Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Comissão do Senado veta concessão de TV a congressistas

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 09/04/2009 na edição 532

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 9 de abril de 2009


 


CONCESSÕES
Elvira Lobato e Andreza Matais


Comissão veta posse de TV por congressista


‘A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, na noite de anteontem, um parecer do senador Pedro Simon contrário a que deputados e senadores tenham emissoras de rádio e de televisão.


O parecer propõe que o Senado não aprove novas concessões de radiodifusão para empresas pertencentes a deputados e senadores e rejeite a renovação das concessões já existentes. O parecer agora irá a votação pelo plenário do Senado.


Apenas quatro senadores estavam na reunião que aprovou o parecer. A medida provocou discussão, ontem, na comissão. O presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), foi cobrado pelo senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), acionista da TV Bahia, afiliada da Rede Globo no Estado, e um dos membros titulares da comissão.


ACM Júnior reclamou por Demóstenes Torres ter colocado a matéria em votação com poucos presentes. Segundo o presidente da CCJ, a reunião era continuação da sessão da quarta-feira da semana anterior, que teve presença maciça dos membros da comissão e todos foram informados sobre a pauta de anteontem.


Vários políticos importantes do Congresso têm emissoras de radiodifusão, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), proprietário da rádio e da TV Jangadeiro, em Fortaleza; Roseana Sarney (PMDB-MA) -acionista da TV Mirante, afiliada Globo, e de três rádios no Maranhão-; Fernando Collor de Mello (PTB-AL) -acionista da TV Gazeta, em Maceió, afiliada da Globo-; e José Agripino, líder do DEM no Senado e proprietário de uma emissora de rádio no Rio Grande do Norte.


Pelo menos 17 senadores aparecem como proprietários de empresas de radiodifusão no cadastro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), fora os que têm emissoras em nome de familiares.


O vice-presidente da CCJ, Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG), é um deles e estava ausente da sessão que aprovou o parecer.


A legislação de radiodifusão não impede que políticos em mandato sejam proprietários de emissoras de radiodifusão. Só proíbe que eles ocupem cargos diretivos nas empresas, para que não usem a imunidade parlamentar para escapar de processos na Justiça.


O parecer da CCJ aprovado anteontem vai além do previsto na legislação do setor, ao interpretar o artigo 54 da Constituição, segundo o qual, deputados e senadores não poderão ‘ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada’.


O parecer de Simon é de que as concessões podem ser usadas como elementos de barganha do Executivo para cooptar votos do Congresso. Ele cita o episódio de 2006, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva requisitou a devolução de 225 processos de renovação de outorgas de radiodifusão que corriam risco de serem rejeitados pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, atendendo a apelos de políticos.


O parecer foi solicitado, em 2006, pelos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Tião Viana (PT-AC) e pela ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).’


 


 


PRÊMIO
Folha de S. Paulo


Especial da Folha recebe prêmio Abecip


‘O ‘Guia do Primeiro Imóvel’, publicado pela Folha em junho do ano passado, foi o vencedor do 5º Prêmio Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) de Jornalismo, que avaliou 127 reportagens sobre o mercado imobiliário. O trabalho ficou em primeiro lugar na categoria Sistema de Financiamento Imobiliário para reportagens publicadas em mídia impressa. Nessa categoria, o segundo colocado foi o jornal ‘Valor Econômico’, pelo conjunto de trabalhos publicados.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Paraíso de brasileiro


‘No enunciado, ontem, ‘Paraísos fiscais recebem 70% dos investimentos brasileiros no exterior’. Era uma reportagem da BBC Brasil, manchete também em outras partes, caso do portal Terra.


Mais especificamente, dos US$ 104 bilhões anuais mandados para fora, pelos dados mais recentes, a ‘metade é cadastrada nas ilhas Bahamas e nas ilhas Cayman’. As duas ilhas são ‘destino ou passagem’, segundo o Banco Central. São ‘os vilões do sistema financeiro internacional’, apontados pelo G20 e agora ‘alvo’.


