Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

TV EM QUESTãO > ‘ALTO ASTRAL’

Didatismo exagerado leva ao tédio

Por Gustavo Fioratti em 11/11/2014 na edição 824
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 5/11/2014; título original: “Didatismo exagerado na estreia da nova novela das sete resulta em algo tedioso”; intertítulo do OI

Se a ideia era lançar uma novela com enredo de fácil compreensão, a Globo exagerou na dose com a estreia de sua nova novela das sete, Alto Astral. Exibido na segunda (3/11), o primeiro capítulo do folhetim escrito pelo estreante Daniel Ortiz, com Thiago Lacerda, Christiane Torloni e Claudia Raia no elenco, teve cheiro de papinha para criança. Não precisa mastigar.

A julgar por sua estreia, a novela terá diálogos levados ao ponto mais extremo do didatismo, o que os torna rasos demais. Em uma das cenas, por exemplo, a mocinha Laura (Nathalia Dill), está voltando para a pequena cidade Nova Alvorada, onde vai se casar. O carro quebra no meio do caminho, ela pega o telefone e diz “Que hora maravilhosa para acabar a bateria”.

A ideia original até tem sua graça. O vilão Marcos (Lacerda) e o mocinho Caíque (Sérgio Guizé) são irmãos, ambos médicos e herdeiros de um hospital. Marcos inveja o carisma e outras qualidades do irmão e quer passar a rasteira nele.

A história ganha tempero quando Caíque se apaixona pela noiva de Marcos.

Bem menores

Além de sua trama básica, a novela tem um outro gatilho para conquistar audiência: Caíque é mediúnico, pode ver pessoas mortas e conversar com elas. No primeiro capítulo, ufa, a novela não usa esse mecanismo com empenho religioso. Tem até o contraponto cômico: Claudia Raia faz uma vidente charlatã.

Mas há uma armadilha pronta para estragar algo a priori promissor. Didatismo e ritmo acelerado (houve até a queda de um avião no primeiro episódio) resultam em algo tedioso.

Tudo tem que ser bem explicado para a digestão completa, e os personagens, assim como a situação que eles vivem, ficam sem graça.

Novelas são assim mesmo? Não, não precisam ser. A não ser que a intenção seja atingir uma faixa etária bem baixa, de sete, oito anos. E mesmo assim…

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Gustavo Fioratti, para a Folha de S.Paulo

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