Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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29/04/2008 na edição 483

PRISÃO
Bia Moraes

Apresentador de TV é preso em Curitiba acusado de extorsão, 25/4

‘O radialista, apresentador de TV e ex-deputado estadual Ricardo Chab foi preso em Curitiba nesta sexta-feira (25/04) acusado de extorsão. O advogado Antonio Neiva de Macedo Filho, que estaria intermediando a negociação de dinheiro em troca de silêncio do apresentador sobre denúncias envolvendo a empresa de segurança Centronic, também foi preso, em flagrante, com R$ 35 mil em dinheiro, que seriam resultantes da extorsão.

Chab apresentava um programa local, ‘Na Hora do Almoço’, na tevê RIC (Rede Independência de Comunicação), canal 7 – retransmissora da Record. Já no telejornal local da noite, desta mesma sexta, a RIC informou que o contrato com Chab foi rescindido por conta do episódio. Toda a imprensa paranaense cobriu o caso ao longo do dia, com bastante destaque. Rádios, sites e telejornais exibiram imagens de Chab sendo preso, e também vídeos e áudios feitos pela Centronic, que mostram o pagamento da suposta extorsão e revelam telefonemas de negociações pelo silêncio do apresentador.

Posição da RIC

O âncora do telejornal noturno local da RIC leu nota oficial da empresa, informando que a emissora ‘se surpreendeu na manhã de hoje’ com a prisão do apresentador; que o fato aconteceu na Rádio Mais, de propriedade de Chab, em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba); que ‘o Grupo RIC repudia veementemente o ocorrido e espera apuração rigorosa’ dos fatos, e por fim, que o contrato com Ricardo Chab já está rescindido. A emissora ainda não informou quem apresentará o programa diário ‘Na Hora do Almoço’, no lugar de Chab.

Após prestar depoimento em delegacia, Chab e Neiva de Macedo foram transferidos para a cadeia do Centro de Triagem de Curitiba, onde passariam a noite de sexta para sábado. Os advogados dos dois já preparam pedido de relaxamento da prisão.

A suposta extorsão envolve a empresa Centronic, onde trabalhavam os seguranças acusados de envolvimento em um crime bastante polêmico, que mexeu com a opinião pública em outubro do ano passado: o assassinato do estudante Bruno Strobel, filho do cronista esportivo Vinícius Coelho.

Assassinato

De acordo com as investigações da polícia, e a confissão de um dos acusados, Bruno foi pego pichando o muro de uma clínica médica, cliente da Centronic, à noite. O rapaz voltava a pé para casa, após assistir a uma partida de futebol com amigos. Chegando ao local, os seguranças da Centronic surpreenderam o estudante, que então teria sido levado para a sede da própria empresa de vigilância. Lá, Bruno teria sido amordaçado e espancado.

Na tentativa de escapar da surra, o rapaz teria revelado ser filho de um jornalista famoso, e que usaria sua influência junto à imprensa para denunciar a tortura que estava sofrendo na Centronic. Diante disso, os vigias teriam decidido matá-lo. O rapaz foi assassinado a tiros e teve o corpo abandonado na Região Metropolitana de Curitiba. Dias depois, a polícia prendeu os seguranças da Centronic e apresentou o caso como elucidado. O crime teve grande repercussão. Entre outras denúncias, a Centronic foi acusada de estimular seus funcionários a praticar torturas e espancamentos.

Um dos seguranças da Centronic, Marlon Janke, confessou o crime para a polícia. Coincidentemente, o advogado que atende Janke neste caso é Neiva de Macedo, o mesmo que está preso por intermediar a extorsão de Ricardo Chab contra a Centronic.

Vereador envolvido

Outro suspeito de participar do esquema de extorsão é o presidente da Câmara de Vereadores de Colombo, vereador Onéias Ribeiro de Souza, do PT. Ele receberia participação no dinheiro arrecadado com a extorsão. O delegado Marcus Vinícius Michelotto, da delegacia de Estelionatos, que comandou as investigações e realizou a prisão de Chab e de Neiva de Macedo, disse à imprensa que deverá pedir também o indiciamento e a prisão do vereador.

Chab e Neiva de Macedo vinham sendo investigados há cerca de dez dias. Esta não teria sido a primeira extorsão contra a Centronic. Mas desta vez, o proprietário da empresa, Nilso Rodrigues de Godoes, levou o caso à polícia. A Justiça autorizou o monitoramento dos telefones dos dois suspeitos. Godoes disse à imprensa que Neiva de Macedo, em nome de Chab, havia primeiramente pedido R$ 150 mil para o apresentador ‘ficar calado’ no caso de ‘novas denúncias’ contra a Centronic. O valor foi renegociado e baixou para R$ 70 mil. Já a esta altura, a polícia acompanhava o crime. O flagrante foi feito quando a parcela de R$ 35 mil estava sendo paga a Neiva de Macedo.

Ainda de acordo com Godoes, em extorsão praticada anteriormente, e negociada pessoalmente, o advogado Neiva de Macedo e Ricardo Chab queriam R$ 1 milhão para não levar ao ar denúncias contra a Centronic. Nesta ocasião, a ‘renegociação’ teria baixado o valor para R$ 80 mil – que, de acordo com o dono da empresa de segurança, teriam sido pagos em dinheiro. Mas, há cerca de duas semanas, a dupla teria voltado a procurar a Centronic exigindo mais dinheiro, por conta de novas denúncias que teriam surgido contra a empresa.

Telefonemas

Esta segunda tentativa de extorsão foi conduzida através de telefonemas. Quem negociava pela empresa era um homem identificado como Ademir – que já trabalhou para Ricardo Chab e agora é funcionário da Centronic. Foi o próprio Ademir quem gravou as ligações. Depois da denúncia à polícia, que autorizada judicialmente, passou a monitorar os telefonemas de Chab e de Neiva Filho.

