Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 21/1

CNN se destaca na cobertura da posse de Obama

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 21/01/2009 na edição 521

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


 


OBAMA PRESIDENTE
Nelson de Sá


Pelos canais globais de notícias, ‘mar de caras felizes’ é retrato de cerimônia


‘O site Valley Wag postou mensagens de Twitter logo após o meio-dia, 15h em Brasília, saudando o novo presidente com registros tipo ‘voam F18 entre as nuvens vagas’. Era o Twitter ‘congratulando-se a si mesmo por ter ajudado’ na vitória de Obama.


Mas a estrela da transmissão, como atestaram os sites Huffington Post e também Blue Bus, foi novamente a CNN. O canal de notícias quebrou seu próprio recorde em ‘stream’, transmissão ao vivo pela internet. Contra 5,3 milhões de acessos no dia da eleição, foram 18,8 milhões ontem, até as 13h de Washington.


A audiência ‘global’ da CNN, por internet ou acesso tradicional, não viu maiores inovações tecnológicas, desta vez. A principal aposta foi uma imagem gigante e detalhada de satélite dos milhões de presentes no National Mall, diante do juramento de Obama, em acordo do canal com a Geoeye.


No mais, cenas do chão do ‘mar de caras felizes’, até com bandeira brasileira, e amplo destaque para James Carville e Paul Begala, ex-marqueteiros de Bill Clinton tornados comentaristas da CNN.


A Fox News, que também tem transmissão tradicional no Brasil, via TV paga, seguia linha oposta, com republicanos tornados comentaristas.


O canal mais crítico dos Bush e dos Clinton e mais próximo a Obama, o MSNBC, só pode ser acessado no Brasil em ‘stream’, pela internet. A conexão de ontem era de boa qualidade e, ao contrário da CNN, sem fila de espera.


Como sublinhou o site Politico, por outro lado, também na MSNBC do âncora Keith Olbermann o tom mudou, trocando festa por sobriedade, por algum tempo ao menos, depois das convulsões do senador Edward Kennedy.


Por aqui, os três canais de notícias mostraram a posse ao vivo, com a Globo News priorizando análise de um só lado do debate diplomático brasileiro -e a Record News com tradução simultânea, como na cerimônia do Oscar.


Nas redes abertas, TV Brasil, SBT, Globo, Record, Rede TV!, Gazeta e Band deram plantão. A Cultura não.


Não foi possível acompanhar a televisão aberta americana, mas até a noite as redes CBS e NBC ainda pressionavam a ABC para liberar a transmissão da ‘primeira dança’ de Barack e Michelle Obama, do baile oficial, às concorrentes.’


 


 


Painel do Leitor


‘‘Com o ‘oba-oba’ em cima de Obama, sustentado por setores da esquerda e da mídia brasileiras, parecia que o novo presidente americano tomaria posse de braços dados com Hugo Chávez e Bin Laden, vestindo uma camiseta com estampa do Che Guevara, e que seu primeiro ato seria bombardear Israel. Quem viver verá: ele foi eleito pelos americanos para presidir os Estados Unidos. Não vai ser nada de ‘oba-oba’.’


ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA (Belo Horizonte, MG)’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Esperança vence medo


‘Como prenunciado desde o dia anterior, a expressão-chave de Barack Obama, nas manchetes on-line do ‘New York Times’ e do ‘Washington Post’, foi ‘uma nova era de responsabilidade’, em que será preciso enfrentar ‘nosso fracasso coletivo para tomar decisões difíceis’. Também o site da ‘Economist’ destacou a ‘nova era de responsabilidade’, sublinhando ter sido um ‘discurso sóbrio de Obama’.


O ‘Wall Street Journal’, que já havia usado a expressão em sua manchete de papel, ontem, preferiu outra expressão para a manchete do site -a conclamação de Obama aos americanos para que escolham ‘a esperança sobre o medo’ nesta hora de enfrentar recessão e guerras. Huffington Post e Associated Press também foram por aí. Como Lula em 2002.


