Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Comunique-se

12/05/2009 na edição 537

DIPLOMA
Comunique-se

OEA diz que obrigatoriedade do diploma restringe e liberdade de expressão

‘A Organização dos Estados Americanos (OEA) criticou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, tema que será julgado em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo a entidade, essa medida constitui uma restrição à liberdade de expressão e é incompatível com o artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos, que trata do livre pensamento e expressão.

A crítica faz parte do relatório anual da divisão especial da OEA para a Liberdade de Expressão, divulgado nesta quinta-feira (07/05) – leia a íntegra -. O documento afirma que a Declaração de Princípios defende que ‘toda pessoa tem o direito de comunicar suas idéias por qualquer meio e de qualquer forma. A obrigatoriedade de filiação ou o requerimento de diploma universitário para a prática do jornalismo constitui restrições ilegais para a liberdade de expressão’.

O relatório trata de casos de violação da liberdade de expressão ocorridos nos países que compõem a entidade em 2008. As oito páginas dedicadas ao Brasil trazem duras críticas ao regime jurídico, principalmente a ‘criminalização da expressão’ que penaliza casos de calúnia, difamação e injúria. Por tomar como base o ano passado, o documento não considerou a decisão do STF de revogar a Lei de Imprensa.

‘A Declaração de Princípios assegura que ‘leis de privacidade não devem inibir ou restringir investigações e a disseminação de informações de interesse público’. E mais, de acordo com o 11º princípio, ‘autoridades públicas estão mais sujeitas ao escrutínio pela sociedade’, diz o documento.

A OEA afirma que a legislação brasileira dá brechas a violações da liberdade de expressão. Como exemplo, cita o caso de decisão da Justiça Eleitoral que obrigou a Folha de S. Paulo a retirar uma matéria publicada no site sobre Luiz Marinho, que disputou a eleição municipal de São Bernardo.

O caso dos fiéis da Igreja Universal contra a Folha de S. Paulo também está presente no documento. De acordo com a OEA, ‘múltiplos casos de restrições judiciais ou processos poderiam constituir limitações na liberdade de expressão’.

Apesar das críticas, o documento também cita casos exemplares. Entre eles está presente o sequestro de uma equipe do jornal O Dia. A OEA ressaltou que a reação das autoridades brasileiras foi ‘imediata e eficiente’ e os autores do crime foram punidos.

A entidade também ressalta a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que permitiu a realização de entrevistas antes no período eleitoral. Sobre a Lei de Imprensa, o documento parabeniza a decisão de suspender parte dos artigos, já que a sua revogação foi decidida este ano.’

 

CONTEÚDO NA REDE
Bruno Rodrigues

Spielberg e o futuro da revista impressa

‘Se os jornais diários de papel só fazem balançar na corda bamba, as revistas parecem estar se saindo bem; aliás, as revistas já se reinventam com dignidade há dez anos. A explosão do conteúdo na web, por exemplo, ao oferecer textos mais enxutos e um visual de maior impacto, serviu mais com estímulo à adaptação aos novos tempos do que uma visão do apocalipse. Do estilo de linguagem à programação visual, não houve publicação semanal, quinzenal ou mensal que não tivesse mimetizado a mídia digital – na maioria das vezes, com sucesso. Folhear uma revista de 1999 e compará-la com uma de 2009 faz uma imensa diferença.

E as revistas continuam se reinventando. Veja só as surpresas que duas das principais publicações desta década nos apresentam em suas edições mais recentes, prenúncio de que ainda há muito por vir:

. Steven Spielberg, editor da ‘Empire’

Colocar a tarefa de editar uma revista nas mãos de um diretor de cinema é uma daquelas ideias que nos fazem perguntar ‘por que alguém não pensou nisso antes?’. E se o diretor em questão é Steven Spielberg; a publicação, a inglesa ‘Empire’; e a edição, a comemorativa de vinte anos da revista, a ideia beira a genialidade. Spielberg pôs o dedo em tudo: da pauta às entrevistas, dos textos às fotos, da diagramação à capa. Algum problema nisso? Nenhum para os leitores, que estão fazendo os exemplares sumirem das bancas e das livrarias. Para os jornalistas é que vale uma pergunta: é fácil assim editar uma revista, sem nunca ter lidado com jornalismo, ou o trabalho de edição de um filme – tarefa a que Spielberg está habituado há mais de trinta anos – é semelhante ao de uma publicação impressa?