Em um dos telefonemas, Ademir reclama para Neiva de Macedo que Chab não estava aceitando baixar o valor acertado. Há uma gravação em que Ademir fala diretamente com Chab, que não fala em valores. Fica implícito que eles negociavam comissões para baixar o valor da suposta extorsão: Ademir diz que não abre mão da parte ‘do Onéias Ribeiro e do Macedo’. Chab responde que falaria com eles e depois telefonaria de volta para Ademir.

O advogado Elias Mattar Assad, que defende a Centronic no caso do assassinato do estudante Bruno, disse à imprensa que Godoes o procurou com as gravações dos telefonemas em 15/04, pedindo orientação sobre o que fazer. Assad teria recomendado que denunciasse à polícia e abrisse inquérito, ou esquecesse o caso. Mas, depois disso, o advogado ainda intermediou um encontro entre os donos da Centronic, com Chab e Neiva de Macedo.

Neste encontro, Chab teria dito, ao saber das gravações incriminadoras que Godoes afirmou possuir, que não queria ‘ficar refém’ de ninguém. Depois disso, as extorsões teriam continuado, a partir de então com acompanhamento da polícia, até resultar nas prisões. Toda a operação foi acompanhada também pelo juiz Pedro Luís Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais, e por um representante do Ministério Público.

Defesa

O advogado que representa Neiva de Macedo, Beno Brandão, disse à imprensa que só vai se pronunciar sobre o caso quando tiver acesso aos autos e declarou que que vai pedir a liberdade provisória de Macedo. Haroldo César Natter, advogado de Ricardo Chab, disse que a prisão do apresentador é uma ‘armação’, porque ele fazia matérias de cunho investigativo em seu programa de TV, e que não houve extorsão.

A imprensa investigava, ainda na noite de sexta-feira, qual a ligação do advogado Antônio Neiva de Macedo Filho com o ex-prefeito de Curitiba, ex-ministro de Esportes e atual presidente da Companhia de Habitação do Paraná, Rafael Greca de Macedo. De acordo com as primeiras informações, Neiva de Macedo seria primo de Greca e teria sido chefe de gabinete na gestão dele como prefeito de Curitiba.’

O FUTURO DO JORNAL
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Associação Mundial de Jornais aponta quatro cenários para o futuro, 25/4

‘A Associação Mundial de Jornais (WAN, sigla em inglês) publicou, nesta quinta (24/04), com acesso restrito, um relatório de 2007 sobre o futuro do meio jornal. Diretores e jornalistas de oito países chegaram à conclusão de que existem quatro possíveis cenários para o jornal, como forma de evitar uma crise mundial. São eles: mídia dominante e público-alvo; mídia tradicional e público-alvo; mídia tradicional e audiência de massa; mídia dominante e audiência de massa.

‘Planejar o cenário permite aos veículos explorar muitas das incertezas do futuro, e imaginar como administrar esses itens antes que eles não se transformem em crises’, disse a WAN, no resumo do relatório, disponível em PDF.

Para o futuro, a WAN indica que será necessário ficar atento à concorrência, à audiência, às novas tecnologias e às naturais interrupções do mercado. ‘Para manter o futuro vivo, nós precisamos entender com os dois – nossos corações e mentes – o que a sociedade e nossa indústria poderão ser’.

A análise do mercado partiu de oito dos mais importantes publishers do mundo, com a representação brasileira do presidente da Associação Nacional de Jornais e diretor-presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky. Internacionalmente, o relatório contou, por exemplo, com a participação do presidente do The New York Times, Janet Robinson.

A Kairos Future, de Estocolmo, promoveu a análise, junto à WAN.

Sobre a WAN

A WAN é uma organização mundial da indústria de jornais, com sede em Paris. Tem o objetivo de defender e promover a liberdade de imprensa e profissional, e os interesses do mercado de jornais do mundo todo. A organização representa 18 mil periódicos, de 102 países.’

200 ANOS
Marianna Senderowicz

ARI lança Semana Comemorativa aos 200 Anos de Imprensa no Brasil, 25/4

‘Foi lançada, em 23/04, a Semana Comemorativa aos 200 Anos de Imprensa no Brasil. Uma série de eventos promovidos pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) em parceria com a Assembléia Legislativa gaúcha farão parte das celebrações, que acontecem entre 01/06 (Dia da Imprensa) e 07/06, em Porto Alegre.

A data objetiva homenagear o surgimento do primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, lançado em Londres por Hipólito José da Costa, em 1808. Entre as atrações previstas para a Semana está o fórum de debates As perguntas que não calam! Perspectivas da imprensa brasileira para os próximos anos, que contará com a participação de jornalistas de diferentes estados do país.

Blog relembra trajetória da imprensa

Em fevereiro, a ARI lançou o blog Imprensa Brasileira 200 anos. A página, idealizada pela Comissão Especial dos 200 anos do Correio Braziliense e pelo Departamento de Direitos Sociais e Imprensa Livre, foi a primeira ação comemorativa ao bicentenário da mídia nacional. Com atualizações periódicas, o blog também conta com a participação de usuários, que podem enviar artigos, notas, matérias ou imagens para os e-mails imprensalivre@ari.org.br ou ari@ari.org.br. Outras informações sobre o calendário da Semana Comemorativa aos 200 Anos de Imprensa no Brasil pelo fone (51) 3211-1555.’