AOS MONTES


À frente dos milhões no National Mall, reunidos para o juramento de Obama, ontem, ‘fotógrafos se amontoam’, eles também, na legenda da AP para foto de Susan Walsh


‘MEDIA STARS’


A transmissão de ontem se concentrou nos eventos e bailes oficiais, mas ‘é tempo de festa para as estrelas da mídia, também’, no título do ‘WP’, ontem, sobre as festas comandadas pela colunista Maureen Dowd, do ‘NYT’, pela editora Arianna Huffington, do site Huffington Post, e de outros jornalistas liberais, como Tina Brown. O próprio ‘WP’ deu um baile, comandado por seu presidente, Donald Graham. Nas listas de convidados para os eventos todos, nomes também de Hollywood e da música pop. ‘Virou um casamento real’, segundo Brown.


A blogueira Rachel Sklar, que criou o HuffPost e comenta na Fox News, postou via Twitter das festas em Washington


ESTRELAS NOVAS


Além de políticos, as ‘estrelas da mídia’ foram às festas umas das outras, desde o sábado em Washington. Dowd e Tom Brokaw, da NBC, foram à de Gwen Ifil, âncora negra da PBS, autora de um livro sobre Obama e que mediou debate na campanha.


AOS BEIJOS


A cobertura de sites como Gawker, Daily Beast e ‘New York’ sublinhou episódios escandalosos, de celebridades jornalísticas alcoolizadas etc. Em particular, uma tentativa do célebre liberal Hitchens de beijar o blogueiro conservador Andrew Sullivan.


OBAMA CHINÊS


O ‘China Daily’ abriu foto de um ‘meio-irmão’ de Obama, nascido no Quênia e que vive há sete anos na província de Shenzhen. E ‘fala mandarim’. O jornal estatal acompanhou uma apresentação de piano de Mark Ndesandjo para levantar recursos para órfãos.


Mas a simpatia com o novo presidente americano, por parte da cobertura chinesa, parou por aí. Pouco depois, o mesmo ‘China Daily’ postou em sua manchete on-line, com longa cobertura, o programa de ‘modernização militar’ lançado ontem por Pequim. A ideia é ‘fortalecer as forças armadas com ciência e tecnologia’, mas ‘ao mesmo tempo em desenvolvimento pacífico’. O relatório dá como exemplo o projeto de satélites sobre ‘recursos terrestres’ realizado ‘com o Brasil’.


ESTRATÉGICO…


O ministro do exterior da China, Yang Jiechi, deixou o Brasil após se encontrar com Lula e, diz o ‘China Daily’, propor ‘esforços coordenados’ para aprofundar a ‘parceria estratégica’ em ‘questões internacionais’.


ABANDONO


No mesmo jornal estatal, outra reportagem relata como como a chinesa Baosteel ‘abandonou’ uma joint venture com a Vale para uma siderúrgica no Brasil. Mas ‘não é o fim para os sonhos da Baosteel no exterior’.’


 


 


VENEZUELA
Folha de S. Paulo


Chávez segue passos de Fidel Castro e se torna colunista


‘À exemplo do aliado Fidel Castro, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ontem que passará a escrever três colunas semanais, a serem publicadas em vários jornais do país. Segundo ele, será ‘uma forma mais que me ocorreu de contribuir com essa batalha de ideia’. O primeiro texto, que se chamará ‘As Linhas de Chávez’, sairá publicado amanhã e terá como tema suas ‘vivências como jogador de beisebol’.’


 


 


AJUDA
Folha de S. Paulo


Slim investe US$ 250 milhões no ‘NYT’, mas não participará da administração


‘O ‘New York Times’ confirmou o investimento de US$ 250 milhões, feito pelo bilionário mexicano Carlos Slim, que no Brasil é dono das empresas de telefonia Claro e Embratel. O negócio, no entanto, não dá ao empresário assento no conselho de administração do jornal americano, cuja dívida atingiu US$ 1,1 bilhão.


