Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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A possibilidade de inclusão social e digital

20/10/2009 na edição 560

Atualmente, muitas suposições são feitas a respeito da implantação de um sistema de TV digital no Brasil, entre elas a questão da inclusão social, que deve ser promovida através da interatividade e da diversidade da programação, além de outras possibilidades que poderão surgir.

Hoje, no Brasil, mais de 90% da população tem TV em casa, enquanto menos de 20% usa computador. Assim, uma das possibilidades será levar à TV aberta as mesmas funções de um computador, podendo inclusive, ter acesso a e-mail. Além dessa inclusão digital em massa, a TV digital brasileira deverá promover a diversidade cultural do país e o aumento de informações e entretenimento, respondendo ao desafio de ser um instrumento que impulsione nosso desenvolvimento social, cultural, político, econômico e educacional.

O decreto presidencial 4.901 prevê que o SBTV (Sistema Brasileiro de Televisão Digital) deverá promover a inclusão social, a diversidade cultural do país e a língua pátria, por meio do acesso à tecnologia digital, visando à democratização da informação; propiciar a criação de rede universal de educação à distância; estimular a pesquisa e o desenvolvimento; e ainda deverá propiciar a expansão de tecnologias brasileiras e da indústria nacional relacionadas à tecnologia de informação e comunicação (Brasil, 2003, p. 1).

Participação deve ser voluntária

No entanto, grande parte das pessoas das classes C, D e E utilizam hoje a televisão como forma de entretenimento e o espaço dado aos jornais informativos, por exemplo, é pequeno em relação a toda a programação veiculada. Para que a TV digital consiga incluir esse público nessa diversidade de conteúdos, não poderá abusar de seus novos recursos, para não correr o risco de ocorrer uma reação contrária à esperada.

A TV digital deve ser construída para potencializar a diversidade e a capacidade de criação de bens culturais do país, formando uma nova cadeia de valor que possibilite uma ampla participação de setores produtores e difusores de conteúdo e dos usuários deste meio de comunicação.

Assim, o SBTV pode cumprir um importante papel na afirmação da cidadania, ao proporcionar a seus telespectadores a interatividade e novas opções de programação, além de promover a diversidade cultural. Essas possibilidades poderão colaborar no fortalecimento de pequenas comunidades locais e de certos grupos étnicos e sociais, possibilitando, inclusive, o surgimento de TVs comunitárias.

Porém, a utilização da TV digital como elemento de inclusão social não será fácil, pois é algo ainda inédito no Brasil, como afirmam Montez e Becker (2005). Se hoje há um questionamento sobre a qualidade do conteúdo da TV aberta, pode-se imaginar que esta nova tecnologia possibilitará a escolha do que assistir, apresentando diversas opções, tornando possível mudar a qualidade da programação a partir da participação social. No entanto, essa participação deverá ser voluntária, e não essencial, para quem acompanha a programação.

Metodologias e propostas

Para que haja essa inclusão social e digital, não basta a possibilidade da interatividade. É necessário criarem-se cidadãos críticos e participantes, capazes de tomar suas próprias decisões após terem acesso às informações, serviços e educação que hoje não têm. Se as políticas públicas forem bem estruturadas, a TV digital pode consolidar um novo paradigma educacional, inclusive permitindo o acesso de toda a população a recursos da internet, vídeos e interatividade para a apresentação de novos conhecimentos, entretenimento, educação, lazer, serviços, permitindo assim o acesso a informações escritas e audiovisuais ilimitadas.

Em relação à educação, as escolas devem se preparar para essa inovação tecnológica, seja criando metodologias de ensino ou adaptando propostas e currículos vigentes, pois será preciso ir além da maneira como se é ensinado hoje, sendo capaz de formar cidadãos participantes e críticos, capazes de tomar suas decisões, além de causar aos alunos interesse pelo que lhe é passado.

Preparar alunos para serem cidadãos

As políticas de implantação da TV digital devem priorizar a igualdade de oportunidades, a participação e a integração de todos, o que só será possível se o acesso aos novos serviços e aplicações oferecidos por esse meio chegar a toda a sociedade, de modo que ela possa usufruir de todas as vantagens econômicas e sociais do progresso tecnológico, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos e tornando possível sua inclusão digital e social.

Para possibilitar essa realidade, são necessárias políticas públicas que ajudem a sociedade a se beneficiar desse progresso tecnológico, assegurando a igualdade de acesso às informações e serviços. Portanto, é essencial um real investimento em educação e esclarecimento à população sobre essa nova possibilidade tecnológica, que será acessível a todos.

A inclusão da TV digital no Brasil não resolverá o problema da inclusão social, mas poderá trazer grandes melhorias para a inclusão digital, pois assegurará às classes menos favorecidas da população o acesso a informações, serviços e educação. Além de que, a utilização da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem está justificada se levarmos em conta que um dos objetivos básicos da educação é preparar os alunos para serem cidadãos de uma sociedade plural, democrática e tecnologicamente avançada.

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Formada em Jornalismo pela Unesp, Bauru, SP

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