‘LIVROS FISCAIS’


A manchete do Terra acompanhou depois sites como ‘O Estado de S. Paulo’, com o enunciado ‘Polícia Federal apreende ‘livros fiscais’ do Opportunity’, de ‘contabilidade’. E registrou que, ao ser ‘procurado, o advogado do banco atendeu ao telefonema, mas logo em seguida encerrou a ligação; alegou não ter ouvido’.


NÃO, NÃO FOI


De outro lado, na manchete do portal G1, da Rede Globo, ‘Dilma não foi investigada, diz Protógenes na CPI’.


Na manchete da Folha Online, ‘Protógenes diz à CPI que não investigou Dilma e filho de Lula’, Fabio Luís, ‘o Lulinha’ acrescentando que o delegado ‘foi enfático ao negar que as investigações chegaram à Casa Civil’.


PARA VALER


Confirmando a manchete de ‘O Globo’, Lula mudou o Banco do Brasil ‘por causa dos juros altos’. Foi o bastante para renascer a expressão ‘o mercado reagiu mal’, na voz de Fátima Bernardes. Na manchete do UOL, um ‘analista da Corretora Ativa’ e um ‘economista da Consultoria Lopes Filho’ questionavam a ‘ingerência política’. No destaque do portal e do ‘Jornal Nacional’, ‘as ações do banco despencam’.


Já o ‘Valor Econômico’ deu na manchete on-line que, se de um lado as ações do banco caíram 8%, de outro a Bolsa ‘retomou os 44 mil pontos’.


E a Reuters Brasil destacou que a ordem foi para ‘deixar claro que a cruzada por spread bancário mais baixo é para valer’.


RETOMADA?


Na manchete do estatal ‘China Daily’, ‘Previsão de retomada no meio do ano’. Era a opinião do Banco Mundial sobre os efeitos do pacote de estímulo do país.


‘Uma grande variedade de indicadores econômicos na China apresenta melhora’, diz o relatório e ressalta o jornal estatal chinês.


NOS EUA, NÃO


Na manchete on-line do ‘Financial Times’, por outro lado, ‘Percepção pessimista prevalece dentro do Fed’.


Em novas ‘minutas’ divulgadas ontem, o banco central dos EUA ‘freou as esperanças’ estimuladas poucos dias atrás por seu próprio presidente e cortou as projeções do PIB no segundo semestre.


V? NÃO


Na capa e na home do ‘FT’, mais opinião de ‘mercado’. O economista do banco Morgan Stanley, um dos mais abatidos na crise financeira, afirmou que qualquer esperança de retomada, nos EUA como no resto, não passa de ‘auto-engano’. E mais: recessão em ‘V’, com queda seguida logo de alta, nem pensar.


ADEUS, CLASSE MÉDIA


Na manchete da estatal Agência Brasil, para estudo de Marcelo Neri, economista da Fundação Getúlio Vargas, ‘Crise interrompe processo de melhoria de renda’. Aliás, ele já ‘começa a ser revertido’.


Os efeitos da crise financeira ‘agora se ampliam para as faixas de menor rendimento, como a classe C’.


NEM 2% DOS POBRES


A BBC Brasil noticiou que, segundo estudo da Cepal, ‘o Brasil é o país da América Latina onde os ricos mais têm acesso à internet’, com 52,2% das ‘residências mais ricas’ conectadas. Do outro lado, ‘somente 1,7% das casas mais pobres têm acesso’.


CAI O GRANDE IRMÃO


A Folha Online noticiou de madrugada e o Blue Bus destacou depois que ‘Final do ‘Big Brother Brasil 9’ tem a pior audiência de todas as edições’. Dos 59 pontos do primeiro, passando pelos 57 do quinto, o programa fechou desta vez com 41.


O QUE OBAMA VÊ


O site Politico levantou o que o presidente dos EUA prioriza na TV. Ele gosta das séries da HBO, como ‘Entourage’, sobre o cotidiano de um ator, e ‘The Wire’.