A operação, similar a um empréstimo, é uma compra de títulos corporativos de seis anos do ‘Times’, que renderá a Slim dividendos anuais de 14% sobre o capital (dos quais 3% serão revertidos em novos títulos).


O ‘Times’ confirma que os títulos podem se tornar ações comuns. Caso isso aconteça, Slim será um dos maiores acionistas, com 17% de participação (a família Sulzberger, que controla o jornal, tem 19%). O empresário já é dono de 6,9% das ações da empresa.


‘O negócio aumenta nossa flexibilidade financeira, para seguirmos executando nossa estratégia de longo prazo’, disse a porta-voz e executiva do ‘Times’, Janet Robinson.


O negócio foi fechado às vésperas do vencimento de uma dívida de US$ 400 milhões. O jornal também pôs à venda suas ações no equipe de beisebol Boston Red Sox. O ‘Times’ ainda considera uma operação de venda e leasing de sua sede, para levantar US$ 250 bilhões.


Fortuna


Segundo homem mais rico do mundo no ranking da ‘Forbes’, Carlos Slim Helú, 68, tem fortuna de US$ 60 bilhões. O empresário é dono da Telmex, ex-estatal mexicana, e da América Móvil, com operações em 17 países, inclusive no Brasil.


Com agências internacionais’


 


 


FUTEBOL
Folha de S. Paulo


Torneio inova nas entrevistas


‘Uma novidade implantada neste Campeonato Paulista será a zona mista, que permitirá à imprensa, teoricamente, ter acesso a todos os jogadores após as partidas. A federação paulista, que admite não ser fácil ter zona mista em alguns estádios, afirma que isso não é um teste para a Copa de 2014, que será realizada no Brasil. Repórteres não estão autorizados a entrar no campo de jogo. A entidade ainda estuda se vai limitar a ação das mascotes, as crianças que entram com os atletas e os personagens, como pede a Confederação Brasileira de Futebol nos campeonatos que organiza atualmente.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Elite troca ‘Caminho das Índias’ por TV paga


‘A audiência dos canais pagos cresceu 61% anteontem durante a novela das oito. Foi a movimentação mais surpreendente no Ibope da Grande SP na estreia de ‘Caminho das Índias’.


No horário da nova novela das oito, 4,5% dos domicílios da Grande São Paulo (ou quase 270 mil residências) estavam sintonizados em canais pagos. Uma semana antes, esse índice era de 2,8%. Em 2 de junho de 2008, no primeiro capítulo de ‘A Favorita’, era de 3,6%.


As possíveis explicações para o crescimento da TV paga, com grande penetração nas classes A e B, são a posse de Barack Obama e o fato de ‘Caminho das Índias’ ter apelo popular.


Espécie de ‘O Clone’ com curry, a nova trama de Glória Perez chegou colorida, iluminada, com humor e bem estruturada. Deu 38,7 pontos, com participação de 58% no total de televisores ligados, mas promete muito mais. Sua estreia foi a segunda pior da década -só ganha de ‘A Favorita’, que sofreu forte concorrência da Record (hoje reduzida quase à metade) e marcou 34,6 pontos.


Além da TV paga, ‘Caminho das Índias’ enfrentou um menor número de TVs ligadas (67%, contra 71% de ‘A Favorita’), por causa do calor, e concorrência com o DVD player (4%, mesmo percentual do primeiro capítulo de ‘A Favorita’). Para Glória Perez, a audiência seria maior se o Ibope medisse a exibição na internet e em DVDs gravados.


TEMPO ESGOTADO


Dificilmente o ‘Olha Você’, o ‘Hoje em Dia’ do SBT, sobreviverá a este verão. Silvio Santos já fez várias mudanças no programa e deu tempo para ele decolar no Ibope, mas sua audiência raramente passa dos quatro pontos. Cansou de esperar. Nos bastidores do SBT, aposta-se que acaba em fevereiro.


