Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 16/11

China tenta blindar visita de Obama

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 18/11/2009 na edição 564


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira,16 de novembro de 2009


 


OBAMA NA CHINA


Raul Juste Lores


China tenta ‘blindar’ visita de Obama


‘A realização de um debate com 600 estudantes, que farão perguntas diretamente ao presidente Barack Obama hoje em Xangai, revela a tensão durante a primeira visita oficial do americano à China.


Até ontem à noite, quando o presidente desembarcou em Xangai, não estava claro como seria o debate, em um país onde professores ditam que perguntas universitários podem fazer em eventos similares.


A transmissão seria para todo o país, mas deve ficar limitada a Xangai. Ao mesmo tempo, pelo menos uma centena de ativistas e dissidentes políticos estão em prisão domiciliar ou foram retirados de Pequim e Xangai às vésperas da visita.


O governo chinês teme protestos e tentou evitar que Obama se encontre com dissidentes -e receia que algum estudante fale sobre censura na internet no debate ao vivo.


Nos últimos anos, há diversos sinais de retrocessos na liberdade de expressão e aumento do controle e da censura no país, após certa abertura nos anos 90.


Obama se encontrará com o presidente chinês, Hu Jintao, e o primeiro-ministro Wen Jiabao e visitará a Cidade Proibida e a Grande Muralha em Pequim, onde chega hoje e fica até quarta-feira. Na agenda, cooperação econômica, contenção da Coreia do Norte e do Irã, ambos aliados chineses, e a mudança climática -China e EUA são os dois maiores emissores de poluentes do mundo.


Mas, como a China é a maior financiadora do deficit público americano, pois usa bilhões de dólares de seu superavit comercial para comprar títulos do Tesouro americano, observadores políticos duvidam que Obama seja direto na cobrança em relação ao desrespeito dos direitos humanos dos anfitriões. Ou que consiga chegar a um acordo sobre novas sanções à Coreia do Norte ou ao Irã se continuarem seus programas nucleares.


A Coreia do Norte serviu de Estado tampão por décadas de Guerra Fria, e o Irã se tornou o segundo maior fornecedor de petróleo à China no último ano.


A China possui US$ 1,6 trilhão em moeda e títulos do Tesouro americano, segundo estimativas recentes. Obteve US$ 275 bilhões em superavit em seu comércio com os EUA.


Perseguição religiosa


Outro grupo que o governo quer controlar no esforço antiprotesto durante a visita de Obama é o dos fiéis das ‘igrejas clandestinas’. Elas são formadas por grupos de leitura da Bíblia que começam em apartamentos, mas que têm se multiplicado pelo país.


A China só permite o funcionamento de igrejas com autorização do Partido Comunista, que pode até nomear pastores, padres e bispos. O país não tem relações diplomáticas com o Vaticano e é oficialmente um Estado ateu.


Ontem, cerca de 800 fiéis da igreja evangélica Shouwang desafiaram a pressão policial e se reuniram no auditório alugado de uma faculdade em Pequim. Na semana passada, eles tiveram que se reunir em um parque, sob a neve, depois de terem sido desalojados de um condomínio.


Os pastores estavam detidos em suas casas, mas, diante da negativa dos fiéis de classe média de abandonar o recinto, a polícia acabou liberando os pastores, que foram escoltados até chegar ao altar, segundo presentes relataram à Folha.


No ano passado, o ex-presidente George W. Bush foi a um culto em Pequim em uma igreja autorizada pelo governo chinês. Ativistas pedem que Obama defenda a liberdade religiosa no país e se encontre com líderes das igrejas clandestinas.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


EUA, China e o fracasso


‘Na manchete da Folha Online, ‘Líderes mundiais defendem adiar acordo sobre clima’. No ‘Guardian’, ‘Esperança se esvai’. No ‘El País’, sem dar voltas, ‘EUA e China fazem Copenhague fracassar’.


Antes, do ‘Figaro’ ao ‘Times of India’, destaque à união França-Brasil para a ‘batalha de Copenhague’. A coluna ambiental do ‘New York Times’ dizia que o corte de emissões proposto pelo Brasil ‘elevou o que está em jogo’ e precedeu a reação dos EUA.


