Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Ibope dá medalhas?

Por Fernando Schweitzer em 14/10/2008 na edição 507

A Rede Globo tentou uma cartada sorrateira para ao menos ter em TV fechada os direitos dos próximos jogos. A idéia surtiu em um momento de desespero no setor esportivo da poderosa. Corre o boato, em várias colunas de TV na internet, de que pessoas do setor esportivo da emissora defendem o boicote na grade de modalidades olímpicas desde já, com o intuito de esvaziar a programação da Record futuramente, pois esta tem os direitos sobre os Jogos de Inverno de Vancouver em 2010, bem como os de Londres em 2012. Em nota, Daniel Castro exibe as cifras desta briga de bastidores. A matéria de Daniel Castro na Folha Online em 07/10/2008, demonstra uma nova guerra de bastidores Globo x Record. O alvo claro, as Olimpíadas de 2012 em Londres:

‘A Globosat propôs pagar cerca de US$ 12 milhões, proposta considerada agressiva pela empresa. A Record recusou imediatamente, mas já demonstra sinais de arrependimento devido à alta do dólar.

A Record se comprometeu a pagar US$ 60 milhões pelos direitos do evento e estima que ele vale US$ 30 milhões na TV paga. A emissora não abre mão da exclusividade na TV aberta.’

Muito falado e pouco assistido

O que ocorre é que a Record, em seus planos mirabolantes para buscar a liderança nos próximos anos, traça como tacada final, além da consolidação do núcleo jornalístico – que teve um consistente crescimento desde 2004 –, a investida no setor esportivo, que mercadologicamente é muito rentável. Vide a Globo que, mesmo com índices baixos nas transmissões do Brasileiro 2009, vê sua receita aumentar e aumentar neste setor da grade.

A Record tenta não perder o investimento financeiro de 60 milhões de dólares pelos direitos dos jogos. Mas muitos veículos se esquecem que a possibilidade de um não acordo com os tradicionais canais de esporte da TV paga, pode ser uma outra estratégia da Record visando a estabilizar o ainda muito falado e pouco assistido canal Record News, que tem como foco o jornalismo 24h, segundo um de seus slogans. Existe a grande tendência entre a cúpula da Record em fazer uma ampla cobertura via Record News dos eventos olímpicos e na nave-mãe, os eventos principais da equipe olímpica do Brasil.

Corrida midiática?

Seria uma tacada de mestre, veríamos uma infinidades de profissionais migrando para Record News no futuro? Só ele nos dirá. Em que sinuca de bico a Globo pode ficar… Mas este ‘olho grande’ da emissora da Barra Funda pode ser mais do que egoísmo, como muitos dizem. Pode ser uma estratégia de longo prazo que poderá ter um esboço neste dia 27 de setembro, quando a Record completa 55 anos e a Record News um ano de existência.

Poderemos ter recordes da Record além dos recordes esportivos nos próximos jogos? Esperemos que essa corrida pelo ibope não prejudique os telespectadores. Afinal, para quem assiste, o que mais importa é a corrida por medalhas, ou a corrida midiática?

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista, Florianópolis, SC

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