LADEIRA


‘Revelação’, novela de Íris Abravanel, desabou após o final de ‘Pantanal’. Agora mais cedo (por volta das 22h20), dá pouco mais da metade da audiência de quando entrava após as 23h10. Anteontem, foram 4,3 pontos, contra 7,2 na segunda anterior.


OXENTE


A Record promete dar trabalho à Globo na Bahia. Domingo, na abertura do Campeonato Baiano, empatou com a líder.


ATUALIZAÇÃO


A Band está passando por uma espécie de auditoria em sua programação. Na semana passada, funcionários de uma consultoria espanhola passaram três dias reunidos com diretores da emissora. Os espanhóis também estão dando treinamento para os profissionais da pesquisa de audiência.


SHOW TRASH


O ‘novo’ ‘Globo Esporte’ continua chamando a atenção pelas falhas técnicas. Ontem, o apresentador chamou uma reportagem sobre o Corinthians. Entrou uma sobre o Palmeiras.


FLASHBACK


A Record influenciou a Globo. A trilha de ‘Caminho das Índias’ tem várias músicas antigas, como composições e/ou interpretações de Raul Seixas, Gonzaguinha, Zélia Duncan…’


 


 


Silas Martí


Documentário relembra Valentino


‘‘Muitas vezes pensei que já estavam cansados de me ver, cansados dos meus vestidos. Pensava que alguém na plateia teria um revólver e atiraria em mim’, diz Valentino, 76, um dos maiores estilistas da história da alta-costura.


No embalo dos corações fashionistas acelerados com a temporada de desfiles da São Paulo Fashion Week, o GNT exibe hoje, às 21h15, especial sobre o homem que vestiu Sophia Loren, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor e Jackie Kennedy, entre outras.


Vigora o tom apologético e superficial desse tipo de produção, que minimiza erros e exagera glórias, mas acaba entregando o que promete. Em uma hora de programa, é possível acompanhar 45 anos da produção do designer que se aposentou em setembro de 2007.


‘Quero ser lembrado como um criador que deseja que a mulher seja sexy, elegante, linda e cheia de classe’, diz Valentino a certa altura do especial.


Tanto que o vestido que fez para o casamento de Jackie Kennedy com Aristóteles Onassis é um dos mais copiados da história da moda. Depoimentos de Tom Ford, Giorgio Armani e atrizes de Hollywood engrossam os arroubos açucarados em torno do gênio fashion, alardeado o último dos grandes couturiers.


VALENTINO


Quando: amanhã, às 21h15 Onde: GNT


Classificação: não informada’


 


 


APPLE
Rafael Capanema


Steve Jobs anuncia licença temporária


‘Na quarta-feira passada, Steve Jobs revelou que suas condições de saúde são ‘mais complexas do que imaginava’ e informou que ficará de licença médica até o fim de junho. No período, o executivo-chefe da Apple será substituído por Tim Cook, diretor de operações.


Os anúncios, feitos em carta enviada a todos os funcionários da Apple e reproduzida no site da empresa, vieram poucos dias depois de Jobs ter comunicado que sua magreza era resultado de um desequilíbrio hormonal cujo tratamento seria ‘relativamente simples’.


Além de fazer as ações da empresa caírem 10%, o capítulo mais recente da novela sobre a saúde de Jobs fez surgirem novos rumores e especulações sobre o futuro da Apple, cuja imagem é fortemente atrelada à de seu carismático fundador.


Para Steve Wozniak, que criou a empresa ao lado de Jobs em 1976, a ‘cultura da Apple’ deve permanecer mesmo sem a presença do executivo.


‘Obviamente, Steve é muito importante, mas a Apple tem algumas pessoas incríveis também, que são seguidoras da mentalidade da empresa, seguidoras do próprio Steve e que aprenderam algumas boas técnicas’, afirmou à emissora de TV norte-americana CNBC.


Para alguns analistas, a saída de Jobs -que, especulam, pode ser definitiva- marca o fim de uma era personalista na área de tecnologia, em que indivíduos definiam as empresas.


