Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Folha de S. Paulo

15/08/2006 na edição 394

ELEIÇÕES 2006
Fernando Rodrigues

Campanha na TV

‘BRASÍLIA – As eleições para governos estaduais e para presidente da República entram em nova fase na terça-feira. Começa o horário eleitoral em rádio e TV -que não tem nada de gratuito, pois as emissoras podem, por lei, abater parte considerável de suas perdas na hora de pagar Imposto de Renda. Em 1998, o PSDB decidiu que a campanha era muito longa. Reduziu-se o período do horário eleitoral de 60 dias para 45 dias. Facilitou-se a vida de FHC, que foi reeleito no primeiro turno em meio a grande turbulência na área econômica. De uns tempos para cá, passou a fazer menos diferença a alteração promovida pelos tucanos. As redes de TV agora fazem uma cobertura jornalística mais robusta do processo eleitoral. Não cola mais aquela explicação do tipo ‘o candidato ainda não é conhecido e vai deslanchar quando começar a propaganda eletrônica’. Todos já são conhecidos. Até José Maria Eymael e Luciano Bivar aparecem diariamente nos telejornais. Tudo para dizer que as propagandas de TV podem não ser a salvação da lavoura para os candidatos que lutam para subir na preferência do eleitorado. Dificilmente alguém conseguirá só com a TV alterar radicalmente o quadro. A exceção fica por conta de algum ‘fator extracampo’, como se diz no futebol. Por exemplo, em 2002 Ciro Gomes chegou a atingir 32% na véspera do horário eleitoral. Estava em primeiro lugar, tecnicamente empatado com Lula. Cometeu algumas gafes verbais. Suas falas foram usadas à exaustão pelos adversários na TV. Ciro despencou e terminou a eleição com apenas 12% dos votos, em quarto lugar. É disso que os adversários de Lula precisam. Que o presidente-candidato abra o flanco e tropece nas próprias pernas. Não é impossível, mas não há como prever.’

Fábio Zanini

Dirceu ataca Globo e ‘elite’, mas poupa Lula

‘O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendia o confronto com a oposição durante a crise política do mensalão, o que o colocou em rota de colisão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu evitar bater de frente. A versão foi divulgada ontem pelo próprio Dirceu em seu blog, ao comentar a participação de Lula no ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo. ‘O presidente decidiu por um caminho para enfrentar a crise, evitando o confronto com as forças que apostaram na calúnia, na conspiração e no golpismo. Minha opção era por mobilizar a militância e os movimentos sociais contra os ataques das elites conservadoras’, disse ele. Mas o ex-ministro reconhece que estava errado em sua avaliação, porque o caminho escolhido por Lula teria tornado o presidente mais forte. ‘Essa divergência não me impede de reconhecer que o presidente Lula saiu da crise mais forte, com o reconhecimento da maioria da sociedade pelo governo progressista que comanda’, afirmou. Dirceu não atendeu ontem ao pedido de entrevista da Folha. Segundo sua assessoria, a divergência relatada por ele refere-se à estratégia de enfrentamento da crise do mensalão, sem relação com sua saída da Casa Civil, que teria sido decidida de forma consensual. Na entrevista ao ‘JN’, Lula afirmou, após ser pressionado pelos entrevistadores William Bonner e Fátima Bernardes, que demitiu Dirceu. Até então, a versão oficial era de que ele deixou o cargo ‘a pedido’. Para o ex-ministro da Casa Civil, trata-se de uma falsa polêmica. ‘Como é obvio, no presidencialismo quem decide é o presidente da República, e a decisão do presidente foi pelo afastamento’, afirmou. Ao comentar a entrevista, Dirceu foi duro nas críticas à Globo e aos apresentadores. Reclamou, por exemplo, de Lula ter sido chamado de ‘candidato’ e não de ‘presidente’. ‘Além de um desrespeito à instituição republicana e simples má educação, Lula é presidente, a Constituição permite que se candidate à reeleição e permaneça no cargo’, declarou. Para ele, a Globo está querendo ‘provar que é independente’. Também criticou o fato de a entrevista ter abordado quase exclusivamente a crise política. ‘Restou a Lula 30 segundos -isso mesmo, 30 segundos- para falar de seu governo e de suas propostas como candidato. Durma-se com um barulho desses’, afirmou Dirceu.

Mercadante

O ex-líder do governo no Senado e candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, se recusou ontem a comentar as declarações de Lula no ‘JN’ sobre as saídas dos ex-ministros Dirceu e Antonio Palocci (Fazenda). Ele disse desconhecer como ocorreram. Procurado pela Folha, Palocci não foi localizado para comentar sua demissão. Já Mercadante mostrou irritação ao ser questionado sobre a contradição entre a versão de Lula e a do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, sobre o pagamento de dívidas com o PT. Okamoto afirmou nunca ter conversado com Lula sobre o assunto, mas o presidente deu outra versão no ‘JN’. Lula alegou ter dito ao colega: ‘Se você quiser pagar, você paga’. ‘O presidente nunca pediu e nunca reconheceu essa dívida. E desde o início ele sempre disse isso’, afirmou Mercadante.

Colaborou ROGÉRIO PAGNAN da Reportagem Local’



***

Muito ensaio atrapalhou Lula, avalia PT

‘O rosto carrancudo e tenso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ‘Jornal Nacional’ surpreendeu o quartel-general do petista e deve causar mudanças na preparação para futuras entrevistas.

No dia seguinte à participação no telejornal, petistas ontem avaliavam que o nervosismo do presidente acabou neutralizando em parte o que consideraram um ponto positivo da entrevista: o fato de Lula ter respondido a todas as perguntas, sem fugir do tema que mais o incomoda, a corrupção.

Na avaliação de um dos coordenadores da campanha de Lula, a preparação ficou excessivamente centrada na expectativa de que haveria um ‘massacre’ por parte de Willian Bonner e Fátima Bernardes. Lula acabou esquecendo que deveria passar tranqüilidade e simpatia.