COBERTURA ELEITORAL
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Jornais da Rede Bom Dia criam Conselho Eleitoral para pautar equipe, 23/4

‘Os jornais da Rede Bom Dia criaram um Conselho Eleitoral cujo principal objetivo é pautar a cobertura dos quatro veículos que circulam em Rio Preto, Jundiaí, Sorocaba e Bauru, interior de São Paulo. Os editores-chefes de cada praça se reúnem mensalmente com nove pessoas de diferentes segmentos da sociedade para falar da cobertura eleitoral.

As primeiras reuniões aconteceram na semana passada. Segundo o diretor-geral da Rede Bom Dia, Flávio Pestana, a idéia era ouvir mais de perto a quem é o maior interessado na questão. ‘Não queríamos uma cobertura burocrática, como a maior parte da imprensa faz’, disse ao Comunique-se.

A escolha foi feita pelos editores dos diários com a preocupação de que os membros do Conselho não tivessem qualquer vínculo político. ‘Os editores fizeram entrevistas e selecionaram quem estava dentro do perfil. Queríamos jovens, pessoas mais velhas, umas mais cultas, outras mais simples’.

Quando as eleições estiverem mais próximas, os encontros serão semanais.’

CHINA
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RSF acusa governo chinês de impedir entrada de jornalistas no Tibete, 23/4

‘A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denuncia o impedimento de jornalistas estrangeiros de entrarem no Tibete, por parte do governo chinês, desde 14/03. Em 22/02, afirma RSF, os organizadores dos Jogos Olímpicos de Pequim teriam fechado a passagem para a capital tibetana de Lhassa, na cobertura da tocha olímpica no cume do Everest.

A organização exigiu, nesta quarta (23/04), a abertura da fronteira tibetana à imprensa internacional e pediu apoio a organizações internacionais. ‘Chamamos a União Européia e as Nações Unidas a se mobilizarem, para conseguir que Pequim deixe os correspondentes estrangeiros irem livremente ao Tibete e às regiões vizinhas’, diz em comunicado.

Campanha?

Segundo a RSF, o governo chinês, além de interromper a cobertura da imprensa internacional, está realizando uma campanha para mostrar os tibetanos como ‘terroristas’.

A organização cita que a agência oficial chinesa, a Xinhua, anunciou que as autoridades chinesas teriam encontrado armas, dinamite e receptores por satélite de 11 monastérios no Tibete, está impedindo a transmissão de rádios internacionais produzindo interferências e o acesso a sites e blogs pró-Tibete. É esse material oficial, sustenta a RSF, que está repercutindo internacionalmente, tornando a cobertura tendenciosa.’

NA JUSTIÇA
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Ricardo Teixeira e CBF perdem ação de danos morais contra Juca Kfouri, 24/4

‘A Justiça do Rio de Janeiro indeferiu pedido de indenização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do presidente da organização, Ricardo Teixeira, contra o jornalista Juca Kfouri. A ação, de danos morais, foi motivada pelo post ‘Senador da CBF’ do Blog do Juca, que informa que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) recebeu doações da confederação.

O senador foi investigado pela Polícia Federal durante a Operação Navalha, acusado de ter pego R$ 24 mil da Construtora Gautama para alugar um avião. A CBF alegou que a nota a relaciona com a empreiteira, insinuando uma doação irregular durante a campanha de Delcídio Amaral.

O juiz Antonio Aurélio Abi-Ramia Duarte, da 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, julgou o pedido improcedente porque a informação não é falsa. ‘A conclusão dos fatos com base na verdade não pode ensejar dano moral algum, já que não é deflagradora de ilicitude alguma, sendo todos os fatos verdadeiros. A CBF, inclusive, não negou a doação de R$ 100 mil ao senador em questão, que foi realmente acusado de ter pego R$ 24 mil da empreiteira Gautama’, escreveu na sentença.

O magistrado destacou que Kfouri estava fazendo seu trabalho divulgando as informações. ‘Tal conduta está rigorosamente em compasso com a liberdade de imprensa, na sua mais perfeita forma. O réu exerceu sua regular atividade, aliás, é dever de todo cidadão fiscalizar as doações efetuadas para as campanhas políticas, sendo legítimo o exercício de cidadania. Não há, portanto, conduta ilícita por parte do jornalista que somente divulgou a verdade’.

O juiz também decidiu que Ricardo Teixeira não é citado na nota, então não há conduta lesiva contra sua pessoa. A CBF e seu presidente foram condenados a pagar as custas do processo. Cabe recurso à decisão.

No fim de 2007, Teixeira já tinha perdido outra ação contra Kfouri.’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Bonner no JN, 24/4

‘Meus gritos

não foram feitos

para todos os ouvidos.

(Astier Basílio in Antologia)

Bonner no JN

A considerada Simone Marques, Coordenadora de Imprensa Eletrônica da Fundação Cinema RS – Fundacine, de Porto Alegre, assistia ao Jornal Nacional quando foi surpreendida por uma chamada de matéria:

Na lista de manchetes do Jornal Nacional, William Bonner vociferou, cenho em oblíquo:

‘Aumenta o número da queda de idosos no Brasil’

Curiosa, resolvi assistir para verificar de que paradoxo se tratava, ou se, quem sabe, escutara mal. Lá pelo terceiro tomo do informativo, o apresentador e diretor-geral lascou novamente a chamada.

A notícia relatava que o número de tombos sofridos por idosos tem se multiplicado, tombos estes muitas vezes prosaicos e evitáveis. A manchete não tem nada de gramaticalmente errado, porém causam perplexidade aos ouvidos os termos antagônicos aumento-queda.