Também no ‘NYT’, Thomas Friedman escreveu do Pará, cobrando: ‘O Brasil parece pronto para fazer a sua parte. Nós estamos? E você, China?’


SEXTA-FEIRA DE SORTE?


Um mês atrás, o ‘Painel’ deu a nota ‘Viés’, informando que ‘chamou a atenção, no relatório do TCU que resultou na paralisação de obras do PAC, a ausência do Rodoanel de São Paulo, vitrine de José Serra. Os mentores do índex são dois ministros originários do DEM’.


Ontem a Folha informou, com eco por Globo e sites, que o TCU fez ‘acerto’ com o governo paulista, sobre o uso de vigas pré-moldadas, e assim ‘excluiu o Rodoanel’ da lista. Por outro lado, na escalada de manchetes de anteontem, no ‘Jornal Nacional’:


‘O acidente na obra do Rodoanel. Três vigas caem em cima de dois carros e uma carreta. Todas as pessoas sobreviveram. Foi uma sexta-feira de sorte.’


1 ANO DEPOIS


Terça no ‘Valor’, Pedro Moreira Salles relatou a ‘tática de guerra para segurar ações’ do Unibanco, recomprando papéis durante um ‘ataque especulativo’, um ano atrás. A CVM, da Fazenda, investiga o movimento, que precedeu a fusão do banco com o Itaú.


Sexta no mesmo ‘Valor’, o diretor do Banco Central Mário Torós anunciou ter feito ‘leilões até o mercado cansar’ durante um ‘ataque especulativo’, um ano atrás. O blog de Guilherme Barros no iG já postou o mais cotado para seu lugar, João César Tourinho.


18 ANOS DEPOIS


A notícia de Mônica Bergamo, ‘FHC decide reconhecer oficialmente o filho que teve há 18 anos com jornalista’, foi a ‘+ lida’ na Folha Online e ocupou o alto das páginas iniciais dos portais UOL, Terra e iG.


Em extenso eco pela blogosfera, o Blue Bus de Julio Hungria lembrou reportagem da ‘Caros Amigos’, dez anos atrás. Para Luis Nassif, ‘obviamente, tratava-se de questão de Estado. Um presidente tinha caso semi-secreto e devia favores a uma TV concessionária do Estado’. Para Reinaldo Azevedo, ‘no que concerne ao indivíduo FHC, que reconheça mesmo. Antes tarde do que nunca’.


20 ANOS DEPOIS


Em série especial sobre a eleição de 1989, o UOL ouviu o ex-presidente Fernando Collor. Destaque da entrevista de Haroldo Ceravolo Sereza, na home, ‘Relação com a Globo ‘ajudou bastante’, lembra Collor’.


Diz que a candidatura era vista com simpatia por outros grupos. ‘Havia receio dos meios de comunicação de um eventual governo comunista.’ O candidato seria Mario Covas, mas ele ‘não decolou’. E sua candidatura ganhou apoio ‘porque não havia alternativa’.


MAIS TELE


‘Wall Street Journal’ e ‘Financial Times’ destacaram a compra da GVT pela francesa Vivendi, não pela espanhola Telefônica. ‘Maior grupo de entretenimento da Europa’, ela agora prioriza ‘economias em crescimento’ e prevê ‘presença no Brasil por longo prazo’.


‘TROUBLE AT TWITTER’


Deu no TechCrunch, sob o título ‘Problema no Twitter’. No início do verão americano, o número de visitantes havia parado de crescer. E ‘pela primeira vez’, no levantamento divulgado no final da semana, ‘caiu 8% em outubro’’


 


 


PRESIDENTE


Editorial


Lula e seu duplo


‘MARCADA por um tom pessoal e emotivo, a entrevista do presidente Lula com o jornalista Kennedy Alencar, transmitida ontem pela Rede TV!, talvez tenha como principal efeito o de colocar em segundo plano as avaliações de cunho estritamente político, habitualmente suscitadas por ocasiões desse gênero.