O presidente dedicou parte da quarta e a tarde de quinta para tomar ‘aulas’ do marqueteiro João Santana, com a participação de assessoras. ‘Foi preparação demais’, disse um membro da campanha.

A avaliação no PT foi de que a entrevista não tirou votos de Lula, mas que ele perdeu uma chance de se diferenciar de Geraldo Alckmin (PSDB), cujo desempenho foi avaliado como negativo. Após a entrevista, Lula relaxou e foi simpático. ‘Esses dez minutos passaram muito rápido. Que pena.’ Bonner então brincou: ‘O sr. continua duro na queda, hein, presidente?’, disse sobre as respostas. O presidente sorriu.’

Marta Salomon

Okamotto não comenta nova versão de Lula

‘Há mais de um ano sem conseguir provar saques de dinheiro destinados a pagar dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PT, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, não quis comentar ontem a nova versão apresentada por Lula para o episódio.

Em entrevista ao ‘Jornal Nacional’ anteontem, Lula narrou uma suposta conversa entre ele e Okamotto antes do pagamento: ‘Quer pagar, você paga, porque eu não vou pagar, porque não devo ao PT’.

Há um ano, Okamotto se responsabilizou pelo pagamento da dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, registrada na prestação de contas do partido. A CPI dos Correios investigava se o pagamento teria sido feito com dinheiro do caixa dois do PT, administrado pelo ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Havia duas semanas que o Palácio do Planalto insistia em que Lula desconhecia a dívida quando o presidente do Sebrae assumiu a responsabilidade pelo pagamento.

Em entrevista à Folha em 9 de agosto de 2005, Okamotto contou que não falara com Lula sobre a dívida. ‘Não comentei nada com ele. Primeiro, você imagina, em 2003, o seguinte cenário: você assumindo o governo, eu via pouco o presidente, não ia ficar enchendo o saco dele com uma coisa como essa’, relatou ele, que fora procurador de Lula na rescisão do contrato de trabalho com o PT.

A versão é diferente da apresentada anteontem por Lula. Questionado sobre a divergência, Okamotto não quis falar. ‘Ele não vai comentar, ele já falou exaustivamente sobre o assunto’, disse sua assessoria.

Até o encerramento dos trabalhos da CPI dos Bingos, Okamotto se recusou a explicar como providenciou o dinheiro destinado a quitar a dívida. Mais de uma vez, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal para impedir a quebra de seu sigilo bancário, determinada pela comissão.

À Folha o presidente do Sebrae, que tem vencimentos mensais de cerca de R$ 30 mil, disse ter feito saques no valor de R$ 45 mil entre setembro de 2003 e março de 2004 para pagar a dívida, embora a primeira das quatro parcelas tenha sido paga apenas em dezembro de 2003.’



***

Bonner diz que ‘JN’ tratou petista como os demais

‘O apresentador e editor do ‘Jornal Nacional’, William Bonner, disse ontem que Lula não se queixou de ser chamado de candidato durante a entrevista de quinta-feira.

‘O presidente Lula foi entrevistado na condição de candidato do PT à reeleição. Recebeu o mesmo tratamento respeitoso que os demais candidatos que ouvimos. Terminada a entrevista, nem o presidente nem seus assessores manifestaram queixa ou contrariedade com o tratamento que lhe foi dispensado’, afirmou ele por e-mail.

A Folha enviou à assessoria da TV Globo críticas feitas a Bonner pelo ex-ministro José Dirceu, em seu blog, e pelo site da campanha de Lula. Ele preferiu só responder sobre o uso do termo ‘candidato’.

Dirceu chamou de ‘esdrúxula’ a afirmação de Bonner, feita a Lula, de que o procurador-geral da República só oferece denúncia quando tem provas concretas contra os denunciados. Para o ex-ministro, o apresentador se esqueceu da ‘presunção da inocência’.

Já o site da campanha disse que ‘os entrevistadores demonstraram agressividade, fixação em temas já superados e falta de interesse por assuntos do dia-a-dia da população’.

Para Bonner, o ‘JN’ cumpriu o que pretendia, que era ‘abrir, aos principais candidatos, uma oportunidade para que esclarecessem questões polêmicas sobre suas candidaturas ou seus partidos’.’

Marcelo Coelho

Vitória política, só a do ‘JN’

‘SE ALGUÉM saiu politicamente vitorioso nesta semana de campanha eleitoral, não foi Lula, nem Heloísa Helena, muito menos Geraldo Alckmin; foi a Rede Globo. Para quem ainda associava a imagem da emissora ao escândalo do Proconsult em 1982, ao abafamento da campanha pelas Diretas-Já em 1984 e à manipulação do debate entre Collor e Lula em 1989, a mudança deste ano não poderia ser maior, no sentido da seriedade e da isenção jornalística.

Não foi uma conversão instantânea. Há um bom tempo o ‘Jornal Nacional’ abandonava não apenas o oficialismo dos anos de Cid Moreira mas também a irritante política, em vigor durante certo período, de privilegiar amenidades, histórias humanas e partos de animais no zôo em seu noticiário. Seja como for, poder-se-ia dizer em tom de blague que, nesta semana, caiu mais um mito da esquerda: o do papel alienante do jornalismo global.

As entrevistas de William Bonner e Fátima Bernardes com os candidatos à Presidência foram ganhando, a cada dia, um ritmo e uma agressividade jornalística poucas vezes visto pelo telespectador brasileiro. Se a primeira entrevista, com Geraldo Alckmin, teve ainda um tom cinza e enfadonho, isso se deveu ao próprio candidato, inabalável monstro de tranqüilidade em pleno incêndio do PCC. As perguntas dos entrevistadores não lhe deram trégua: política de segurança, escândalo da Nossa Caixa, comprometimento de Eduardo Azeredo com o valerioduto, maus índices do Estado de São Paulo na educação, tudo recebia de Alckmin respostas convencionais, típicas do horário gratuito. Não foi um desempenho desastroso, mas o candidato do PSDB não conseguiu projetar-se nem um ponto sequer além da mediania tecnocrática que o mantém confinado nos índices eleitorais de sempre.

