Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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ENTRE ASPAS >

Banda larga gera choque
entre Costa e a Anatel

Por Luiz Antonio Magalhães em 18/08/2006 na edição 272


Leia abaixo os textos de quinta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 17 de agosto de 2006


INTERNET
Gerusa Marques e Renato Cruz


Anatel mantém licitação da banda larga sem fio


‘Contrariando o pedido do ministro das Comunicações, Hélio Costa, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu ontem manter a licitação das licenças para exploração do serviço de banda larga sem fio para acesso à internet em alta velocidade. Costa queria mudar as regras e chegou a divulgar uma nota no site do ministério, na semana passada, em que dizia que o governo havia decidido adiar a venda das licenças.


A palavra final, no entanto, era do conselho diretor da Anatel, que acabou chegando a um empate na votação sobre o assunto. Como há uma vaga de conselheiro ainda não preenchida pelo governo, não houve voto de desempate. O ministro já dava como certo o adiamento, tanto que chegou a marcar para hoje uma reunião com os presidentes das concessionárias de telefonia fixa. Entre as mudanças propostas pelo ministro estava a possibilidade de as concessionárias de telefonia fixa concorrerem às licenças em todo o País, não apenas fora de sua área de atuação.


A Anatel não quis comentar o assunto. Só divulgou nota sucinta na qual informa que o pedido de adiamento não obteve os três votos necessários dos seus conselheiros, conforme prevê a Lei Geral das Telecomunicações e o Regimento Interno da Anatel. A nota diz que os conselheiros Plínio de Aguiar Júnior (presidente da agência) e Pedro Jaime Ziller de Araújo votaram a favor do adiamento e José Leite Pereira Filho e Luiz Alberto da Silva, contra.


Até a noite de ontem, o ministro não havia se manifestado sobre a decisão, que deverá entrar na lista dos embates entre o órgão e o ministério. A assessoria de Costa informou que a reunião com os representantes das concessionárias está mantida. O encontro é tão importante que ele decidiu abrir um espaço na agenda no dia de seu aniversário.


O edital de licitação prevê que a entrega das propostas pelas empresas interessadas será no dia 4 de setembro e o leilão, no dia 18. As concessionárias haviam reclamado com a Anatel das restrições impostas a elas, tentaram impugnar o edital e não conseguiram. Depois disso, Costa resolveu pedir o adiamento da licitação para mudança de regras. ‘Queremos dar espaço para que eles discutam agora, para que ninguém venha reclamar depois que não foi ouvido’, afirmou o ministro antes da decisão da Anatel. ‘Se insistirem, vamos lá na Casa Civil’, acrescentou.


As concorrentes das concessionárias não queriam o adiamento nem a mudança de regras porque temem que elas usem seu poder econômico e comprem as licenças para impedir a entrada de competidores. Telefônica, Telemar e Brasil Telecom têm cerca de 95% de participação no mercado de telefonia local, o que lhes dá vantagens na hora de oferecer serviços de acesso rápido à internet. A idéia da Anatel ao limitar a atuação das concessionárias seria estimular a competição.


O ministro procurou descartar a possibilidade de as concorrentes serem esmagadas pelas concessionárias. ‘Não vamos deixar’, afirmou Costa. Apesar de dizer que não quer receber reclamação de que as empresas não foram ouvidas, as concessionárias já tiveram oportunidade de opinar durante a consulta pública do edital.’


ELEIÇÕES 2006
Editorial


Um show alheio ao eleitor


‘A cada quatro anos, a mesma lengalenga – o preço desnecessariamente elevado que o eleitor brasileiro paga aos políticos para viver sob o regime do qual já se disse ser o pior, com exceção de todos os outros. Nem a encenação nem o palavreado, nada parece mudar na estréia do horário eleitoral, quando os candidatos seguem a esfarrapada liturgia de se exibir ao distinto público, alguns pela enésima vez, aconteça o que estiver acontecendo no mundo real, ou o que tenha acontecido desde a temporada anterior. Tome-se o exemplo dos principais atores do show – para não ocupar o leitor com alguns exemplares teratológicos que vivem nas bordas do tempo da propaganda na mídia eletrônica e emitem sons capazes de constranger até mesmo os espectadores que já viram de tudo na política nacional.