Janistraquis acredita, ó Simone, que Bonner deve ter sofrido privação de sentidos e/ou insanidade temporária, pois o ouvido dele é, comprovadamente, bom:

‘Há alguns anos, o apresentador do JN escreveu artigo n’O Globo, no qual comentava livro de Zuenir Ventura, lido pelo próprio em concorrido sarau carioca; o mestre escrevera ‘Negão havia dado…’ e tal frase, se é aceitável no papel, soa assim no discurso oral: ‘Negão aviadado’… Foi ponto pro Bonner.’

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Puta confusão!

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo terraço é possível divisar o horizonte sem fim das reservas indígenas para além do Lago Paranoá, pois Roldão passava os olhos na seção ‘Mundo’ do Correio Braziliense quando subitamente encostou o exemplar e escreveu ao diretor:

O jornal noticia os conflitos ocorridos na capital do Tibete nas manifestações por sua independência. Há uma foto da imagem da TV oficial de Pequim que mostra os distúrbios de rua. A legenda troca de nomes e identifica Lhasa como Gaza… Confusão com a semelhança do som das palavras e com os distúrbios na Palestina.

Janistraquis acha, ó mestre Roldão, que confundir Lhasa com Gaza não é nada; trágico mesmo é trocar suposição por supositório.

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Máxima

Janistraquis repete mais uma vez: o pior cego é o que não se enxerga.

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Ignorância das boas

O considerado Diego Sierra, jornalista, assessor de comunicação que também exerce ‘o ótimo vício da escrita’ no blog http://papopop.une.org.br, entre outras atividades, envia chamadinha escondida no Portal Exame, com o seguinte título:

Empresa dará passagens a quem propor o melhor nome.

Diego abominou o absurdo e inexistente tempo do verbo:

Terá sido falta de aulas de língua portuguesa nas faculdades de jornalismo?

Janistraquis acha, ó Diego, que ocorreu isso mesmo, mas não devemos esquecer aquela sesquipedal ignorância capaz de resistir a quem se propuser à mais insana luta.

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A terra treme

Foi como uma ventania forte a ameaçar o telhado, seguida de esquisito tremor que fez tilintar os copos arrumados na prateleira da cozinha. O cachorro começou a uivar para um luar inexistente e houve comoção no galinheiro, onde o cacarejar não teve mais fim e o galo esgoelava-se num canto rouco e também interminável. No início da madrugada, o Jornal da Globo nos apresentou ao terremoto.

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Astier Basílio

Leia no Blogstraquis a íntegra do poema cujo excerto encima esta coluna e mais outros versos do próximo livro desse jovem e inspirado vate que a Paraíba arrebatou a Pernambuco.

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Coroa de flores

O considerado Gilson Ferreira de Oliveira, que programa os computadores do fundo de pensão da Petrobras, a Petros, no Rio de Janeiro, envia chamadinha de capa do Globo Online:

Ônibus que se acidentou no CE voltava de velório.

Gilson achou esquisito e Janistraquis seguiu o voto do relator:

‘Considerado, assim como nosso diligente leitor, também nunca tive notícia de que ônibus fosse a velório; nem que fosse nem que voltasse…’.

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Sábias palavras

‘Mal humor ou mal-humor?’, pergunta o blog Flick-R, do Ig, com firme propósito de ensinar a língua portuguesa a seus leitores sempre sedentos de sabedoria.

Aí a considerada e paulistana Patrícia Köhler, ‘jornalista atuante, embora ainda não diplomada’, como ela mesma diz, colheu o pepino e o enviou à coluna, com o seguinte comentário:

Só com muito BEM humor pra agüentar…

Janistraquis acha, ó Patrícia, que além de ‘bem humor’, a gente também precisa, e muito, de espírito de renúncia.

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O saudoso Talvâni

O considerado Álvaro Larangeira, jornalista gaúcho, doutor em comunicação social pela PUC do Rio Grande do Sul, envia duas legendas perpetradas pela GloboNews com a cumplicidade de um gerador de maus caracteres:

— Marco Paulo Levorin, advogado do pai e da madastra de Isabella

— Pai e madastra de Isabella passam primeira noite na prisão

‘ A palavra madrasta tem sofrido sevícias na telinha, não é mesmo?’, queixou-se o professor.

Tais episódios fizeram Janistraquis recordar a folclórica figura de Talvâni Guedes da Fonseca, repórter do Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil nos anos 60, o qual escreveu inesquecível matéria em que, para alegria dos colegas, repetiu por três ou quatro vezes a palavra pederastra.

Nos anos 70, era diretor do escritório de Veja no Recife e foi demitido porque escreveu num jornal da cidade, sabe-deus-por-que, um impublicável artigo em defesa da ditadura militar.

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Ganância no ar

Deu no Meio&Mensagem Online:

Atlético Paranaense irá cobrar transmissões das rádios

Clube inova e anuncia cobrança de R$ 15 mil por jogo transmitido no Campeonato Brasileiro

Janistraquis pensou, pensou, consultou alfarrábios e meteu a colher:

‘Considerado, o jornal diz que o Atlético ‘inova’, mas não é bem assim; o clube quer apenas aumentar a renda, só isso, e recorre a um expediente jamais utilizado em qualquer parte do mundo. Basta às emissoras do Paraná passarem a transmitir somente os jogos dos concorrentes que os atleticanos param de pensar em semelhante besteira.’

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‘Inflação’ de trânsito

A considerada Ana Maria Morau, jornalista paulistana, encontrou esta surpreendente notícia no indispensável Consultor Jurídico:

Multa cancelada

Agente de trânsito é quem deve provar a inflação

A Companhia de Trânsito de Belo Horizonte (Bhtrans) teve uma multa cancelada porque não conseguiu provar a inflação. Para o juiz Renato Luís Dresch, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, a declaração unilateral do agente de trânsito não é suficiente para validar a aplicação da multa.