Nos dias seguintes, é como se Bonner e Bernardes se entusiasmassem mais e mais com a função pública de que estavam revestidos. Partiram como tigres em cima de Heloísa Helena, que se encarregou de tentar domá-los alternando, metaforicamente, berros e torrões de açúcar. Com Cristovam, deu-se a oportunidade de uma discussão sobre política educacional mais detalhada do que é comum na imprensa se o espetáculo foi menor, a seriedade saiu ganhando.

O casal chegou cheio de si à biblioteca do Planalto, onde o aspecto de Lula parecia o de um derrotado por antecipação. Nunca um presidente brasileiro foi submetido a perguntas tão certeiras e a tal nível de descontentamento com as respostas recebidas. Os tempos em que presidentes da República iam ao ‘Roda Viva’ como a um baile de gala, ou se refestelavam em longas coletivas sem réplica, começam a fazer parte do passado. Em meio a uma campanha singularmente insossa e a um clima de desmoralização generalizada na política brasileira, as entrevistas do ‘Jornal Nacional’ tiveram o paradoxal efeito de fazer surgir, diante das câmeras, um país mais sério, e mais adulto, do que o telespectador podia imaginar.’

Luiz Fernando Vianna

Democracia peso-mosca

‘RIO DE JANEIRO – A TV Globo é danadinha. Fez, no principal telejornal do país, entrevistas de 12 minutos com os candidatos a presidente, e pode se gabar de ter prestado um serviço à democracia. Apesar das boas intenções, não passou de simulacro.

As entrevistas pareciam lutas peso-mosca, aquelas em que os boxeadores são levezinhos e batem o tempo todo, até na própria sombra. Não faltou nem o constrangedor reloginho contando o tempo no canto do vídeo.

De um lado, os bem treinados entrevistadores tentavam acertar o maior número possível de golpes no adversário. Do outro, nas cordas, o candidato se esquivava e esboçava movimentos para conquistar o impossível: agradar à torcida. Mas ela quer sangue! E dele, do candidato.

Resultados: Alckmin perdeu por nocaute; Lula por nocaute técnico (não caiu, mas estava grogue); Cristovam por pontos (só tinha um golpe, e quem quer saber de educação?); e Heloísa ganhou porque usou um dos golpes mais baixos do ser humano: a ironia.

A TV Globo prestaria um serviço à democracia se reservasse, pelo menos, uns 40 minutos de sua programação para cada entrevista. Daria para ver se os candidatos têm algo de fato a dizer ou se é só isso mesmo: os chavões de Alckmin, as mentiras de Lula, o bate-estaca de Cristovam e a bipolaridade de Heloísa -ora maternal, ora onça faminta.

Mas 40 minutos de entrevista não dão ibope, não vendem comercial. Televisão, todo mundo sabe, é ‘imagem’, ‘mensagem’, ‘atitude’. Idéias? Se alguém tiver uma e conseguir transmiti-la em 12 minutos, enquanto é interrompido pelo entrevistador, que levou quase um minuto para formular a primeira pergunta (aconteceu com Lula), parabéns. Mas não falem em democracia. Isso é luta -e não é livre.’

Folha de S. Paulo

Jornalistas relativizam o poder político da mídia

‘O poder da mídia é menor do que se pensa. Este foi o denominador comum entre os quatro expositores da mesa ‘A Cultura Midiática: Persuasão e Poder?’, realizada na noite de quinta-feira dentro do seminário ‘Brasil, Brasil’, da Academia Brasileira de Letras.

Josias de Souza, da Folha, José Nêumanne Pinto, do ‘Jornal da Tarde’ e de ‘O Estado de S. Paulo’, Merval Pereira, de ‘O Globo’, CBN e Globonews, e Tereza Cruvinel, de ‘O Globo’, procuraram mostrar como as transformações da sociedade, em especial por causa da internet, relativizaram a capacidade da imprensa de ‘fazer cabeças’, expressão que havia sido usada no início pelo acadêmico Domício Proença Filho.

Desinformação

‘A sociedade da informação já era. Vivemos a sociedade da desinformação. É o primado da versão’, afirmou Nêumanne.

Para ele, a internet é o ‘grande arauto’ dessa sociedade. Como exemplos de desinformação, citou os falsos textos atribuídos a autores famosos e à Wikipedia, a enciclopédia da rede em que todos escrevem, podendo dar suas versões sobre pessoas, fatos e qualquer outro assunto.

‘É uma sociedade que estabelece o primado da canalhice’, disse ele, descrente da força da imprensa: ‘Se informação valesse alguma coisa, Lula estaria preso, e não reeleito’.

‘Não combinam’

Josias concordou nesse aspecto e ressaltou que ‘as pesquisas [eleitorais] não combinam com o cenário que vivenciamos’, referindo-se ao fato de meses de reportagens sobre escândalos envolvendo o governo não terem abalado a popularidade do presidente.

‘O poder que a nós é atribuído não existe’, disse ele, para quem um programa como o Bolsa-Família influencia mais o eleitor do que as investigações da imprensa: ‘Imaginava-se que o episódio Collor teria um efeito didático. Mas os escândalos foram se sucedendo, e as pessoas foram ficando anestesiadas.’

Merval lembrou, entre outros exemplos, que o referendo do desarmamento, realizado no ano passado, foi uma prova do papel frágil da mídia e dos chamados formadores de opinião, já que venceu a corrente contrária a eles -a da manutenção da venda de armas.

‘[As pessoas] passaram ao largo das mídias tradicionais e dos partidos políticos’, observou Merval.