Com as duas filhas, vê ‘Hannah Montana’ e ‘Bob Esponja’. E muita ESPN, com ‘Sportscenter’ e as transmissões de basquete da NBA e da NCAA. Canais de notícia, não.’


 


 


LIVRO
Folha de S. Paulo


Fotorreportagem apresenta caminho de Obama até o poder


‘Chega às livrarias no início da semana que vem o livro ‘Barack Obama: O Caminho Para a Casa Branca’ (R$ 34,90; 96 págs.), editado pela Publifolha.


Espécie de reportagem fotográfica, a obra foi originalmente produzida pela revista ‘Time’, que destacou a fotógrafa Callie Shell-Aurora para acompanhar a campanha do atual presidente americano à Casa Branca.


Há registros do candidato democrata em família, bastidores da corrida presidencial, encontros com eleitores e a celebração da vitória.


Em um comentário de apresentação do livro, o correspondente da Folha em Washington, Sérgio Dávila, diz que nenhuma outra campanha foi tão registrada por fotos e textos do que a do ano passado.


‘É fácil’, por isso, ele diz, ‘mergulhar nesse mar de informações, mais fácil ainda se afogar nelas’. Por isso, para Dávila, ‘este livro funciona como um salva-vidas’.


Além das fotografias, ele cita como uma das razões para isso as análises que acompanham os registros da caminhada até a Casa Branca. Jornalistas da ‘Time’ traçam um perfil do novo presidente e do país mudado que o elegeu como líder.


Há ainda, entre outras, reportagens sobre a carreira política de Obama em Chicago e a acirrada disputa com a ex-primeira-dama Hillary Clinton nas primárias.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo vai à web para resgatar telespectador


‘O diretor-geral de entretenimento da Globo, Manoel Martins, afirmou ontem, na apresentação da programação de 2009 para a imprensa, que os programas da rede serão cada vez mais ‘multimídia’, pensados não apenas para a TV mas também para internet e celular.


A estratégia é ‘aguçar no usuário de internet a vontade de voltar a assistir televisão’. Um exemplo de programa multimídia é o ‘Vídeo Show’, que terá uma versão on-line.


No evento de ontem, a Globo anunciou que todos os seus telejornais de rede terão edições especiais e extraordinárias para celulares, ainda neste ano, distribuídos por operadoras.


‘A nossa grande aposta é o celular. A TV aberta terá uma segunda plataforma, que será o celular, e será a segunda maior audiência. Em cinco anos, haverá 50 milhões de usuários assistindo a TV aberta pelo celular’, disse Octavio Florisbal, diretor-geral da emissora. Esses aparelhos seriam usados para ver TV aberta gratuita e também paga, caso dos telejornais.


A Globo começa hoje a testar programetes jornalísticos em ônibus de São Paulo. E a Globo Filmes agora faz longas com versões em microssérie. ‘Queremos estar em todas as plataformas sem perder o foco, que é a TV aberta’, disse Florisbal. ‘Com esses avanços, achamos que neste ano vamos crescer dois pontos em audiência. Queremos estar entre as três maiores TVs abertas do mundo.’


NOVO PROGRAMA


A Globo estreará um programete esportivo. ‘Placar da Rodada’ será exibido às quartas, após o futebol. A novidade foi anunciada ontem, no lançamento da nova programação.


CENÁRIO


Não só o ‘Jornal Nacional’ terá novo cenário. O ‘Jornal da Globo’ também. As reformas incluem novas bancadas, que passarão a receber comentaristas, no caso do ‘Jornal da Globo’, e repórteres que fazem séries especiais para o ‘JN’. ‘Eles vão comentar as reportagens ao vivo’, anunciou Fátima Bernardes, em vídeo exibido ontem à imprensa.


LINGUAGEM


O jornalismo da Globo promete renovação. Terá uma ‘linguagem mais natural’ e ‘mais entradas ao vivo’.


