Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Política, fé e televisão

Por Mauricio Stycer em 27/01/2015 na edição 835
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 25/1/2015

Em uma ação deliberada neste início do ano, o PRB conseguiu ser alçado ao comando do Ministério do Esporte e de cinco secretarias estaduais (São Paulo, Minas, Ceará, Distrito Federal e Roraima) vinculadas a esta área.

Conforme descreveram os repórteres Daniela Lima e Fabiano Maisonnave, aqui na Folha, todas as nomeações foram negociadas pelo presidente do PRB, Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal.

O partido pretende usar a estrutura destas pastas para expandir o alcance de suas políticas destinadas à recuperação de usuários de drogas.

Esta ação política se completa com a utilização da Rede Record para o mesmo fim. A emissora, cujo proprietário, Edir Macedo, é o líder da Igreja Universal, tem dado ênfase ao tema de uma forma pouco ortodoxa.

No último domingo (18), por exemplo, o “Domingo Espetacular” exibiu uma longa reportagem (26 minutos) sobre viciados em crack com o objetivo, na verdade, de divulgar o trabalho de um bispo da igreja junto a pessoas com este problema.

Repleta de testemunhos de gente “no último degrau antes do abismo”, recheados com cenas de simulação de uso de drogas, a história convergiu para o trabalho de Rogério Formigoni. Apresentado pela revista eletrônica da Record como “teólogo”, ele é, na realidade, bispo da igreja.

Formigoni defende que o vício em drogas tem cura espiritual. “Se o vício é um espírito, e está mais do que provado, quando você tira o espírito do vício, o vício, que prevalecia há dez, vinte anos, acaba”, explicou.

Ao final da propaganda disfarçada de reportagem, foi informado que o bispo expõe sua tese e apresenta casos de cura semanalmente em um templo da igreja, em São Paulo, para onde convergem pessoas aflitas de todo o país.

A barba de Bonner

Na segunda-feira (19), depois de duas semanas de férias, o apresentador do “Jornal Nacional” publicou no Twitter uma foto em que aparecia de barba. Junto da imagem, William Bonner convidava os seus 6,5 milhões de seguidores a votarem se ele devia manter o novo visual ou aparar a barba.

O assunto prosseguiu com outros comentários do jornalista. “O que tá acontecendo é que essa barba do tio fica muita [sic] estranha numa tela de TV de alta definição. Muito!”, escreveu. Por fim, junto com outra foto, na qual aparecia segurando uma tesoura, avisou: “O que tem que ser feito vai ser feito. Agora. Muahahahahahahahaha!!!”.

A novelinha em relação à barba de Bonner não difere de muitas outras “intimidades” partilhadas por celebridades nas redes sociais. Talvez chame um pouco mais atenção pelo fato de se tratar de um jornalista, de quem se espera uma postura mais recatada, e não de um artista.

A questão é que esta fronteira está cada vez mais borrada. No caso de alguns jornalistas da Globo, parece haver um incentivo da própria emissora no sentido de que os profissionais adotem uma postura mais “humana”, mais “gente como a gente”.

Não é pequeno o número de jornalistas da emissora que, nos últimos anos, atravessaram a rua e mergulharam no entretenimento. Bonner dá sinais de que também está pronto para fazer esta transição.

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Mauricio Stycer, da Folha de S.Paulo

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