Todos vieram de baixo e venceram a adversidade à custa de extraordinária perseverança e fé nos valores morais que desde cedo lhes foram inculcados. Por isso mesmo, não apenas o sucesso não lhes subiu à cabeça, continuando eles a ser simples como sempre foram, mas principalmente não perderam a memória de suas origens e as afinidades com os que eram seus iguais – do que se deveria deduzir, se os marqueteiros dos próprios candidatos já não os tivessem encarregado de martelar o evidente sofisma, que governarão, ou prosseguirão no governo pensando nos pobres 24 horas por dia. O que espanta é a impermeabilidade desse rito imutável aos fatos e problemas que, agora e aqui, contam para o eleitor infinitamente mais do que o jogo de sedução a que se entregam os que consideram os destinatários naturais do seu voto.


Como parece óbvio, nada aflige mais as dezenas de milhões de habitantes das megalópoles brasileiras do que a rotina da violência nas ruas e as irrupções do crime organizado. Propositalmente, a estréia do horário reservado aos presidenciáveis, na terça-feira, foi precedida da projeção de um manifesto – reproduzido ontem na primeira página de todos os principais diários do País – em que as entidades da mídia denunciam a ‘descoordenação das autoridades federais e estaduais na questão da segurança pública’ e propõem que o assunto ‘esteja no centro’ do debate sucessório. Mas, em vez de dar à questão a merecida importância – até para provocar impacto, mostrando, logo de saída, que compartilham das agruras do eleitorado -, Lula e Alckmin se concentraram nas respectivas biografias e promessas sociais.


No mesmo dia, um acontecimento nada trivial perturbou a modorra do Congresso. O deputado verde Fernando Gabeira, o primeiro a denunciar a nudez moral do então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusou ninguém menos do que o presidente do Senado da República, Renan Calheiros, de ser membro da ‘quadrilha’ peemedebista que formou um dos ‘bolsões de resistência’ à instalação da afinal bem-sucedida CPI dos Sanguessugas. O inquérito incriminou 72 congressistas, entre os quais o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna, que se afastou do cargo sob pressão, e 7 de seus correligionários deputados. Todos, aliás, são candidatos em outubro, assim como 50 acusados de outros partidos (16 são também deputados mensalônicos absolvidos na Pizzaria Plenário ou que renunciaram).


Foi o que fez na terça-feira o pefelista baiano Coriolano Sales, para não correr o risco de ser cassado antes da eleição. Outros, como o peemedebista capixaba Marcelino Fraga, estavam prontos para imitá-lo. A pressa resulta da iniciativa do PV de pedir que os pedidos de cassação não passem pela Corregedoria da Câmara, indo diretamente ao Conselho de Ética. Correndo contra o relógio, o órgão decidiu que desta vez cada membro poderá relatar mais de um processo de cassação ao mesmo tempo. Talvez como nunca antes, o eleitor parece propenso a registrar os nomes dos candidatos envolvidos em denúncias de corrupção – e não por acaso o programa do presidente Lula mostrou-o, pela primeira vez numa campanha, sem nenhum dos símbolos que fariam lembrar o PT: o vermelho, a estrela e o número da sigla.


Minutos antes de irem ao ar os primeiros petistas de alguma forma associados ao mensalão, ou a outras malfeitorias – para eles, foi como se nada tivesse acontecido -, Lula tornou a culpar ‘todo o sistema político’ pela corrupção, convenientemente esquecido de que o sistema não obrigou ninguém a comprar deputados para beneficiá-lo. Mas a verdade e o horário eleitoral não se misturam.’


MERCADO EDITORIAL
O Estado de S. Paulo


‘Estado’ sorteará um carro zero por mês


‘Serão cinco Ford EcoSport e um BMW, só para assinantes do jornal


A partir de 27 de agosto, o Estado lança a promoção ‘Fidelidade Premiada Estadão’ que sorteará seis carros para os assinantes do jornal, um por mês. Serão cinco Ford EcoSport XLT flex e um BMW modelo 120i Top no sexto mês da promoção, zero quilômetro.


Todos os dias, o leitor irá encontrar um cupom nas páginas do jornal com uma cor correspondente ao veículo sorteado do mês. As séries serão identificadas pelas cores azul, amarelo, verde, vermelha, marrom e roxa.


NÃO-CUMULATIVO


Os assinantes deverão recortar o cupom, preenchê-lo com seus dados pessoais (nome completo, CPF, RG, sexo, estado civil, profissão, telefone, e-mail, endereço completo, CEP, cidade e Estado) e responder à pergunta: ‘Que jornal vai presentear seus assinantes com 5 EcoSport e 1 BMW?’