FRONTEIRA


A Globo fechou na semana passada contrato com a TV Azteca. Irá coproduzir com a emissora mexicana uma versão em espanhol de uma novela brasileira. É o segundo contrato do tipo. Atualmente, a Telemundo, dos EUA, roda um remake de ‘O Clone’.


MAIS DO MESMO


O ‘TV Xuxa’ terá apenas cenário e logotipo novos, mas Xuxa Meneghel vendeu, em vídeo exibido pela Globo, que virá cheio de novidades. Segundo ela, o programa terá ‘essa energia gostosa’ e mostrará ‘coisas legais que [ela] faz em casa’.


TECNOLOGIA


A Globo também anunciou que até o final do ano oferecerá interatividade via TV digital. E que, em 2010, todos os jogos de futebol serão em alta definição.’


 


 


Painel do Leitor


TV


‘‘Nelson de Sá disse em nota que o ‘JN’ ‘volta a atacar Franklin Martins’ (‘Toda Mídia’, ontem). Quando? Nem ontem nem nunca. Já disse outras vezes: o colunista tem todo o direito de criticar o ‘JN’, mas não de noticiar o que não aconteceu. O ‘JN’ noticiou investigações da PF que envolvem o nome de Victor Martins, da ANP. Mas em nenhum momento mencionou o fato de que ele é irmão do ministro Franklin, por considerar que, até aqui, não há razão para isso.


O curioso é que a nota de Sá saiu na mesma página em que a Folha noticiou o mesmo caso, que mereceu o seguinte título na Primeira Página: ‘Irmão de Franklin lidera esquema de royalties, diz PF’. Não julgo nem critico a Folha, que segue seus próprios critérios editoriais. Mas estranho que Sá veja ‘um ataque’ que não houve no ‘JN’ e se omita em relação ao jornal em que escreve.’


ALI KAMEL, diretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo (Rio de janeiro, RJ)


Resposta do jornalista Nelson de Sá – O texto na tela na Globo, na reportagem do ‘Jornal Nacional’, mostrava, em letras grandes: ‘Victor Martins está sendo investigado pela PF.


Ele é diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP). É também irmão do ministro da Propaganda de Lula, Franklin Martins’.’


 


 


Fernanda Ezabella


Programa reúne literatura e teens


‘Uma epopeia pelo centro de São Paulo para tirar o RG e um sermão daqueles para convencer o amigo a entrar na piscina. Com histórias corriqueiras, o novo seriado da TV Cultura traça paralelos com clássicos da literatura, como ‘Os Lusíadas’, de Camões, e ‘Sermões’, do padre Antônio Vieira.


A protagonista de ‘Tudo o que É Sólido Pode Derreter’ é Thereza, uma estudante do primeiro ano do ensino médio de uma escola pública. Gosta de literatura, mas anda meio rebelde com os pais. É também um pouco irônica no colégio, principalmente quando se trata de uma colega metida a atriz. O clima de sala de aula e intrigas faz lembrar outra série de sucesso do canal, ‘Confissões de Adolescente’, dos anos 90. Estão ali os conflitos da transição para a idade adulta, mas a linha narrativa vem dos livros, um por episódio.


O seriado é inspirado em curta feito pelo próprio diretor, Rafael Gomes, 26. Ele é um dos autores do vídeo ‘Tapa na Pantera’, com a atriz Maria Alice Vergueiro. Esta, por sua vez, faz uma ponta no primeiro capítulo, sobre ‘O Auto da Barca do Inferno’, de Gil Vicente, no papel de Diabo. Ao lado de um anjinho, os dois decidem num programa de TV quem deve ir ao céu ou ao inferno, num devaneio imaginário de Thereza.


