Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Jornalistas libertadas por Clinton chegam aos EUA

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 06/08/2009 na edição 549


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 6 de agosto de 2009 


 


CORÉIA DO NORTE


Janaina Lage, de Nova York


Dupla libertada por Clinton chega aos EUA


‘As jornalistas americanas Laura Ling, 32, e Euna Lee, 36, chegaram na manhã de ontem a Burbank, na Califórnia, acompanhadas do ex-presidente Bill Clinton, após 140 dias de prisão na Coreia do Norte.


Muito emocionadas, foram recebidas por familiares e pelo ex-vice-presidente Al Gore, que preside o canal de TV para o qual trabalham.


Com voz trêmula, Ling afirmou que tinha medo de ser mandada para um campo de trabalhos forçados e agradeceu a participação de Clinton. Ele obteve o ‘perdão especial’ às jornalistas, que tinham sido condenadas a 12 anos de trabalhos forçados por entrada ilegal no país e ‘atos hostis’.


‘Fomos levadas para um lugar e quando atravessamos a porta vimos em pé à nossa frente o presidente Bill Clinton. Ficamos chocadas, mas soubemos no mesmo instante que o pesadelo de nossas vidas finalmente tinha chegado ao fim.’


Clinton foi aplaudido após sair do avião que trouxe as jornalistas. O presidente Barack Obama disse estar ‘bastante aliviado’. ‘Penso que não só a Casa Branca está extraordinariamente feliz, como também todos os americanos devem ser gratos ao presidente Clinton e ao vice-presidente Gore por seu trabalho extraordinário.’


Clinton havia considerado visitar a Coreia do Norte em 2000. Acabou enviando a secretária de Estado americana à época, Madeleine Albright.


Ao contrário do que foi veiculado na imprensa norte-coreana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, negou que Bill Clinton tenha pedido desculpas pela atuação das jornalistas. ‘Isso não é verdade. Não aconteceu’, disse.


Questão nuclear


O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, negou que Clinton tenha levado alguma mensagem do governo para Kim Jong-il, mas disse que Obama deverá encontrar o ex-presidente. A Casa Branca tenta desvincular a missão para trazer de volta as jornalistas das discussões com a Coreia do Norte sobre desnuclearização.


Questionado se o governo poderia solicitar novamente os serviços de Clinton, Gibbs afirmou que a ida do ex-presidente à Coreia do Norte foi ‘uma missão privada’. ‘Creio que se o presidente estiver em algum momento procurando pessoas para ajudá-lo, ex-presidentes são sempre um ótimo grupo para tentar’, disse.


Sobre a retomada das negociações com a Coreia do Norte, Gibbs foi menos otimista. ‘A melhor maneira de mudar nossas relações seria se a Coreia do Norte decidisse que é hora de retomar as responsabilidades e acordos com os quais se comprometeu. Nossa meta é a desnuclearização’, disse.


Críticos avaliam que a operação foi um erro por premiar o mau comportamento de Pyongyang, que testou uma bomba nuclear em maio contrariando resoluções da ONU. Afirmam ainda que não há separação real entre a missão e as discussões já que Clinton foi recebido por Kim Kye-gwan, negociador da Coreia do Norte na área nuclear.


A missão ocorreu pouco depois de Pyongyang abandonar negociações com EUA, China, Rússia, Coreia do Sul e Japão.


Segundo Gordon Chang, especialista em Ásia, Obama enviou mensagens por meio de Clinton. ‘Em alguns meses, tenho certeza de que vamos descobrir mais sobre isso. É difícil acreditar que a Casa Branca teria deixado passar essa oportunidade’, disse.


Para Richard Bush, do Instituto Brookings, o perdão às jornalistas só representaria o primeiro passo para a retomada das negociações se a Coreia do Norte estivesse disposta a rever sua política de longo prazo em armas nucleares, o que ele considera improvável.


‘A Coreia do Norte sem dúvida espera que o perdão funcione como alavanca para obter concessões do governo Obama em relação a energia nuclear e outros assuntos’, disse.’


