Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MOSAICO > VERDADES & OPINIÕES

Imprensa não estimula a inteligência porque ela não é estimulável

Por Paulo Bento Bandarra em 04/12/2007 na edição 462

O que é inteligência, em primeiro lugar? A inteligência pode ser definida como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair idéias, compreender idéias e linguagens e aprender.

Eis o que registra a Wikipédia:

‘Existem dois `consensos´m de definição de inteligência. O primeiro, de Intelligence: Knowns and Unknowns, um relatório de uma equipe congregada pela Associação Americana de Psicologia em 1995:

`Os indivíduos diferem na habilidade de entender idéias complexas, de se adaptar com eficácia ao ambiente, de aprender com a experiência, de se engajar nas várias formas de raciocínio, de superar obstáculos mediante pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de `inteligência´ são tentativas de aclarar e organizar este conjunto complexo de fenômenos.

Uma segunda definição de inteligência encontra-se no Mainstream Science on Intelligence, que foi assinada por 52 pesquisadores em inteligência, em 1994:

`Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender idéias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta – `pegar no ar´, `pegar´ o sentido das coisas ou `perceber´.’

Richard Herrnstein e Charles E. Murray: `…habilidade cognitiva´.

Sternberg e Salter: `…comportamento adaptativo orientado a metas´.

Saulo Vallory: `…habilidade de intencionalmente reorganizar informações para inferir novos conhecimentos´.’

Capacidade de raciocínio

A inteligência não depende da informação, mas da habilidade que as pessoas usam a mesma para emitir juízo ou tomar decisões. São dados que, dentro de uma visão filosófica incipiente pessoal do indivíduo, traçarão uma política para chegar aos seus objetivos. Assim, não se pode dizer que um africano é mais falto de inteligência do que um europeu, pois não existe diferença a priori nos dois, apenas diferenças culturais de informações e capacidades de enfrentar os meios em que vivem e de decidirem o melhor para seus valores particulares. Educados ao contrário, não se mostrariam menos capacitados em ambientes trocados na capacidade de decidir. Sem uma filosofia pessoal para atingir os objetivos pessoais não é possível traçar uma política, uma estratégia de como atingir estes ideais e sonhos pessoais. Nem todos querem ser médicos, nem todos querem ser jogadores de futebol. As informações servirão para as pessoas analisarem como atingir seus ideais. Pessoas pensam de formas diferentes, graças às nossas diferenças bem vindas, não pelas nossas igualdades mediocrizantes. Não fossem elas ainda não usaríamos fogo, não teríamos descoberto a roda e habitaríamos na África.

Assim, o texto do jornalista Luciano Martins Costa neste Observatório – ‘A imprensa não estimula a inteligência‘ – erra ao atribuir entre as suas funções que a mesma possa fazer este trabalho de estímulo à inteligência. Poderíamos esperar que a mesma ‘formasse opiniões’ que é a função da informação que o leitor recebe e deve julgar a sua pertinência para as suas ações. Trabalhos com crianças superdotadas têm demonstrado que as crianças precocemente estimuladas aumentam o seu QI, a capacidade de resolver problemas. Depois deste período em que o cérebro estabelece as suas conexões, não é mais possível fazer este estímulo. Muito menos por leitura da imprensa. Mesmo crianças nascidas desfavorecidas, quando submetidas a um programa lúdico de estímulo, se destacam do seu grupo social aumentando a capacidade de raciocínio.

Verdades pessoais

Se considerar dono da verdade é terrível. Pavlic Morozov achou que a tinha descoberto e entregou o pai às autoridades do Estado soviético para o matarem. Na guerra civil espanhola, irmãos ficaram em trincheiras separadas para se eliminarem. Destruíram todos que pensavam diferente, familiares, padres, autoridades, empresários de posses, servidores públicos. Crimes motivados pela certeza da verdade. A confiança de possuir a verdade cria o Estado totalitário e a mídia subserviente que não quer saber da opinião do leitor, mas transformá-lo em uma máquina de pensamento única para trabalhar para o Estado e servir docilmente as idéias mirabolantes emanadas das verdades vertidas pelo Grande Irmão.