Depois basta enviar o cupom para o endereço ‘Fidelidade Premiada Estadão’, CEP 05928-960. As apurações não serão cumulativas: os cupons correspondentes a uma série não serão utilizados nas apurações dos meses seguintes. Quanto mais cupons forem enviados, maior a chance de ganhar.


O primeiro sorteio será realizado no dia 6 de outubro. O último, em 9 de março de 2007. Para consultar o regulamento completo da promoção, basta acessar o site www.assinante.estadao.com.br.


Os outros sorteios correspondentes às séries amarela, verde, vermelha e marrom, acontecem respectivamente nos dias 6 de novembro, 8 de dezembro, 12 de janeiro e 9 de fevereiro.’


PUBLICIDADE
O Estado de S. Paulo


Cabeçada de Zidane em anúncio de cerveja


‘A cabeçada do francês Zidane no italiano Materazzi na final da Copa do Mundo inspirou um anúncio criado pela agência canadense Amen para a cerveja francesa Kronenbourg 1664. Com a assinatura ‘Cool down your anger’ (algo como ‘segure sua raiva’), a foto da campanha ganhou comentários elogiosos em sites especializados em publicidade e mídia, como o Ads of the World.’


TELEVISÃO
Carina Flosi


TV Record atua na negociação de seqüestro


‘Quando o empresário José Fortes Reina, de 57 anos, ouviu os seqüestradores gritando ‘sujou, a casa caiu’, respirou aliviado. Pensava que havia chegado ao fim o pesadelo de ficar quase 30 dias em cativeiro. Desidratado e com a pressão alta, logo depois Reina ouviu o tiroteio entre a Polícia Militar e os criminosos. No confronto, um bandido foi baleado no rosto e morreu ao despencar da laje do sobrado onde ele estava, na Favela da Vila Clara, em Americanópolis, zona sul da capital. Mas a vítima ainda teria de esperar longas seis horas de negociação para ser libertada, sem ferimentos.


Reina foi seqüestrado na manhã de 18 de julho, no caminho para a sua construtora, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. Ele dirigia na Rua Sebastião Barbosa de Lima quando um carro fechou a passagem. Os seqüestradores armados o obrigaram a entrar no veículo. Ele foi levado ao sobrado, na Favela da Vila Clara. ‘Começou aqui e acabou aqui’, disse ontem, abalado, à equipe da Rede Record, ao ser libertado.


As negociações com os criminosos foram tensas. Após o tiroteio, que acabou com um bandido morto, os seqüestradores temiam ser mortos e exigiram a presença de uma emissora de televisão para libertar o empresário. A PM, então, ligou para a Record. ‘Chegamos às 6h30 perto do cativeiro num patrulhamento de rotina. Fomos recebidos à bala. Havia cinco bandidos. Dois fugiram, um foi morto e dois seguiram no local. Quando descobrimos que no sobrado estava uma vítima de seqüestro, pedimos apoio’, descreveu o sargento da Força Tática do 3º Batalhão Denilson Machado.


Mais de 30 viaturas da Polícia Militar e policiais do Grupo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE) e Divisão Anti-Seqüestro (DAS) fizeram cerco na favela. A operação ainda contou com o helicóptero da PM.


FILMAGEM


Às 10h30, o delegado divisionário da DAS, Antônio de Olim, comandou as negociações com dois seqüestradores, Antônio Correia da Silva, 26, e um menor de 17. ‘Liberei a entrada da imprensa e deixei eles ligarem para seus advogados como técnica de negociação. Eles deram a palavra que iriam libertar a vítima em troca das exigências e da integridade física deles’, explicou o delegado. Os bandidos queriam que a emissora transmitisse ao vivo a negociação. Mas o repórter disse que não havia sinal para a transmissão.


Só às 12h06, Correia e o menor decidiram libertar Reina. ‘É um grande alívio. Fui bem tratado. Pode avisar minha família que está tudo bem’, disse, com os olhos marejados.


Em seguida, o empresário foi levado ao Hospital Nossa Senhora, no Jabaquara, zona sul, onde recebeu soro. Ele deixou o hospital às 14h30, acompanhado dos parentes. Contou à polícia que passou por dois cativeiros. Ficava a maior parte do tempo deitado em um colchão, onde recebia alimentação.