 


 


Maureen Dowd, do ‘New York Times’


Clinton deu à Coreia do Norte toda a atenção que o país pedia


‘Quando contemplo o incorrigível Kim Jong-il, um insulto proferido pelo cineasta Billy Wilder me vem à memória. Leon Wieseltier, editor da revista ‘New Republic’, estava jantando com Wilder, anos atrás, quando a conversa passou a girar em torno do baixinho empresário Swifty Lazar. Repousando o garfo e a faca sobre a mesa, Wilder proferiu: ‘Aquele sujeito deveria se enforcar em uma árvore bonsai’.


Sabe-se que o diminuto líder da Coreia do Norte usa saltos especiais em seus sapatos. E, desta vez, ele exigiu estatura especial na forma de uma visita diplomática pelo marido da principal diplomata americana. Infelizmente não havia bonsais à vista. Os dois líderes posaram, rígidos e desconfortáveis, diante de um mural que retratava ondas do mar.


Os sorrisos cintilantes de Kim Jong-il não foram retribuídos por Bill Clinton. Foi estranho ver o recluso Kim tão ávido e o descontraído Clinton tão disciplinado. No entanto, tanto o sorridente líder norte-coreano quanto o carrancudo ex-presidente dos EUA estavam saboreando o momento comum de relevância.


O preço estipulado por Kim para a libertação de duas jornalistas americanas capturadas, Laura Ling e Euna Lee, eram algumas horas de brilho refletido na presença do ex-presidente que mais desejava visitar a Coreia do Norte. Bill Clinton se mostrou disposto a fazer as mesuras requeridas, mas não a exibir servilidade.


Hillary causou uma controvérsia internacional ao dizer que, como mãe, compreendia que os norte-coreanos se comportavam como crianças indisciplinadas cujas traquinagens eram simplesmente uma forma de atrair atenção. Agora, só duas semanas mais tarde, essas pestes infantis conquistaram toda a atenção de seu marido.


Talvez tudo tenha sido um inteligente complô norte-coreano de vingança, já que colocar papai sob a luz dos refletores representaria uma punição para mamãe. No exato momento em que Hillary forçava seu retorno a uma posição de destaque, superando os problemas de seu cotovelo quebrado e atraindo a atenção que vinha sendo dedicada aos seus pomposos enviados, ela terminou expulsa de cena por um enviado ainda mais poderoso: o homem com quem ela vive.


Foi um momento único nos anais da diplomacia. Clinton estava sendo elogiado como um estadista deslumbrante que talvez tenha posto fim ao clima tempestuoso entre os EUA e a Coreia do Norte, enquanto Hillary iniciava uma viagem de 11 dias à África cujo objetivo era destacar os assuntos com os quais ela mais se preocupa: causas desenvolvimentistas e questões femininas.


E a pessoa que responde pelos assuntos mundiais desapareceu das notícias o dia inteiro, na terça-feira, enquanto aquela que não tem mais cargo oficial dominava as notícias. O avião dele está decolando do aeroporto de Pyongyang e traz a bordo as duas mulheres perdoadas? Nossa!


Clinton, além disso, pôde desfrutar de um momento de alegria maldosa por saber que havia suplantado três homens com os quais mantém relacionamentos complicados -Bill Richardson, Jimmy Carter e Al Gore- ao obter a vistosa missão de resgatar as donzelas em perigo.


Richardson se viu reduzido ao papel de comentarista da CNN e elogiou Clinton por seu comportamento no quesito protocolo: ‘O fato de que ele tenha se encontrado com Kim Jong-il é muito importante. O líder só se encontra com figurões e chefes de Estado’. É divertido especular se Clinton e Kim discutiram a troca de insultos com Hillary. (A Coreia do Norte rebateu a críticas da secretária de Estado definindo-a como ‘uma senhora esquisita’ e afirmando que ela ‘às vezes parece uma aluna de escola primária e às vezes uma aposentada fazendo compras’.) Pode-se imaginar o charmoso Clinton colocando as coisas em perspectiva: ‘Não se incomode com isso, Kimmie. Ela é uma mulher maravilhosa, mas de vez em quando fala demais.


Você deveria ouvir do que ela me chama quando se irrita. De adolescente desordeiro’. Os conservadores ficaram furiosos, naturalmente, e alegaram que a viagem de Clinton ofereceria cobertura propagandística para que os norte-coreanos continuassem com sua trapaça nuclear.. ‘A despeito de décadas de retórica dos dois partidos nos EUA sobre não negociar com terroristas para obter a libertação de reféns’, escreveu John Bolton no site do jornal ‘Washington Post’, ‘ao que parece o governo Obama não só escolheu negociar como enviar um ex-presidente para tanto’.