Mas ao analisarmos o que o articulista se refere como inteligência, na verdade são verdades pessoais que o mesmo acha ‘inteligentes’ das pessoas ‘terem’. O que certamente é uma visão falsa do que seja inteligência. Apenas julga os outros pelos seus valores e aqueles que não possuem a mesma visão e escala, não possuem esta capacidade que atribui obrigação da mídia fazer.

Imprensa deve servir

Então cairíamos no outro ponto de que a imprensa deveria fazer: ser formador de opinião fornecendo dados e análises para isto. Mas é interessante que ao mesmo tempo em que acusa a mídia de fazer isto pelo maniqueísmo do proprietário, formando uma falsa visão, na sua opinião, por discordar da mesma por valores personalíssimos, de que ela não deva fazer isto. Mas perseguir uma agenda supostamente indiscutível, que não existe. Ter que possuir uma visão certa para que todos pensem iguais aos seus valores sobre: o rei da Espanha, Hugo Chávez, relações com a Venezuela, capitalismo etc. O que é ser inteligente? É pensar como ele. Não existe dúvida de que quem não pensa assim não possui inteligência e precisa ser estimulado com os seus valores e opiniões para conseguir vir a atingi-la. Não é ser inteligente não tê-los. É, como diria Diogo Mainardi, ser estúpido, como encerra o texto.

Democracia não é o sistema em que todos pensam igual e possuem os mesmos valores. Justamente, é o regime em que se respeitam os valores dos outros (crenças e não crenças, opiniões, pontos de vista e objetivos de vida diversos), pois reconhecendo que ninguém é dono da verdade, se aceita que os outros sejam diferentes, vivam diferentes e possuam valores diferentes. Ao contrário dos totalitarismos, nos quais os indivíduos, partidos e imprensa são todos anulados pela opinião certa do partido do ditador ou, muitas vezes, como em Cuba, apenas do próprio ditador mesmo. No mundo livre, as pessoas são livres para cultuarem seus valores e lerem o que desejam, sem serem obrigados a terem lavado o cérebro pelo pensamento único.

Verdades verdadeiras e certas não existem neste campo. É uma idéia errada a de que a imprensa transformará todos com a mesma cabeça e com a mesma verdade. Triste pensamento para um jornalista cultivar. Não é para este objetivo que as pessoas compram jornais e assistem televisões. A imprensa deve servir. Mas para as pessoas decidirem por si, pelos seus valores.

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Médico, Porto Alegre (RS)

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/12/2007 Rogério Ferraz Alencar

    Grato pela atenção, Paulo Bandarra. A ambiguidade foi desfeita. E, se permacêssemos na África, pelo menos teríamos roda e fogo. Como você diz que que as idéias diferentes e a liberdade proporcionam a evolução, é bom você rever o menosprezo que você tem por quem acredita em Deus e por quem segue alguma religião. São pessoas com idéias diferentes das dos cientistas ateus. Se Deus não existe e, portanto, não criou o homem, o homem existe, e criou Deus. E, convenhamos, foi uma criação e tanto. Deus não é nenhum Papai Noel, para ficarmos no campo imaginário ocidental.

  2. Comentou em 06/12/2007 Paulo Bandarra

    Caro Rogério Ferraz, o que eu disse foi que se fossemos sempre iguais não teríamos progredido, pois nos contentaríamos a ser como somos! Por isto que as idéias diferentes e a liberdade proporcionam a evolução! Não disse que a África é atrasada por isto! Existem sítios que provam que o Homo habilis já conhecia o uso do fogo na África. O homem não emigrou por superpopulação. Supõe-se que tenham sido empurrados por longos períodos de seca. Os cálculos genéticos supõem que apenas um pequeno grupo emigrou para a Europa via oriente médio, aonde veio a encontrar o Homo neandertalensis que sobreviveu a última glaciação. Sair da África não é prova de inteligência, pois vários animais o fizeram povoando várias regiões, como os elefantes, rinocerontes, macacos e os próprios leões! A roda foi desenvolvida pelos egípcios no norte da África. É difícil datar os primeiros povos que desenvolveram a roda porque a madeira não se conserva. Povos industriosos como os Maias, Astecas e Incas não conheceram a roda como meio de transporte. Os índios americanos também não a utilizavam.