Os seqüestradores exigiram da família do empresário R$ 4 milhões como pagamento de resgate, que não foram pagos. Para a polícia, a quadrilha é articulada e pode ser formada por mais de dez homens, entre líderes e olheiros – menores pagos para vigiar a vítima.


O sobrado escolhido como cativeiro fica em um beco de difícil acesso nas entranhas da Favela da Vila Clara, em Americanópolis, perto do Jabaquara, zona sul. ‘Aqui é o local propício para um cativeiro, dominado por traficantes. Por isso, os PMs que patrulhavam o local e foram recebidos a tiros logo perceberam que se tratava de um seqüestro’, explicou o sargento Denilson Machado, que trabalha na área.


SENHA


Ontem, na porta da DAS, o advogado dos acusados contou que, quando a polícia chegou ao sobrado, os bandidos perguntaram: ‘Qual é o salve?’. Eles queriam saber a senha para abrir a porta do cativeiro. Como os policiais não responderam nada, os bandidos acharam que haviam sido descobertos. No cativeiro, a polícia apreendeu uma pistola, um revólver, uma faca, um carregador de metralhadora e oito bananas de dinamite. Os policiais suspeitam de que a dinamite poderia ser usada em ataques. ‘Eu nego que eles sejam do PCC (Primeiro Comando da Capital)’, afirmou ontem o advogado Jefferson Badan.’


Julia Contier


SBT adverte Dado


‘Os problemas com Cristal, atual produção do SBT no campo das novelas, estão longe de acabar. Mas, se é ruim como está, pior seria fechar as cortinas repentinamente. A substituta, também com texto made in Televisa adaptado para a TV de Silvio Santos, ainda vem sendo escolhida e tem estréia prevista só para outubro, talvez novembro.


A questão do momento é contornar a diplomacia interna. Após o afastamento do diretor Herval Rossano, a missão mais delicada continua tendo Dado Dolabella como alvo. Não fosse ele o protagonista, sua saída já teria se consumado. Não que o rapaz não seja querido por elenco e equipe, mas nem todo mundo está disposto a tolerar ator que se atrasa com freqüência e que chega para gravar sem texto decorado. O SBT informa que Dado já foi devidamente advertido.


Ao histórico de Dado no SBT somam-se um bate-boca com o diretor Del Rangel, um dos diretores do folhetim, e desentendimento com seu par em cena, Bianca Castanho.


Cristal tem registrado média de 6 pontos em São Paulo, a menor na história de novelas produzidas pelo SBT nos últimos 13 anos.


Tour por Chicago


De sex shops, passando por bares gays, docerias e grandes parques, Mel Lisboa fez um tour completo por Chicago, nos EUA. O passeio começa no Millennum Park, bem no coração da cidade, e vai ao ar na quarta-feira, no Oi Mundo Afora, às 23h45, no GNT.


entre- linhas


Citando o PCC como ‘Premier command de la capitale’, o Le Figaro e o Le Monde, dois dos principais jornais franceses, dedicaram algumas linhas ao caso do seqüestro sofrido pelos profissionais da TV Globo.


Diretor de programação do SBT, o temido jornalista Ricardo Valladares tem sido chamado nos bastidores da emissora como ‘governador Valladares’, referência clara ao poder lá desempenhado.


A MTV Brasil transmite o Video Music Awards 2006 ao vivo, do Radio City Music Hall, em Nova York. Dia 31, às 22 horas.


Faz tempo que o Cidade Alerta com José Luiz Datena saiu do ar, mas a dor de cabeçacontinua valendo para a Record. A rede foi condenada na Justiça a pagar cerca de R$ 70 mil de indenização por danos morais a um PM acusado em 2003 de envolvimento com o tráfico. Datena teria ofendido o PM ao chamá-lo no ar de ‘tubarão da droga’. À ação cabe recurso.


Corrigindo, o programa Um Pé de Quê? vai ao ar em nova temporada no canal Futura.


O GNT reapresenta, a partir de hoje, às 23h45, a série Weeds, protagonizada pela atriz Mary-Louise Parker. Weeds mostra o cotidiano de uma viúva que passa a vender drogas em uma pacata cidade do interior americano para sustentar sua família.


Chaves, o seriado, resiste. O programa levou o SBT ao empate com a Globo no primeiro lugar anteontem, das 11h59 às 12h30, em 12 pontos de audiência na Grande São Paulo.’