Mas os antigos valentões da equipe de Bush não têm qualquer credibilidade diplomática. Passaram oito anos arruinando a situação, e o placar que deixaram foi de 6 a 0 para a Coreia do Norte: nenhum encontro com Kim e combustível nuclear suficiente para seis bombas.


Clinton trará informações valiosas sobre a saúde física e mental de Kim.. Se tivéssemos o mesmo tipo de informação sobre Saddam Hussein em 2003, saberíamos que ele já estava em sua espiral de queda, tentando blefar contra seus vizinhos, e que não havia necessidade de choque e espanto.


Hillary e Obama parecem maiores quando dividem o palanque com outros agentes talentosos.. E Obama e Clinton podem enfim ter começado a relegar suas divergências ao passado sem a necessidade de posar para fotos em uma cúpula da cerveja.


Tradução de PAULO MIGLIACCI’


 


 


Casa Branca controlou negociação, diz mídia


‘Custou quase cinco meses de negociações cuidadosamente controladas pela Casa Branca o sucesso da operação ‘privada’ conduzida por Bill Clinton para a libertação das duas jornalistas americanas detidas pela Coreia do Norte. Foi o que disseram pessoas próximas ao governo, em condição de anonimato, a jornais americanos.


De acordo com o ‘Los Angeles Times’ e o ‘New York Times’, Clinton só entrou no jogo durante os acertos finais, por pedido dos próprios norte-coreanos, que queriam receber a visita de um nome de destaque mundial para discutir a soltura de Laura Ling e Euna Lee.


Assim, pelos cálculos do ditador Kim Jong-il, os EUA mostrariam respeito e o regime galgaria alguns degraus no avidamente buscado reconhecimento internacional.


A imprensa americana diz que Washington começou a discutir com Pyongyang sobre a soltura das duas logo após sua detenção, em 17 março. Estiveram envolvidos acadêmicos, congressistas e funcionários sêniores da Casa Branca e do Departamento de Estado.


Foram feitos contatos quase diários com familiares das detidas e em várias ocasiões com o regime norte-coreano, por meio de intermediários suecos.


Quando os EUA receberam a indicação de que um nome de peso faria a diferença, a Casa Branca sugeriu o ex-vice de Bill Clinton, Al Gore, que é dono da empresa de mídia que emprega as jornalistas. Kim, porém, sinalizou às presas preferência por Clinton. Uma vez informados da demanda, familiares e Gore se aproximaram do ex-presidente, dizem os jornais.


Convidado, o ex-presidente aceitou de imediato. Mas Clinton só entrou no avião depois que a Coreia do Norte ofereceu, no final de julho, garantias de que as jornalistas seriam libertadas se ele fosse a Pyongyang.


Ontem, Gore afirmou que o próprio presidente Barack Obama se envolveu profundamente nas discussões. Para Washington, porém, foi mais adequado caracterizar a empreitada de ‘particular’ para evitar que Pyongyang usasse a presença de um emissário americano para exigir concessões em questões nucleares..


A Casa Branca só aprovou a missão depois que Pyongyang reconheceu explicitamente que a viagem não tinha relação com seu programa nuclear.


Mas, na Coreia do Norte, a visita foi considerada oficial. E, segundo um membro sênior do governo americano, nas conversas que eles mantiveram por três horas e 15 minutos -incluindo um jantar de mais de duas horas- Clinton ofereceu ao líder comunista sua visão sobre a desnuclearização.’


 


 


SARNEY


Carlos Heitor Cony


Biografia e biografado


‘RIO DE JANEIRO – Sempre ouvi dizer que o senador José Sarney é um homem de sorte, que nasceu virado para a Lua. Chegou à Presidência da República de forma inesperada, mas legal. E muita coisa aconteceu com ele, provando que a sorte sempre esteve a seu lado. É supersticioso, entra nos aviões sempre com o pé direito, faz sinal-da-cruz quando o aparelho sobe e pousa, sai de um lugar pela mesma porta da entrada, enfim, tem dado certo para ele.