. J. J. Abrams, editor da ‘Wired’

Para quem não conhece, Abrams é visto como o novo Spielberg – ele é o criador de ‘Lost’ e da revitalização da série ‘Jornada nas Estrelas ‘ (aquela de Spock & cia.) para o cinema, e mais que isso não é preciso dizer. Abrams pegou a ‘Wired’, principal revista sobre tecnologia do mundo, e a virou do avesso. Criou uma temática subliminar para a edição – ‘mistério’, que ele conhece bastante, vide ‘Lost’ – e transformou a revista em uma questão a ser resolvida, em que o leitor precisa coletar pistas aqui e ali para checar à resolução sabe-se lá do quê. Afinal, é J.J. Abrams! O que sobra disso? Uma pergunta que insiste em martelar na minha cabeça: é preciso contar com um criador de séries para tornar uma revista mais interessante? Sei não, tudo me parece muito estranho…

E você, o que acha desta nova ‘tendência’? Se já há gritaria por conta de economistas que escrevem colunas para jornais, o que dizer de revistas editadas por diretores de cinema?

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A próxima edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ começa mês que vem, no Rio. Para quem deseja ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é uma boa dica! As inscrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e outras informações podem ser obtidas pelo telefone 21 21023200 (ramal 4).

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Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

 

EXTRA! EXTRA!
Milton Coelho da Graça

Supremo demonstra ranço anti-imprensa

‘Nós e o povo brasileiro vivemos na semana passada a alegria de ver jogado no lixo mais um entulho da ditadura. A Lei de Imprensa, de 1967, era a antítese do pensamento de Thomas Jefferson, para quem a liberdade de imprensa – sem qualquer restrição – era a pedra fundamental do regime democrático.

O relator, ministro Ayres Brito, foi direto ao ponto, em seu voto exemplar: ‘Nada mais nocivo e perigoso do que a pretensão do Estado de regular a liberdade de expressão e pensamento’. Foi acompanhado – e até com enunciação de novos argumentos em favor da extinção pura, simples e imediata da Lei Rolha, que já durava mais de 40 anos, pelos ministros Celso de Mello, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Cesar Peluso e até Carlos Alberto Direito, considerado o mais conservador do tribunal.

O que me causou surpresa, entretanto, foi a manifestação totalmente contrária do ministro Marco Aurélio de Mello, cujo argumento – o da improcedência do pedido porque a lei já não vinha sendo aplicada – beira a ingenuidade. Os outros três votos contrários, todos defendendo a necessidade de proteção contra abusos da imprensa, foram demolidos por argumentos do relator e dos seis outros ministros que o acompanharam, inclusive o de que a própria Constituição já garante essa proteção aos direitos à privacidade, à inviolabilidade, à honra, à dignidade e até ao direito de resposta.

E, sinceramente, é impossível deixar de sentir um ranço de sentimento anti-imprensa nesses quatro votos, o que nos recorda que o Supremo Tribunal perdeu com o AI-5 da ditadura militar, em 1968 os cinco mais dignos de seus membros – três cassados (Hermes Lima, Vitor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva) e dois que se demitiram em solidariedade aos cassados (Gonçalves de Oliveira e Lafayette Andrade).

A imprensa – já amordaçada pela Lei 5250 desde 1967 – nada pôde reclamar. E quem se lembra dos nomes dos outros ministros do Supremo, que também aceitaram a mordaça?

Vale a pena ouvir conselhos espanhóis?

Relendo páginas do Google recheadas de conselhos para enfrentar a crise da imprensa, encontrei estes trechos do relatório ‘Inovação’, escritos por Juan Antonio Giner. São conselhos a donos e editores de jornais. Como todos sabemos, no Brasil nada seduz tanto patrões e diretores como ouvir (e seguir) conselhos de espanhóis. Estão na internet desde 4 de junho do ano passado e, quase um ano depois, certamente tiveram aqui alto índice de leitura. Mas nem todos vêm sendo cumpridos?