TUDO O QUE É SÓLIDO PODE DERRETER


Quando: amanhã, às 19h30


Onde: Cultura


Classificação: livre’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 9 de abril de 2009


 


RELAÇÃO
Denise Madueño


Câmara culpa mídia por imagem negativa


‘Pressionado pela repercussão negativa provocada pelos recuos na intenção moralizadora da Câmara, o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), identificou na imprensa uma ação para indispor a instituição com a sociedade. O tema levantado por Temer ontem provocou discursos críticos de líderes partidários à cobertura jornalística das atividades da Câmara realizada pelos meios de comunicação. Foi uma catarse que durou 1h26min da sessão.


No plenário e em nota à imprensa, Temer negou que a Mesa da Casa tenha decidido na reunião do dia anterior executar a obra, com gastos em torno de R$ 80 milhões, para dividir parte dos apartamentos funcionais, a fim de criar moradias para todos os 513 deputados.


‘ Menos a notícia, talvez mais as manchetes e as fotos visam colocar a Câmara dos Deputados em confronto com a opinião pública’, disse Temer. ‘Vejam que a cultura política vai sendo construída de uma maneira que, se nós não repudiarmos um pouco, não tivermos uma ação muito concreta em relação a isso, não estaremos fazendo um benefício à democracia.’


‘Os editores estabelecem um tema e os jornalistas são obrigados a enquadrar a realidade naquele tema. Não importa o que o deputado fale. Isso pega todos. Não contribui para a democracia’, afirmou o líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP). Ele sugeriu a Temer que alerte os demais membros da Mesa para tomarem ‘cuidado’ na escolha dos temas que levarão ao debate e o horário das reuniões. ‘A fim de não ajudarmos aqueles que não querem difundir a notícia e, sim, fazer disputa, em geral, com posições conservadoras contra o parlamento brasileiro’, argumentou o petista.


Nas intervenções, deputados pediram uma reação enérgica da Casa. ‘Essa tônica de se querer eleger o político como a figura mais desprezível da sociedade deve ser rechaçada. É inaceitável! Não é possível essa campanha difamatória que aumenta a cada dia’, disse o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO).


A proposta do deputado Ricardo Barros (PP-PR) pareceu uma punição à sociedade. Segundo ele, se a imprensa minimiza o esforço pela transparência, a Casa não deve fazê-la. ‘Cada vez que uma boa intenção não for valorizada pela imprensa, e ela deixar de ser realizada, eles vão aprender que, quando decidirmos dar um passo na direção certa, ou eles valorizam ou o passo não será dado’, disse.O deputado Sílvio Costa (PMN-PE) resumiu a relação da imprensa com o parlamento: ‘É uma relação sadomasoquista. A imprensa bate e o parlamento fica calado. Parece que está gostando, parece que está concordando.’’


 


 


PROTÓGENES
Rui Nogueira


Delegado usou cinegrafista da Globo para dar flagrante


‘A quebra do sigilo telefônico do delegado Protógenes Queiroz provou que foi ele mesmo quem telefonou para a reportagem da TV Globo para acertar a filmagem da prisão do ex-prefeito Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e do banqueiro Daniel Dantas, na madrugada do dia 8 de julho do ano passado, na Operação Satiagraha. Além de provar o vazamento de informações, a investigação do delegado corregedor Amaro Vieira também sustenta que uma equipe da TV Globo de São Paulo foi usada por Protógenes para prestar um serviço tipicamente policial na operação: a emissora filmou, a pedido de Protógenes, o flagrante no restaurante El Tranvia, em junho, em que o delegado Victor Hugo Alves Ferreira recebeu R$ 50 mil dos empresários Hugo Chicaroni e Humberto Brás para tentar evitar o aprofundamento das investigações em cima de Dantas.


Informada sobre os detalhes da investigação de Amaro Vieira, a Central Globo de Comunicação disse ao Estado, por e-mail, que a emissora não se pronunciaria sobre o assunto.


O relatório de 88 páginas do delegado detalha como foi a colaboração da TV Globo com Protógenes. Na ânsia de trabalhar sempre fora do controle dos diretores da PF, o delegado ‘se encarregou de providenciar uma equipe para realizar a filmagem do encontro’ no El Tranvia. Os extratos telefônicos de Protógenes mostram que no dia da gravação ele fez pelo menos 22 telefonemas ou tentativas de ligação para o cinegrafista da Globo Robinson Cerantula, a fim de fazer os acertos da filmagens.


