Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Folha de S. Paulo

02/06/2009 na edição 540

MÍDIA & POLÍTICA

Fernando Rodrigues

Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos

‘Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.

Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.

A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.

‘O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]’, admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.

Mudança de estratégia

Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior.

O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.

No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto.

A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal.

Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional.

‘O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou’, diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República.

A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%.

‘A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (…) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio’, diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom.

A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: ‘A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população’.

Rádios e jornais

Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas ‘rádios comunitárias’, cujo alcance do sinal é limitado.

No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos.

Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos.

O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte do pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, ‘há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes’, que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto.’

 

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Processo avançará até cidades com mais de 20 mil habitantes

‘O processo de regionalização da publicidade estatal federal ainda não está completo. No momento, o governo começa a montar uma base de dados com as rádios presentes em cidades com população acima de 20 mil habitantes. O cadastro atual contém apenas as que abrigam mais de 50 mil pessoas.

Outra providência em curso é tentar fazer acordos com associações de jornais e rádios do interior. O objetivo é centralizar a comprovação da veiculação dos anúncios. Procura-se também simplificar o processo de emissão de faturas individuais por parte dos meios envolvidos. Uma hipótese em estudo é dar poder a associações regionais para funcionarem como centro distribuidor de anúncios e verbas do governo.

Com os 5.297 veículos atendidos atualmente, a operação já é bastante complexa. É necessário coletar prova de publicação individual de cada um dos comerciais. ‘Mas é interesse dos jornais e das rádios locais veicular os anúncios, pois dá prestígio ter uma publicidade do governo federal’, diz o deputado Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e integrante da Frente Parlamentar da Mídia Regional.

O objetivo dessa frente é ‘desconcentrar os investimentos em mídia do governo, canalizando recursos para os veículos regionais’, explica o presidente do grupo, deputado André Vargas (PT-PR). Os congressistas fazem pressão para que o governo dê dinheiro para meios de comunicação no interior do país, em geral mais flexíveis a influência política.

Ricardo Barros aprofunda a explicação sobre o benefício da operação: ‘Não se sabe ao certo, mas cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao próprio comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro do governo, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade’.

No Planalto, a defesa da regionalização das propagandas é sustentada como uma forma de ativar a economia. A ação seria barata. Mais de mil das rádios atendidas recebem, por mês, de R$ 600 a R$ 1.000, segundo o publicitário Mauro Montorin, um dos responsáveis pela publicidade da Presidência.

Esse dinheiro miúdo ajuda as emissoras a pagar custos fixos de água, energia, limpeza e manutenção dos equipamentos. Cria-se dessa forma um vínculo perene entre a rádio e o governo, com a emissora se tornando dependente de verbas estatais.

Montorin discorda. Acha que a hipótese de viciar os veículos em dinheiro público não existe. ‘Estamos dando independência para a rádio’, diz ele. Mas como garantir que essa emissora não seja apenas uma vocalizadora das ideias de interesse do Planalto? A resposta do publicitário é vaga: ‘Essa garantia não se pode ter sobre nenhum veículo de comunicação, não importa o seu tamanho’. (FR)’

 

***

Publicidade: FHC preparou base de sistema de recursos para Lula

‘As bases para a atual máquina de propaganda regional de Lula foram preparadas por Fernando Henrique Cardoso. Quando queria fazer anúncios institucionais, o tucano precisava recorrer a estatais ou a ministérios. Para solucionar o problema, FHC autorizou o então titular da Secom, Bob Vieira da Costa, a formatar um sistema que reservasse verbas de publicidade no Orçamento diretamente à Presidência. O plano teve início em 2002. Mas o dinheiro passou a ficar disponível só em 2003.’

 

Letícia Sander

Exposição de Lula extrapola mídia oficial

‘Nunca antes o país teve um presidente tão midiático quanto Luiz Inácio Lula da Silva. De quando chegou ao poder até hoje, Lula fez crescer sua exposição pública, sustentada no aumento dos canais de comunicação do governo e em sua disposição de aparecer mais.