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 17 de agosto de 2006


ELEIÇÕES 2006
Michele Oliveira, Paulo Peixoto, Fábio Guibu, Mari Tortato E Kamila Fernandes


Horário eleitoral de aliados omite imagens de Alckmin


‘O candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, enfrentou um ostracismo ontem nas campanhas de TV de seus colegas de partido e aliados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Ceará. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas, teve melhor desempenho: esteve na maioria dos programas estaduais de seus aliados.


Candidatos ao governo dos dois maiores colégios eleitorais do país, Serra e Aécio, que disputaram com o ex-governador a candidatura ao Planalto, ignoraram Alckmin. Nem mesmo o nome do candidato apareceu na TV. O ex-prefeito paulistano fez tímida referência ao colega. ‘São Paulo avançou muito nos últimos anos’, disse. No programa da noite, Alckmin apareceu rapidamente, enquanto Serra votava em 2002.


No Sudeste, Alckmin perdeu seis pontos percentuais em 21 dias, segundo o Datafolha.


Em Pernambuco, até seu vice apareceu mais. A propaganda do candidato à reeleição José Mendonça Filho (PFL) colou sua imagem à de José Jorge, também pefelista. Além de não citar o tucano, o programa exibiu, à noite, imagens de Lula.


O tucano também ficou de fora dos programas no Ceará e no Rio Grande do Sul. Seu colega de sigla Lúcio Alcântara (PSDB-CE), que tenta a reeleição, se esqueceu de Alckmin. No Paraná, onde é apoiado pela coligação PPS-PFL, seu nome também não apareceu ontem.


Ao desembarcar na tarde de ontem na capital mineira, Alckmin minimizou seu sumiço da TV. ‘Toda a prioridade é para os candidatos aos governos falarem das suas propostas, das suas campanhas.’


Amigo há 30 anos


Aloizio Mercadante (PT) fez o contrário do adversário Serra. Com uma desvantagem de 32 pontos, usou a imagem de Lula à exaustão. Nos seus 3min51s da tarde, o senador exibiu 19 imagens de Lula. Se colocou como ‘amigo e companheiro de Lula há 30 anos’ e mostrou um depoimento do presidente, no qual é chamado de ‘companheiro de todas as horas’.


O mesmo fez Nilmário Miranda (PT) em Minas Gerais. No depoimento ao seu ex-ministro, o presidente disse que é a oportunidade para que Minas faça uma ‘grande parceria’ com o governo federal.


Em Pernambuco, Lula esteve em três programas. Além de aparecer no de Mendonça Filho, foi exibido no de Humberto Costa (PT), que foi apresentado como ‘o candidato de Lula’, e no de Eduardo Campos (PSB), que disse ter ajudado Lula a ‘assegurar investimentos’ para o Estado.


No Ceará, Lula e o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) foram os principais personagens do programa de Cid Gomes (PSB). No Rio Grande do Sul, no Paraná e no Rio, Lula ficou de fora ontem dos programas.’


Michele Oliveira


Petista usa crise na segurança contra o PSDB


‘A 46 dias da eleição e 32 pontos atrás do tucano José Serra, Aloizio Mercadante (PT) usou no seu programa da noite de ontem a crise de segurança que atinge o Estado desde maio para atacar o PSDB.


Em vez de só discursar sobre o tema, como fizera à tarde, o senador mostrou um menino com os olhos vendados ‘de 12 anos’. ‘Ele nasceu no mesmo ano em que o PSDB assumiu o governo de São Paulo. (…) O que viu nos atentados do PCC neste ano ficou definitivamente marcado na memória de Daniel’, afirmou o locutor.


Em seguida, foram exibidas imagens de ônibus pegando fogo, presidiários e carros baleados.


Ao falar, Mercadante manteve o tom. Citou o ‘seqüestro de uma equipe de jornalistas’, em referência aos dois profissionais da Globo, e concluiu: ‘Que o PCC nasceu, cresceu e se organizou nestes 12 anos de governo do PSDB é um fato’. Propôs uma força-tarefa, unindo Forças Armadas, Polícia Federal e Ministério Público às polícias de SP.


Já Serra pouco tocou no assunto. Citou o tema só quando listou suas ‘prioridades fundamentais’: ‘saúde, educação, segurança e emprego’, nessa ordem. E foi só.


E, enquanto o petista ignorou o escândalo do mensalão, Serra também não mencionou sua saída precoce da Prefeitura de São Paulo. Disse apenas que é candidato para colocar a sua ‘experiência a serviço do meu Estado’.