Um dos casos mais emblemáticos é o de Bill Gates, fundador da Microsoft, que, no ano passado, deixou de ser funcionário em tempo integral da produtora do Windows para se dedicar à filantropia, passando o bastão para Steve Ballmer.


Já a recente troca de liderança no Yahoo! foi motivada pelas dificuldades em competir com o Google e pelas negociações fracassadas de compra pela Microsoft, sob o comando de Jerry Yang, que fundou a empresa em 1994 com David Filo.


A notícia do afastamento de Yang fez subirem em mais de 4% as ações do Yahoo!. Neste mês, o portal anunciou Carol Bartz como sua sucessora. Analistas apostam que a mudança pode estimular a retomada das conversas com a Microsoft.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


 


SATIAGRAHA
Fausto Macedo


PF checa arquivos apagados


‘A Polícia Federal suspeita que foram apagados alguns arquivos da memória de computadores pessoais do delegado Protógenes Queiroz, criador da Operação Satiagraha, apreendidos por ordem judicial.


Peritos federais trabalham na recuperação dessas informações. O resgate do conteúdo de discos rígidos e pen drives é uma tarefa complexa, mas possível. Tal procedimento já foi feito em outras investigações.


A suspeita sobre a exclusão de dados surgiu a partir de uma análise preliminar das pastas criadas pelo delegado que comandou a missão contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, condenado a 10 anos de prisão por crime de corrupção ativa e alvo de inquérito sobre suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.


A PF ainda não tem condições de afirmar que o conteúdo dos registros deletados é pertinente com a Satiagraha ou outra missão policial que Protógenes dirigiu. Seus computadores, celulares, pen drives e cartões de memória foram recolhidos na madrugada de 5 de novembro em 3 endereços, no Rio, em São Paulo e Brasília.


O mentor da Satiagraha é suspeito de ter vazado informações secretas da operação. Inquérito da PF constatou que ele mobilizou pelo menos 84 agentes e oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para tocar a ofensiva contra Dantas. O inquérito é presidido pelo delegado Amaro Ferreira, da Corregedoria da PF. Protógenes nega ter mobilizado efetivo tão numeroso da Abin e sustenta que tal medida é legal.


Os peritos também estão empenhados em desbloquear arquivos criptografados – cujo acesso só é possível a partir da identificação de senhas.


Relatório de Análise de Mídias, documento com 28 páginas, indica que o delegado vigiou advogados, jornalistas, deputados e autoridades federais.


Um arquivo identificado pelos peritos, e que Protógenes preservou, é o áudio de diálogo que ele manteve por telefone com o delegado Paulo de Tarso Teixeira, diretor de Combate a Crimes Financeiros. A conversa ocorreu em 9 de julho, um dia depois da Satiagraha, revelando a insatisfação da cúpula da PF com os métodos adotados por Protógenes na operação. Dias depois do telefonema, Protógenes queixou-se à Procuradoria da República de ter sofrido boicote de superiores no cerco a Dantas.


Protógenes não retornou contatos feitos pela reportagem desde a semana passada. Fernando Gallo, advogado da Federação dos Delegados da PF, afirmou que Protógenes ‘respeita as prerrogativas dos advogados’. Vicente Grecco Filho, criminalista que defende Protógenes, disse que não tem falado com o delegado. Ele explicou que ainda não teve acesso à perícia sobre os computadores.’


 


 


AJUDA
Reuters, Nova York


New York Times recebe aporte de US$ 250 milhões de Slim


‘O grupo americano The New York Times vai receber um aporte de US$ 250 milhões do bilionário mexicano Carlos Slim – o segundo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes. Pelo acordo, anunciado ontem, Slim receberá papéis conversíveis em ações do grupo. Esses papéis, com vencimento em seis anos, embutem ainda uma taxa de juros anual de 14%. sendo 11% pagos em dinheiro e 3% em bônus adicionais.


