Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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Crianças na Av. Brasil

Por Marcus Tavares em 23/10/2012 na edição 717

Acho que ainda podemos falar de Avenida Brasil, não? Afinal, o tema ainda está em pauta e hoje (20/10) vai ao ar a reprise do último capítulo. Durante a semana, debates na TV, artigos e matérias nos jornais procuraram discutir a razão do sucesso da trama, numa época em que dizem que a televisão já não exerce tanto impacto no dia-a-dia das pessoas frente às tecnologias digitais. Ledo engano.

Mas o que eu quero destacar aqui é a relação entre os personagens adultos e crianças da novela, que, nas entrelinhas, diz muito e deveria ser objeto de reflexão. A primeira questão que levanto tem a ver com as crianças que viviam no lixão, sem condições mínimas de moradia, saúde e segurança. Para mim, uma forte crítica à nossa sociedade, que trata essas crianças como seres invisíveis. Quantos adultos conheciam o local, a dificuldade e a pobreza e passaram a novela indiferentes? Cenas da vida real.

A história da menina Ágatha, interpretada pela atriz Ana Karolina Lannes, também mostra o quanto a infância, muitas vezes, fica refém de pais insensíveis. Diante de sua mãe, Carminha, a menina sofre humilhações o tempo todo. “Sabe o que você tá parecendo? Uma bisnaga de padaria dentro de um saco de papel” e “É ruim de baleia se afogar” foram algumas das frases ditas à criança.

Estudo de caso

Por outro lado, há a delicadeza do pai, Tufão, e dos seus familiares. Em todas as discussões mais pesadas, Ágatha era convidada a se retirar, ir para o quarto. Havia uma preocupação em poupá-la. Nas últimas semanas, o autor inventou, inclusive, uma viagem escolar para Miami. Ágatha só voltou à trama depois da morte de Max.

Se a trama fala da frieza de Carminha e Max com seus filhos biológicos, a novela também mostra a importância da adoção, o amor incondicional de Tufão por Ágatha e Jorginho, mesmo sabendo que eles não eram seus filhos de sangue. A própria Nina também tem história parecida. Abandonada no lixão, ela é adotada por uma família argentina que lhe dá amor, lar e uma nova oportunidade.

A novela é um ótimo estudo de caso.

***

[Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia]

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