Ana Maria não fez comentários, porque o lead da matéria é mesmo de deixar a gente sem fôlego, porém Janistraquis, que aprendeu a dirigir num velho trator agrícola, suspirou e acelerou:

‘C’os diabos, considerado, c’os diabos!!! Um site de tanta excelência como o Consultor Jurídico confundir infração com inflação é falha gravíssima. Trata-se de crime hediondo contra o idioma e o responsável deveria pegar pelo menos um ano de detenção, sem contar a inflação do período…’

Leia aqui a íntegra do boletim de ocorrência.

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Isso é jornalismo?

Fundamental informação que jazia na capa do UOL sob o chapéu ‘Celebridades’:

Ivete Sangalo é vista em restaurante no Rio.

Janistraquis franziu o ‘semblante’, como repórteres, apresentadores e narradores de TV costumam se referir à cara das pessoas:

‘Considerado, têm-se a impressão de que desaprendemos a cada dia; ora bolas, noticia-se que Ivete estava no restaurante como se a moça rodasse bolsinha nas imediações de um motel!’

Pura, puríssima verdade e aí está o caso da menina defenestrada que não nos deixa exagerar; a ‘cobertura’, principalmente a da TV, é salpicada de futilidades, desconchavos e despautérios, sem contar os erros de concordância cometidos sob chiliques, faniquitos e fricotes, o que deixou meu secretário ainda mais impaciente:

‘Surdiu até um taxista visto como ‘testemunha’ importante e ninguém percebeu que o elemento era apenas mais um louco disposto a tudo para meter o ‘semblante’ na telinha; ainda bem que ‘apareceu’ de costas…’.

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Nota dez

Doze entre treze leitores desta coluna elegeram artigo do considerado Diogo Mainardi, o qual abriga parágrafos assim:

O Brasil macaqueou o sistema de cotas raciais dos Estados Unidos. E macaqueou tarde, num momento em que o próprio candidato negro à Casa Branca já admite aboli-lo. O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade das leis que instituíram as cotas raciais no Brasil. É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que é mais uma bomba lançada pelo testilhante articulista.

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Errei, sim!

LÍNGUA MORTA — Leitores escrevem para reclamar do latinista de plantão, a propósito do editorial da edição no 48 de Imprensa. O título mais o ‘olho’ realmente cometem crime de lesa-idioma: Vade rectro, corruptio!, clama o título. Deveria ser Vade retro, sem o c. Significa Arreda!, Sai da minha frente! ou Retira-te!, com que Jesus repele São Pedro quando este o censura por anunciar a própria condenação à morte (Marcos, 8,33).

O ‘olho’ esbugalha-se assim: Quosque tandem abutere patientiam nostram? Na verdade, a apóstrofe que abre a primeira Catilinária de Cícero é esta: Quousque tandem abutere Catilina patientia nostra?

Perplexo, Janistraquis comentou: ‘É, considerado… Latim é língua morta … Foram exumar, deu nisso …’(outubro de 1991)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

CASO ISABELLA NARDONI
Carlos Chaparro

Percival de Souza, referência de qualidade, 22/4

‘O XIS DA QUESTÃO – De permeio com as habituais concessões à pobre lógica dos exageros sensacionalista, houve, na cobertura feita ao assassinato da menina Isabella, momentos de bom jornalismo, tanto na pauta quanto na reportagem. E entre o que de bom assistimos, elogios especiais são devidos ao experiente profissional Percival de Souza, que foi, no panorama geral da cobertura realizada pela televisão, a referência de qualidade – pela seriedade, pela coerência, pelo alto nível informativo e pela lucidez analítica das suas intervenções.

1. Entre valores e impulsos

Por tudo o que contém de insensatez, ignomínia, irracionalidade, perversidade, violência e hipocrisia, o crime que tirou a vida à menina Isabella expõe fragilidades e contradições da natureza humana que nos incomodam dramaticamente. Os valores que no século XXI organizam as convicções éticas e morais da sociedade excluem, das nossas expectativas em relação aos outros, a possibilidade de comportamentos assassinos. E a surpresa torna-se maior quando a vítima da violência é uma criança encantadora na sua inocência e na sua beleza.

Um crime com tamanho grau de hediondez testa-nos a capacidade de compreender e avaliar comportamentos humanos à luz do primado de leis democráticas. São leis que preservam, como direitos fundamentais de todos e de cada um dos cidadãos (inclusive dos criminosos), coisas como a presunção de inocência e a inviolabilidade da honra, da vida privada e da imagem. Bem como, no caso de indiciamentos e julgamentos, o direito à ampla defesa por parte dos acusados. E a aceitação de que só à Justiça é dado o poder e o direito de julgar, para condenar ou absolver.

No caso da menina Isabella, não é fácil aceitar tais balizamentos, dado que todas as evidências produzidas pela investigação policial apontam como prováveis assassinos o pai e a madrasta da menina. Com a agravante de que as evidências colhidas e divulgadas revelam, na ação de matar, lances de inconcebível malvadez.

Temos assim, de um lado, o balizamento dos valores éticos herdados da experiência humana de viver, sintetizados em direitos humanos universais, definidos e protegidos pelas leis maiores; do outro, o impulso emotivo que nos leva a irresistíveis clamores por justiça e vingança, até com exageros como aqueles a que temos assistido – exageros por parte de quem promove o cerco popular aos suspeitos e respectivas famílias, e exageros, também, por parte dos que produzem o show televisivo, em função do qual tudo se transforma em espetáculo.

São pressões antagônicas, contraditórias entre si, das quais ninguém escapa, em traumas como este.

Nem os jornalistas. Nem o jornalismo.