O ex-governador Orestes Quércia (PMDB), sem mirar em ninguém, prometeu na TV: ‘Vou resolver a questão da segurança em São Paulo’.’


Catia Seabra


Alckmin se reúne com bancos antes de criticar lucro na TV


‘O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, participou de uma reunião com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) na tarde de terça-feira, mesmo dia em que foi levado ao ar o programa eleitoral no qual ele disse que não ajudará ‘banqueiro a ficar mais rico com os mais altos juros do mundo’. Com cerca de 60 participantes, o encontro não foi divulgado pela equipe do tucano nem pela Febraban.


Na reunião, de uma hora e meia, Alckmin apontou o ajuste fiscal como meta permanente e pregou a necessidade de reformas política, tributária e previdenciária. ‘Música para nossos ouvidos’, reagiu o presidente da Febraban, Márcio Cypriano (Bradesco), segundo um dos participantes.


Questionado sobre a dificuldade de traduzir seu ‘choque de gestão’ para nordestino, Alckmin afirmou que não recorreria a promessas fáceis, como o aumento do benefício do Bolsa-Família, para conquistar votos. Disse que, na região, seu discurso será a do emprego.


Ele afirmou que, saindo dali, repetiria as mesmas palavras numa reunião com sindicalistas filiados à Força Sindical.


Com a greve dos metroviários e a agenda cheia, Alckmin, no entanto, não chegou a tempo ao evento da central. Além de contrariar sindicalistas, o cancelamento irritou o candidato do PSDB ao governo do Estado, José Serra, que deixou as gravações do programa eleitoral para acompanhar Alckmin. Serra foi até o local do encontro, na Casa de Portugal, e voltou para o estúdio.


Alckmin chegou à Febraban às 17h30, já com meia hora de atraso. Saiu de lá às 19h, uma hora após a previsão de início da reunião com cerca de mil sindicalistas.


Na Febraban, ele atribuiu motivação política à greve dos metroviários. Após listar medidas adotadas por seu governo na área de segurança, ele alegou que a crise no Estado era causada pela morosidade da Justiça em autorizar a aplicação de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) para presos perigosos.


Além do choque de gestão, Alckmin defendeu as reformas previdenciária, começando pelo setor público, e política. Mas, mesmo reconhecendo distorções no critério de representatividade no Congresso, disse que tem os ‘pés plantados no chão’ e duvidou de mudanças no sistema que fixa número mínimo e teto de deputados eleitos por Estados.


Citando sempre o governador Mário Covas, Alckmin disse que o governo de São Paulo é uma prova de que o ajuste é tarefa permanente. Ele apresentou dados sobre saúde e educação em São Paulo.


A Febraban deverá convidar todos os candidatos para ouvir suas propostas.’


Folha de S. Paulo


Em ‘ex-blog’, Maia dá dicas para candidata


‘Aliado formal do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), só fala na senadora Heloísa Helena (PSOL) em seu ‘ex-blog’ -newsletter enviada a assinantes. Quase todos os dias, elogia a alagoana, dá dicas e anexa vídeos dela. Ontem sugeriu manobras publicitárias que afetariam seu próprio candidato.


Maia sugeriu que a senadora resgate comercial da campanha eleitoral fluminense de 1982, que teria provocado virada na disputa, deixando os favoritos na pesquisa para trás.


Segundo Maia, o comercial virou o jogo. Leonel Brizola acabou eleito e Moreira Franco ficou atrás, quando os favoritos eram Sandra Cavalcanti, em primeiro, e Miro Teixeira, em segundo.’


JORNALISTA SEQÜESTRADO
Janio de Freitas


Seqüestro da compreensão


‘A TRIBUIR AO SEQÜESTRO do repórter Guilherme Portanova o sentido e a força de ‘ameaça à democracia’, como fazem várias entidades brasileiras e estrangeiras, é uma precipitação sem fundamento algum. Por acaso, grande parte da insegurança urbana não tem relação com a insuficiência de democracia, com sua distribuição tão perversamente desigual no Brasil?


A lei vale e tem o mesmo peso para todos? A oportunidade de trabalho regular, para prover a sobrevivência familiar em nível digno do ser humano, está alcance dos que dela dependem? O saneamento, a assistência médica, a infra-estrutura de habitabilidade merecem, para todos, a mesma atenção dos poderes municipais, estaduais e federais? A Constituição ‘democrática’ é aplicada igualmente, ou está desconsiderada, desde sua criação há 18 anos, em partes fundamentais de uma democracia?