O leque foi ampliado para além dos veículos que tradicionalmente faziam a divulgação oficial das atividades do Planalto em gestões anteriores, como Radiobras, NBR, programas de rádio e TVs educativas.

Nos próximos meses, Lula estreará uma coluna em jornais populares. A internet trouxe outras novidades: em breve, a Presidência inaugurará um blog, um canal no YouTube e vai aderir ao Twitter.

Aos moldes do que já existia na gestão anterior, o governo Lula criou o ‘Café com o Presidente’, programa semanal de rádio inaugurado em novembro de 2003 e hoje disponível para 1.300 emissoras. Ele foi seguido do ‘Bom Dia Ministro’, que levou 31 integrantes do primeiro escalão ao ar em 2008, com a participação de 173 rádios ao vivo.

Há ainda o ‘Em Questão’, boletim de atos do governo cuja versão eletrônica é enviada a cerca de 425 mil e-mails cadastrados. A tiragem da versão impressa é de mil exemplares.

Ao custo previsto de R$ 15 milhões neste ano, o Planalto dispõe de empresa para ‘vender’ o Brasil no exterior. Mediante a reserva de outros R$ 5 milhões, foi contratada outra empresa para fazer pesquisas para orientar as ações do governo. Em 2007, surgiu a TV Brasil, rede pública de televisão.

Tal exposição coincide com o fato de pesquisas indicarem Lula como o governante mais bem avaliado até hoje. Em novembro de 2008, sua aprovação chegou a 70% -recorde desde que o Datafolha começou a fazer a avaliação, em 1990.

‘A exposição maior do presidente é fator importante para que ele mantenha sua popularidade. Mas isso ocorre devido aos resultados do governo’, diz o secretário de imprensa da Presidência, Nelson Breve.

Em 2005, Lula se afastou da imprensa após denúncias do mensalão. Recuperada a estabilidade do governo, houve orientação do presidente para que fosse trabalhada uma ‘distensão’. Isso culminou com a chegada de Franklin Martins à Comunicação Social. Entre as incumbências do jornalista, segundo um colega, estaria a de deixar Lula mais disponível.

A Presidência contabiliza que, em 2008, o presidente concedeu, em média, três entrevistas por semana. Naquele ano, foram 182 (incluindo exclusivas, coletivas e por escrito), superando as 157 de 2007 e as 92 de 2006. Só de janeiro a abril de 2009, Lula já superou o total de entrevistas concedidas em 2006, um ano eleitoral.

‘Duvido de que haja um chefe de Estado no mundo que converse mais com a imprensa do Lula. E ele faz isso, fundamentalmente, pelos meios de comunicação [privados]’, diz Franklin. Ele refuta qualquer ligação entre exposição do presidente e objetivos eleitoreiros. ‘Há quatro anos, se reclamava de que ele falava pouco. Agora reclamam que ele fala muito?’

A secretaria de imprensa da Presidência tem 88 servidores -25 jornalistas. O Planalto diz que a estrutura é similar à da gestão anterior. Só houve reforço, de 3 para 5 funcionários, nas equipes que atendem imprensa regional e internacional.

Para Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que teve uma passagem pela secretaria de comunicação no fim no governo tucano, ‘é bem marcante’ o fato de Lula ter mais exposição do que tinha FHC.

‘Acho que é uma opção dele, e uma aptidão que ele tem para se expor. E, talvez ao fato de que ele não se envolva nas questões da administração da mesma forma que o FHC.’’

 

Lucas Ferraz

Governo descumpre sua própria norma de transparência

‘O governo federal descumpre norma que permite ao cidadão acompanhar pela internet os gastos públicos. A falha é verificada até no Portal da Transparência, site que detalha a execução orçamentária e que é divulgado internacionalmente como um dos mais completos do gênero.

A Folha acessou o portal e as páginas na internet dos 36 órgãos com status de ministério e detectou em todos eles algum tipo de falha na divulgação das informações. Muitas estão defasadas, algumas meses, outras, anos atrasadas.

