Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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TV EM QUESTãO > BBB DE TODOS

Discriminação ou esperteza?

Por Carlos Alberto Cordella em 01/02/2005 na edição 314

O Big Brother Brasil, que vem sendo levado ao ar pela Rede Globo de Televisão, representa muito bem a ideologia da comunicação pela massificação, que norteia as ações e decisões do governo Lula, no sentido de estereotipar reações e conduta dos indivíduos.

Notoriamente, o que caracteriza uma sociedade democrática de direito e de fato são as oportunidades colocadas à disposição de todos os cidadãos para que, por seu esforço e sua dedicação pessoal, possam ter acesso aos benefícios por ela ensejados. O que seria das sociedades livres se cidadãos não precisassem de esforço e trabalho para progredir e melhorar sua qualidade de vida? Certamente criaríamos uma sociedade parasitária, patrocinada por um Estado paternalista e exclusivista, em que o grande mérito da valorização humana seria a esperteza. O que distingue os indivíduos numa sociedade livre é justamente essa valorização pelo esforço e a dedicação pessoal, e não sua condição social ou tendências sexuais.

Lulismo-messiânico

O Big Brother Brasil acaba de dar um exemplo do que vem a ser a cultura pela massificação dos meios de comunicação, cujo objetivo é a estereotipar reações e conduta dos indivíduos.

A retórica governista, propagandeada no slogan ‘Brasil, um país de todos’, e muito bem explorada pelo empresário das rinhas, pelo presidente Lula e por todos os companheiros-ministros ou ministros-companheiros, ganhou força quando um dos participantes, ao ser colocado no ‘paredão’, não teve escrúpulos em fazer uso desse novo Brasil de todos. Os discursos messiânico-populistas do presidente Lula sempre atribuem tudo de ruim que existe no país como conseqüência dos privilégios de uma elite sanguessuga e aproveitadora, que desde o Descobrimento explora o povo, enquanto tudo que há de bom é resultado do trabalho das massas oprimidas, excluídas e discriminadas. Assim, teríamos o Brasil bom, o dos oprimidos, excluídos e discriminados. e o Brasil mau, o das elites aproveitadoras e sanguessugas. Excluindo os bons e os maus observa-se que não sobra espaço para os demais, que constituem a grande maioria.

Foi assim que, no programa BBB, um jogo onde está em prêmio a bagatela de um milhão de reais, ao se ver colocado no ‘paredão’ o professor gay de origem humilde apelou à retórica governista ou ao lulismo-messiânico, alegando que sua exclusão seria uma vitória dos maus. Vociferou estar sendo discriminado, pelo fato de ter vindo de família pobre e ser gay e que, portanto, ele era do bem. Imediatamente o movimento GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) entrou em ação para defender um pobre irmão batalhador e honesto, discriminado por uma sociedade elitista e sectária. E assim o pobre gay sensibilizou a opinião das massas que, comovidas, detonaram do programa a única mulher que não representava o estereótipo das mulheres da casa.

É tudo igual

Isto sim, foi discriminação! Nada contra os gays ou gays pobres, mas ser gay ou ser pobre são condições distintas e que devem ser analisadas com isenção da discriminação e, sobretudo, da esperteza. Tanto que o rapaz que nasceu pobre, uma situação que lhe foi imposta pela vida, hoje é professor universitário, o que derruba a propaganda petista e do rei das rinhas, de que antes o Brasil não era um país de todos.

Já o rapaz gay não foi uma condição imposta pela vida, foi uma opção pessoal. Assim como o pobre professor exigiu diante das câmeras respeito, igualdade e uma oportunidade, o rapaz gay também deveria ter respeitado aqueles que optaram por seguir o rumo normal da natureza humana. Não é condição vergonhosa ou humilhante ser normal e exercer sua masculinidade ou feminilidade, o que não é normal é tentar fazer isso parecer anormal somente para se dar bem. Usou, unicamente, de esperteza, o professor, para continuar no jogo e abocanhar o seu milhão, e não porque tenha sido discriminado. Até porque, enquanto não era de seu interesse, manteve em segredo seus pendores.

Como diria nosso presidente: ‘Misóginos ou filóginos, é tudo igual, o que nos diferencia é que alguns somos mais iguais do que os outros’.

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Professor, militar, Rio de Janeiro

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/02/2005 José Carlos França dos Santos

    O professor Carlos A. Cordella pergunta: o que seria das sociedades livres se cidadãos não precisassem de esforço e trabalho para progredir e melhorar sua qualidade de vida? Ora, o que é ser livre, é ser democrático? Se sim, parece-me que há um erro de forma. Uma vez que conhecemos, através da História, a liberdade em outras formas de governo, se é que posso dizer assim. A democracia se espelha na aristocracia, isto sim, mas não a utiliza (longe de mim defender a aristocracia, pois mesmo que quisesse seria impossível em meio a forte correnteza democrática). O que se percebe a cada dia mais e mais nas sociedades democráticas é o desejo de conseguir fama, dinheiro, posição, etecétera… Facilmente é claro. Contrariando assim o professor C.A.C., visto que acredita que uma sociedade livre e democrática se faz por esforço e trabalho. O que me parece é que estes são atributos das sociedades aristocráticas, e não democráticas como pretende o professor.
    A democracia tem outros pressupostos, tais como: velocidade, mediocridade, individualismo, desonestidade, estupidez, ignorância, enfim… O BBB é um produto da nossa claudicante democracia.
    A democracia é um ledo engano.
    Ademais, não é a democracia que garante um jovem pobre tornar-se um professor universitário. Se dependesse dela ele sequer sairia do ensino fundamental e se porventura saisse não saberia bulufas, nem mesmo as quatro operações.
    Quanto ao interesse do professor universitário permanecer na casa usando de um discurso da vítima, ele só faz por em evidência a alma da maioria dos brasileiros, bem como a já longa vontade de se sentirem coitadinhos.

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