O cinegrafista, segundo o relatório da PF, foi orientado pelo agente federal Amadeu Ranieri Bellomusto sobre a melhor maneira para gravar o encontro no restaurante. ‘Além de recepcionar os jornalistas no local dos fatos (restaurante El Tranvia) Bellomusto indicou-lhes as posições que deveriam ocupar para capturar melhores ângulos, tendo posteriormente recebido as gravações que, após editadas de modo a suprimir evidência da participação dos jornalistas, teriam sido utilizadas na instrução processual.’


PEN DRIVE


As imagens usadas pela PF abasteceram depois o noticiário e foram apresentadas como ‘um trabalho policial’. A íntegra do trabalho da Globo foi encontrado em um pen drive que estava entre os objetos de Protógenes apreendidos na busca realizada pela corregedoria da PF no Hotel Shelton, em São Paulo. Bellomusto chegou a dizer que fora o autor das filmagens, mas foi desmentido pela análise da íntegra das imagens que estavam com o delegado.


A relação Protógenes-TV Globo também ficou evidenciada pelo extrato das ligações telefônicas do dia 8 de julho, quando as equipes da PF saíram às ruas para efetuar as prisões da Operação Satiagraha. O delegado fez pelo menos sete ligações para o jornalista Cesar Tralli, quando as equipes da Globo se postavam para filmar as prisões de Pitta e Naji Nahas.


O relatório do delegado Amaro revela ainda a forma como Protógenes, em parceria com o Ministério Público, agia para levar à mídia a informação de que estava sendo boicotado pelos superiores. Amaro relata vários casos na Operação Satiagraha e recupera a título de exemplo, com provas, o que o delegado fez no caso da ‘máfia do apito’, uma investigação sobre corrupção no futebol.


Protógenes chegou a plantar uma acusação ‘falsa’ e ‘anônima’ no Ministério Público, dizendo que o comando da PF havia ‘ordenado a paralisação dos trabalhos’. Fazia isso sempre que as investigações sob seu comando não evoluíam.


ABIN


Nas 88 páginas da investigação, quase a metade é usada para mostrar detalhadamente como o delegado usou os agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Satiagraha. Muitos dos ‘agentes’ eram motoristas e funcionários do apoio administrativo, e não oficiais da inteligência da Abin. Eles ficavam semanas à disposição de Protógenes para não fazer nada ou apenas checar endereços.


Um dos funcionários da Abin confessa que ficou 60 dias na mesma cidade só para checar quatro endereços – diz no depoimento que se sentiu em férias. Ao todo, foram mobilizados agentes da Abin em 11 Estados. Outro agente confessou que ‘ficou ocioso a maior parte do tempo’. Em 18 dias de trabalho em São Paulo, outro agente ‘checou dois endereços’.


Os agentes da Abin tiveram acesso ilimitado ao Guardião, sistema de grampos da PF.’


 


 


REINO UNIDO
O Estado de S. Paulo


Paparazzo ‘flagra’ relatório ultrassecreto


‘Um relatório ultrassecreto que listava suspeitos de integrar uma célula da Al-Qaeda na Grã-Bretanha foi fotografado por um paparazzo, depois que o chefe da polícia britânica antiterror acidentalmente deixou o papel à mostra, ao descer de um carro. Após a publicação da foto, a polícia prendeu rapidamente 12 dos suspeitos, todos paquistaneses.’


 


 


INTERNET
Renato Cruz


Speedy tem nova pane em SP


‘Uma pane do Speedy, serviço de internet banda larga da Telefônica, afetou vários bairros da Grande São Paulo nos últimos dias. As pessoas não conseguiam se conectar, ou acessavam somente o site de seu provedor. Para alguns, o serviço começou a ficar ruim ainda durante o fim de semana. O pior momento foi na terça-feira. A quantidade de ligações de clientes foi tão grande que a central de atendimento da Telefônica chegou a ficar congestionada. Apesar de a operadora afirmar que os problemas foram resolvidos até as 21h30 de terça-feira, ainda havia clientes com dificuldades ontem.