2. O fantasma da Escola Base…

Mas, em casos como este, além do conflito entre a crença em valores éticos e os impulsos justiceiros, os jornalistas trabalham submetidos pelo menos a mais quatro tipos de pressão, igualmente contraditórios entre si:

1) A pressão emocional das demandas sociais por informações e elucidações;

2) A pressão das lutas por audiência e receitas publicitárias, que impõe táticas nem sempre sérias às formas de pautar e noticiar, em detrimento do dever de bem informar;

3) Em especial no caso da televisão, a pressão dos formatos pré-determinados de certos programas, e do estilo dos respectivos apresentadores – valendo, como exemplo, programas como os dos senhores Datena , na Bandeirantes, e Geraldo Luís, da Rede Record.

4) A pressão das razões da consciência e dos pontos de vista individuais de quem trabalha na cobertura de dramas como o da morte de Isabella.

Quem trabalha sob tais pressões deveria preservar a capacidade de fazer escolhas ditadas pela consciência. Infelizmente, porém, em boa parte dos casos, não é isso que acontece. E neste caso Isabella, voltamos a assistir a exageros lamentáveis. Exageros em especial no que se refere à repetição doentia de cenas e falas, para preencher os vazios de informação derivados do sigilo parcial assumido pela Polícia. Exageros, também, na paranóia dos cercos feitos aos dois principais suspeitos e às suas famílias.

Ao que parece, porém, o fantasma da Escola Base pairou sobre a consciência jornalística de uma parcela dos profissionais escalados, gerando prudências e medos que fizeram bem ao trabalho realizado. Assim, pode-se dizer que a qualidade da cobertura jornalística foi, no geral, superior à feita em crimes anteriores, de densidade emotiva equivalente.

De permeio com as habituais concessões à pobre lógica dos exageros sensacionalista, houve momentos de bom jornalismo, tanto na pauta quanto na reportagem. E entre o que de bom assistimos, elogios especiais são devidos ao experiente profissional Percival de Souza. No panorama geral da cobertura feita pela televisão, e de forma mais acentuada na Record, ele foi a referência de qualidade – pela seriedade, pela coerência, pelo alto nível informativo e pela lucidez analítica das suas intervenções.

O saber especializado com que investiga, acompanha, relata e analisa os fatos e as circunstâncias do crime, fazem de Percival referência no campo em que atua. Assim foi e está sendo, mais uma vez, a sua atuação neste horripilante assassinato.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

Carla Soares Martin

Caso Isabella: jornalistas narram desgaste e preocupação com concorrência, 23/4

‘Vinte câmeras e uma ‘montanha’ de microfones apontados para o delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP), de São Paulo, na coletiva desta terça (22/04) sobre a morte de Isabella Nardoni. Há 24 dias, profissionais de todos os veículos – TVs, rádios, jornais e internet – cobrem o caso. Jornalistas comentaram ao Comunique-se o desgaste físico e profissional que vêm atravessando com a cobertura.

Kleber Thomaz, da Folha de S.Paulo, afirma que o caso Isabella foi o ‘mais desgastante’ que já cobriu. Para o repórter, nem o acidente da TAM nem a cratera do metrô causou tanto cansaço.

Thomaz atribuiu parte do desgaste ao sigilo em que corre o inquérito. Por causa da concorrência, existe uma pressão para conseguir informações em off. ‘Ninguém fala oficialmente’, comentou Thomaz.

O repórter Marcelo Godoy, do Estadão, tem a mesma opinião de Thomaz. ‘Como as fontes são em off, seguramos uma semana para dar uma informação sobre o caso’, afirmou.

O produtor Rafael Castro, do Jornal da Record, fala sobre a jornada de trabalho, que chega a 12 horas diárias. ‘O plantão leva à exaustão’, disse.

Para a repórter da Rádio CBN, Simone Queiróz, o cansaço é o mesmo de um longo caso como este, ao longo de seus 20 anos de profissão. Para a jornalista, o lado emocional é o mais afetado. ‘Ninguém gosta de cobrir um caso para saber como uma criança de cinco anos morreu’.

Conclusão do inquérito

Na terça, o delegado Galiano Júnior disse que a polícia terá de ouvir mais quatro pessoas para terminar a apuração do caso. Haverá, ainda, uma reconstituição da morte de Isabella.

Durante a entrevista, com a intervenção dos jornalistas para saber mais sobre o caso, disse o delegado: ‘Não podemos sobrepor o direito da imprensa, de informar, ao interesse público de elucidação dos fatos’.’

Antonio Brasil

Isabella e Cabrini fazem sucesso na TV sensacionalista, 22/4

‘Jornalismo adora os excessos e as sensações. Ainda mais quando se trata da cobertura de crimes misteriosos ou denúncias ainda mais misteriosas contra seus próprios profissionais. Sempre foi assim. É da tradição histórica do meio. Os primeiros jornais na França, Inglaterra e EUA, ainda no século XVII, já davam enorme destaque aos assassinatos violentos e macabros. Também buscavam denúncias que destruíssem a reputação ou a credibilidade de colegas ‘novidadeiros’.

E para isso, valia tudo. Mentiras e verdades se confundiam nos crimes e nas denúncias. Jornalista adora falar mal de tudo. Das pessoas, das instituições, do próprio jornalismo e ainda mais dos… jornalistas. Principalmente, daqueles profissionais que trabalham para os jornais… concorrentes.

Ou seja, adoramos o trágico, e veneramos a autoflagelação. Nenhuma outra indústria ou prática profissional se regozija tanto com o excesso de notícias ruins. Ainda mais, quando essas notícias tratam das nossas ousadias ou mazelas. Tanto faz. Sempre foi assim. O jornalismo não mudou muito. Hoje, em tempos de TV, o problema aumenta de proporção. Intensificaram-se os excessos e aprofundaram-se as sensações.