Agora mesmo, quando um tsunami invade sua praia, com a mídia consensualmente contra a sua permanência na presidência do Senado, ele tem uma prova do quanto é querido pelos formadores de opinião e pelos profissionais da sua área, que é a política. Nunca um cidadão deste país teve tanta gente preocupada com a sua biografia.


Nos últimos dias, o que mais se lê e ouve é que Sarney tem uma biografia invejável e deve renunciar à presidência do Senado para não prejudicá-la. Essa preocupação com a biografia de um político é deveras comovente (perdoem o ‘deveras’, prometo não mais usá-lo).


Tem-se a impressão de que não estão dando importância ao cargo, mas à pessoa que o exerce. Para honrar sua biografia, Sarney deveria renunciar para que a vida nacional volte à sua normalidade moral, política e administrativa.


Acontece que Sarney tem o direito de administrar a própria biografia, que é dele, e não dos outros. A Comissão de Ética analisará as denúncias contra ele e encaminhará sua decisão ao plenário que o elegeu e que poderá destituí-lo da presidência.


Para um político com a sua biografia, e que chegou ao mais alto posto da carreira republicana, ser mantido ou não no cargo atual é irrelevante. A renúncia seria o reconhecimento de que desmereceu de sua biografia.’


 


 


Janio de Freitas


A culpada decide


‘NEM A defesa do senador José Sarney e o esperado escapismo do Conselho de Ética encerram a conturbação no Senado, nem os contrários à permanência de Sarney estão preparados para efetivar o seu objetivo. Se vieram da imprensa os elementos que alimentaram o confronto até aqui, como disse com razão o discurso de Sarney, o destino do impasse estará agora, ainda mais do que antes, dependendo dos meios de comunicação..


A par da eventual continuidade de notícias utilizáveis no confronto, outra razão põe na imprensa a posição de realce. A defesa apresentada pelo presidente do Senado, com certo prejuízo pelo nervosismo excessivo, teve como preliminar a acusação de inveracidade das chamadas denúncias publicadas. Diante disso, o normal no jornalismo é o empenho de levar adiante o publicado para comprová-lo e consolidá-lo, como demonstração definitiva. Dos senadores é que não há a esperar senão o mesmo que mostraram até agora: a capacidade de manter a conturbação, cuja mediocridade pareceu a Fernando Collor de nível ainda muito alto e o fez reduzi-la a pó, em uma explosão de descontrole patético.


Como esperar algo diferente do que houve até agora? Cerca de um terço do Senado é composto por suplentes, pessoas sem nenhum voto sequer. A maioria da Casa não encontrou melhor escolha para a presidência do Conselho de Ética, e para dar o parecer inicial sobre as acusações em questão, do que um segundo suplente – Paulo Duque, que não mais se elegeu nem deputado estadual fluminense. Para a vice-presidência, um suplente, Gim Argello, com pendências graves na Justiça e empossado no lugar de um senador, Joaquim Roriz, posto em fuga para não ser cassado por improbidades.


Há referências frequentes, no noticiário, a uma tal tropa de choque do Senado. A rigor, está mais para milícia. Sua tática, iniciada ontem mesmo, é valer-se da maioria no Conselho de Ética para aprovar a invalidade das representações contra Sarney com o argumento, recolhido em decisões judiciais, de que acusações em imprensa não têm força incriminatória.


Saída que o próprio presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, prontamente fortaleceu em sua breve intervenção no Conselho de Ética, ao reconhecer gratuitamente que os adversários de Sarney apenas agitaram informações de imprensa. Pareceu mesmo que sua colaboração foi deliberada, porque a milícia governista tem nas mãos o mandato do senador Arthur Virgílio, líder do PSDB, passível de julgamento no Conselho de Ética. E, de quebra, uma ameaça latente ao mandato do peessedebista Tasso Jereissati.


Registro especial é devido à bancada do PT no Senado: definira-se pelo afastamento de Sarney para a realização de investigações, foi pressionada por Lula para mudar de posição, não o fez, e ontem voltou a confirmar, por equilibrada e segura exposição de Aloizio Mercadante, sua atitude divergente. E sem precedente.’


 


 


Folha de S. Paulo


Jornal recorre de decisão de desembargador


‘O advogado do Grupo Estado Manoel Alceu Affonso Ferreira recorreu ontem ao próprio Tribunal de Justiça do Distrito Federal contra decisão liminar do desembargador Dácio Vieira, que proibiu o jornal ‘O Estado de S.. Paulo’ de publicar informações referentes a Fernando Sarney, investigado na Operação Boi Barrica, da Polícia Federal. Ele é filho de José Sarney (PMDB-AP).