Por exemplo, vejam o que Giner apontava como ‘caminhos para se matar um jornal’:

1. Má impressão

2. Sem interatividade com o público

3. Cores ruins

3. Matérias e artigos longos demais

4. Despreocupação com a apresentação visual

5. Salários baixos

6. Sem inovações

7. Espera por milagres

Depois de mostrar ‘o que não fazer’, recomendações sobre ‘o que fazer’:

1. Seja diferente

2. Faça barulho e venda jornais

3. Não deixe os leitores deprimidos, faça-os sorrir

4. Publique grandes histórias

5. Seja hiper-super-local

6. Integre-se ou morra

8. Gráficos, gráficos, gráficos

9. Tente idéias diferentes

E talvez nem todos os nossos jornais tenham seguido estas recomendações de requisitos essenciais a uma redação moderna:

1. Um ‘mesão’ em que os chefes sempre estejam acessíveis, visíveis e abertos

2. Uma ‘mesa da comunidade’, na qual uma equipe se encarrega de integrar comentários, fotos, vídeos, dicas e opiniões do público.

3. Uma ‘mesa de tarefas’, onde estejam sentados repórteres e fotógrafos.

4. Um estúdio – de radio e tv – integrado

5. Paredes digitais em que toda a redação possa acompanhar sempre a edição on-line.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Você sabe a verdade sobre os ‘piratas’ da Somália?

‘Acaba-se a última

porta. O resto é

o chão do abandono.

(Cecília Meireles, jornalista e poeta)

Você sabe a verdade sobre os ‘piratas’ da Somália?

O considerado leitor sabe por que os ‘piratas somalianos’ atacam navios de grandes potências, fazem reféns e exigem resgate? Segundo a mídia que nos chega, são apenas uns bandidos perigosos, porém um jornalista do The Independent de Londres, Johann Hari, discorda e apresenta o ‘outro lado’:

(…) O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.

Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo de Johann Hari, jornalista de verdade que conta a verdade que os poderosos pretendem esconder.

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Recado do Fritz

O considerado Fritz Utzeri escreve à coluna:

O meu blog está no ar, ainda vacilante como tudo o que principia. Para ter acesso a ele basta escrever o endereço http://fritz.utzeri.zip.net (tudo em minuscula) na barra de endereços do explorer ou do google e pronto.

Qualquer dificuldade, por favor escrever para fritz.utz@gmail.com. O velho Flor do Lavradio está fechado para reforma e dedetização, pois ultimamente a invasão de spams enlouquecia Dinalva, Seu Manoel, Magu, Rosalvo e o resto da turma. O boteco escondeu-se no g.mail e voltará qualquer dia destes totalmente refomado e sem lixo informático.

(Como o Magu está desempregado (desta vez foi pra rua pra valer) se vocês souberem de algo que um jornalista aceitável possa fazer, por favor me informem. Pode ser trabalho de edição, redação, palestras, algo que se ligue a jornalismo, comunicação, história, etc.)

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Eles têm pudê!

Domingo à noite no programa Manhattan Connection, do canal GNT, Caio Blinder e Diogo Mainardi condenaram, com indignação mosaica, a anunciada visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil; no dia seguinte o Itamaraty informou que o presidente iraniano havia desistido da viagem.

Impressionado, Janistraquis comentou: ‘Considerado, quem poderia imaginar que o Manhattan, conduzido por Lucas Mendes, nosso velho amigo da editora Bloch dos anos 60, tinha tanto prestígio, hein?!?!? Pois o presidente viu o programa lá em Teerã, sentiu a barra e resolveu botar o galho dentro…’.

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Bolsa-família

A considerada Maria Eugênia Corrêa Lima, do Rio de Janeiro, funcionária aposentada do Ministério da Cultura, envia de seu loft na Rua Rainha Elizabeth, entre Copacabana e Ipanema:

Não sei se você concorda, mas mandei esta notinha para O Globo depois de ler a notícia (assustadora!) de que pelo menos 1/3 da população do país depende do benefício:

Data para comemorar o Bolsa-família será aquela em que a parcela de brasileiros que dela faz uso não precise mais mendigar.

Janistraquis concorda inteiramente, ó Maria Eugênia, e garante que o desvirtuamento desse ‘programa social’, hoje distribuído até entre pessoas ricas, só pode ter sido invenção de gente como Agostinho Pinheiro, o ‘Raquítico’, aquele ‘estilista de vilezas’ que vadia nas páginas de O Crime do Padre Amaro.

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Cecília Meireles

Leia no Blogstraquis a íntegra de Canção de Alta Noite, que faz mais belo o livro Vaga Música, publicado em 1942. Cecília, essa irmã das coisas fugidias, escreveu o primeiro poema aos 9 anos de idade; três décadas mais tarde, se perguntava em Retrato ‘Em que espelho ficou perdida a minha face?’