‘O problema começou cedo ontem (terça)’, afirma Alexandra Penha Dadalto, consultora de tecnologia, moradora da zona norte. ‘Eu só conseguia entrar no UOL (seu provedor de acesso). Não acessava mais nada.’ Alexandra está trabalhando em casa, e a pane atrapalhou o contato com clientes, para quem presta serviços de programação e de desenvolvimento de sites.


A lan house Cyber Games & Internet, que fica na Rua Oscar Freire, na zona sul, só não parou porque tem dois acessos: um Speedy e outro Vírtua, da Net. Com o Speedy fora do ar na terça-feira, a lan house acabou funcionando só com o Vírtua, metade da conexão normal.


‘Atrapalhou bastante’, diz Daniel Henrique Vieira, técnico da Cyber Games. ‘Liguei umas dez vezes para o atendimento do Speedy e não consegui falar. Os clientes daqui ficavam reclamando e não entendiam que a culpa não era minha.’ Na casa de Vieira, no bairro do Campo Limpo, na zona sul, o Speedy também não funcionou na terça. Ele ficou sabendo que outra lan house, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, também teve problemas.


O próprio Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), localizado na Água Branca, passou a terça-feira sem internet. ‘Foi muito ruim’, disse Estela Guerrini, advogada do Idec. ‘Atrapalhou nosso trabalho.’ Ela orienta o consumidor a reclamar. Primeiro para a empresa, por telefone e por carta, com aviso de recebimento. Depois, para o Procon e para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O consumidor tem direito a um desconto na fatura, equivalente ao tempo em que o serviço esteve indisponível. Além disso, pode pedir ressarcimento por danos morais, caso tenha deixado de fechar algum negócio por causa da falha. ‘Quando muitas pessoas reclamam, é um alerta para a empresa, para que ela melhore’, afirma.


Em julho de 2008, o Speedy sofreu um apagão, que deixou os clientes sem serviço por 36 horas. Sobre o problema de ontem, a empresa diz que ‘mobilizou suas equipes para normalizar a situação no menor prazo possível’.’


 


 


FUTEBOL
Fábio Hecico


Ronaldo treina e faz publicidade


‘Walmir Cruz brinca: ‘Se for sobre o Ronaldo eu não falo.’ Sério, diz que o Fenômeno está quase pronto para jogar. ‘Contra o São Paulo ele vai atuar com 90% das suas condições físicas’, afirma o preparador físico do Corinthians, garantindo que vai fazê-lo ‘voar’ em no máximo 40 dias. ‘No começo do Brasileiro ele estará no mesmo nível dos demais companheiros’, observa.


Ronaldo emagreceu um quilo durante a semana. Precisa perder mais três ou quatro. Hoje, porém, interrompe a concentração por algumas horas e participa de almoço, na sede da Ambev, em São Paulo, para falar de nova campanha publicitária, que entra no ar à noite, que terá a Brahma como tema e ele como personagem principal. As filmagens foram realizadas na semana passada pela agência África.’


 


 


TELEVISÃO
Cristina Padiglione e Keila Jimenez


Globo testa em ônibus e trem


‘Mobilidade foi termo citado à exaustão durante evento promovido ontem, pela Globo, para anunciar novidades da programação 2009. Diretor-geral da TV Globo, Octávio Florisbal anunciou que a emissora realizará, a partir do segundo semestre, testes para transmissão direta do canal em telas instaladas em ônibus, trens (incluindo metrô) e táxis, em São Paulo.


‘Nossa tecnologia permite transmitir com qualidade em veículos em movimento e temos de aproveitar’, completou o diretor da Central Globo de Engenharia, Fernando Bittencourt. ‘Só estamos tentando resolver a questão do áudio, o som ainda é um desafio.’