O recurso pede a nulidade da decisão de Vieira. O jornal também pede que o desembargador se declare suspeito.


O pedido foi encaminhado diretamente a Vieira. Se ele negar, poderá ser analisado por outros desembargadores. Dácio Vieira ocupava um cargo de confiança na gráfica do Senado antes de ser nomeado para o TJ-DF. Sua indicação para o tribunal teve apoio de José Sarney.’


 


 


CAMPANHA


Catia Seabra


Delúbio lança hoje revista com defesa de sua volta ao PT


‘Em campanha pela refiliação, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares lança hoje, no congresso nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), revista com depoimentos em favor de sua volta ao partido.


Expulso do PT por causa do mensalão, em 2005, Delúbio fará um breve discurso e distribuirá exemplares da revista, que exibe a íntegra de sua defesa apresentada ao partido. Nela, Delúbio alega ter atuado sob ‘pressão desmedida’ e sob amparo de ‘decisões coletivas’.


‘Essa gestão nunca foi de minha exclusiva responsabilidade. Mas, sim, deste Diretório e da Executiva Nacional’. Argumentou que sua punição impunha risco aos beneficiários dos recursos. Segundo seus defensores, os 2.000 exemplares custaram R$ 9.200.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Recorte de jornal


‘Nas manchetes dos sites e portais, a noite trouxe a sequência já esperada. ‘Conselho de Ética arquiva a primeira denúncia contra José Sarney’, começou a Folha Online. ‘Conselho arquiva três denúncias’, contou depois o UOL. ‘Conselho arquiva quatro’, contou o G1, fechando o placar.


Antes, à tarde, em meio à transmissão do discurso do mesmo José Sarney pelos canais de notícias e pelos próprios portais, os enunciados se concentravam nas declarações de que ele seria vítima de ‘campanha de imprensa’, na expressão postada por Congresso em Foco e portais, com as denúncias ‘respaldadas sem exceção por recorte de jornal’.


Na manchete do ‘Jornal Nacional’, ‘O presidente do Senado, José Sarney, diz que é vítima de campanha e o Conselho de Ética arquiva denúncias contra ele’.


SEGREDO DE JUSTIÇA


No alto das páginas iniciais dos mesmos UOL e G1, ao longo de tarde e noite, ‘Ministério Público Federal pede o afastamento e a indisponibilidade dos bens de Yeda Crusius’, governadora pelo PSDB.


No G1, ‘é resultado da Operação Rodin, que investigou o Detran’, mas os procuradores ‘não deram detalhes sobre o suposto envolvimento da governadora’. Segundo o UOL, ‘mais de 20 mil áudios dão embasamento à ação’, mas ela ‘corre em segredo de Justiça’.


Foi a segunda manchete do ‘JN’, ‘Promotores pedem o afastamento da governadora Yeda Crusius, do PSDB’.


PODRE


No enunciado do ‘Telegraph’, ‘Brasil manda o podre entulho [rotten rubbish] britânico de volta ao Reino Unido’. Na Reuters, ‘Brasil, revoltado, embarca lixo de volta para a Grã-Bretanha’. Foram 89 contêineres, 1.600 toneladas


EUA & GOLPE


Segundo o analista Kevin Casas-Zamora, da institução de política externa Brookings, de Washington, ‘os EUA estão ansiosos para que chegem as eleições em Honduras, por mais imperfeita que possa ser a solução’. Foi em ‘análise’ da Reuters que indicou a aceitação do golpe pelo Departamento de Estado.


Na mesma direção, a ‘Foreign Policy’ detalha a ação do lobby vinculado ‘ao casal Clinton’ que foi contratado pelos golpistas em Washington -como já havia noticiado o ‘New York Times’. E chega com ironia à conclusão de que o deposto ‘Manuel Zelaya pode acampar na fronteira por um bom tempo’.