Responsável por executar e incluir esses dados nos sites, o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), ligado ao Ministério da Fazenda, reconhece as falhas, causadas por ‘problemas operacionais’. A situação, afirmou, será regularizada nos próximos dias, ganhando mais agilidade com a troca de equipamentos.

Quem quiser acompanhar pela rede gastos dos órgãos com diárias e passagens, ou se informar sobre contratos, convênios e a execução orçamentária dos ministérios encontrará informações velhas -em alguns elas até não existem.

Decreto da Presidência (nº 5.482, de junho de 2005) e portaria interministerial (nº 140, de março de 2006) especificam a periodicidade que cada gasto deve ser atualizado -semanalmente, a cada 15 dias ou todo mês. Segundo essa legislação, cada órgão deve manter seção em seu site (com banner na página inicial) denominada ‘Transparência Pública’, para ‘fins de controle social’.

Algumas dessas informações também estão no Portal da Transparência (www.transparencia.gov.br), de responsabilidade da Controladoria Geral da União. O portal, contudo, não segue as diretrizes do decreto (o mesmo 5.482) que o criou. Ele só contempla dados do Executivo, deixando de lado os do Legislativo e do Judiciário. O decreto diz que o portal disponibilizar informações ‘sobre a execução orçamentária e financeira da União’.

O site também falha ao não divulgar as operações de crédito de instituições de fomento, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A CGU diz que não pode divulgar gastos dos demais Poderes, por causa do princípio constitucional da separação entre eles. Sobre as instituições financeiras, o órgão afirma que elas alegam sigilo bancário e fiscal para barrar a divulgação.

‘Este governo deu início ao processo de promoção da transparência na administração e é natural que, nesse período inicial, ocorram cobranças por avanços e aprimoramentos’, disse o ministro Jorge Hage, chefe da CGU.

A internet chegou comercialmente ao país em 1995, primeiro ano do governo FHC. Mas foi o governo Lula que começou a divulgar gastos públicos na rede, em 2004 -quando foi criado o Portal da Transparência.

Fora do ar

O Ministério do Planejamento, um dos responsáveis pela norma, ao lado da CGU, não tinha em sua página inicial o banner da ‘Transparência Pública’ -colocou após a Folha o procurar. O mesmo aconteceu com o Ministério das Cidades.

No site do Ministério da Previdência não é possível consultar convênios -o link está desativado. Já a página do Ministério da Justiça não apresenta informação recente e completa. O último processo de tomada de contas anuais é de 2007.

Nenhum dos sites visitados pela Folha disponibilizava informações sobre a execução orçamentária deste ano.’

 

TELEVISÃO

Daniel Castro

Consultora de Sexo

‘Grávida de cinco meses e no ar em ‘Caras & Bocas’, Ingrid Guimarães se prepara para interpretar sua primeira protagonista no cinema. Em dezembro, começa a filmar ‘Sex Delícia’, de Roberto Santucci, em que viverá Bela, uma executiva workaholic que perde o emprego. ‘Como ela é especialista em marketing, tem a ideia de criar uma Avon do sexo. Venderá produtos eróticos nas casas das mulheres, fará demonstrações. No final, transforma isso em um grande negócio, redescobre o prazer e ainda recupera o casamento’, conta Ingrid.

‘Fantástico’ se prepara para evitar ‘o pior’ contra ‘Fazenda’

Executivos da Globo passaram a semana negando, mas a estreia de ‘A Fazenda’, hoje às 20h30 na Record, preocupa sim a emissora. Teme-se que o reality show repita o ocorrido em 2001, quando o SBT exibiu a primeira edição de ‘Casa dos Artistas’ e impôs humilhantes derrotas ao ‘Fantástico’.

Reservadamente, profissionais da Globo admitiam na quinta-feira que uma derrota hoje é quase inevitável. Trabalhariam o máximo para evitá-la, mas, por mais que se esforçassem, acreditavam que apenas minimizariam o pior.

A edição de hoje vem ‘forte’, mas não o suficiente para um ‘milagre’. O ‘Fantástico’ está mais frágil do que em 2001, quando dava 40 pontos (atualmente, é difícil passar dos 25).