Com a operação, Slim, que já é dono de 6,9% das ações do New York Times, chegará a uma participação de 17%. Isso fará dele um dos maiores acionistas do grupo, atrás apenas da família Ochs-Sulzberger, que controla o jornal há mais de 100 anos. O investimento é feito num momento crítico para o grupo de mídia. A empresa, que é proprietária do jornal The New York Times e também do Boston Globe, além de outros jornais regionais, enfrenta dificuldades para pagar dívidas de mais de US$ 1,1 bilhão com vencimento nos próximos anos, enquanto a receita proveniente da publicidade se deteriora.


O Times dispõe de US$ 46 milhões em dinheiro, mas enfrenta o fechamento, programado para maio, de uma linha de crédito de US$ 400 milhões. A empresa está tentando se desfazer da participação na holding que controla a equipe de beisebol Boston Red Socks, e pode também vender outras propriedades.


Slim, dono de um patrimônio avaliado em US$ 60 bilhões, não revelou seu objetivo em relação ao Times. Um dos seus porta-vozes se recusou no domingo a responder às perguntas, que incluíam a possibilidade de Slim comprar o Times.


O grupo New York Times, junto com outras editoras, viu seus negócios ameaçados por um agudo declínio na receita da publicidade. Parte do problema vem da mudança fundamental observada nos hábitos de leitura das pessoas. Um número cada vez maior procura as notícias na internet. E a crise financeira mundial, além disso, acentuou a queda verificada na receita publicitária.


O diretor financeiro do Times, James Follo, disse que o interesse de Slim é puramente financeiro, ecoando um pronunciamento feito pelo próprio Slim em setembro, quando ele divulgou ter adquirido uma participação de 6,4% na empresa. Follo disse que Slim procurou o Times para fazer uma oferta de investimento meses atrás.


ACORDO INCOMUM


O acordo entre o New York Times e Slim é uma jogada incomum para o grupo, que é controlado pela família Ochs-Sulzberger desde 1896, por meio de uma categoria especial de ações. A família também detém cerca de 20% da empresa sob a forma de ações especiais e de ações negociadas publicamente.


O Times não permitia a admissão de grupos de fora no seu conselho de administração até o ano passado, quando o fundo de investimentos Harbinger Capital Partners comprou uma participação quase equivalente à da família Sulzberger e exigiu que a empresa lhe conferisse representatividade. Além disso, o fundo também começou a exigir que o grupo começasse a estudar a venda de ativos não estratégicos como forma de reverter a a queda observada no preço de suas ações.


Pelos termos do acordo, Slim investirá no New York Times por meio do Banco Inbursa S/A, Grupo Financeiro Inbursa e Imobiliária Carso. ‘Nós acreditamos que, com a força da marca New York Times, seu alcance nacional e internacional, seu potencial para o meio digital e, mais do que tudo, suas informações de alcance global, o grupo vai continuar a ser um líder na indústria da mídia’, disse Arturo Elias, diretor da Imobiliária Carso e genro de Slim.’


 


 


PRINT ADS
Ana Paula Lacerda


Google cancela serviço de anúncios impressos


‘Menos de uma semana após anunciar o fechamento de cinco de seus serviços, os cortes de custos levam o Google a cancelar mais um: desta vez, o deletado foi o Google Print Ads, programa para produzir e vender anúncios impressos para jornais. ‘O produto não criou o impacto que nós e nossos parceiros desejávamos’, escreveu Spencer Spinnell, diretor do Google Print Ads, no blog da companhia.


O programa vai parar de aceitar novos anúncios no dia 28 de fevereiro. Para aqueles clientes que já têm campanhas agendadas, elas serão encerradas no dia 31 de março.


O Google lançou o Print Ads – que permitia que anunciantes produzissem, negociassem e colocassem anúncios em jornais impressos, por meio da internet – em 2006, como um meio de diversificar seus negócios para além da publicidade online, que hoje corresponde a 97% do faturamento da empresa. O programa começou com 50 jornais parceiros e chegou a 800 publicações nos Estados Unidos. Em julho de 2007, os executivos do Google se referiam ao Print Ads em seu blog oficial como ‘um sucesso’.