A maior aposta da direção da Globo para aproveitar os recursos oferecidos pela TV digital, no entanto, concentram-se na TV via celular. ‘Temos notícia de que uma empresa terá, para promoção de Dia das Mães, aparelhos a R$ 390 com capacidade para receber TV aberta’, informou Florisbal. A redução de custo do celular com TV, nos cálculos da Globo, trará para a TV digital o avanço que faltou até aqui, em função do alto preço de televisores e/ou conversores.


Florisbal acredita ainda que o hábito de ver TV pelo celular provocará, no Brasil, um fenômeno similar ao que ocorreu no Japão, onde as telinhas viraram hit e provocaram a criação de um novo horário nobre.


INTERNACIONAL


Diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Henrique Schroder disse que a África do Sul passa a ter Renato Ribeiro como correspondente fixo, a começar pela cobertura das eleições locais no país da Copa de 2010. E o diretor da Globo Internacional, Ricardo Scalamandré, falou sobre uma nova coprodução para 2010 na teledramaturgia. Enquanto a Telemundo produz uma versão de O Clone, a TV Azteca, do México, fará produção para outro título da Globo.’


 


 


LINHA DE FRENTE
Verissimo


Eu, repórter


‘Reminiscências, reminiscências… Trabalho em jornal há mais de 40 anos mas uma única vez saí da redação para fazer uma reportagem. Dizem que só o repórter é jornalista mesmo, no sentido em que só quem está na linha de frente é soldado mesmo – o resto é burocracia fardada. Pois fui repórter por um dia, em 1968. O sul-africano Christian Barnard, que meses antes fizera o primeiro transplante de coração da História, viria participar de um congresso em Buenos Aires. Eu fazia de tudo na redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Até, como já contei mais de uma vez, o horóscopo. Quando faltavam artigos para a página de opinião eu fazia, usando pseudônimos. Certa vez dois dos meus pseudônimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época. Mas eu falava inglês, e fui o escolhido para entrevistar o Barnard. Me botaram num avião para Buenos Aires. Junto com um cinegrafista, o Leca, porque a matéria que eu conseguisse também seria para a TV.


O dr. Barnard se tornara uma celebridade mundial com seu feito. Havia uma multidão querendo entrevistá-lo em Buenos Aires. Ele atenderia a imprensa de uma vez só, numa coletiva, e depois responderia a perguntas individuais – mas só a uma pergunta por repórter. Entrei na fila. O Leca ficaria perto do doutor e ligaria a câmera quando eu chegasse lá. Fiquei pensando no que perguntar ao Barnard. O argentino atrás de mim me cutucava com seu microfone à altura dos rins. Ouvi uma altercação vindo do começo da fila. Um repórter desobedecera as ordens, tentara fazer uma segunda pergunta ao cirurgião e ouvia protestos dos colegas. Eu não conseguia pensar na pergunta que faria ao Barnard. Tinha que ser uma única pergunta. Uma pergunta definitiva.


– O que o senhor está achando de Buenos Aires?


Não! Algo mais cientifico. Como está passando o paciente que recebeu o coração transplantado? Não! O paciente poderia já ter morrido, a pergunta seria vista como provocação. Falar do apartheid na África do Sul? Não, nada a ver.


Perguntar o quê?


Eu chegava cada vez mais perto do começo da fila. O Leca me fazia sinal de positivo, estava a postos. A ansiedade do argentino atrás de mim aumentava e as cutucadas também. Perguntar o quê?


Finalmente cheguei na frente do dr. Barnard e…


Sabe que eu não me lembro o que perguntei? Tenho a vaga lembrança de alguma coisa como ‘O senhor espera operar num brasileiro, um dia?’ mas prefiro estar enganado. Minha única vontade era estar de volta à redação da Zero Hora, inventando frases para o conde Fanfani ou o Aldo Gabarito, em vez de para mim.


Desde então, só aumentou a minha admiração por repórteres.’


 


 


 


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