Executivos da Globo já cogitam até transformar alguns repórteres em ‘novos Hélio Costa’ (o hoje ministro das Comunicações, nos anos 70, foi autor de grandes reportagens), investindo em ‘pautas positivas’, como a cura do câncer.

‘A Fazenda’ confinará 14 ‘celebridades’ em uma área rural em Itu (interior de SP). Por trás das câmeras, estarão Rodrigo Carelli (diretor de ‘Casa dos Artistas’) e Alexandre Frota. O ator poderá até entrar no programa, caso não decole.

Do elenco, o nome mais top é o de Dado Dolabella. Danielle Souza, a Mulher Samambaia, compõe um ‘time intermediário’. E haverá também nomes quase desconhecidos, como o de Barbara Koboldt, ex-repórter de Otávio Mesquita.

O PAI DA MÔNICA

O Biography Channel finalmente estreará, em 18 de julho, em toda a América Latina, o ‘Biography: Maurício de Sousa’. A telebiografia do cartunista começou a ser produzida e gravada em 2005, então para A&E, e chegou a ter sua exibição anunciada para 2008. Mas o canal decidiu guardá-la para julho, quando o criador da Turma da Mônica comemora 50 anos de carreira. O programa promete. Traz depoimentos de personalidades como Pelé e Ivete Sangalo e de cartunistas do quilate de Jim Davis (criador de Garfield) e Mort Walker (Recruta Zero).

SEM BEIJO

Em um dos próximos episódios de ‘Força-Tarefa’, a sargento Selma (Hermila Guedes) mostrará ainda mais o seu ‘lado gay’, trazendo à tona um relacionamento com outra mulher. Mas não haverá beijo. Nem selinho de três segundos.

CLONAGEM

Com a estreia de ‘A Fazenda’, o ‘Domingo Espetacular’ passará a entrar no ar às 17h. O programa, que foi criado para ser um ‘Fantástico’ da Record, foge assim totalmente da concorrência com o original, que nunca ameaçou no Ibope.

ADEUS, MAISA

Além de acatar a determinação, o SBT decidiu na semana passada não recorrer da decisão da Justiça de Osasco que proibiu a menina Maisa Silva de trabalhar no ‘Programa Silvio Santos’. Ou seja, Maisinha nunca mais no show do patrão.

OUTRA FAZENDA

Os principais executivos da Globo passaram as últimas quinta e sexta confinados em uma fazenda no interior de Minas Gerais, pertencente a um dos Marinhos. Foram discutir o futuro dos negócios das Organizações Globo.

GLOBO COMUNIDADE

A Globo passou a assinar em vinhetas locais as marcas ‘Globo São Paulo’, ‘Globo Rio’ e ‘Globo Brasília’. Trata-se de um esforço de seu diretor-geral, Octavio Florisbal, de aproximar mais a TV da ‘comunidade’ -ou de afastar, no caso de São Paulo, a percepção que muitos têm de que a rede é carioca. Antes, a Globo já fazia isso em Minas e em Recife (‘Globo Nordeste’). No Rio, onde sofre mais concorrência da Record, também apoiará eventos como o Viradão Cultural, no próximo fim de semana.’

 

Bia Abramo

Ronaldo, do inferno ao céu

‘RONALDO Nazário ‘dos Campos’, na simpática formulação da canção de Marcelo D2, saiu do inferno para o céu televisivo. Do ‘noticiário’ persecutório das celebridades, voltou a ser notícia da cobertura esportiva, depois que foi contratado pelo Corinthians no final do ano passado. Ainda ali, provou da amargura de suas escolhas -estava fora de forma, ‘gordo’, era puro golpe de marketing de um time também, de certa forma, cercado de vaticínios e comentários depreciativos. O início dos treinos no time paulista também foi, no mínimo, recebido com um pé atrás. De forma mais velada ou mais explícita, pairava um enorme ceticismo no ar. Só que aí ele começou a fazer gols e contribuir, decisivamente, para que o Corinthians tivesse reais chances no Campeonato Paulista.

