar seus breaks e capítulos com pouca (ou nenhuma) expectativa e, como o passo da novela é lento, arrastado, não faz lá muita diferença perder um capítulo aqui e ali; acompanha-se a trama de qualquer maneira. Além disso, os próximos capítulos deixaram de ser um mistério: a informação sobre o que vai acontecer na novela circula com antecedência em sites e revistas especializadas, que é possível o espectador, sem tanta animação, escolher se vale a pena ver ou não determinado dia. Calcada por diálogos bons e cenas bem construídas, Império precisa ir além, precisa de uma mudança o quanto antes. Será que a trama vai conseguir ser mais ágil e interessante nos próximos quatro meses que lhe restam?

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Murilo Melo é jornalista

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