Rememorando cenas da infância, narrando o episódio da morte de sua primeira mulher, considerando o impacto da desestruturação familiar sobre sua própria vida e a de tantos outros brasileiros, Lula comoveu-se, sendo de imaginar que mesmo o espectador mais infenso ao chamado carisma presidencial não terá reagido com indiferença àqueles momentos da entrevista.


Sem dúvida, a origem humilde e a trajetória de sucesso contribuem bastante para o prestígio e a identificação pessoal que Lula obteve, ao longo desses anos, na maioria da população.


Seja como for, e abstraindo-se desta análise o peso específico dos acertos e erros de seu governo, a figura pessoal do presidente Lula está longe de fixar-se nos quadros de uma narrativa sentimental. Nesse sentido, a entrevista deste domingo talvez possa esclarecer as contradições que o presidente, como qualquer outra pessoa, parece abrigar em sua personalidade.


Encerrado o bloco biográfico, a entrevista enveredou pela política. Lula apresentou, nesse passo, uma versão incompleta e reticente, mas ainda assim inesperada, da crise do mensalão. A seguir sua linha de raciocínio, todo o escândalo teria sido uma ‘armação’. Pelo que ficou sugerido, recairia sobre o publicitário Marcos Valério a suspeita de que, dadas suas ligações anteriores com o PSDB, tratou de envolver o PT numa armadilha, visando ao impeachment do presidente.


Nada seria mais inconvincente do que essa explicação -que, de resto, não eximiria o PT da disposição, nada inocente, de participar do esquema concebido pelo publicitário. Lula não foi adiante nessa fabulação -e teve tanta desfaçatez para construí-la quanto para dissipá-la numa nebulosa de evasivas.


A calculada reticência do presidente contrasta com o emocionalismo da primeira parte da entrevista. Poucas vezes Lula terá revelado, como neste domingo, de que modo em sua personalidade se combinam o fleumático e o sanguíneo, o sinuoso e o direto, a espontaneidade e a astúcia.


A célebre ‘simplicidade popular’ do presidente, a que não faltam despropósitos de antologia, convive assim com os traços clássicos da manipulação palaciana e do frio autodomínio dos que estão habituados ao poder.


‘Povo’ e ‘elites’ são categorias simplórias demais para entender a prática da política brasileira: elementos típicos de uma e outra compõem o estilo pessoal de Lula -que replica, de resto, a realidade de seu próprio governo, onde antigos revolucionários se confraternizam com oligarquias seculares, sem escândalo para ninguém. Ou melhor, com os escândalos que se conhecem.’


 


 


TELEVISÃO


Sílvia Corrêa


‘ElClon’ começa a ser gravada na Colômbia


‘Gravada em Bogotá, ambientada em Miami, com protagonistas mexicanos. Assim será a versão hispânica da novela ‘O Clone’ (2001), uma coprodução da Globo com a Telemundo, braço da rede norte-americana NBC. As gravações em estúdio começam hoje na Colômbia.


A viagem do elenco para o Marrocos-onde se passa parte da trama- será no dia 25.


É a primeira coprodução da emissora brasileira feita fora do país. Em 2002, Globo e Telemundo gravaram ‘Vale Tudo’ (1988) em espanhol, mas a trama foi refeita no Projac, com 28 atores estrangeiros. O formato final não agradou a Globo, que decidiu reformular a parceria.


Em ‘O Clone’, a Globo vendeu a marca, o roteiro e um pacote de consultoria para cenários, figurinos, texto e direção.


A Telemundo adaptou o texto, escalou o elenco e comanda a produção. Os custos do projeto estão estimados em R$ 20 bilhões.


A Globo deve ficar com 35% do retorno comercial.


A estreia de ‘El Clon’ nos EUA está prevista para fevereiro.


Os 210 capítulos devem cair para 150, com redução de personagens e adaptações à cultura local. ‘O bar da dona Jura [ponto de encontro dos moradores de São Cristóvão] foi substituído por um clube de salsa’, exemplifica Ricardo Scalamandré, diretor de negócios Internacionais da Globo.


Depois de ‘El Clon’, a Globo fará a coprodução de ‘Louco Amor’ (1983), de Gilberto Braga, com a mexicana TV Azteca.