De uma hora para outra, o tom mudou. Ronaldo, celebridade bem vestida e bem acompanhada; Ronaldo, exemplo de superação; Ronaldo, jogador de futebol novamente levado a sério; Ronaldo, disputado a tapa como garoto-propaganda.

Ronaldo foi até, conforme registrou a coluna de Daniel Castro nesta Folha em 11 de maio, responsável por um aumento significativo (11%) de audiência da Globo no horário em que eram exibidos os jogos do Campeonato Paulista.

Na última terça-feira, Ronaldo emprestou seu toque de anjo ao ‘Casseta & Planeta’. O programa vem lançando mão de convidados especiais como estratégia para driblar sua queda no índice de audiência -começou com Wagner Moura no programa de 19 de maio.

Ronaldo, com a desenvoltura de quem já apareceu no vídeo em situações bem mais incômodas, sorriu, fez algumas embaixadinhas e tentou ser engraçado.

Mesmo com a ajuda simpática do Capitão Nascimento-Hamlet e do Fenômeno, o programa continua em crise, com quadros que perderam a graça (as Organizações Tabajara, por exemplo, precisam de um reposicionamento de marca) e provocações ao politicamente correto que perderam o vigor. Quando até um autor francamente conservador como Aguinaldo Silva anda vociferando contra isso, talvez seja hora de pensar que o teor subversivo de afrontar o ‘bem pensar’ já desapareceu no ralo da história.

Ronaldo, por sua vez, tem de tomar cuidado.

A rapidez com que se volta ao inferno é maior do que aquela com que se faz o caminho inverso -o céu, afinal, está acima de nós.

No caso das celebridades, basta um vacilo -e a força da gravidade devolve-as lá para baixo.’

 

QUADRINHOS

Leonardo Cruz

HQ de formação

‘A infância e a adolescência de Craig Thompson não foram das mais fáceis. Humilhado por colegas de escola, vítima de abuso sexual, educado sob um cristianismo rigoroso, este garoto criado numa comunidade rural do provinciano Estado de Wisconsin foi um típico ‘loser’ americano, atormentado pelas memórias até tornar-se adulto. Sorte nossa. Os fantasmas da primeira idade serviram de inspiração para ‘Retalhos’, bela história em quadrinhos autobiográfica, 592 páginas que dialogam com os romances de formação da literatura clássica.

Lançado no exterior em 2003, quando o autor tinha 27 anos, ‘Retratos’ chega agora ao Brasil após merecidamente receber algumas das principais honrarias do mundo da HQ, como o Eisner e o Harvey Awards nos EUA (2004) e o prêmio da crítica francesa no tradicional Festival de Angoulême (2005).

O traço detalhista de Thompson não desenha apenas agruras. As brincadeiras e brigas com o irmão caçula e, principalmente, a relação com Raina, a primeira namorada, guiam o fio narrativo de ‘Retalhos’.

À Folha o autor conta que ‘tinha uma motivação simples’ quando começou a escrever a obra, no segundo semestre de 1999. ‘Estava frustrado com o predomínio das histórias de fantasia bombásticas no meio da HQ. Queria fazer um livro longo que deixasse de lado as sequências de ação para capturar uma experiência íntima e silenciosa, como a de dividir a cama com alguém pela primeira vez. Os temas autobiográfico e religioso se encaixaram.’

Thompson afirma que, quando fez ‘Retalhos’, estava ‘especialmente inspirado’ pelos escritos de Marcel Proust e Vladimir Nabokov e que absorvia as obras de quadrinistas franceses como David B., autor de ‘Epilético’ (1996), história também autobiográfica.

A fé ocupa espaço central nas memórias de Thompson, e ‘Retratos’ é pontuado pelo crescente questionamento dos preceitos da Igreja Batista que o autor frequentava na infância. Ao informar à família que exporia o passado de todos em uma ‘graphic novel’, Thompson recebeu o apoio do irmão, mas não dos pais. ‘Eles reagiram muito mal, me repreenderam, dizendo que o livro era um ‘instrumento do demônio’ e que eu iria para o Inferno.’