TRANSPARÊNCIA, MAS


Por Agência Brasil, BBC Brasil e outras, o general Jim Jones, assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, declarou ontem em Brasília que o acordo para as bases americanas na Colômbia ‘não traz novidade’, é ‘parceria de longa data e nada mudou’, mas prometeu ‘transparência’. Declarou também que a reativação da 4ª Frota da Marinha dos EUA, que havia sido desmobilizada há 60 anos, ‘não tem por objetivo o patrulhamento do Atlântico Sul’.


De seu lado, o venezuelano Hugo Chávez, nas agências, já fala em ‘guerra’.


NÃO VAI CONSIDERAR


O Terra Magazine ouviu ‘fontes do Departamento de Estado que pediram para não ser identificadas’ e avisaram que as bases na Colômbia são ‘questão que será tratada bilateralmente’. E que a eventual oposição da Unasul, União das Nações Sul-Americanas, ‘não será levada em consideração’.


Para o analista Larry Birns, do Council on Hemispheric Affairs, de Washington, ‘os EUA começaram a prestar atenção ao fato de que Rússia, China e outros passaram a se interessar pelos bens primários’ da região.


BILL & HILLARY


Na manchete do Huffington Post, diante da repercussão que Bill Clinton obteve com a viagem à Coreia do Norte, ‘Bill rouba a cena de Hillary, de novo’. O ex-presidente foi foto e manchete de papel de ‘NYT’, ‘Washington Post’, ‘Wall Street Journal’, ‘Financial Times’ e até do estatal ‘China Daily’.


O site da ‘Economist’, com imagem de banca de jornais coreana, ironizou que ‘as fotos podem ser o aspecto mais significativo da viagem surpresa’.


FORA DO AR


Dois célebres jornalistas do ‘WP’ fizeram piada de Hillary, em vídeo de humor no site. O jornal vetou todo o projeto e até cortou o link’


 


 


VENEZUELA


Gustavo Hennemann


OEA vê liberdade de expressão sob risco na Venezuela


‘A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh), braço da OEA (Organização dos Estados Americanos), enviou ontem ao governo da Venezuela uma carta manifestando ‘profunda preocupação’ com a situação da liberdade de expressão no país.


A medida veio dois dias depois de um grupo ligado ao presidente Hugo Chávez atacar violentamente o prédio da emissora de TV Globovisión deixando ao menos dois feridos. O canal faz uma cobertura crítica ao governo e sofre ameaças de fechamento e multas.


Além de pedir a investigação do fato e a responsabilização dos culpados, a carta do Cidh critica medidas do governo consideradas como censura e cerceamento da opinião, que contrariam a Convenção Americana dos Direitos Humanos.


Produzido pelo encarregado para assuntos da Venezuela no órgão, o cientista político brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, em conjunto com a relatora especial para a liberdade de expressão, Catalina Botero Marino, o documento critica principalmente o fechamento de 34 emissoras de rádio, na última sexta, e a ‘Lei do Delito Midiático’, cujo texto ainda precisa ser analisado pelo Congresso.


De acordo com o projeto governista, quem cometer ‘delitos midiáticos’ e ‘ações ou omissões que lesionem o direito à informação oportuna, veraz e imparcial’, poderá ser preso por até quatro anos.


‘É patético. A situação [na Venezuela] chegou a tal paroxismo, que, se o governo do Brasil ou de qualquer outro país aplicasse o mesmo tipo de política, seria preciso fechar todos os canais de TV, rádios e jornais’, disse Pinheiro, desde Washington, em conversa por telefone com a Folha.


Segundo o brasileiro, ‘a impressão é de que vale tudo’ na Venezuela quando o governo argumenta que o país está em processo revolucionário.


‘O fato é que os princípios da Convenção Americana [de Direitos Humanos] não são de um processo revolucionário, mas sim da consolidação democrática’, diz Pinheiro, que tenta visitar o país governado por Chávez como enviado da Cidh desde 2004.


‘Queremos expor um processo preocupante. O ataque a bomba à Globovisión não é um relâmpago em um céu de brigadeiro, é o momento alto de uma escalada. Está em um contexto de ameaças físicas, de hostilidades, que chegaram inclusive à Corte Interamericana [de Direitos Humanos]’, disse.


Como Tarzan


Ontem, em entrevista coletiva, Chávez defendeu os esforços de seu governo para restringir a liberdade de imprensa.


‘Nenhuma liberdade pode ser ilimitada onde há leis e a Constituição. Se querem viver onde não há leis, que vão para a selva, como Tarzã’, disse.