O elenco grava a partir de maio.


SEM PLATEIA


A transmissão ao vivo de uma sequência de cinco discursos -entre eles, o do presidente Lula-,na inauguração da nova sede da RedeTV!, fez despencar a audiência da emissora na noite de sexta-feira. Na prévia do Ibope, ela marcou um ponto na Grande São Paulo (57 mil televisores ligados). No horário, o TV Fama chega a três pontos.


PACOTE 2010


Os humoristas Silvio e Vesgo, do ‘Pânico na TV’, são cotados para apresentar ‘O Último Passageiro’, um dos dez programas que a RedeTV! anunciou para 2010 durante a festa de inauguração da sede própria.


Deve ser aos domingos, às 18h, emendando como ‘Pânico’. O formato é da Endemol: uma disputa entre três grupos de universitários. Quem vencer leva a viagem de formatura.


SITCOM NA BAND


Um dos projetos para 2010 que mais empolgam os executivos da Band é a produção de uma comédia de situação. Já está definido que será filmada no Rio e que abordará situações comuns na rotina de casais.


GRINGOS NA FAZENDA


A Record foi sondada por emissoras do México e da Argentina interessadas em coproduzir ‘A Fazenda’ usando a estrutura montada em Itu.


Os estrangeiros ficariam confinados aqui, com o apresentador em estúdio, no país de destino do sinal. O formato é produzido em 40 países, mas nunca com confinamento no exterior.


DNA DE ARTISTA


Cláudio Lins, filho de Lucinha Lins, será o galã de ‘Uma Rosa com Amor’ (SBT), que terá aparição de Moacyr Franco.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira,16 de novembro de 2009


 


CONFECOM


Partido pede ‘intervenção’ na área de mídia


‘A participação mais intensa do Estado em setores estratégicos poderá chegar às comunicações. O assunto estará em pauta, entre 1º e 3 de dezembro, quando o governo vai promover a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em Brasília. O PT já aprovou resolução, defendendo a ‘revisão do arcabouço legal’ do setor que o partido define como ‘anacrônico e autoritário’.


Organizado em torno de normas como o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) e a Lei Geral de Telecomunicações (1997), ‘o arcabouço legal brasileiro privilegia grupos comerciais, em detrimento dos interesses da população’. Esse modelo, segundo o PT, permite a ‘uns poucos grupos empresariais – muitas vezes associados a fortes conglomerados estrangeiros – exercer controle quase absoluto sobre a produção e veiculação de conteúdos informativos e culturais’.


O partido vê ‘monopólios’ e ‘desvios do sistema atual’, dizendo que é ‘preciso intervir’. ‘O PT lutará para que as demais ações estatais nessa área promovam a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa’, diz o texto, aprovado em 17 de outubro. ‘Mais do que combater os monopólios e todos os desvios do sistema atual, é preciso intervir para que eles não se repitam ou se acentuem nesse novo cenário tecnológico – que em poucos anos superará completamente o antigo modelo.’


Com as mudanças provocadas por tecnologias digitais, o PT vê risco de o modelo ficar ‘mais concentrado e excludente’. ‘A definição de um marco regulatório democrático estará no centro de nossa estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social’, diz a resolução.


O PT quer estabelecer ‘atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação’. Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor ‘políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos’. E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV.’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


‘Decisão mancha o Judiciário’, diz professor


‘A censura ao Estado, para o professor da Escola Superior de Direito Constitucional, Luiz Carlos Auricchio, demonstra que, em vários momentos, o País tem andado para trás em termos de consolidação democrática. ‘Isso me preocupa muito porque, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) afastou todas as punições previstas na Lei de Imprensa no sentido de coibir a livre manifestação do pensamento. A sentença contra o jornal tem o sentido exatamente contrário desta’, observou.


A decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) que, desde 31 de julho, impede o Estado de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que indiciou por vários crimes o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), na visão do especialista, representa um destes passos para trás. ‘Ela contraria a própria Constituição Federal e vai contra o espírito do documento legal’, disse.