Na abertura da mesa, coordenada pelo acadêmico e jornalista Arnaldo Niskier, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, registrou os 85 anos de fundação da Folha.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

Record voa para fazer novela quase ao vivo

‘A queda do diretor Flávio Colatrello, a pedido do autor Lauro César Muniz, não foi suficiente para aliviar a tensão nos bastidores de ‘Cidadão Brasileiro’, a primeira novela das oito da Record, que marca respeitáveis 12 pontos no Ibope.

A novela tem tido cenas gravadas no mesmo dia em que vão ao ar e um helicóptero foi alugado para deslocar atores de São Paulo, onde ficam os estúdios, até Bragança Paulista, a 83 km, onde está a cidade cenográfica. Sobrecarregado, o protagonista (Gabriel Braga Nunes) tem recorrido ao ponto eletrônico _recebe suas falas via fone de ouvido enquanto grava.

Nos bastidores da Record, Lauro César Muniz tem sido criticado por ter optado por centralizar a trama em dois personagens, os de Gabriel Braga Nunes (que engordou por causa disso) e Paloma Duarte.

As conseqüências são o aumento de custo, o que a Record nega. Seu diretor artístico, Hélio Vargas, afirma que ‘Cidadão’ está dentro do orçamento (R$ 150 mil por capítulo). ‘O Gabriel [Braga Nunes] participa de toda a novela, e isso diminuiu a frente’, admite Vargas.

‘A novela sofreu alterações no meio. Teria dois elencos e quatro fases. Resolvemos dar só um pulo de tempo, de 1958 para a década de 70, e fazer apenas um epílogo em 2006’, justifica o executivo.

‘Cidadão’ será a última novela da Record em São Paulo. As próximas serão no Rio.

VÔO CURTO O SBT, que também enfrenta problemas com sua ‘Cristal’ (troca de diretores, audiência baixa), decidiu encurtar a produção mexicana em pelo menos 30 capítulos.

ERA MENTIRA Não terá mais o título de ‘A Mentira’ a substituta de ‘Cristal’. Depois de ter anunciado oficialmente sua próxima produção, o SBT teve que voltar atrás. Descobriu que ‘A Mentira’ é curta demais, só tem cem capítulos. O departamento de teledramaturgia da emissora procura agora outra trama no portfólio da Televisa.

JORNAL SOBE A audiência, de quatro pontos, ainda é baixa, mas o novo telejornal do ‘meio-dia’ da Record já dobrou o ibope da rede no horário (13h15/14h).

SELINHO DA PAZ Hebe Camargo gravou na semana passada partipação em ‘Topa ou Não Topa’. Depois, conversou muito com Silvio Santos (que andou criticando no ar). E eles voltaram às boas.

TOPA TUDO Já saiu o prêmio máximo de ‘Topa ou Não Topa’ (R$ 1 mi). Foi o maior agito na gravação, semana passada. Mas a data de exibição da edição é segredo.

PRESIDENCIAL Deu 43 pontos na Grande São Paulo a entrevista de Lula ao ‘Jornal Nacional’ de anteontem. Foram dois pontos a menos do que o ‘JN’ de Geraldo Alckmin. Mas ambas as entrevistas tiveram a sintonia de 60 de cada cem televisores ligados. Isso se explica porque na segunda sempre há mais TVs ligadas do que nos demais dias.’

Silvana Arantes

Bussunda morre em longa do Casseta

‘O principal personagem interpretado por Bussunda no novo filme do Casseta & Planeta, ‘Seus Problemas Acabaram’, que estréia no próximo dia 1º/9, morre num momento em que está sob tensão.

O longa inédito do grupo, exibido ontem para a imprensa em São Paulo e no Rio de Janeiro, é dedicado ao humorista, que morreu no último dia 17 de junho, de ataque cardíaco, quando estava na Copa da Alemanha, gravando ‘Casseta & Planeta – Urgente!’ (Globo).

Em ‘Seus Problemas Acabaram’, cujas filmagens já estavam concluídas quando o grupo viajou para a Copa, Bussunda é Lindauro das Dores, testemunha no julgamento contra as Organizações Tabajara.

A empresa está sob suspeita pela venda do Borogodol, complexo vitamínico para deixar os homens atraentes. O processo se refere ao ‘efeito culateral’ provocado pelo medicamento, que Lindauro experimentou, como consumidor da droga.

Depois de depor e ter de dar explicações sobre seu envolvimento com uma tartaruga do projeto Tomar, Lindauro decide sair pela porta dos fundos do tribunal, para evitar ‘a cachorrada’ [a imprensa].

Na rua, o personagem é perseguido por uma matilha de cachorros de verdade. A fuga o conduz para perto de um elefante, de quem sofre um ataque fatal. A morte trágica da testemunha é noticiada na televisão pela repórter Chicória Maria (Helio de la Peña, em paródia da jornalista Glória Maria).

Bussunda interpreta ainda um surfista ‘sem nenhuma atividade cerebral’, irmão da dublê de assistente jurídica e stripper Priscila (Maria Paula).

No papel do surfista, ele contracena com Murilo Benício, numa das mais divertidas cenas do filme. Ambos travam um diálogo de uma nota só. ‘Qual é aí?’, diz Benício, em ‘revival’ de seus tempos de surfista. ‘Ó o auê aí ó’, repete Bussunda. Esse é também o refrão do clipe que encerra o filme, com todos os humoristas do grupo.

‘Seus Problemas Acabaram’, segundo longa do Casseta & Planeta, tem estrutura semelhante à do programa de TV. Há clipes, super-herói, Fucker & Sucker, piadas de teor sexual e alguma escatologia. É a tentativa do grupo de afastar o fiasco de sua estréia no cinema, com ‘A Taça do Mundo É Nossa’ (2003), que tem história ambientada nos anos 70 e formato distante do adotado na TV.’