No entanto, o Google não conseguiu gerar receita significativa com o programa para os padrões – e necessidades – atuais. ‘Está claro que o atual programa Print Ads não é a solução certa, mas vamos liberar esses recursos para desenvolver algo novo’, disse Spinnell no blog. ‘Temos pessoas dedicadas a descobrir como cooperar com os jornais.’


Na semana passada, o Google havia cancelado os serviços Google Videos, Google Notebook, Catalog Search, Dodgeball e Jaiku, fechado três escritórios e demitido 100 funcionários da área de recrutamento. ‘Continuaremos contratando, porém em ritmo mais lento’, afirmou a empresa, também pelo blog.


COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS’


 


 


FOTOGRAFIA
Ubiratan Brasil


Becherini registrou a evolução de SP


‘Uma cidade que passava por profundas modificações – assim era São Paulo ao olhos de Aurélio Becherini, um dos inúmeros imigrantes italianos que povoaram o município na mudança do século 19 para o 20. Recém-chegado, ele logo se encantou com o novo cenário que se descortinava: automóveis substituíam as conduções com tração animal, lampiões a gás eram trocados por iluminação elétrica e construções coloniais vinham abaixo, cedendo espaço para o estilo neoclássico. Com um olhar atento e generoso, Becherini (1879-1939) registrou em fotografias o novo contorno urbano e, como colaborava para jornais e revistas, tornou-se o primeiro repórter-fotográfico da cidade.


O título lhe foi justamente concedido pelo Estado, na edição de 17 de maio de 1939, quando foi noticiada sua morte. ‘Pode-se dizer que foi ele o profissional que maior número de fotografias tirou de São Paulo’, diz a nota. ‘Contam-se por milhares as que tirou da Força Pública, da Guarda Civil a serviço de diversas secretarias de Estado, etc.’ Becherini manteve uma intensa colaboração com o jornal, registrando, por exemplo, a rotina da cadeia pública e a transformação da Igreja do Carmo.


Fundamentais na recuperação da história de São Paulo, as fotos de Becherini ganham agora seu primeiro livro e uma exposição. Para comemorar os 455 anos da cidade, a Cosac Naify uniu-se à Secretaria Municipal de Cultura, ao Departamento do Patrimônio Histórico e ao Museu da Cidade de São Paulo para editar o volume Aurélio Becherini (236 páginas, R$ 42), conjunto de 193 imagens feitas entre 1904 e 1934 em diferentes pontos da cidade. O livro será oficialmente lançado no sábado, com a abertura da exposição Aurélio Becherini: São Paulo em Transição, no Centro Cultural São Paulo, que vai oferecer um delicioso aperitivo ao expor 45 imagens.


A história da cidade, aliás, sempre fascinou Becherini. Antes mesmo de iniciar o seu conjunto de imagens, ele arrematou diversos originais de outros fotógrafos que tiveram importante atuação na documentação urbana, como Militão Augusto de Azevedo, Valério Vieira, Guilherme Gaensly, entre outros. A partir desse material, Becherini dedicou uma grande atenção às transformações da cidade, especialmente como contratado de várias secretarias estaduais, principalmente a da Viação.


Nas primeiras décadas do século passado, São Paulo viveu um período de intensas transformações. Ruas foram alargadas e pavimentadas, espaços urbanos como o Vale do Anhangabaú ganharam um novo contorno, vários quarteirões foram demolidos para oferecer uma enorme área reservada para construção da Catedral da Sé e sua praça, e viadutos foram erguidos ou renovados, como o do Chá. ‘Becherini foi o fotógrafo que melhor percebeu esse momento de transição da capital’, observa o crítico Rubens Fernandes Junior em um dos três elucidativos textos de apresentação do livro Aurélio Becherini – os outros foram escritos pela pesquisadora Angela C. Garcia e pelo sociólogo José de Souza Martins. ‘Em sua fotografia, ele assume um entusiasmo pelo progresso ao detectar que a cidade se transfigurava.’