De acordo com Auricchio, a Constituição pode ser vista como um catálogo de liberdades. ‘Quando a Constituição foi escrita, havia um recado claro que os constituintes e a sociedade gostariam de passar, que era uma resposta clara contra os tempos da repressão, inaugurando um período de liberdades plenas’, afirmou. Assim, relembrou o constitucionalista, a chamada Constituição Cidadã consagrou direitos como a liberdade de imprensa, de expressão e a livre manifestação do pensamento em oposição à vedação das liberdades e à perseguição aos opositores, práticas comuns do regime militar.


Naturalmente, relembra ele, os constituintes e a sociedade não podiam tolerar o outro extremo, ou seja, o abuso das liberdades. Por isso, foi estabelecido o pagamento de indenizações quando houver ataques injustificados aos cidadãos por parte dos meios de comunicação. ‘Tudo isso é muito triste. Em vez de florescer, vemos a nossa democracia definhar por causa de decisões como estas’, afirmou.


‘INTÉRPRETES’


O que mais surpreendeu o professor foi que a censura, que antes era utilizada pelo Executivo para oprimir seus opositores, agora foi da lavra de um juiz. ‘Ora, os juízes são os intérpretes da Lei Maior. Em uma decisão desta, que mancha o Judiciário, a última coisa a ser observada foi a Constituição’, lamentou.


Outro aspecto que chamou a atenção de Auricchio no caso foi a vinculação do autor da decisão, o desembargador Dácio Vieira, à família Sarney. ‘É algo que vem a manchar ainda mais a nossa democracia’, disse. Vieira foi declarado suspeito por seus próprios pares, mesmo assim a decisão foi mantida. Depois, o TJ-DF se declarou incompetente e remeteu o processo à Justiça Federal do Maranhão. E mesmo assim a decisão permanece.’


 


 


Roberto Almeida


Agências criam sites e anúncios contra mordaça


‘O jornal Propaganda e Marketing convidou sete das principais agências de publicidade do País para criar anúncios contra a censura imposta ao Estado. O resultado, que circula desde sábado na edição impressa do veículo, foi um alerta contra os riscos à liberdade de imprensa. A partir de hoje, todas as peças publicitárias podem ser acessadas pelo site www.propmark.com.br.


O material foi produzido pelas agências LeoBurnett, Neogama/BBH, Lew’Lara/TBWA, Borghierh/Lowe, Fischer+Fala, Ogilvy e Y&R. ‘Todas foram direto ao ponto’, comemorou Marcello Queiroz, diretor do jornal.


Três agências decidiram criar sites contra a censura. A Neogama/BBH construiu em www.censuranao.com.br um manifesto, seguido de abaixo-assinado, para ser enviado ao Supremo Tribunal Federal. A LeoBurnett protestou contra a mordaça no site www.leoburnett.com.br/censura. ‘A LeoBurnett é contra a censura. Não deixar o Estadão falar é não deixar a gente ouvir.’


A Y&R, por sua vez, criou um link – www.tinyurl.com/yhjwdjf – que direciona o leitor para o resultado de busca no Google pelos termos ‘censura’ e ‘Estadão’. São 1,3 milhão de páginas sobre a mordaça.


Entre os anúncios publicados no jornal, foram claras as referências ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e sobre a ditadura, em que o Estado publicou receitas de bolo e trechos de Os Lusíadas. A Ogilvy utilizou a frase ‘o que a gente pensa sobre a censura’, seguida de um bolo de cenoura. A Borghierh/Lowe deu receitas de 12 pizzas. A Lew’Lara/TBWA apresentou um bigode estilizado sobre recortes de jornal. ‘Há mais de 100 dias que o Estadão está sob censura. A gente não podia ficar calado.’’


 


 


POLÍTICO


FHC deve reconhecer filho que teve há 18 anos


‘O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria decidido reconhecer oficialmente seu filho, Tomas Dutra Schmidt, fruto de um relacionamento que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo, no início da década de 1990. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, FHC está em Madri, onde vive Mirian, para formalizar o assunto.