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Folha de S. Paulo – 1

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15/08/2006 na edição 394

ELEIÇÕES 2006
Fernando Rodrigues

Campanha na TV

‘BRASÍLIA – As eleições para governos estaduais e para presidente da República entram em nova fase na terça-feira. Começa o horário eleitoral em rádio e TV -que não tem nada de gratuito, pois as emissoras podem, por lei, abater parte considerável de suas perdas na hora de pagar Imposto de Renda. Em 1998, o PSDB decidiu que a campanha era muito longa. Reduziu-se o período do horário eleitoral de 60 dias para 45 dias. Facilitou-se a vida de FHC, que foi reeleito no primeiro turno em meio a grande turbulência na área econômica. De uns tempos para cá, passou a fazer menos diferença a alteração promovida pelos tucanos. As redes de TV agora fazem uma cobertura jornalística mais robusta do processo eleitoral. Não cola mais aquela explicação do tipo ‘o candidato ainda não é conhecido e vai deslanchar quando começar a propaganda eletrônica’. Todos já são conhecidos. Até José Maria Eymael e Luciano Bivar aparecem diariamente nos telejornais. Tudo para dizer que as propagandas de TV podem não ser a salvação da lavoura para os candidatos que lutam para subir na preferência do eleitorado. Dificilmente alguém conseguirá só com a TV alterar radicalmente o quadro. A exceção fica por conta de algum ‘fator extracampo’, como se diz no futebol. Por exemplo, em 2002 Ciro Gomes chegou a atingir 32% na véspera do horário eleitoral. Estava em primeiro lugar, tecnicamente empatado com Lula. Cometeu algumas gafes verbais. Suas falas foram usadas à exaustão pelos adversários na TV. Ciro despencou e terminou a eleição com apenas 12% dos votos, em quarto lugar. É disso que os adversários de Lula precisam. Que o presidente-candidato abra o flanco e tropece nas próprias pernas. Não é impossível, mas não há como prever.’

Fábio Zanini

Dirceu ataca Globo e ‘elite’, mas poupa Lula

‘O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendia o confronto com a oposição durante a crise política do mensalão, o que o colocou em rota de colisão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu evitar bater de frente. A versão foi divulgada ontem pelo próprio Dirceu em seu blog, ao comentar a participação de Lula no ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo. ‘O presidente decidiu por um caminho para enfrentar a crise, evitando o confronto com as forças que apostaram na calúnia, na conspiração e no golpismo. Minha opção era por mobilizar a militância e os movimentos sociais contra os ataques das elites conservadoras’, disse ele. Mas o ex-ministro reconhece que estava errado em sua avaliação, porque o caminho escolhido por Lula teria tornado o presidente mais forte. ‘Essa divergência não me impede de reconhecer que o presidente Lula saiu da crise mais forte, com o reconhecimento da maioria da sociedade pelo governo progressista que comanda’, afirmou. Dirceu não atendeu ontem ao pedido de entrevista da Folha. Segundo sua assessoria, a divergência relatada por ele refere-se à estratégia de enfrentamento da crise do mensalão, sem relação com sua saída da Casa Civil, que teria sido decidida de forma consensual. Na entrevista ao ‘JN’, Lula afirmou, após ser pressionado pelos entrevistadores William Bonner e Fátima Bernardes, que demitiu Dirceu. Até então, a versão oficial era de que ele deixou o cargo ‘a pedido’. Para o ex-ministro da Casa Civil, trata-se de uma falsa polêmica. ‘Como é obvio, no presidencialismo quem decide é o presidente da República, e a decisão do presidente foi pelo afastamento’, afirmou. Ao comentar a entrevista, Dirceu foi duro nas críticas à Globo e aos apresentadores. Reclamou, por exemplo, de Lula ter sido chamado de ‘candidato’ e não de ‘presidente’. ‘Além de um desrespeito à instituição republicana e simples má educação, Lula é presidente, a Constituição permite que se candidate à reeleição e permaneça no cargo’, declarou. Para ele, a Globo está querendo ‘provar que é independente’. Também criticou o fato de a entrevista ter abordado quase exclusivamente a crise política. ‘Restou a Lula 30 segundos -isso mesmo, 30 segundos- para falar de seu governo e de suas propostas como candidato. Durma-se com um barulho desses’, afirmou Dirceu.

Mercadante

O ex-líder do governo no Senado e candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, se recusou ontem a comentar as declarações de Lula no ‘JN’ sobre as saídas dos ex-ministros Dirceu e Antonio Palocci (Fazenda). Ele disse desconhecer como ocorreram. Procurado pela Folha, Palocci não foi localizado para comentar sua demissão. Já Mercadante mostrou irritação ao ser questionado sobre a contradição entre a versão de Lula e a do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, sobre o pagamento de dívidas com o PT. Okamoto afirmou nunca ter conversado com Lula sobre o assunto, mas o presidente deu outra versão no ‘JN’. Lula alegou ter dito ao colega: ‘Se você quiser pagar, você paga’. ‘O presidente nunca pediu e nunca reconheceu essa dívida. E desde o início ele sempre disse isso’, afirmou Mercadante.

Colaborou ROGÉRIO PAGNAN da Reportagem Local’



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Muito ensaio atrapalhou Lula, avalia PT

‘O rosto carrancudo e tenso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ‘Jornal Nacional’ surpreendeu o quartel-general do petista e deve causar mudanças na preparação para futuras entrevistas.

No dia seguinte à participação no telejornal, petistas ontem avaliavam que o nervosismo do presidente acabou neutralizando em parte o que consideraram um ponto positivo da entrevista: o fato de Lula ter respondido a todas as perguntas, sem fugir do tema que mais o incomoda, a corrupção.

Na avaliação de um dos coordenadores da campanha de Lula, a preparação ficou excessivamente centrada na expectativa de que haveria um ‘massacre’ por parte de Willian Bonner e Fátima Bernardes. Lula acabou esquecendo que deveria passar tranqüilidade e simpatia.