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Capa ofensiva?!?!?!

A considerada Patricia Bahr, editora-chefe do site www.furacao.com, pede a opinião da coluna sobre um assunto relacionado ao jornalismo esportivo que causou comoção entre os torcedores paranaenses:

É referente à capa do jornal Tribuna do Paraná, publicada na edição de 27/4, após a vitória do Coritiba por 4 a 2 no clássico Atle-tiba.

Gostaríamos de sua opinião sobre a capa, se ela é ofensiva (ou não) ao atleta e ao clube.

Janistraquis examinou a questão e concluiu que se trata de excelente e criativa capa, ó Patrícia; nada tem de ofensiva (confira aqui).

Aliás, de uns tempos para cá setores da mídia têm se preocupado também com dribles e firulas de craques no campo de jogo.. Aquele lateralzinho de meia tigela, Juan, do Flamengo, quase teve um chilique por causa dalgumas graçolas de Maicosuel, do Botafogo. O Globo Esporte fez até enquete para saber se aquilo era deboche (leia nesta edição o artigo de Sérgio Augusto).

Janistraquis acompanhou com desculpável impaciência e comentou:

‘Isso tudo é porque esses caras não viram Garrincha jogar…’

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Haja SUS!!!

Carta de leitor da Folha:

Linfoma — ‘Acabo de escutar na TV a entrevista da ministra Dilma Rousseff sobre seu câncer linfático e desejo um pronto restabelecimento. Ao fim da reportagem a ministra enfatizou a importância da realização de exames preventivos.

Então, se entendi direito, o cidadão deve se apresentar a uma unidade do SUS e pedir uma bateria de exames preventivos de câncer, na certeza de que será plenamente atendido, certo?

Em qual país vive a ministra? Será que ela conhece mesmo o país que postula presidir?’

LUIS EDUARDO ARANHA CAMARGO (Piracicaba, SP)

Janistraquis imediatamente se lembrou das campanhas para que a população pare com a mania absurda da automedicação:

‘Pois é, considerado; pra que se automedicar se temos à nossa disposição, em todas as esquinas e gratuitamente, um médico de alto nível para nos receitar aspirina ou atroveran?’

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Cometa Cleiton

O considerado Luís Felipe Tonet, jornalista em São Paulo, saboreava na internet a repercussão da vitória do Palmeiras sobre o Colo-Colo na Libertadores quando tropeçou nesta pérola abrigada no site da ESPN Brasil:

Eu não vi o cometa Halley passar e, tampouco, irei vê-lo novamente.

Mas posso dizer aos meus netos – que certamente o virão – que vi o cometa Cleiton Xavier passar.

Que brilho!

Mais azaranzado do que o goleiro do time chileno, Tonet comentou:

Fiquei impressionado com alguém que nunca viu algo e não vai ver novamente… De cometas eu não entendo, mas espero que o Cleiton continue chutando daquele jeito.

(Aliás, com aquele golaço de ontem contra o Chelsea, no campo deste e já nos acréscimos, Iniesta, craque do Barcelona, está sendo chamado de ‘O Cleiton Xavier da Catalunha’.)

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Reforma ortográfica

O considerado Léo Bueno, jornalista e poeta, envia de seu QG em Santo André cópia de notícia publicada no Hoje Jornal, da vizinha São Bernardo, com o seguinte título:

Consórcio discuti hoje interligação no rodoanel.

‘O pessoal parece com pressa para fazer avançar a reforma ortográfica da nossa inculta e bela’, escreveu Léo.

Janistraquis concorda, poeta; andam a trocar o e pelo i e já meteram o assento brejo adentro. Ou seria açento? Bom, é melhor deixar pra lá…

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D. João é D. Pedro

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em subindo-se no vaso sanitário, dá pra ver o ‘homem’ a andar em círculos, pensando no terceiro mandato, pois Roldão lia seu jornal preferido e anotou:

O caderno TURISMO do Correio Braziliense de 22 de abril focaliza com destaque o estado de Alagoas, sem dúvida um dos belos destinos turísticos nacionais. Há um reparo a fazer:

‘Quando visitou Alagoas, Dom João VI ficou hospedado lá (no sobrado onde funciona a prefeitura de Maceió)’

D. João VI só fez duas grandes viagens, de Portugal para o Brasil e vice-versa. Quem fez uma viagem ao Nordeste: Bahia, Alagoas e Sergipe, foi D. Pedro II, em 1859.