Tomas nasceu em 1991, período em que o ex-presidente era senador. O caso foi mantido sob sigilo por Fernando Henrique e Mirian. Na época, ele era casado com Ruth Cardoso, com quem teve três filhos, Luciana, Paulo Henrique e Beatriz. Ruth morreu em junho de 2008, vítima de um enfarte, aos 77 anos.


Em 1992, um ano após o nascimento de Tomas, Mirian foi transferida pela TV Globo para a Europa. Ela trabalhou como correspondente em Lisboa, Londres e Madri. Apesar da distância, acabou ganhando repercussão com a ascensão política de Fernando Henrique.


O ex-presidente passou de senador a ministro da Fazenda em 1993, ano em que a classe política e jornalistas começaram a saber da existência de Tomas. Em 1994, quando ele se candidatou à Presidência, a imprensa procurou Mirian na Espanha para que contasse a história de seu filho, mas ela se negou a falar do assunto. FHC, por sua vez, nunca falou publicamente sobre Tomas.


No período em que esteve na Presidência, ele teve contatos esporádicos com o garoto. Após o fim de seu mandato, FHC teria ido à Espanha com frequência para visitar Tomas e até participado de sua formatura, em Londres. Hoje, ele está com 18 anos e estuda nos Estados Unidos.’


 


 


OBAMA NA CHINA


Cláudia Trevisan


China teme crítica em visita de Obama


‘Após participar da reunião da Cooperação Econômica dos Países da Ásia-Pacífico (Apec, pela sigla em inglês), em Cingapura, o presidente americano, Barack Obama, chegou na madrugada desta segunda-feira (tarde de ontem no Brasil) a Xangai, para sua primeira visita oficial à China.


Em seu primeiro compromisso, ele se encontraria com 300 universitários da região que o submeteriam a uma sabatina. Até ontem à noite, não estava claro se o evento seria transmitido ao vivo pela mídia chinesa – em razão de seu caráter imprevisível e da possibilidade de declarações de Obama críticas ao regime político chinês.


Ferramentas da internet como Facebook, Twitter, YouTube e uma infinidade de blogs são bloqueados pela censura chinesa e inacessíveis no país.


Na cúpula de Cingapura, Obama conclamou os líderes da junta militar de Mianmar a libertar a opositora e ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. A questão dos direitos humanos também estará na agenda da visita à China e Obama deve defender o que chama de ‘valores americanos’, entre os quais estão democracia, liberdade de expressão e religiosa e império da lei.


Obama passaria poucas horas em Xangai antes de ir a Pequim, onde jantaria com o presidente chinês, Hu Jintao. Durante a visita, ambos devem discutir várias questões de alcance global, como recuperação econômica, mudança climática, energia, os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte e a situação no Afeganistão e no Paquistão.


Obama deve mais uma vez se queixar da baixa cotação do yuan em relação ao dólar, que dá aos chineses vantagens comparativas nas exportações de seus produtos. De sua parte, Hu Jintao manifestará preocupação com o crescente déficit dos EUA e a desvalorização do dólar que ele provoca. Os chineses temem o impacto negativo que a queda da moeda norte-americano terá sobre suas reservas internacionais de US$ 2,27 trilhões, as maiores do mundo.


Numa clara demonstração de que veem o mundo com outros olhos, as autoridades chinesas determinaram a retirada do mercado de todas as camisetas que traziam a imagem de Obama vestido com uniforme dos guardas vermelhos e a inscrição ‘ObaMao’, uma referência ao líder comunista Mao Tsé-tung.


A camiseta havia se tornado a principal manifestação de ‘obamania’ na véspera da chegada do presidente americano e a suspensão de sua venda, oficialmente, foi ordenada para que o visitante não se sentisse ofendido.


A agenda de Obama inclui encontro amanhã com o primeiro-ministro Wen Jiabao e visitas à Muralha da China e à Cidade Proibida – esta é a primeira vez em que o democrata vai ao país.’


 


 


PUBLICIDADE


Marili Ribeiro


Publicidade lusa, sotaque brasileiro


‘Os publicitários brasileiros começaram a desembarcar em Portugal na década de 90, e semearam a ideia da participação em festivais. A colheita veio sendo feita ao longo dos anos, e atingiu o ápice neste ano. ‘Nunca a propaganda portuguesa tinha ganho tantos Leões em Cannes’, diz o brasileiro Leandro Alvarez que, há 15 anos trabalha em Portugal e atualmente comanda a agência TBWA Lisboa.