O presidente dedicou parte da quarta e a tarde de quinta para tomar ‘aulas’ do marqueteiro João Santana, com a participação de assessoras. ‘Foi preparação demais’, disse um membro da campanha.

A avaliação no PT foi de que a entrevista não tirou votos de Lula, mas que ele perdeu uma chance de se diferenciar de Geraldo Alckmin (PSDB), cujo desempenho foi avaliado como negativo. Após a entrevista, Lula relaxou e foi simpático. ‘Esses dez minutos passaram muito rápido. Que pena.’ Bonner então brincou: ‘O sr. continua duro na queda, hein, presidente?’, disse sobre as respostas. O presidente sorriu.’

Marta Salomon

Okamotto não comenta nova versão de Lula

‘Há mais de um ano sem conseguir provar saques de dinheiro destinados a pagar dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PT, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, não quis comentar ontem a nova versão apresentada por Lula para o episódio.

Em entrevista ao ‘Jornal Nacional’ anteontem, Lula narrou uma suposta conversa entre ele e Okamotto antes do pagamento: ‘Quer pagar, você paga, porque eu não vou pagar, porque não devo ao PT’.

Há um ano, Okamotto se responsabilizou pelo pagamento da dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, registrada na prestação de contas do partido. A CPI dos Correios investigava se o pagamento teria sido feito com dinheiro do caixa dois do PT, administrado pelo ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Havia duas semanas que o Palácio do Planalto insistia em que Lula desconhecia a dívida quando o presidente do Sebrae assumiu a responsabilidade pelo pagamento.

Em entrevista à Folha em 9 de agosto de 2005, Okamotto contou que não falara com Lula sobre a dívida. ‘Não comentei nada com ele. Primeiro, você imagina, em 2003, o seguinte cenário: você assumindo o governo, eu via pouco o presidente, não ia ficar enchendo o saco dele com uma coisa como essa’, relatou ele, que fora procurador de Lula na rescisão do contrato de trabalho com o PT.

A versão é diferente da apresentada anteontem por Lula. Questionado sobre a divergência, Okamotto não quis falar. ‘Ele não vai comentar, ele já falou exaustivamente sobre o assunto’, disse sua assessoria.

Até o encerramento dos trabalhos da CPI dos Bingos, Okamotto se recusou a explicar como providenciou o dinheiro destinado a quitar a dívida. Mais de uma vez, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal para impedir a quebra de seu sigilo bancário, determinada pela comissão.

À Folha o presidente do Sebrae, que tem vencimentos mensais de cerca de R$ 30 mil, disse ter feito saques no valor de R$ 45 mil entre setembro de 2003 e março de 2004 para pagar a dívida, embora a primeira das quatro parcelas tenha sido paga apenas em dezembro de 2003.’



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Bonner diz que ‘JN’ tratou petista como os demais

‘O apresentador e editor do ‘Jornal Nacional’, William Bonner, disse ontem que Lula não se queixou de ser chamado de candidato durante a entrevista de quinta-feira.

‘O presidente Lula foi entrevistado na condição de candidato do PT à reeleição. Recebeu o mesmo tratamento respeitoso que os demais candidatos que ouvimos. Terminada a entrevista, nem o presidente nem seus assessores manifestaram queixa ou contrariedade com o tratamento que lhe foi dispensado’, afirmou ele por e-mail.

A Folha enviou à assessoria da TV Globo críticas feitas a Bonner pelo ex-ministro José Dirceu, em seu blog, e pelo site da campanha de Lula. Ele preferiu só responder sobre o uso do termo ‘candidato’.

Dirceu chamou de ‘esdrúxula’ a afirmação de Bonner, feita a Lula, de que o procurador-geral da República só oferece denúncia quando tem provas concretas contra os denunciados. Para o ex-ministro, o apresentador se esqueceu da ‘presunção da inocência’.

Já o site da campanha disse que ‘os entrevistadores demonstraram agressividade, fixação em temas já superados e falta de interesse por assuntos do dia-a-dia da população’.

Para Bonner, o ‘JN’ cumpriu o que pretendia, que era ‘abrir, aos principais candidatos, uma oportunidade para que esclarecessem questões polêmicas sobre suas candidaturas ou seus partidos’.’

Marcelo Coelho

Vitória política, só a do ‘JN’

‘SE ALGUÉM saiu politicamente vitorioso nesta semana de campanha eleitoral, não foi Lula, nem Heloísa Helena, muito menos Geraldo Alckmin; foi a Rede Globo. Para quem ainda associava a imagem da emissora ao escândalo do Proconsult em 1982, ao abafamento da campanha pelas Diretas-Já em 1984 e à manipulação do debate entre Collor e Lula em 1989, a mudança deste ano não poderia ser maior, no sentido da seriedade e da isenção jornalística.

Não foi uma conversão instantânea. Há um bom tempo o ‘Jornal Nacional’ abandonava não apenas o oficialismo dos anos de Cid Moreira mas também a irritante política, em vigor durante certo período, de privilegiar amenidades, histórias humanas e partos de animais no zôo em seu noticiário. Seja como for, poder-se-ia dizer em tom de blague que, nesta semana, caiu mais um mito da esquerda: o do papel alienante do jornalismo global.

As entrevistas de William Bonner e Fátima Bernardes com os candidatos à Presidência foram ganhando, a cada dia, um ritmo e uma agressividade jornalística poucas vezes visto pelo telespectador brasileiro. Se a primeira entrevista, com Geraldo Alckmin, teve ainda um tom cinza e enfadonho, isso se deveu ao próprio candidato, inabalável monstro de tranqüilidade em pleno incêndio do PCC. As perguntas dos entrevistadores não lhe deram trégua: política de segurança, escândalo da Nossa Caixa, comprometimento de Eduardo Azeredo com o valerioduto, maus índices do Estado de São Paulo na educação, tudo recebia de Alckmin respostas convencionais, típicas do horário gratuito. Não foi um desempenho desastroso, mas o candidato do PSDB não conseguiu projetar-se nem um ponto sequer além da mediania tecnocrática que o mantém confinado nos índices eleitorais de sempre.