O que há de democracia no Brasil continuou funcionando, ileso, depois como antes do seqüestro. Não há vestígio real de ameaça alguma à democracia, a não ser na riqueza imaginativa ou nos interesses da riqueza. A falta de democracia é que pode gerar ameaças.


Mas não é inócua a atribuição de ameaça daquele seqüestro ao regime. Embaça mais a compreensão do problema da criminalidade, tal como faz o descaso com que mais essa tragédia social é tratada enquanto avança.


É o caso


A propósito, o único jornalista que emociona Lula fez agora o possível para ser contestado pelos que se opuseram à sua pretendida expulsão. Em correspondência sobre a onda de violência e o seqüestro de um repórter em São Paulo, ‘The New York Times’ publicou uma inverdade absurda. Larry Rohter informou que os criminosos têm maior poder de fogo do que a polícia.


Foi mais uma adoção dessas conclusões que mais perturbam do que clareiam os fatos e sua compreensão, mas que jorram na mídia.


Direito autoral


Já que permanece o assunto da demissão de José Dirceu, se pedida, decidida por Lula ou por ‘conclusão comum’, é melhor recorrer a uma lembrança.


Na sessão de CPI em foi confrontado com o então deputado Roberto Jefferson, cujos ‘instintos mais baixos’ foram ali incomodados pelo adversário, José Dirceu fez essa referência no meio de uma frase: ‘[quando] o presidente Lula me demitiu’. (Pode ter sido ‘[quando] fui demitido pelo presidente Lula’).


Foi a primeira referência à demissão por iniciativa presidencial, e passou despercebida. Mas não foi a única.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Megachato


‘O cientista político Rubens Figueiredo, especialista em marketing eleitoral, falando do horário gratuito para a rádio Jovem Pan, a certa altura, vaticinou:


– É um dos programas mais chatos da TV mundial.


Então, ao noticiário. Nas manchetes do site Folha Online ao ‘SBT Brasil’, ao longo do dia e da noite, uma operação conjunta de Receita e Polícia Federal atacou, nas palavras oficiais, ‘o maior esquema já constatado de fraudes no comércio exterior’. Daí os enunciados retumbantes -com expressões como ‘mega-esquema’ ou ‘mega-operação’. Ou, no iG, ‘maior operação da história prende 79 por fraude’.


UM PROBLEMA


O que mais ecoou da campanha não foi a propaganda, mas a entrevista de José Serra ao ‘SPTV’. O programa tentou manter o candidato ‘na parede’, como o ‘JN’, mas foi em pergunta das mais simples que o candidato escorregou.


Ao responder sobre ‘a baixa qualidade da educação’, disse que se ‘tem que entender que SP tem muita imigração, muita gente que continua chegando, este é um problema’.


Daí para a submanchete do UOL, ‘Problema na educação em SP deve-se à migração, afirma Serra’, mais ‘Candidato tenta minimizar polêmica’.


É/NÃO É


Daí às colunas e blogs. Gilberto Dimenstein escreveu ‘não creio que Serra tenha sido preconceituoso, ele só foi desinformado’. E Josias de Souza, ‘além de preconceituosa, análise é equivocada’:


– Um nordestino não é mais burro do que um paulista. Só é mais pobre. E para crianças pobres São Paulo oferece escolas indigentes.


AMAZÔNIA


Enquanto Heloísa Helena declarava, ao tratar da viagem que faz hoje a Manaus, que ‘o desafio do povo brasileiro é preservar a Amazônia e ao mesmo tempo explorar sua biodiversidade’, Lula estava um passo além na adaptação.


No título no site do ‘Wall Street Journal’, com base em uma reportagem do ‘Valor’, ‘Lula pressiona por projeto de hidrelétrica na Amazônia’.


Ele estaria ‘frustrado’ com os atrasos na obra e teria cobrado o sinal verde do Ibama.


AINDA A FRONTEIRA


Pouco ecoou no Brasil, mas despachos de agências e até a Voz da América, esta do governo dos EUA, noticiaram a criação, anunciada no Itamaraty, do Centro de Inteligência Latino-americana na ‘região da Tríplice Fronteira’.


Do texto da VOA, ‘funcionários americanos têm expressado preocupação repetidamente de que a Tríplice Fronteira seja usada para obter recursos para extremistas islâmicos fora da região’.


