Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

TV EM QUESTãO > VER TV

Telespectadores trocam TV a cabo pelo ‘streaming’

Por Emily Steel em 11/11/2014 na edição 824
Reproduzido da Folha de S.Paulo/The New York Times, 4/11/2014; intertítulos do OI

Uma nova maneira de assistir à TV vem quebrando o monopólio virtual que há anos empresas de cabo, satélite e telecomunicações tiveram sobre a programação da televisão nos Estados Unidos.

Apenas um dia depois que a rede HBO disse que começaria uma programação exclusiva para a internet, a rede CBS anunciou seu próprio serviço de streaming por assinatura, que dá acesso por demanda à sua programação ao vivo, além de milhares de shows atuais e antigos. O movimento aponta para um momento de transição da TV, em que os telespectadores têm mais opções e assinam apenas canais ou programas que querem assistir – e decidem como, quando e onde assisti-los.

A época em que as pessoas pagavam uma média de 90 dólares por mês por um pacote de canais de um fornecedor tradicional está acabando rapidamente. Leslie Moonves, diretor-executivo da CBS Corporation, disse: “Nosso trabalho é produzir o melhor conteúdo possível e deixar que as pessoas o vejam da forma que quiserem.” Moonves quer que seu canal permaneça relevante para uma nova geração que nunca pagou por um pacote de televisão padrão e para aqueles que cancelaram seu serviço de cabo.

Novos serviços

O estímulo às ofertas para a internet dado pela HBO e pela CBS, duas redes que ganham bilhões de dólares com o sistema tradicional, mostra como o equilíbrio de poder está mudando. O serviço de acesso irrestrito da CBS, que custa US$ 6 por mês, começou em 16 de outubro; o da HBO começará em 2015.

As iniciativas são em grande parte uma reação ao sucesso do Netflix, cujo serviço de streaming tem mais de 50 milhões de assinantes globais. Outros serviços, como o da Amazon e do Hulu, agora oferecem programação por demanda que pode ser assistida a qualquer hora e em qualquer lugar, em um laptop ou um smartphone. Televisões “inteligentes” e dispositivos de streaming, como a Apple TV e o Roku, também permitem que espectadores assistam a vídeos pela internet em uma tela grande.

Reed Hastings, do Netflix, disse que as opções de streaming de mercados tradicionais validaram a crença de sua empresa de que a internet está substituindo a TV tradicional e aplicativos substituem canais. Executivos de mídia estão ansiosos para abocanhar uma parcela dos espectadores que pagam para usar a internet, mas acessam alternativas de streaming de vídeo mais baratas ou opções gratuitas, como o YouTube.

O crescimento de assinaturas de serviços de cabo e satélite dos EUA estagnou, caindo 0,5% neste ano, para 101,4 milhões. Em 2012, este número era de 101,9 milhões, de acordo com a SNL Kagan. Das pessoas entre 18 e 34 anos de idade, uma em cada seis disse não ter assistido a qualquer série original de TV nos canais tradicionais nos últimos 30 dias, de acordo com a comScore.

Por exemplo, Jennifer Seide, 28, mora em Nova York e assiste a quatro horas de televisão por dia. Ela paga US$ 60 por mês à Verizon para ter acesso à internet, mas não paga por uma assinatura de TV convencional. Ela tem uma assinatura de US$ 8 por mês do Netflix e usa as dos amigos para acessar o Hulu e a HBO.

Os esportes são o componente principal que mantêm os canais a cabo. Mas já há um número crescente de opções de esportes na rede que transmitem pacotes tradicionais, incluindo a ESPN3. As redes que oferecem novos serviços de streaming precisam atingir um delicado equilíbrio para não canibalizar os bilhões de dólares que as operadoras de cabo e satélite pagam para distribuir sua programação.

Os novos serviços da HBO e da CBS poderiam fazer as empresas de cabo exigirem a diminuição das tarifas que pagam para exibir sua programação. Para manter seus próprios clientes, essas empresas poderiam ser forçadas a criar pacotes mais segmentados. Mas, em alguns aspectos, os novos produtos poderiam beneficiar as empresas de cabo, que ganham vendendo acesso à internet.

Dia seguinte

HBO e CBS não são as únicas com novas ofertas de streaming. A Sony está preparando um produto para a internet que poderá incluir a programação da Viacom, com canais como Comedy Central, MTV e Nickelodeon. A DirecTV, provedora de TV via satélite, também disse que iria começar um serviço de vídeo online. Um serviço semelhante da Showtime, a rede de cabo premium de propriedade da CBS, está em um “futuro não muito distante”, disse Moonves.

Resta saber por quantas assinaturas de streaming os espectadores vão querer pagar. O preço básico mensal cobrado pela Netflix é de US$ 8, mesmo preço do serviço premium do Hulu. O novo serviço da CBS irá disponibilizar seus programas tradicionais no dia seguinte à sua exibição, e mais de 5.000 episódios de séries clássicas do canal, como Jornada nas Estrelas.

Como disse Marc DeBevoise, do CBS Interactive: “Vai ser bem parecido com o Netflix.”

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Emily Steel, doNew York Times

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