O quadrinista diz que seus pais hoje respeitam sua descrença e que o sucesso da obra do capeta virou motivo de orgulho para eles. ‘Muitos dos fãs do livro são cristãos devotos, até pastores, que veem em ‘Retalhos’ um retrato honesto da espiritualidade de alguém.’

Paixão abaixo de zero

Outro elemento importante da obra é o frio -Wisconsin tem invernos rigorosos, e grande parte da HQ se desenrola sob neve. ‘Talvez as temperaturas extremas tenham ajudado a congelar aqueles momentos, como memórias ancoradas por fortes sensações físicas’, comenta Thompson. ‘Minha relação com Raina, como muitas experiências de infância, foi curta e efêmera -ligada a uma única estação de um único ano, e é impossível tirar toda aquela neve de minhas fotografias internas’, conclui, poeticamente. Após ‘Retalhos’, Thompson lançou em 2004 ‘Carnet de Voyage’, com registros de sete meses de andanças pela Europa e pelo norte da África. O próximo livro será ‘Habibi’, obra sobre o mundo árabe, catatau em que ele trabalha há cinco anos. ‘Tenho mantido uma rotina de desenhar de oito a dez horas por dia. Cerca de 500 páginas estão prontas, mas a história toda tem 700. Deve estar finalizada no meio do próximo ano, e impressa no fim de 2010 ou início de 2011.’ Thompson mantém um bom diário na internet, onde é possível acompanhar a evolução de seus desenhos: blog.dootdootgarden.com.

RETALHOS Autor: Craig Thompson

Tradução: Érico Assis

Editora: Quadrinhos na Cia.

Quanto: R$ 49 (592 págs.)’

 

***

Novo selo vai lançar Art Spiegelman

‘A publicação de ‘Retalhos’ marca a estreia da Quadrinhos na Cia., divisão da Companhia das Letras voltada à HQ. O selo lança agora mais três boas obras: ‘O Chinês Americano’, de Gene Luen Yang; ‘Nova York’, com histórias de Will Eisner; e ‘Jubiabá’, versão de Spacca ao livro de Jorge Amado. Para 2010, já está previsto ‘Breakdowns’, título mais recente de Art Spiegelman (‘Maus’).’

 

Rafael Grampá

Autor criou uma dolorida Bíblia em P&B

‘Multipremiada e multicomentada, ‘Retalhos’, a autobiografia em quadrinhos de Craig Thompson, fala sobre relacionamentos à distância, ora com uma garota, ora com Deus, ora com sua família.

Na história, o autor compartilha seus dramas de infância numa família de cristãos fervorosos e a descoberta do amor na adolescência. Sua busca pelo autoconhecimento é dividida entre uma fé prematura e castradora e as primeiras questões existenciais, buscando a pureza de sentimentos verdadeiros implacavelmente tratados como pecado pela mente cega por redenção do jovem Thompson.

O conflito nos conduz para dentro de uma sociedade retrógrada, onde o que menos conta são os valores individuais. Nesse cenário, sua única salvação é o amor… ou a desilusão amorosa.

Cada página é como um palco preto e branco onde sobram rastros da dança solta das belas pinceladas secas de Craig Thompson. Seu desenho compõe ricos detalhes que contradizem magistralmente com a simplicidade do traço.

Ornamentos são originalmente integrados aos quadros, embelezando as páginas sem maneirismos e sempre em favor da narrativa. Leve e brutalmente dolorida, a ‘graphic novel’ sob certos aspectos soa, ao final da leitura, como uma resposta a todas as questões do autor sobre fé e sua precoce obsessão pelas escrituras sagradas.

Thompson conseguiu escrever -e desenhar- a sua própria Bíblia, uma graphic novel de invejáveis 592 páginas que vem arrebanhando milhares de fiéis no mundo com a ‘boa nova’ que são as HQs.

RAFAEL GRAMPÁ é quadrinista, vencedor do Prêmio Eisner 2008.

Avaliação: ótimo’

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