Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

TV EM QUESTãO > TV PARA MULHERES

As construções equivocadas da mídia

Por Amanda Julieta em 27/02/2007 na edição 422

Em um mundo onde vigoram futilidades e ausência de sentimentos, não é de surpreender que a mídia brasileira sofra seus reflexos e caminhe pelas trilhas do obscurantismo intelectual. Infelizmente, a grande maioria das emissoras do país acompanha o ritmo do povo brasileiro, enquanto este tem a necessidade de mais conhecimento.

Os brasileiros, de uma forma geral, habituaram-se a ligar o televisor e assistir a programas de pouco valor para o intelecto. A televisão brasileira está passando por um de seus momentos mais degradantes, embora esteja financeiramente em ascensão. Além de programações ‘descerebrantes’, vão ao ar, em muitos canais, programas visivelmente preconceituosos. Um exemplo disso é o Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo. Por que será que as pessoas da casa parecem ser escolhidas a dedo, pelo que são e não pelo que dizem, aparentemente pelo nível de beleza, segundo o estereótipo europeizado criado pela própria mídia?

Reflexo de uma sociedade machista

Se ainda for levada em consideração a questão racial, que está diretamente ligada à da beleza, haverá fatores ainda mais fortes para discussão. Por que entre dezesseis participantes apenas dois são de cor preta, quando vivemos em um país de raízes africanas, onde a maioria da população é negra (79%, segundo os dados do senso do IBGE de 2000)?

Há também a inferiorização do gênero feminino, explícita comumente nos programas humorísticos, onde a mulher aparece, na maioria das vezes, como símbolo sexual sem conteúdo. Esta submissão feminina expressa pela mídia ainda é muito forte, reflexo de uma sociedade machista, por mais que a mulher tenha se tornado independente, um processo que teve início há décadas, e conquistado seu espaço na sociedade.

A TV tem ainda muito a crescer

À população pobre não restam muitas opções de escolha de programas, já que pouquíssimos canais abertos, como a TV Cultura, oferecem boas programações.

Confirma-se, então, que a falta do conhecimento que se pode adquirir através da televisão não é apenas falta de interesse, mas também uma questão social.

Ao invés de programas refletindo o que se tem na sociedade, há a necessidade de programas voltados para o crescimento dela, em todos os sentidos. Já que a televisão é o meio de comunicação mais acessível e influenciador de idéias que se tem, muitas vezes até manipulador, ela deve ser usada a favor da construção do indivíduo, o que é pouco focado pelas grandes emissoras.

Em questão de papel social, a televisão brasileira ainda tem muito a crescer.

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Estudante secundária, Salvador, BA; cafecompaoesia.blogspot.com

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