Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > CUSTE O QUE CUSTAR

Há diferença entre liberdade e libertinagem, ok?

Por Emanuelle Najjar em 15/12/2009 na edição 568

Creio que todos sabem da importância do que chamamos de liberdade de expressão. Muito provavelmente todos alardeiam tal liberdade; afinal, em um país com histórico de ditadura, cada pequena liberdade faz a diferença. Um direito fundamental e que vive sendo usado para outros fins. Sob seu pretexto, atos de imaturidade e provocação são propagados. Não que seja crime, mas pelo menos é de mau gosto, para não dizer outra coisa. Falta de bom senso, no mínimo.

Tomo como exemplo, novamente, o famigerado twittie do Rafinha Bastos, do CQC.

‘A todos os q se ofenderam c/ o q eu disse da Leila Lopes: A vida é ótima e suicida tem mais é q se f****.’

Não é a primeira vez que acontece algo desse gênero. Danillo Gentilli cometeu a mesma gafe (para não falar coisa pior). Isso me faz pensar que realmente não é à toa que o programa apresentado por eles se chama Custe o que Custar.

Com certeza, um twittie pessoal é bem diferente de um posicionamento de um programa inteiro, mas há uma relação, ainda que pequena: há uma linha tênue entre o pessoal e o público quando se é famoso, especialmente nas mídias sociais.

‘A besteira é a mesma’

Não escondo o fato de que não sou telespectadora do CQC. Não que não haja méritos naquilo que fazem, mas simplesmente não gosto. Acho as piadas forçadas, os quadros exagerados e sem graça, mas até aí é uma questão de gosto pessoal. Isso não me impede de reconhecer sua audiência e seu poder de alcance, que é louvável em tempos em que a TV já não tem mais o mesmo poder.

Porém, a falta de respeito aqui foi a olhos vistos, e fez com que o seu Custe o que Custar me valesse a paciência e o crédito por seu mérito inicial. Não posso negar que o CQC seja instigante. Sua proposta é boa, mas peca a partir do momento em que seu humor deixa de ser uma provocação e passa a ser baixo. Há diferenças significativas entre humor e falta de respeito embora a linha entre uma coisa e outra seja tênue.

Se a sua proposta é um humor diferenciado, concordo com o texto escrito pelo internauta Dois Clicks no blog Cena Aberta:

CQC é um chuchu na televisão, um programa que estreou com a proposta de ser um humor diferenciado, `inteligente´, mas que no fundo não tem nada disso.

A ideia de ser considerado inteligente ou politizado foi só para se diferenciar do Pânico na TV. Pura estratégia de marketing, a besteira é a mesma.’

Isto é apenas a opinião de uma telespectadora quase desistindo da TV aberta.

******

Jornalista, São José do Barreiro, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/07/2010 Lucas Pereira

    Tempos atrás, escrevi esse texto com um título parecido. Acredito que seja um bom complemento para o assunto. http://lucaspereira.com/jornalistas-liberdade-de-imprensa-nao-e-liber

  2. Comentou em 17/12/2009 Alexandre Câmara

    Emanuelle Najar traz à tona uma preocupação legítima: a qualidade da programação exibida na TV aberta. No caso abordado, a fórmula humorística baseada no achincalhe de pessoas físicas, sendo estas do meio político ou não, é uma fórmula repetitiva no humor brasileiro. Afinal, quem não cresceu na década de 70 assistindo aos domingos um grupo de comediantes que expunham ao escárnio geral o fato de ser nordestino, gay, gordo, velho, feio ou negro? Mas, e o que os nossos representantes eleitos fazem conosco não uma forma de achincalhe? Sinto na fórmula adotada pelo CQC uma satisfação mordaz, embora que mesquinha e condenada pelos dogmas das religiões judaico-cristãs, mas, que se dane! É a minha parcela de vingança quanto ao descaso, aos escândalos, aos desvios de verba e de merenda escolar, a má distribuição de renda, a manipulação pela mídia, a falta de credibilidade… Lamento o comentário infeliz de Rafinha, ou de quem o tenha feito de forma tão irresponsável e chula à atriz Leila Lopes, que vinha sofrendo há algum tempo conforme matéria exibida no programa Super Pop. Acredito que um fato isolado não tire o brilho do CQC que deve, por sinal, ter seu conteúdo e foco constantemente revisado para não cair no lugar comum, típico do humor surrado, superficial, insosso, burro e sem criatividade, que hoje se apresenta na nossa telinha.

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