Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

TV EM QUESTãO > TV DIGITAL

Inovação e dificuldades de popularização

Por Valério Cruz Brittos e Éderson Pinheiro da Silva em 12/10/2010 na edição 611

A TV digital proporciona uma quebra do modelo televisivo, tanto na produção quanto na recepção. De um lado, comporta a distribuição de mais conteúdos, com mais qualidade e de outras ordens, como dados em geral, paralelamente viabilizando efetiva interatividade (que cresce muito com o canal de retorno); de outro, garante ao telespectador maior possibilidade de manipular o serviço recebido, com serviços de gravação digital e a interatividade.


Tem-se aquilo que se denomina uma nova experiência televisiva, que se já não está plenamente disponível, no médio prazo estará, como a própria história tem demonstrado, com relação ao desenvolvimento e aproveitamento dos recursos tecnológicos. Ainda que a qualidade superior de imagem seja hoje o que mais caracteriza a televisão digital, isto já implica muito, contribuindo para uma melhor fruição dos bens simbólicos audiovisuais.


O mercado dos eletrônicos está investindo pesado para estimular o consumidor a adquirir todo um aparato de novos aparelhos, como conversores e televisores digitais, já plenamente capazes de receber o sinal digitalizado. Tudo isto impulsionado por reprodutores de vídeo digitais, que permitem realismos impressionantes e qualidade inigualável, o que pode ser potencializado com sistemas de projeção em telões e amplificação de áudio.


Uma política pública integrada


Mas permanecem problemas para o avanço geral da digitalização do audiovisual doméstico. O principal envolve os custos dos aparelhos, que permanecem elevados, ainda que a tendência de queda seja inevitável, como costuma acontecer com toda tecnologia. O ponto nevrálgico é que a inovação é constante, de forma que sempre há um aparelho novo a ser adquirido, havendo uma distância permanente entre as classes sociais também neste quesito.


Outro problema é o nível de informação insuficiente sobre a temática, considerando as carências do país. As pessoas não sabem em qual dispositivo investir e os ganhos a serem obtidos por cada televisor e demais ferramentais de digitalização televisiva. O consumidor brasileiro vê uma das soluções mais simples, a aquisição de um conversor digital, prejudicada pela falta de acerto entre governo e indústria para a redução de preços.


Reforçando a confusão tecnológica que perdura, enquanto a televisão digital terrestre em alta definição vem sendo implantada com as dificuldades conhecidas, já surgiu no Brasil a TV em 3D, nos marcos do quadro digitalizado. Além de constituir-se em mais uma inovação a ser apreendida e adquirida, não está prevista no Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), num precedente aberto pelo mercado que deverá ser regulamentado.


A resolução deste cenário não ocorre com o lançamento de mais e mais inovações, provocando obsolescências forçadas. Ao contrário, é necessário o enfrentamento do problema com altivez por parte do Estado brasileiro, investindo em uma política pública integrada de comunicação, informação, educação, cultura, tecnologia e indústria, com o país autonomamente elegendo suas prioridades e formas de universalizar rapidamente o acesso.

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Respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, coordenador do Grupo de Pesquisa Cepos (apoiado pela Ford Foundation) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Facom-UFBA; e graduando do Curso de Comunicação Social – Jornalismo na Unisinos, bolsista CNPq e membro do Grupo de Pesquisa Cepos

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