Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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ENTRE ASPAS >

A leitura crítica dos telejornais

Por Renato Levi em 24/11/2009 na edição 565

As emissões interativas e não lineares conferem uma natureza mais pluralista aos novos meios de comunicação, possibilitando ao receptor maior participação e ampliando o aprofundamento sobre a informação desejada. Trazer estas potencialidades ao conteúdo dos telejornais das emissoras de TV ajuda a dissecar e compreender os infinitos meandros do principal meio de informação para a grande maioria da população.

Esta é a razão pela qual o projeto Hiperjornalismo disponibiliza na internet as principais matérias veiculadas pelos telejornais de emissoras de TV brasileiras, fornecendo ao leitor/ espectador/ pesquisador novas perspectivas e possibilidades de ‘leitura’ do nosso principal meio de informação.

Diferentemente do que ocorre nas emissoras de TV, onde o fluxo é contínuo, ou nos seus sites, que disponibilizam apenas informações próprias, no Hiperjornalismo o espectador pode acessar os vários conteúdos em perspectiva comparada, além de ter a possibilidade de desenvolver outras formas de indexação para navegação.

Busca semântica

O telejornal tem a dura missão de exibir em um tempo curto ‘tudo’ o que de mais importante aconteceu no país e no mundo, tentando ainda atingir e interessar a todas as camadas da população. O objetivo do Hiperjornalismo é justamente contrastar essa crônica – e até certo ponto natural – falta de profundidade e contextualização da televisão com a possibilidade de acesso a outros conteúdos e comentários, por meio de um banco de dados multimídia que possibilita diversas aplicações. Em especial, a comparação a respeito da forma com que cada emissora trata um mesmo assunto. Este elemento permite vislumbrar uma série de implicações políticas e operacionais envolvidas no processo de produção e edição dos conteúdos jornalísticos, podendo funcionar inclusive como uma espécie de ombudsman colaborativo, construído por um conjunto de articulistas e pelo público.

O Hiperjornalismo tenta vislumbrar um pouco do que deverá pautar a próxima geração de mecanismos de busca semânticos. A leitura critica da mídia é atividade fundamental para o amadurecimento de qualquer sociedade e deve ser feita permanentemente no nível escolar e no âmbito da sociedade civil, organizada ou não.

Usos múltiplos

No Brasil, em particular, vive-se uma situação paradoxal. O setor privado domina absoluto, a legislação é obsoleta, ineficiente e nunca cumprida. O caráter público das concessões de rádio e TV é sobejamente desrespeitado, com a agravante da promiscuidade entre Estado e classe política no que tange à propriedade e o financiamento dos veículos. Neste ambiente, observar a mídia e estudar sua recepção permitem vislumbrar metáforas dos mecanismos de poder, por vezes travestidos de interesse público, simulando e dissimulando objetividade numa idílica busca da ‘verdade’ na crônica diária dos fatos.

Cidadania e democracia plenas dependem de oportunidades mais democráticas na emissão e de repertório e instrumental para avaliar os conteúdos da TV. O grande público ainda se referencia no telejornal, apesar de este sofrer com índices cada vez mais baixos de audiência, queda de credibilidade e – por que não? – uma crise de identidade em seu formato. Por outro lado, cresce a saudável desconfiança de que as coisas são sempre mais complexas do que querem parecer.

Hiperjornalismo pretende dar uma contribuição a essas outras possibilidades de leitura, ao fornecer uma ferramenta que possibilita múltiplos usos e contribuir para que a universidade cumpra um importante papel na busca da democratização efetiva da sociedade.

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O projeto

Hiperjornalismo é uma parceria da Escola de Comunicações e Artes e da IPTV da Universidade de São Paulo. Idealizado pelo professor Renato Levi, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) da ECA-USP, com a colaboração dos professores Almir Almas e João Paulo Amaral Schlitller, do Departamento de Cinema, Rádio e TV (CTR), e da professora Elizabeth Saad Correa, do CJE.

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Professor da ECA-USP

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