Armadilhas e heróis

Televisão consegue ampliar tudo. O que há de melhor e pior nas pessoas e no próprio meio. A cobertura de uma final de Copa do Mundo, por exemplo, é insuperável na TV. Tudo de bom. Mas a cobertura de crimes hediondos ou as armadilhas do jornalismo investigativo são terríveis para o meio televisivo.

A necessidade de buscar muitas e boas imagens confirma os tropeços e excessos. E a superficialidade da TV condena investigações mais sérias, profundas e demoradas.

Investigação jornalística na TV não se resume à busca de fatos. A necessidade de imagens, de muitas e boas imagens para provar a veracidade das notícias tende a comprometer a prática jornalística. Em busca de notícias e sensações, o jornalista faz sucesso, conquista inimigos, fortuna e acaba virando notícia.

O mal maior do jornalismo de TV é tendência ao excesso e o culto à celebridade. Pra que tanta notícia sobre quase nada? Enquanto isso, repórteres famosos se transformam em fonte de não de informações, mas de sensações, algumas boas, outras ruins. O público adora respeitar, venerar e invejar os jornalistas famosos. Os colegas adoram construir e destruir os mitos e os heróis (sic) da profissão. Sempre foi assim.

Sangue e sucesso

Por outro lado, o jornalismo na TV é atividade altamente lucrativa, mas muito perigosa. Em televisão, a busca do sucesso costuma ultrapassar a confirmação dos fatos. Tudo para aparecer na telinha. Ou como dizia uma colega norte-americana, ‘nem sempre certa, mas sempre no ar’. Em TV o mais importante é estar sempre em evidência. Falem mal, mas falem de mim. O meteórico retorno do Aqui Agora e da ‘vergonha’ do Boris Casoy confirmam a tese. Jornalismo de TV adora os excessos.

E as manchetes do noticiário confirmam a cumplicidade do público com a cobertura de exageros:

Telejornais crescem até 46% com caso Isabella

Segundo a FSP, ‘O trágico caso Isabella está fazendo a felicidade dos telejornais. A audiência desses programas cresceu até 46% na primeira quinzena deste mês em relação ao mesmo período de março…O sucesso explica em parte o investimento na cobertura. A Globo mobilizou 18 repórteres, 8 produtores e 20 cinegrafistas… A Record informa ter deslocado para a cobertura 30 repórteres e produtores e 20 cinegrafistas…Na Band, entre três e dez equipes (repórter mais cinegrafista) cobrem o caso, dependendo do noticiário, além de cinco produtores. Até o SBT priorizou Isabella. Mobilizou quatro repórteres e sete cinegrafistas.’

Mas tem mais manchetes sobre os excessos da cobertura. Seria comodismo ou falta de assunto?

Rede Globo dedica grandes espaços para o caso Isabella,

‘Caso Isabella virou novela doentia’, diz antropólogo

Show da imprensa na morte de Isabella

Mas além dos crimes misteriosos, o jornalismo também adora as denúncias:

Cabrini detido para esclarecimento em São Paulo,

Cabrini: ‘Estou sendo vítima de uma armação’

Advogados entram com pedido de relaxamento da prisão de Roberto Cabrini

Polícia chegou a Cabrini por denúncia anônima

Justiça concede habeas corpus a Cabrini

Cabrini: ‘Trabalharei com o mesmo empenho’

Sucesso do sensacionalismo

Na TV, tudo vira ‘sensação’. Nada faz muito sentido, mas o ‘muito’ é sempre bom. Ao assistir aos excessos do noticiário de TV sobre o assassinato de Isabella, temos a impressão que sabemos de tudo e que já estamos prontos para prejulgar os acusados. O excesso detesta a razão. A cobertura da TV nos dá a ‘impressão’ de que já sabemos tudo sobre tudo e todos. Privilégio do excesso sem profundidade.

TV é muito boa para nos entreter. Ela nos ajuda a sobreviver. É ótima para ‘matar o tempo’, para nos retirar da realidade. Mas a TV é péssima para nos fazer entender. Tem grandes dificuldades para explicar o desconhecido e misterioso e não consegue evitar os tais excessos que beiram sempre o ‘ridículo’.

É um show de cobertura onde o público não é poupado dos mínimos detalhes. Dos mais macabros aos mais inúteis, o objetivo é buscar a sensação, a atenção e reação do público pelos sentidos, pela sensação, pelo ‘sensacionalismo’. Centenas de profissionais com equipamentos sofisticadíssimos despendem enormes fortunas e grande quantidade de tempo no ar para não dizer nada. Preferimos as sensações às informações. Um show de excessos. Há muito tempo não vejo tanto jornalista batendo a cabeça para não dizer nada que preste. Uma cobertura macabra de um crime misterioso. Um jornalismo de TV em busca de sensações e muito sangue.

Verdade atrapalha

Mas nem sempre ‘sensacionalismo’ foi algo ruim para o jornalismo. Quando a prática da profissão ainda era bem elitista, desinteressante, burocrática e oficial, essas notícias sensacionais indicavam um bom caminho a aproximação e identificação com o público. A imprensa se reinventava pelas informações com sensações. Ênfase nas sensações.

Investia-se em um novo jornalismo para substituir o modelo anterior, muito opinativo, partidário, dogmático e chato. Criava-se um novo jornalismo mais popular, mas os riscos eram enormes. Em vez de formar, informar ou (e) doutrinar o público, a imprensa passava a oferecer um cardápio a la carte, um jornalismo ao gosto do freguês, quero dizer, do leitor. Gostam e querem sangue, muito sangue? Tudo bem. Nós também fornecemos! O problema, no entanto, é a quantidade e o equilíbrio.

