Domingo, 26 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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‘Estamos fazendo jornalismo’

Por Fernanda Reis em 09/04/2015 na edição 845

Desde que voltou à grade da Record, em 25 de fevereiro, Gugu Liberato tem dado alegrias à emissora. “Gugu consolida o segundo lugar isolado na audiência”, escreveu o canal em e-mail à imprensa na quinta. “Gugu bate recorde de audiência às terças-feiras”, disseram na quarta.

As boas audiências de seu programa, que até agora tem uma média de 9 pontos, são alavancadas por entrevistas de presos famosos. Cada ponto representa 67 mil domicílios na Grande São Paulo.

Logo na estreia, o apresentador conversou com Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais, e ficou por 80 minutos na liderança do ibope, marcando 17 pontos ante 14 da Globo e 8 do SBT.

Depois, a atração teve outro pico de audiência com uma entrevista com o ex-goleiro Bruno Fernandes, preso pela morte de Eliza Samudio. Exibida no dia 18 de março, rendeu 12 pontos a Gugu, deixando seu programa atrás apenas da Globo, que marcou 20.

Críticas

O jornalismo “mundo cão” do programa “Gugu” tem rendido números bons no ibope –26% maior do que o SBT–, mas comentários nem tanto.

O tratamento ameno dispensado pelo apresentador aos entrevistados presos, como se estivesse conversando com um artista –falando com Suzane, por exemplo, sobre esmalte, maquiagem, seu peso e roupas– foi criticado.

Rafinha Bastos, no “Agora É Tarde”, na Band, satirizou a aparição de Suzane, conduzindo uma entrevista fictícia com ela em tom de mistério e com perguntas fúteis. O “Tá no Ar”, da Globo, também recriou a conversa, com uma criança que havia matado aula no lugar de Suzane.

Dan Stulbach, hoje no “CQC”, da Band, fez coro em março: “Eu não entrevistaria o goleiro Bruno, não faria dele uma celebridade”.

Em entrevista à Folha –por e-mail, por exigência da Record–, Gugu rebate os comentários negativos. “Estamos fazendo jornalismo. Em nenhum momento tratamos os entrevistados como celebridade.”

“O telespectador tem interesse em ter sempre mais informações desses casos que tiveram repercussão nacional”, diz. “Se o programa é criticado por isso, me diga por que os jornais e sites onde esses críticos trabalham publicaram o conteúdo das entrevistas em suas primeiras páginas?”

Defendendo a relevância dessas conversas, completa: “Sem medo de errar, sei que a maioria absoluta dos veículos de imprensa estava tentando ou está tentando entrevistar a Suzane, a Sandra [mulher dela] e o Bruno”.

Ele diz que a possibilidade de investir na veiculação de informação foi, inclusive, um dos fatores que o motivou a voltar à Record, que tinha deixado em 2013. “Estava com saudades de fazer externas e grandes reportagens.”

Segundo a emissora, o programa de Gugu não faz entrevistas pagas. Questionado sobre ter a intenção de investir mais em conversas com criminosos, ele responde que irá abordar “todos os temas de interesse da população”.

A curiosidade por crimes, diz, se deve ao fato de que muito se fala sobre isso nas redes sociais e pouco se sabe de concreto. E vale tudo por audiência? “De jeito nenhum. Jamais faríamos algo que desagradasse ou ferisse o público.”

Em 2003, o programa “Domingo Legal”, apresentado por Gugu no SBT entre 1993 e 2009, foi alvo de inquérito policial após exibir uma entrevista com dois homens encapuzados que diziam ser do PCC e não eram. À época, Gugu disse desconhecer a farsa.

Diversão

O programa “Gugu” foi renovado na semana passada e, de acordo com a Record, “vai intensificar o conteúdo e a interação com o jornalismo”. Mas trata-se, segundo Gugu, de uma mistura de informação e entretenimento.”

“Se acontecer algo de importante para ser informado, acredito que temos a obrigação de noticiar, mostrar o que está acontecendo ao vivo”, afirma ele. “E, claro, não podemos deixar de lado quadros mais leves, como números musicais e jogos.”

De seus programas antigos, como o “Domingo Legal”, levou quadros como o “Táxi do Gugu”, no qual se fantasia de taxista e leva pessoas pela cidade.

As indefectíveis músicas “Baile dos Passarinhos” e “Pintinho Amarelinho” –aquele que “cabe aqui na minha mão”– também retornaram. Na terça (31), ao receber o apresentador Luiz Bacci, que volta à Record, Gugu colocou a canção para tocar. Bacci não hesitou e dançou junto.

>> Gugu, programa de variedades, de terça a quinta, entre 22h e 22h30 (após o Jornal da Record)

***

Fernanda Reis, da Folha de S.Paulo

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