Nos dias seguintes, é como se Bonner e Bernardes se entusiasmassem mais e mais com a função pública de que estavam revestidos. Partiram como tigres em cima de Heloísa Helena, que se encarregou de tentar domá-los alternando, metaforicamente, berros e torrões de açúcar. Com Cristovam, deu-se a oportunidade de uma discussão sobre política educacional mais detalhada do que é comum na imprensa se o espetáculo foi menor, a seriedade saiu ganhando.

O casal chegou cheio de si à biblioteca do Planalto, onde o aspecto de Lula parecia o de um derrotado por antecipação. Nunca um presidente brasileiro foi submetido a perguntas tão certeiras e a tal nível de descontentamento com as respostas recebidas. Os tempos em que presidentes da República iam ao ‘Roda Viva’ como a um baile de gala, ou se refestelavam em longas coletivas sem réplica, começam a fazer parte do passado. Em meio a uma campanha singularmente insossa e a um clima de desmoralização generalizada na política brasileira, as entrevistas do ‘Jornal Nacional’ tiveram o paradoxal efeito de fazer surgir, diante das câmeras, um país mais sério, e mais adulto, do que o telespectador podia imaginar.’

Luiz Fernando Vianna

Democracia peso-mosca

‘RIO DE JANEIRO – A TV Globo é danadinha. Fez, no principal telejornal do país, entrevistas de 12 minutos com os candidatos a presidente, e pode se gabar de ter prestado um serviço à democracia. Apesar das boas intenções, não passou de simulacro.

As entrevistas pareciam lutas peso-mosca, aquelas em que os boxeadores são levezinhos e batem o tempo todo, até na própria sombra. Não faltou nem o constrangedor reloginho contando o tempo no canto do vídeo.

De um lado, os bem treinados entrevistadores tentavam acertar o maior número possível de golpes no adversário. Do outro, nas cordas, o candidato se esquivava e esboçava movimentos para conquistar o impossível: agradar à torcida. Mas ela quer sangue! E dele, do candidato.

Resultados: Alckmin perdeu por nocaute; Lula por nocaute técnico (não caiu, mas estava grogue); Cristovam por pontos (só tinha um golpe, e quem quer saber de educação?); e Heloísa ganhou porque usou um dos golpes mais baixos do ser humano: a ironia.

A TV Globo prestaria um serviço à democracia se reservasse, pelo menos, uns 40 minutos de sua programação para cada entrevista. Daria para ver se os candidatos têm algo de fato a dizer ou se é só isso mesmo: os chavões de Alckmin, as mentiras de Lula, o bate-estaca de Cristovam e a bipolaridade de Heloísa -ora maternal, ora onça faminta.

Mas 40 minutos de entrevista não dão ibope, não vendem comercial. Televisão, todo mundo sabe, é ‘imagem’, ‘mensagem’, ‘atitude’. Idéias? Se alguém tiver uma e conseguir transmiti-la em 12 minutos, enquanto é interrompido pelo entrevistador, que levou quase um minuto para formular a primeira pergunta (aconteceu com Lula), parabéns. Mas não falem em democracia. Isso é luta -e não é livre.’

Folha de S. Paulo

Jornalistas relativizam o poder político da mídia

‘O poder da mídia é menor do que se pensa. Este foi o denominador comum entre os quatro expositores da mesa ‘A Cultura Midiática: Persuasão e Poder?’, realizada na noite de quinta-feira dentro do seminário ‘Brasil, Brasil’, da Academia Brasileira de Letras.

Josias de Souza, da Folha, José Nêumanne Pinto, do ‘Jornal da Tarde’ e de ‘O Estado de S. Paulo’, Merval Pereira, de ‘O Globo’, CBN e Globonews, e Tereza Cruvinel, de ‘O Globo’, procuraram mostrar como as transformações da sociedade, em especial por causa da internet, relativizaram a capacidade da imprensa de ‘fazer cabeças’, expressão que havia sido usada no início pelo acadêmico Domício Proença Filho.

Desinformação

‘A sociedade da informação já era. Vivemos a sociedade da desinformação. É o primado da versão’, afirmou Nêumanne.

Para ele, a internet é o ‘grande arauto’ dessa sociedade. Como exemplos de desinformação, citou os falsos textos atribuídos a autores famosos e à Wikipedia, a enciclopédia da rede em que todos escrevem, podendo dar suas versões sobre pessoas, fatos e qualquer outro assunto.

‘É uma sociedade que estabelece o primado da canalhice’, disse ele, descrente da força da imprensa: ‘Se informação valesse alguma coisa, Lula estaria preso, e não reeleito’.

‘Não combinam’

Josias concordou nesse aspecto e ressaltou que ‘as pesquisas [eleitorais] não combinam com o cenário que vivenciamos’, referindo-se ao fato de meses de reportagens sobre escândalos envolvendo o governo não terem abalado a popularidade do presidente.

‘O poder que a nós é atribuído não existe’, disse ele, para quem um programa como o Bolsa-Família influencia mais o eleitor do que as investigações da imprensa: ‘Imaginava-se que o episódio Collor teria um efeito didático. Mas os escândalos foram se sucedendo, e as pessoas foram ficando anestesiadas.’

Merval lembrou, entre outros exemplos, que o referendo do desarmamento, realizado no ano passado, foi uma prova do papel frágil da mídia e dos chamados formadores de opinião, já que venceu a corrente contrária a eles -a da manutenção da venda de armas.

‘[As pessoas] passaram ao largo das mídias tradicionais e dos partidos políticos’, observou Merval.