Adoramos obter informações, muitas informações, todas recheadas de sensações. Por algum motivo que ainda desconhecemos, preferimos as notícias e denúncias com muitos excessos e exageros. Na TV sensacional, uma televisão ‘espreme que sai sangue’, a verdade é dispensável. Só atrapalha.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

MULTIMÍDIA
Eduardo Ribeiro

Correio Braziliense faz nova aposta no Jornalismo Multimídia, 23/4

‘O Correio Braziliense circulou na segunda-feira (21/04) – data em que o jornal e Brasília comemoraram 48 anos de vida – com seu novo endereço eletrônico estampado na capa: www.correiobraziliense.com.br . Recheado de novidades, o novo portal traz recursos multimídia que marcam a sua trajetória de pioneirismo no jornalismo na Capital Federal. A correspondente em Brasília, deste Jornalistas&Cia, Kátia Morais, que há semanas acompanha a movimentação intensa nos corredores do jornal e também fora deles, detalha o que o novo portal do principal jornal de Brasília passa a oferecer aos seus leitores internautas.

‘É um dos maiores investimentos da empresa’, revelou o diretor de Redação e um dos principais mentores do projeto, Josemar Gimenez, para quem o ‘Correio também está reforçando sua marca, seus valores e sua tradição de vanguarda na imprensa brasileira’. O portal entrou no ar com notícias em tempo real da cidade e acesso a todo o conteúdo impresso do jornal (exclusivo para assinantes). Além disso, conta com 12 blogs dos principais colunistas e editores do Correio, que irão tratar de temas ligados ao noticiário nacional e ao cotidiano do brasiliense. Entre eles está o de Gustavo Krieger, que segue a linha de sua coluna Nas Entrelinhas, para tratar dos bastidores da Política. Empolgado com o projeto do blog, Krieger, aliás, comprou uma câmera digital nova para utilizar áudio e vídeo com freqüência, a fim de dar dinamismo a sua cobertura. No blog de Vicente Nunes, repórter especial de Economia, haverá análises dos principais temas da macroeconomia, negócios, artigos e serviços, feitas de forma simples e direta. Já Alon Feuerwerker, editor de Política, contribuirá com notícias, análises e comentários sobre a política nacional.

O conteúdo – O Grita Geral, espaço dedicado ao leitor do Correio, também ganha a rede diariamente por meio do telejornal Correio Notícias, com 10 minutos de duração, que entra no ar às 16h30. O noticiário traz as principais notícias do Distrito Federal, além de serviços e debates. Aos domingos, será veiculado o programa Bate-Pronto, após o término da rodada de futebol do dia, incluindo os principais eventos esportivos do final de semana. Semanalmente, será exibido o Correio Debate, programa com temas ligados à política nacional. No novo portal o internauta tem acesso a podcasts com entrevistas sobre assuntos recorrentes na mídia, além de vídeos, infografias, galerias de fotos, blogs, quiz (testes de conhecimento), enquetes, fóruns, informações e guias de serviço. Haverá também um ranking das notícias mais lidas, a cobertura do campeonato de futebol e matérias especiais sobre diversos temas. Em cada matéria postada, o leitor tem a oportunidade de comentar ou mesmo de enviar um e-mail diretamente para o repórter que a produziu. De carona na interatividade, a TV Brasília, de volta ao grupo Diários Associados após sete anos, passa a exibir uma seleção especial de vídeos em sua programação no portal do Correio.

A equipe – Desde março, por cinco meses, jornalistas do grupo Associados Centro-Oeste – formado por Correio Braziliense, Aqui-DF, CorreioWeb, TV Brasília e rádios 105 FM e Planalto – participam do curso de Formação em Multimídia, treinamento da equipe cujo objetivo é inseri-la no novo formato da empresa, contemplando as áreas de produção de notícias, jornalismo impresso na era digital, radiojornalismo, telejornalismo, a evolução da estética da notícia e webjornalismo. Foram contratados exclusivamente para atuar no novo projeto 24 profissionais, entre repórteres, editores, webdesigners e programadores, que se juntaram à redação do impresso para conferir agilidade, precisão e sinergia entre as equipes.

Equipamentos – Além da capacitação profissional, a redação ganhou novas ferramentas de trabalho. Foi construído um estúdio para a gravação do telejornal Correio Notícias e para os programas Bate Pronto e Correio Debate, além de vídeos das principais notícias do dia. Também foi adquirida uma ilha de edição para a produção de imagens e vídeos. Jornalistas adquiriram filmadoras, gravadores digitais para colocarem à disposição entrevistas em áudio, transmitidas por laptops e celulares.

Projeto de nacionalização do jornal – Esse ambicioso projeto do Correio Braziliense, hoje o principal produto do grupo Diários Associados, tem um outro objetivo prioritário e que está no planejamento de tudo o que foi feito: fazer o jornal circular e ter audiência maior fora de Brasília, o que seria praticamente impossível a partir do jornal impresso. Sendo forte na web, a fronteira física cai e o jornal tem uma enorme chance de atingir um número cada vez maior de leitores e formadores de opinião, ganhando musculatura e importância na disputa com os outros grandes jornais do País. Não deixa de ser uma jogada de mestre da cúpula do Correio, que tem plena consciência da qualidade editorial e do prestígio que o jornal tem no centro do poder, fato que quer estender agora para todo o País. Se der certo, como parece que vai dar, com certeza agitará – e muito – a concorrência. E nós, quietinhos em nosso canto, vamos pagar pra ver. Melhor ainda, vamos agradecer os empregos que vierem a surgir dessa nova eventual competição.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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