Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1025
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O antijornalismo da TV Bahia

Por Antonio Nelson em 17/02/2015 na edição 838

Os âncoras hoje fazem parte de uma indústria de marketing, entretenimento e relações públicas“ (Maureen Dowd – The New York Times) – Confira no Conversa Afiada Oficial

Emissoras de TV no Brasil são concessões públicas. Mas quando o assunto é debater sobre ética jornalística e o interesse público na capital baiana, o contraditório vai à baila também no telejornalismo. A credibilidade mundial do telejornalismo está em crise. Basta ler “Âncoras ao mar“ (The New York Times).

A TV Bahia, afiliada da Rede Globo, no Jornal da Manhã, da Rede Bahia, que no conselho de acionistas tem a família Magalhães, no telejornal matutino, ancorado por Jéssica Ismetak e Ricardo Ishmael, da equipe do Roberto Apeel, veiculou na quinta-feira (12/2) “matéria” realizada pelo repórter Dalton Soares sob o título “Camarotes no carnaval de Salvador“.

Na “matéria”, Dalton faz marketing, publicidade e propaganda do Camarote Salvador, que funciona em praça pública, no bairro de Ondina, capital baiana. A praça é Patrimônio da União, e tem mais um ano de instalação e o funcionamento para uso privado do Camarote Salvador, que pertence ao Luís Eduardo Magalhães Filho, sob a alcunha de Duquinho, primo do prefeito ACM Neto (DEM).

A praça está sob a responsabilidade da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), que afirma a proibição de qualquer construção irregular, o território é de propriedade da Marinha. Porém, um espaço geográfico estratégico para encher os cofres da iniciativa privada, no circuito Barra/Ondina. Só em 2013, para quem desejou participar do Carnaval no Camarote Salvador, apenas na terça-feira 12 foi necessário pagar R$ 2.090 (masculino) e R$ 1.590 (feminino). O Camarote Salvador tem autorização da exploração do local com alvará pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom).

A etiqueta cala, mas a ética pergunta, TV Bahia. E os princípios deontológicos do jornalismo e seu código de ética? O contraditório? Jornalismo não é entretenimento. Para arejar a mente, vale recordar que o Observatório da Imprensa já pautou o uso indevido das concessões de TV.

“No futuro, se perceberá que a competência da Globo – vis-à-vis a incompetência de seus parceiros – cavou a sua própria cova”, assevera o jornalista Luis Nassif em “A Globo vai se perder por excesso de competência“.

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Antonio Nelson é jornalista

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