Segunda-feira, 27 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Chega a ser comovente ver a Globo no ar

Por Nilson Lattari em 14/04/2015 na edição 846

Chega a ser comovente a campanha que faz a Globo e o seu sistema de comunicação e agregados pedindo manifestações contra o governo. Realmente, a gente fica até chateado. Tanto dinheiro, tempo, dinheiro da publicidade e, certamente, amarrando os anunciantes com uma situação política constrangedora é um caso sério, tipo depressão, cama de analista, ioga, adesão ao budismo, sei lá. Eles até estão tentando. Seria comovente, se não desse vontade de rir. Os jornalistas ali tentando animar a plateia, fazendo oba-oba, dando uma cobertura, respaldo. Estamos aí, gente! Tamos junto e ainda mais misturados e enrolados.

Chega a ser comovente como a Globo e o seu sistema de comunicação e agregados não cobrem, devidamente, os movimentos contrários ao movimento que a Globo e agregados apoiam. Afinal, a Globo diz a que veio: para o tudo ou nada. É menina serelepe buscando o mágico de Oz, com seus homens de lata e leões em busca de corações perdidos, um exército de Brancaleone.

Chega a ser comovente como a Globo gasta um tempo precioso, de valor (?) – afinal os seus comerciais estão entre os mais caros e disputados (sic) – em busca do paraíso perdido, já que os agregados estão na penúria, demitindo (ou será que buscarão a terceirização?).

Chega a ser comovente ver o empenho dos funcionários da Globo e dos agregados na tentativa de argumentar o indefensável, apesar dos índices de desaprovação (?) do governo, mesmo que o trending topic do Twitter “bombe” com a hashtag, para aceitar a derrota e seguir em frente.

A gente se vê?

Chega a ser comovente como a Globo e os sistemas de comunicação dos agregados lutam contra o tempo, porque o saco de maldades foi colocado nos primeiros dias, os aumentos que apertaram a inflação em breve estarão no preço e o segundo semestre, ou mesmo antes disso, a coisa vai começar a virar. Dos 13%, ou do chão não passa, e daí, qualquer uma bondade do governo vai subindo pontinho por pontinho, ao som de panelaços, cartazes apoiando a ditadura e mulheres nuas candidatas às capas de revistas (pode existir algo mais desmoralizante do que isso… tudo junto?).

Pois é, o movimento vai caindo, vai caindo, enquanto o Congresso se encarrega de estragar o “muvimento” tentando nos enfiar por goela abaixo, medidas, realmente, liberais, inclusive contra os partícipes e partidários da Globo, meio apalermados, sendo apunhalados por todos os lados. E no final nem os gatos pingados restarão.

Chega a ser comovente como é fácil derrotar um suposto grande poder da mídia quando ele escolhe fazer política em vez de jornalismo. É aquela história: se ficassem do lado deles mesmos, até teriam um pouco de respeito. Como resolveram assumir um lado, escolheram o lado errado.

Chega a ser comovente um adversário, ou suposto adversário, entrar no ringue cheio de marra, acabar nas cordas e fingir que nada está acontecendo.

Na Globo, a gente se vê?

***

Nilson Lattari é escritor

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