Na disputa do Festival de Cannes deste ano, Portugal conquistou 12 troféus – ou Leões, que são os prêmios mais disputados da publicidade mundial. Pode não parecer muito (o Brasil, por exemplo, conquistou 32), mas é um grande feito, levando-se em conta que, há 20 anos, essa era uma preocupação que praticamente inexistia no país. E boa parte dessa mudança é atribuída à presença dos publicitários brasileiros.


‘Os profissionais brasileiros são uma tradição aqui, porque a publicidade brasileira é referência no segmento e, para nós, há ainda a facilidade de falarmos o mesmo idioma’, diz o português Miguel Simões, presidente da Leo Burnett Lisboa, agência que chegou a Portugal há 22 anos e hoje já está entre os cinco escritórios mais criativos da rede Leo Burnett.


A equipe de Simões tem 55 pessoas – quase a metade estrangeiras. Dos que vieram de fora, os brasileiros são maioria. E, entre eles, está a dupla que tem a direção criativa da agência, formada por Renato Lopes e Erick Rosa. Os dois têm parte da responsabilidade pelos 11 Leões conquistados este ano em Cannes (o outro Leão de Portugal é da Fischer Lisboa, agência do grupo brasileiro TotalCom), além de terem ganho 39 prêmios no Festival El Ojo Ibero Americano, agora em outubro, e três Clio Awards, nos EUA.


Alvarez, da TBWA, chegou em Portugal em 1994 com o propósito de ficar algum tempo e voltar. ‘Mas fui ficando, ficando e agora tenho dois filhos nascidos aqui e nenhuma intenção de voltar’, diz. Sua permanência está relacionada à relevância que o mercado publicitário ganhou nos últimos anos. ‘Na década de 90, as agências daqui inscreviam no máximo 20 peças em festivais. Hoje, esse número, em muitos casos, dobrou, o que resulta em maior visibilidade para os trabalhos feitos aqui.’


Essa maior visibilidade acaba atraindo a atenção de mais profissionais. Um exemplo foi o processo de seleção para uma vaga na agência FCB Lisboa. Os diretores da agência pediram ajuda ao publicitário carioca Edson Athayde – que até o ano passado era o vice-presidente da Ogilvy Portugal. Em São Paulo há um mês, Athayde obteve mil respostas para o anúncio, sendo 700 delas de jovens profissionais brasileiros com experiências entre dois e cinco anos de carreira.


Quem já passou por lá não tem queixas. Tomas Correa, 32 anos, redator na Leo Burnett aqui no Brasil, passou quatro anos em Lisboa, até 2007. ‘No início, os jovens iam pela aventura e porque Portugal era uma porta para o mercado europeu. Hoje, os publicitários vão convidados e pelo destaque que isso pode trazer à carreira.’’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Pelourinho RedeTV!


‘A Rede TV! pretende revitalizar a aérea em volta de sua nova sede em Osasco, na Grande São Paulo, inaugurada na última sexta-feira.


Em negociação com a prefeitura do município, a direção da emissora planeja promover projetos sociais e benfeitorias na região, entre elas, uma revitalização na favela localizada bem atrás da bancada de onde serão apresentados os principais noticiários do canal. Para tanto, a Rede TV! está fechando com uma marca de tintas uma ação para pintar as casas e barracos – que eventualmente podem aparecer no vídeo – mas que ficam destoantes para quem visita o cenário hi-tech da nova redação da emissora.


Com direito a elevador hidráulico na bancada dos telejornais, o novo cenário do jornalismo da Rede TV! terá a redação em volta, abastecida com o que há de mais avançado entre os computadores da Apple (máquinas que mal chegaram nas lojas no Brasil). Detalhe: o símbolo da Apple – a maçã mordida estampada nos computadores da redação- deve aparecer sem restrições no vídeo, mas não como acordo’


 


 


 


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