Além do faro para descobrir novos formatos da cidade, Becherini, que chegou a São Paulo por volta de 1900, conseguia ângulos novos para as suas fotos, incorporando imprevistos. ‘Se a cidade se modificava, alterando seu ritmo e sua escala, o olhar atento de Becherini acompanhava a mudança’, observa Fernandes. ‘O que vemos em alguns momentos é uma câmera alta para dar conta do espaço ampliado horizontal ou verticalmente, ou até mesmo a utilização de lentes teleobjetivas para ?achatar? os planos e concentrar nossa visão numa massa construída.’


Um belo exemplo é a foto reproduzida acima, à esquerda, um flagrante da Rua José Bonifácio, em direção à Rua Riachuelo, em 1916. O fotógrafo posicionou-se entre os trilhos do bonde, que remetem o olhar até uma placa com dizeres significativos, ‘São Paulo Progride’: a cidade avança graças a uma população heterogênea, formada por homens engravatados e outros com vestes mais humildes, mais tradicionais. Todos estão atentos ao fotógrafo, até mesmo o burro da carroça. Becherini, segundo Fernandes, construiu uma obra pontuada pela urgência de produzir um documento histórico que transcenda seu tempo.


Tais documentos interessavam à imprensa, em especial O Estado de S.Paulo, que publicou a primeira imagem fotográfica de sua história na edição de 4 de abril de 1890. Em seu artigo introdutório, Angela C. Garcia destaca o trabalho de Becherini para o jornal. Como a série de fotos publicadas em um domingo de 1911, que retrata a velha penitenciária. Ou modificações urbanísticas, como a construção do Viaduto Santa Efigênia ou a reurbanização do Vale do Anhangabaú. O fotógrafo também acompanhou as variações do gosto popular em relação ao esporte, do turfe ao futebol. A pesquisadora observa uma interessante mudança de foco: inicialmente, as imagens focavam o público presente na arquibancada até chegar, com o tempo, ao real objetivo do encontro, ou seja, a chegada dos cavalos no fim de uma corrida ou os jogadores, durante uma partida.


Becherini também construía cuidadosamente suas fotografias. Em seu texto, José de Souza Martins observa algumas imagens com lupa, o que permite reconstituir aquele momento vivido por São Paulo. Na foto publicada no alto desta página, à direita, é possível detectar a movimentação do então Largo da Sé poucos minutos depois das 12 horas, em algum dia de 1912 – o comércio, a movimentação das pessoas, o estacionamento de charretes, flagrantes de uma cidade que progredia e, por isso mesmo, perdia uma certa inocência.


Outras visões


O aniversário de 455 anos de São Paulo, que será comemorado no domingo, motiva outras exposições e lançamentos de livros. O Palácio dos Bandeirantes abre suas portas, no fim de semana, para dois eventos de visuais.


O primeiro é a exposição 1924: A Revolução Esquecida, reunião de cartas, fotografias, mapas, objetos e jornais da época que retratam o maior conflito armado ocorrido na capital paulista. Organizado pelo Arquivo Público do Estado em parceria com o Acervo dos Palácios, a mostra traça um painel artístico, social e político de São Paulo em suas primeiras décadas do século 20.


Segundo o curador Vladimir Sacchetta, conta a história do segundo episódio dos levantes tenentistas – iniciados dois anos antes no Rio de Janeiro com a marcha dos 18 do Forte de Copacabana – que iriam sacudir e pôr fim à chamada República Velha em outubro de 1930. ‘Mais que isso, resgata a memória da cidade de São Paulo, castigada implacavelmente durante 24 dias pela metralha e pelos bombardeios das forças do governo federal’, conta.


Já a exposição Retratos e Personagens de Um Brasil Paulista exibe parte do acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro e dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Pinturas, esculturas e máscaras mortuárias recuperam a história paulista a partir de retratos de personalidades, como a marquesa de Santos, o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, entre outros.’


 


 


 


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