Janistraquis também tem um reparo a fazer, ó Roldão! É que Sua Majestade esteve lá na nossa terra, em 1859. O historiador Maurílio Augusto de Almeida até escreveu um precioso livro a respeito do passeio do imperador, intitulado Presença de D. Pedro II na Paraíba.

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Nota dez

O considerado Sérgio Augusto, maior jornalista cultural deste país, tão inteligente e bem-informado que nem parece brasileiro, escreveu no Estadão, a propósito do primeiro jogo decisivo entre Botafogo e Flamengo, pelo campeonato carioca, ainda indignado pela atitude deverasmente baixa do lateral Juan, o qual, azaranzado por um drible, chutou o adversário e fez gestos ameaçadores:

(…) Não podemos permitir que estigmatizem o drible como futebolisticamente incorreto. O drible é a essência do espetáculo futebolístico, o triunfo do darwinismo do bem nos estádios e nos campos de peladas, a mais poderosa arma dos craques brasileiros. Quem sabe, dribla. Quem não sabe, faz falta. Mas só os covardes apelam, simultaneamente, para a falta, a violência e a coação.

O Mestre Sérgio Augusto é torcedor do Botafogo, mas escreveu antes de seu time perder o título para o rival na cobrança de pênaltis. Portanto, não é o despeito que o move, todavia o amor pelo futebol bem jogado. Leia no Blogstraquis a íntegra do memorável artigo.

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Errei, sim!

‘DíVIDA ROLADA — Cínico como sempre, Janistraquis apareceu brandindo uma página de Veja. ‘O pessoal aqui da revista descobriu o melhor jeito de a gente pagar a tal dívida externa e, ao mesmo tempo, criar filhos mais altos e bonitos’, anunciou ele. E pôs em minhas mãos a matéria intitulada Troca de mãos – Record é vendida por 45 milhões de dólares.

Pasmado, li: ‘(…) A outra exigência é que sejam saudadas pelos antigos donos todas as dívidas da emissora’. Aí Janistraquis argumentou, bem em cima do meu espanto: ‘Considerado, assim é fácil saldar qualquer dívida; o ministro reúne os credores e, em vez de providenciar o pagamento, lhes dá um tremendo e saudável alôôôô …’.

Que fica mais barato, lá isso fica! (janeiro de 1990)’

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

JORNALISTAS & CIA
Eduardo Ribeiro

Crise impactou maioria das agências de comunicação

‘Embora não seja nenhuma catástrofe, a crise econômico-financeira fez estragos no setor de agências de comunicação, um dos que mais cresceram proporcionalmente nos últimos anos no Brasil. Cerca de 92% das empresas do setor foram impactadas de algum modo pela recessão mundial.

A informação é da Abracom, a Associação que reúne 310 agências de comunicação de todo o País, e foi obtida por uma sondagem feita com 72 empresas associadas, que se dispuseram a responder o questionário sobre os cenários e desdobramentos da crise.

Esta foi, na verdade, uma segunda rodada da sondagem feita pela entidade, tendo sido concluída em 20/03. Em outubro de 2008, quando da primeira enquete, o percentual de agências que se declararam impactadas pela crise foi de 53%.

Nessa segunda sondagem, praticamente toda a amostra respondeu a dez das 17 perguntas formuladas. Nelas, os principais indicadores foram: quase metade dos impactos (47%) referiu-se a adiamento de projetos e corte de contratos em andamento, mas, em contrapartida, 62% informaram que não houve diminuição no número de prospecções/concorrências para novos projetos.

Ao contrário do que genericamente se supunha nos primeiros meses da crise, esta não gerou oportunidades de negócios para 57% dos respondentes nem os clientes demandaram projetos especiais para o enfrentamento dos seus efeitos (74%).

Em função dos impactos, 69% das agências decidiram reprogramar seus investimentos, sendo que a maioria (45%) aposta em novos produtos e serviços para repor eventuais perdas de faturamento.

Somente 13% reduziram o seu quadro de colaboradores – as demais mantiveram (39%), planejam cortes só se a demanda por serviços cair (23%) e até pretendem aumentar o quadro se ela crescer (22%), enquanto 3% já o fizeram.

Quanto aos resultados, 58% informaram que a crise não afetou os números de 2008 – aliás, para 67% o faturamento do ano passado foi maior do que o de 2007 e 40% esperam repeti-lo e 38% até superá-lo em 2009.