Na abertura da mesa, coordenada pelo acadêmico e jornalista Arnaldo Niskier, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, registrou os 85 anos de fundação da Folha.’



TELEVISÃO
Daniel Castro

Record voa para fazer novela quase ao vivo

‘A queda do diretor Flávio Colatrello, a pedido do autor Lauro César Muniz, não foi suficiente para aliviar a tensão nos bastidores de ‘Cidadão Brasileiro’, a primeira novela das oito da Record, que marca respeitáveis 12 pontos no Ibope.

A novela tem tido cenas gravadas no mesmo dia em que vão ao ar e um helicóptero foi alugado para deslocar atores de São Paulo, onde ficam os estúdios, até Bragança Paulista, a 83 km, onde está a cidade cenográfica. Sobrecarregado, o protagonista (Gabriel Braga Nunes) tem recorrido ao ponto eletrônico _recebe suas falas via fone de ouvido enquanto grava.

Nos bastidores da Record, Lauro César Muniz tem sido criticado por ter optado por centralizar a trama em dois personagens, os de Gabriel Braga Nunes (que engordou por causa disso) e Paloma Duarte.

As conseqüências são o aumento de custo, o que a Record nega. Seu diretor artístico, Hélio Vargas, afirma que ‘Cidadão’ está dentro do orçamento (R$ 150 mil por capítulo). ‘O Gabriel [Braga Nunes] participa de toda a novela, e isso diminuiu a frente’, admite Vargas.

‘A novela sofreu alterações no meio. Teria dois elencos e quatro fases. Resolvemos dar só um pulo de tempo, de 1958 para a década de 70, e fazer apenas um epílogo em 2006’, justifica o executivo.

‘Cidadão’ será a última novela da Record em São Paulo. As próximas serão no Rio.

VÔO CURTO O SBT, que também enfrenta problemas com sua ‘Cristal’ (troca de diretores, audiência baixa), decidiu encurtar a produção mexicana em pelo menos 30 capítulos.

ERA MENTIRA Não terá mais o título de ‘A Mentira’ a substituta de ‘Cristal’. Depois de ter anunciado oficialmente sua próxima produção, o SBT teve que voltar atrás. Descobriu que ‘A Mentira’ é curta demais, só tem cem capítulos. O departamento de teledramaturgia da emissora procura agora outra trama no portfólio da Televisa.

JORNAL SOBE A audiência, de quatro pontos, ainda é baixa, mas o novo telejornal do ‘meio-dia’ da Record já dobrou o ibope da rede no horário (13h15/14h).

SELINHO DA PAZ Hebe Camargo gravou na semana passada partipação em ‘Topa ou Não Topa’. Depois, conversou muito com Silvio Santos (que andou criticando no ar). E eles voltaram às boas.

TOPA TUDO Já saiu o prêmio máximo de ‘Topa ou Não Topa’ (R$ 1 mi). Foi o maior agito na gravação, semana passada. Mas a data de exibição da edição é segredo.

PRESIDENCIAL Deu 43 pontos na Grande São Paulo a entrevista de Lula ao ‘Jornal Nacional’ de anteontem. Foram dois pontos a menos do que o ‘JN’ de Geraldo Alckmin. Mas ambas as entrevistas tiveram a sintonia de 60 de cada cem televisores ligados. Isso se explica porque na segunda sempre há mais TVs ligadas do que nos demais dias.’

Silvana Arantes

Bussunda morre em longa do Casseta

‘O principal personagem interpretado por Bussunda no novo filme do Casseta & Planeta, ‘Seus Problemas Acabaram’, que estréia no próximo dia 1º/9, morre num momento em que está sob tensão.

O longa inédito do grupo, exibido ontem para a imprensa em São Paulo e no Rio de Janeiro, é dedicado ao humorista, que morreu no último dia 17 de junho, de ataque cardíaco, quando estava na Copa da Alemanha, gravando ‘Casseta & Planeta – Urgente!’ (Globo).

Em ‘Seus Problemas Acabaram’, cujas filmagens já estavam concluídas quando o grupo viajou para a Copa, Bussunda é Lindauro das Dores, testemunha no julgamento contra as Organizações Tabajara.

A empresa está sob suspeita pela venda do Borogodol, complexo vitamínico para deixar os homens atraentes. O processo se refere ao ‘efeito culateral’ provocado pelo medicamento, que Lindauro experimentou, como consumidor da droga.

Depois de depor e ter de dar explicações sobre seu envolvimento com uma tartaruga do projeto Tomar, Lindauro decide sair pela porta dos fundos do tribunal, para evitar ‘a cachorrada’ [a imprensa].

Na rua, o personagem é perseguido por uma matilha de cachorros de verdade. A fuga o conduz para perto de um elefante, de quem sofre um ataque fatal. A morte trágica da testemunha é noticiada na televisão pela repórter Chicória Maria (Helio de la Peña, em paródia da jornalista Glória Maria).

Bussunda interpreta ainda um surfista ‘sem nenhuma atividade cerebral’, irmão da dublê de assistente jurídica e stripper Priscila (Maria Paula).

No papel do surfista, ele contracena com Murilo Benício, numa das mais divertidas cenas do filme. Ambos travam um diálogo de uma nota só. ‘Qual é aí?’, diz Benício, em ‘revival’ de seus tempos de surfista. ‘Ó o auê aí ó’, repete Bussunda. Esse é também o refrão do clipe que encerra o filme, com todos os humoristas do grupo.

‘Seus Problemas Acabaram’, segundo longa do Casseta & Planeta, tem estrutura semelhante à do programa de TV. Há clipes, super-herói, Fucker & Sucker, piadas de teor sexual e alguma escatologia. É a tentativa do grupo de afastar o fiasco de sua estréia no cinema, com ‘A Taça do Mundo É Nossa’ (2003), que tem história ambientada nos anos 70 e formato distante do adotado na TV.’



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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

O Globo

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