À esq., mistura de duas fotos que foi primeira página no ‘Los Angeles Times’ em 2003; à dir., soldados se multiplicam em comercial de George W. Bush em 2004


MENTIRAS


Com a recente revelação de mais uma imagem alterada, na cobertura do Oriente Médio, o site de mídia News.com, ligado ao ‘NYT’, publicou duas dezenas delas, ao longo de história -desde os sumiços de Leon Trotsky, na Rússia, até o caso das capas de revista de O.J. Simpson nos EUA.


DE NOVO


Deu na Reuters e já chegou aos blogs do setor, como o Search Engine Watch, que ontem trazia, num título:


– Orkut está causando problema no Brasil de novo.


É que o Ministério Público anunciou que decide até amanhã se encaminha à Justiça ação contra o Google, dono do Orkut. O argumento é que ‘se recusa a dar informações sobre criminosos’. O Google garante que ‘tem colaborado’.


O ANO DO VÍDEO


O blog de mídia de Tiago Dória no iG achou, na prévia de um estudo da consultoria Comscore, a lista dos sites de vídeo mais visitados nos EUA.


Neste que ‘poderá ser o ano do vídeo na internet’, o líder é o Yahoo Video, ‘lançado mais tarde’, com 21,1 milhões. É seguido de MySpace Videos, com 20,1 milhões, e You Tube, 16,1 milhões, ‘apesar de todo o hype’. O Google Video só aparece em sétimo lugar.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record reavalia se realiza debate sem Lula


‘A decisão do presidente Lula de não participar de debates no primeiro turno e a falta de confronto no evento realizado pela Band na última segunda-feira levaram a Record a reavaliar se realiza ou não o seu, agendado para o próximo dia 4. Uma reunião foi convocada para a próxima segunda para bater o martelo sobre o assunto.


As chances de a Record promover um encontro entre os presidenciáveis caíram a ‘menos de 50%’ nesta semana, de acordo com um executivo da rede, depois do debate da Band, que, avalia, foi apenas um bate-papo entre candidatos.


A Record teme principalmente que, sem Lula, seu debate dê menos de dez pontos no Ibope, o que derrubaria sua média das noites de segunda e favoreceria o SBT. O debate da Band deu quatro pontos.


A Record também poderá cancelar o debate entre candidatos ao governo de São Paulo, previsto para 11 de setembro. A emissora tem que convidar 13 dos 16 candidatos, mas só quer reunir os seis mais bem colocados nas pesquisas. O problema é que não está conseguindo costurar um acordo de compensação de tempo de exposição na TV com os ‘nanicos’.


A estréia do horário eleitoral, anteontem, marcou 42 pontos no Ibope na edição noturna. Na terça anterior, as TVs abertas somaram 68 pontos no mesmo horário (20h30/21h20).


NOVA SAFRA 1


Diretor-geral artístico da Globo, Mário Lúcio Vaz anunciou ontem à tarde, no encerramento de encontro anual de criação, os projetos que serão testados no final deste ano, entre mais de 90 apresentados por diretores e roteiristas.


NOVA SAFRA 2


As principais novidades são uma série sobre um jovem com poderes paranormais (apresentado por J.B. de Oliveira, o Boninho, e Ronaldo Santos) e um infantil baseado em peça dos atores Leandro Hassun e Marcius Melhem (o gordo e o magro de ‘Zorra Total’).


NOVA SAFRA 3


A Globo também fará um telefilme de Natal (‘Papai Noel Existe’) e dará segunda chance ao projeto de série cômica ‘Os Amadores’, testada em 2005.


TROCA-TROCA


Rodolpho Gamberini não é mais apresentador do ‘SP Record – 2ª Edição’. Passou para o ‘Domingo Espetacular’. Em seu lugar, assumiu ontem Luciano Facciolli.


OUTRO LADO 1


O ator Antonio Calloni nega que seu personagem em ‘Páginas da Vida’ morrerá na próxima terça porque ele se rebelou contra o autor, Manoel Carlos, recusando-se a gravar cena de texto enviado em cima da hora.


OUTRO LADO 2


Calloni diz que pediu para sair porque está ‘completamente esgotado’. Conta que emenda um trabalho no outro há mais de dois anos _fez a novela ‘Começar de Novo’, ‘JK’, três filmes e uma dublagem. ‘Só quero descansar para poder voltar a trabalhar’, disse.’


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