Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

TV EM QUESTãO > GLOBO vs. RECORD

A guerra se expande até Portugal

Por Sergio Denicoli, de Braga (Portugal) em 03/04/2006 na edição 375

Desde o sábado (1º/4), a Rede Globo não possui mais um canal em Portugal. A emissora mantinha no país o GNT, da TV Cabo – empresa que detém 85% do mercado de televisão paga portuguesa. Mas por questões ainda nebulosas, o espaço pertencente à família Marinho foi substituído pela TV Record Internacional.


O canal GNT operava no país desde 1998 e era o sexto em audiência na televisão portuguesa. Exibia novelas, programas de entretenimento como Domingão do Faustão, notícias com o Jornal Nacional, Fantástico e Globo Repórter, jogos do Campeonato Brasileiro entre outras atrações, algumas delas produzidas especialmente para terras lusitanas.


Nas últimas semanas de exibição, o GNT colocou no ar uma campanha em que convocava o telespectador a se manifestar a respeito da possibilidade da suspensão das transmissões. As pessoas escreviam e-mails e estes eram lidos durante os intervalos. A estratégia não funcionou. No site do canal, a Globo informa que as transmissões estão temporariamente suspensas e afirma, em comunicado oficial:




‘O contrato do canal com a TV Cabo ainda não foi renovado. Como queremos permanecer em Portugal, de nossa parte, as negociações continuam. Qualquer novidade, você será imediatamente informado. Esperamos nos reencontrar em breve.’


Emissora pioneira


A TV Cabo pouco comenta sobre a mudança. Diz apenas que a não-renovação do contrato com a Globo nada tem a ver com o acordo firmado com a Record. A operadora faz parte do grupo Portugal Telecom, a maior empresa de telecomunicações de Portugal, que atua na área da televisão por assinatura, telefonia móvel e fixa, internet, cinema e soluções empresariais na área multimídia. O grupo está presente em mais de 10 países e tem o Brasil como mercado estratégico. Seus negócios brasileiros incluem participação na operadora Vivo, na Primesys – empresa fornecedora de soluções de infocomunicação – no portal UOL do Grupo Folha de S.Paulo, além do controle da Dedic e Mobitel, empresas que operam na área de transmissão de dados e mensagens.


Em entrevista ao jornal português Correio da Manhã, o diretor do canal GNT Portugal, Roberto Pretti, disse que as condições propostas para a renovação do contrato eram inviáveis economicamente porque reduziam drasticamente o valor pago por assinante. Segundo Pretti, a Globo estaria disposta inclusive a lançar um outro canal, mas mesmo assim o acordo não foi possível.


Não foram revelados os termos que levaram a TV Cabo a fechar com a Record, mas a emissora mostrou-se bastante preparada para conquistar a audiência portuguesa. No primeiro dia de exibição, a publicidade institucional ocupou quase toda a programação. Os apresentadores dos programas apareciam a cada intervalo para ‘dar um alô’ a Portugal. Entre esses apresentadores, um deles imitava Fausto Silva, o que ficou parecendo uma provocação à Globo. Também foi exaustivamente veiculado um VT dizendo que a Record foi a primeira emissora brasileira e teria sido a responsável pelo surgimento de grandes astros.


A publicidade enfatizou ainda a produção de novelas da Record, mostrando os estúdios e cidades cenográficas; e o esporte, ressaltando que vai transmitir o Campeonato Paulista, numa clara resposta aos telespectadores que ficarão sem os jogos do Campeonato Brasileiro, dos quais a Globo possui os direitos de transmissão.


Parceria circunstancial


A entrada da Record em Portugal é estratégica e vem se desenhando há muito tempo. Em novembro de 2005 a emissora inaugurou em Lisboa uma grande e moderna sede, com seis estúdios equipados com tecnologia de última geração. A idéia é transformar os estúdios numa grande central de produção para sustentar a expansão internacional que a Record ensaia não só na Europa, mas principalmente em países africanos.


A política agressiva da Record sobre a concorrente começou no Brasil, onde, em menos de três meses, o grupo contratou mais de 50 funcionários da Globo. As especulações apontam que essa política teria por trás a força da Igreja Universal, no entanto os executivos da empresa negam e fazem questão de afirmar na imprensa portuguesa que a igreja nada tem a ver com a TV.


A Portugal Telecom também tem seus interesses e suas aspirações passam pelo imenso mercado brasileiro. É inegável a força da Globo no Brasil e sua consolidação na Europa, fruto de um trabalho estratégico de anos. Até que o cenário que levou à interrupção das transmissões do GNT torne-se mais claro, a sensação que fica é que o mundo empresarial operou com sua velha máxima: minar os terrenos para enfraquecer o concorrente. E, nesse caso, a Record parece ser um excelente parceiro momentâneo.

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Jornalista e pesquisador de mídias da Universidade do Minho, em Braga; www.pontodeanalises.blogspot.com

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/11/2009 wellington dias lima cruz dias

    quem falar mal da record só pode ser um idiota,ou um retardado, por que quem defende aquilo é um louco,e é claro que a record está certa né gente então não assistam mais a porcaria da globo, e sim assistam a RECORD,todos os dias!!!!!!

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