Por fim, os três serviços que as agências apontaram como os mais afetados pela crise foram eventos (24%), publicações e assessoria de imprensa (ambos com 15% das indicações); e os que serão mais promissores enquanto durar a crise são conteúdo digital (20%), gerenciamento de crise (15%) e, numa aparente contradição, a própria assessoria de imprensa (17%). Segundo um estatístico consultado por J&Cia, numa análise superficial, o fato de assessoria de imprensa aparecer tanto como problema como oportunidade pode dever-se ao fato de diferentes agências terem respondido às questões ‘mais afetados/mais promissores’ e ao papel desse serviço no gerenciamento de crises, também indicado como promissor.

Outra explicação possível é que as contas de assessoria de imprensa, num momento de crise, migram de agências, sendo perda para algumas e ganho para outras.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

TELEVISÃO
Antonio Brasil

TV dá show nas finais dos estaduais

‘Não tem sido fácil encontrar motivos para elogiar a TV e o futebol brasileiros.

De um lado, temos a falta de criatividade e profusão de péssimos programas nas TVs comerciais que convive com as baixarias e denúncias nas TVs públicas (ver artigos sobre a TV Justiça e TV Brasil no Comunique-se).

Do outro, convivemos com a desorganização dos campeonatos, a violência nos estádios e a debandada de nossos melhores jogadores para o exterior.

É cada vez mais difícil justificar a paixão do brasileiro pela TV e pelo futebol.

Ainda mais para quem já viu e viveu muito. É evidente que estamos diante de um dos piores momentos da nossa produção televisiva e do nosso futebol.

TV e Futebol

Mas nesse domingo, por alguns momentos, em meio a tantas notícias ruins – crise financeira, desemprego, denúncias de corrupção no congresso e ameaças de gripe suína nos aeroportos – assistimos pela TV aquilo que a TV faz de melhor: a transmissão das finais dos campeonatos estaduais ao vivo e a cores.

Foi show de bola nos campos e nas imagens da Globo e da Band. Quem perdeu, não saberá jamais o que perdeu!

Nada como a velha televisão para nos mostrar a festa das torcidas nas arquibancadas e qualidade dos nossos melhores jogadores – pelo menos aqueles que ainda estão no Brasil ou aqueles voltaram recentemente.

E o melhor foi perceber o retorno à simplicidade das boas coberturas. Poucos efeitos e ainda menos invenções duvidosas ou intervenções fora de hora de pseudo celebridades.

A festa estava nas arquibancadas e o bom futebol nos campos.

A TV e o futebol possuem uma longa história de interação, cumplicidade e sucesso. O mais popular esporte do mundo deve muito ao poder da TV. A reciprocidade é igualmente verdadeira.

O meio televisivo e o esporte das multidões cresceram e se desenvolveram juntos. Possuem histórias semelhantes de hegemonia e de poder. Ainda hoje, a maior audiência da TV é a final do Campeonato Mundial. A TV se confunde com o futebol.

Brasil e Argentina

Pude acompanhar as finais dos campeonatos estaduais no Rio e em São Paulo pela TV.

Foi mais um show de belas imagens proporcionadas pelas duas maiores torcidas do Brasil: Flamengo e Corinthians.

Pela TV, nos campos e nas arquibancadas, o Brasil se transformou novamente no país do futebol.

Destaque para as novas coreografias e a utilização de recursos visuais pela torcida do Flamengo nas arquibancadas do Maracanã. No campo, uma das finais mais emocionantes de todos os tempos. Decisão nos pênaltis rende boas imagens para a TV, mas é aconselhável somente para corações fortes.

Fiquei deslumbrado com a organização e competência das tão temidas torcidas organizadas para enriquecer o espetáculo das finais. Deram show no Maracanã e no Pacaembu.

Em fase dourada, nossos principais clubes fizeram a alegria de suas torcidas e dos telespectadores brasileiros.

Agora só nos resta imaginar e esperar um grande confronto entre o Flamengo e o Corinthians. Ao vivo e a cores pela TV.

Aproveite para sonhar com uma grande finalíssima no Mundial de 2014 entre Brasil e Argentina no Maracanã ou pela TV.

Imaginaram? Haja paixão e coração!

E já que estamos falando de TV, futebol, paixão e coração…Mengoooool!

É PENTATRI!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007.. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

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