  3. Comentou em 06/12/2007 Paulo Bandarra

    “Mas, voltando ao assunto: “ e você novamente desvia-se do assunto! O assunto não é este, quanto ao Jardim do Éden está localizado na Bíblia, se você estivesse familiarizado pela leitura saberia. Como é uma invenção do mesmo livro, não é difícil que ele mesmo crie o local! Quanto as outras perguntas você pode se informar consultado a Barsa ou a Wikipédia.

  4. Comentou em 06/12/2007 Paulo Bandarra

    “Mas, voltando ao assunto: “ e você novamente desvia-se do assunto! O assunto não é este, quanto ao Jardim do Éden está localizado na Bíblia, se você estivesse familiarizado pela leitura saberia. Como é uma invenção do mesmo livro, não é difícil que ele mesmo crie o local! Quanto as outras perguntas você pode se informar consultado a Barsa ou a Wikipédia.

  5. Comentou em 05/12/2007 Paulo Bandarra

    AH! Isto? É óbvio. Entendi o teu raciocínio por considerar que o homem foi criado por Ele! A origem do homem, claro que não o da Bíblia que diz que ele foi criado no Edem por Deus a partir do barro, na região do Iraque, teve origem na África. Se ele fosse igual, ainda hoje não teriam migrado para fora do continente por considerarem o suficiente e se espalhado por todos os cantos do mundo!

  6. Comentou em 21/03/2006 Sophia Rozanier

    Venho pelo meio desta reclamar do SHOPTIME.COM. Em 18/02/06 efetuei uma compra no valor de R$ 369,00 (Pedido n° WEB7323815). Em 24/02/06 recebi o pedido em minha residência e faltou a Colcha Matelassada Bora Bora Listras Solteiro c/ 1 capa (cod. 164596)no valor de R$ 138,00. Telefonei para o 11 4003-9898 em 25/02/06 (atendente Paula as 10:06), em 28/02/06 (atendente Luana as 10:56), em 02/03/06 (Tatiane as 10:37), em 04/03/06 (atendente Welligton Lucas as 11:23) em 11/03/06 (atendente Tatiane as 10:29) e novamente em 18/03/06 (Atendente Carla as 09:57). Já enviei 05 e-mails e nunca responderam. Já havia feito 36 compras durante 2002 e 2006. Sempre dizem que estão abrindo uma ocorrência e passando ao setor responsável, que no caso é Logística. São 22 dias corridos com a não entrega da mercadoria, o cartão de crédito já foi debitado e não me fornecem posição nenhuma da regularização da não conformidade. Foi emitida uma Nota Fiscal e encaminhada com o pedido de 24/02 e a colcha consta na nota. Guardei a caixa entregue pela Tex Courier Ltda e é impossível caber nesta caixa todos os produtos. Venho até apelar para o lado emocional, estou grávida de 8 meses e tudo que comprei é para o quarto de meu filho. Sempre que vejo os produtos (que estão dentro da caixa para eventual devolução) fico exaltada, o que não me faz bem. Independente de gravidez ou não, o SHOPTIME.COM tem que dar uma satisfação ao cliente e resolver os problemas com agilidade. Não adianta colocar uma linha de frente sem autonomia. Sempre peço para falar com algum supervisor e não deixam. Fico sempre aproximadamente 10 minutos na fila de espera para ser atendida e o operador nunca me dá uma resposta conclusiva. Espero que com esta reclamação algo aconteça! Obrigada

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