Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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Chefe da Globo avalia resistência a ‘Babilônia’

Por Cristina Padiglione em 30/06/2015 na edição 857

Diante de tendências conservadoras e de uma polarização de comportamentos, ideologias e religiões, é de se perguntar como um canal de TV que sempre foi bem sucedido em agradar o gosto médio da massa tem agido na escolha de sua programação. Diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder reconhece que há “um país mais conservador do que você imagina”, mas não descarta a “fragilidade” de Babilônia ao fazer um diagnóstico sobre o que teria impedido que a novela das 9 alcançasse uma audiência maior que seus 24 ou 25 pontos, média bem aquém do hábito do horário. o diretor conversou com poucos jornalistas, incluindo o Estado, na sexta, 26, no Planetário do Rio, durante o International Academy Day, evento criado pela academia que organiza a premiação do Emmy e que tem a Globo como anfitriã este ano.

Boa parte da reforma operada na novela das 9 foi determinada não pela Globo, mas por observações feitas pelo Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Classificação Indicativa. O MJ, no entanto, nega que tenha feito restrições ao beijo entre Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, sob o argumento de que não discrimina beijo hétero ou homossexual. “Eles dizem isso, mas essa questão também aparece nas anotações que nos chegam”, ressalta.

“O beijo é o pano de fundo., Não é o beijo, especificamente, mas há o acompanhamento da novela com lupa. O Ministério da Justiça acompanha rigorosamente tudo. Às vezes, uma chamada chama a atenção deles. Entre o processo de uma conversa e o resultado efetivo de uma notificação, tem um diálogo. Se você olhar o beijo, não há motivo para notificação. E não houve mesmo,. Às vezes (uma notificação) é motivada por um e-mail de um telespectador. Tem que ter bom senso. Se você vir que aquilo ali está de fato indo contra uma classificação, discute, alerta. Nós temos a CAT (Central de Atendimento ao Telespectador), com 6 mil ligações por dia. As pessoas reagem. Qualquer excesso, a gente percebe na hora.”

Se a novela atual tinha prostituição na sinopse original, por que o MJ também não alertou a emissora por Salve Jorge, que abordava esse assunto, na mesma faixa horária? “Em Salve Jorge, implicaram também. Toda novela tem algo”. E, se alguma advertência chega perto do fim da novela e não houver prazo para ser corrigida? “A punição, aí, é que a gente não pode usar a novela no Vale a Pena Ver de novo”, diz.

Caminho das Índias, que ocupará a reprise da tarde a partir de julho, sofreu vários cortes para se adequar à classificação do horário.

Schroder lembra que corre no STF, “há anos”, ação movida por associações que representam as empresas de radiodifusão (incluindo a Globo) para que a Classificação Indicativa se torne Orientação Indicativa, sem imposição de horário, “como nos Estados Unidos”, diz. As TVs anunciam que determinado programa não é adequado para menores de X anos, sem que esse “orientação” esteja atrelada à imposição de faixas horárias, o que já ocorre aqui na TV paga. “Se o Supremo decidir pela Orientação Indicativa, acaba esse problema”, fala Schroder.

O diretor reconhece os méritos das novelas infantis no SBT e de Os Dez Mandamentos, na Record. “A gente fez muitas reuniões de avaliação com o Gilberto (Braga, autor) e com o Silvio (de Abreu, chefe do núcleo de novelas) para discutir. São coisas que, às vezes, você não entende. Acho que tem dois fatores: o primeiro, claro, a novela em si, alguma coisa da trama não funcionou. Mas, ao mesmo tempo, houve uma mudança com a estreia de Os Dez Mandamentos e a novela infantil que o SBT colocou. Algum público já tinha saído também. Não vou tirar o mérito de um lado e, talvez, a fragilidade do outro, mas as duas combinações aconteceram.”

Schoreder aposta em A Regra do jogo, de João Emanuel Carneiro, que já vem sendo gravada e terá sua estreai antecipada, para fim de agosto. Sabe que SBT e Record manterão, cada uma, a receita que deu certo lá, “mas acho que sempre que você tem um produto forte você derruba isso”. “Por isso, acho que tem uma fragilidade no que aconteceu, o que propicia um terreno fértil para o outro crescer. Quando o produto é forte, não tem jeito, é vencedor. A novela do João está muito forte. o elenco é excepcional.”

O chefe garante que autores, diretores e criadores da casa não estão pisando em ovos em razão dos problemas agora enfrentados por Babilônia. Cita Verdades Secretas como uma novela ousada, que se permitiu ser apresentado num horário mais cedo, em sua primeira semana, para ganhar público. Agora, entrando em questões mais fortes, como drogas, sabe que seu horário tem de ser mais tarde, de fato após as 23h.

Player

O diretor contou ainda que a Globo lançará em breve um aplicativo de celular e nova plataforma de player na internet para que o público possa acessar a programação da Globo ao vivo, via streaming, ou assistir também programas já exibidos. A novidade será colocada em prática ainda este ano.

***

Cristina Padiglione, do Estado de S.Paulo

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