Desde que chegou ao poder, em 1999, o governo chavista realizou 1.882 comunicados oficiais em cadeia nacional -obrigatoriamente transmitidos por todos os meios de comunicação-, segundo a Cidh.


O órgão aponta também que 89% da verba de publicidade estatal vão para veículos governistas. Ainda neste ano, a Cidh deve publicar um relatório especial sobre a Venezuela, que tratará do cerceamento da liberdade de expressão.’


 


 


RÚSSIA


Reuters


Rússia volta a julgar caso Politkovskaya


‘Começou ontem o novo julgamento de três suspeitos de participação no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, em 2006. A Suprema Corte da Rússia anulou o julgamento anterior, que os inocentara da acusação de cumplicidade em homicídio.


A jornalista era conhecida por suas reportagens críticas ao Kremlin, especialmente sobre violações de direitos humanos durante os conflitos na república da Tchetchênia.


Advogados da família da jornalista e a Promotoria protocolaram ontem uma moção que pedia novas investigações para descobrir a identidade dos mandantes e do executor do crime. Caso o juiz acate o pedido, o julgamento será adiado.’


 


 


ITÁLIA


Guy Dinmore, do ‘Financial Times’


‘Toda a Itália funciona assim’, afirma pivô de escândalo com premiê


‘Promovida de garota de programa a candidata ao Legislativo, mas depois rejeitada por aqueles que temiam a revelação de seus segredos, a história de Patrizia D’Addario, a acompanhante que narrou a noite que passou com Silvio Berlusconi, tem aspectos de novela.


Mas também existe um lado sombrio na experiência dessa mãe solteira de 42 anos que se vê como parte do ‘sistema’ na Itália, país em que empresários pagam mulheres para que entretenham políticos.


‘O sistema é assim. Toda a Itália funciona dessa maneira’, disse D’Addario de forma franca, em sua cidade natal, Bari.


D’Addario recebeu a reportagem no escritório de seu advogado. Ela diz que decidiu sair a público com o objetivo de se proteger. ‘Tive a mesma experiência com outros empresários. Outros empresários me pediram para divertir políticos.’ Indagada se eram de direita ou de esquerda, respondeu que ‘é tudo a mesma coisa’.


O escândalo que domina a Itália e abalou a coalizão de centro-direita de Berlusconi poderia não ter estourado se não fossem as gravações secretas que ela diz ter realizado de suas conversas com o magnata da mídia e premiê, na residência dele em Roma, em 2008.


Não muito depois de ter comentado em conversa telefônica a existência das gravações, o apartamento de D’Addario foi alvo de um roubo. Invasores levaram vestidos, incluindo o modelo preto e curto que usara na festa de Roma, roupas íntimas, discos e fotografias dadas a ela por Berlusconi. Ela suspeita de que buscavam as gravações, que não foram levadas.


Enquanto isso, Giampaolo Tarantini, empresário de Bari que apresentou D’Addario e outras mulheres ao premiê, a havia inscrito -segundo ela com a aprovação de Berlusconi- como candidata para as eleições ao Parlamento Europeu, em junho. Tarantini não nega ter feito a apresentação.


Mas seu futuro como parlamentar europeia desandou quando Veronica Lario, a atriz com quem Berlusconi é casado, denunciou o marido, disse querer o divórcio, o acusou de ter um relacionamento com uma adolescente de Nápoles e deplorou o uso que o marido fazia das mulheres na política.


D’Addario foi em seguida questionada por um promotor de Bari que investigava Tarantini por suspeita de corrupção e por intermediar a contratação de prostitutas. Pouco depois, ela procurou a mídia.


Ela diz que revelou sua história pelo fato de Berlusconi ter quebrado a promessa de ajudar a obter um alvará de construção, cuja ausência, conta, levou seu pai ao suicídio, a obrigou a cuidar de sua mãe e irmã e a trabalhar como acompanhante -trabalho que hoje deixou de desempenhar, pois as agências não a requisitam. Ela sente ter sido excluída por violar o código de sigilo da profissão.’


 


 


Folha de S. Paulo


Presidente nega ter proibido mídia de divulgar gravações


‘Após semanas do escândalo sexual envolvendo o premiê Silvio Berlusconi, ontem foi a vez de o presidente italiano, o ex-comunista Giorgio Napolitano, ter de dar explicações. O presidente negou ter pedido a diretores de jornais italianos que não publicassem transcrições telefônicas com novas revelações sobre episódios sexuais de Berlusconi. A acusação contra o presidente e o premiê havia sido feita pelo senador Paolo Guzzanti, ex-aliado de Berlusconi, em seu blog.’


 


 


CRISE


Folha de S. Paulo


News Corp. perde US$ 203 mi de abril a junho


‘O grupo News Corp., que pertence ao bilionário Rupert Murdoch e que é dono, entre outros, da Fox e do ‘Wall Street Journal’, teve um prejuízo de US$ 203 milhões entre abril e junho. A maior parte da perda teve relação com baixa contábil na unidade que engloba o site de relacionamentos MySpace.


Apesar do prejuízo, Murdoch afirmou que o faturamento do grupo deve voltar a se expandir nos próximos meses, já que o mercado publicitário começou a dar ‘alguns bons sinais de vida’.


Com agências internacionais’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Antena da Sky agora vai pegar canal aberto digital


‘Segunda maior operadora de TV paga do país, a Sky lançará na semana que vem uma caixa que permitirá ao cliente de seus pacotes de alta definição (HD) receber todos os canais abertos digitais disponíveis em sua cidade. A Sky tem 1,8 milhão de assinantes, 50 mil deles em HD, serviço lançado há três meses.


Será um marco na história da operadora. Como seu sinal trafega via satélite, a Sky não é obrigada por lei a carregar as TVs abertas, o que para ela, em muitos casos, é uma desvantagem, uma vez que tem de negociar com as redes para tê-las em seus pacotes. A maioria dos assinantes quer receber os canais abertos. As emissoras abertas respondem por 67% da audiência das operadoras de TV paga.


Atualmente, a Sky não tem o SBT (as duas empresas estão em negociação). A Globo não está disponível para todo o país, porque exige que o assinante de Salvador, por exemplo, receba o sinal da afiliada local.


A partir da semana que vem, a Sky oferecerá uma caixa que, conectada ao seu decodificador HD, captará todos os sinais digitais abertos da região. O assinante da Sky HD de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, terá todas as emissoras abertas com geradoras locais. Poderá ver jogos e a novela das oito da Globo em alta definição.


A caixa deverá ser oferecida de graça e não haverá extras na mensalidade. O pacote com dez canais HD continuará saindo por R$ 253,90, mesmo com os canais abertos.


O serviço deve gerar atritos. TVs abertas entendem que a Sky não pode oferecer seus sinais digitais sem negociar com elas, porque isso a valoriza.


FEIURA 1


Nova novela da Record, ‘Bela, a Feia’ estreou anteontem com 10,1 pontos de média no Ibope de Grande SP. Foi a pior estreia da emissora desde ‘Alta Estação’, em 2006 (8 pontos).


FEIURA 2


O resultado do primeiro capítulo da versão brasileira de ‘Betty, a Feia’ foi uma grande decepção. A Record esperava 20. A mexicana Televisa, 15.


LOIRA POR LOIRA


A ex-modelo Giane Albertoni substituirá Ana Hickmann no ‘Hoje em Dia’, da Record, a partir da semana que vem -estreia na quarta. Mas, no início, entrará no programa só três vezes por semana (às segundas, quartas e sextas). Ana permanecerá nos outros dois.


CALCANHAR 1


A recuperação da audiência da faixa das 19h, pela novela ‘Caras Bocas’, resolveu um problema, mas expôs outro para a Globo.. Anteontem, o ‘Jornal Nacional’ marcou 36,6 pontos, menos do que a trama de Walcyr Carrasco (37,5).


CALCANHAR 2


Ou seja, o desempenho do ‘JN’ está bem abaixo de suas marcas históricas por conta do próprio telejornal -e não porque a novela das sete entrega o horário com ibope baixo.


TROCO


Silvio Santos não conseguiu impedir que Galvão de França, diretor do ‘Show do Milhão’, trocasse o SBT pela Record. Ele agora compõe a equipe do ‘Programa do Gugu’.’


 


 


Thiago Stivaletti


Band vai adaptar novo programa argentino


‘Após duas experiências bem-sucedidas no Ibope, a Bandeirantes vai voltar a adaptar um projeto da produtora argentina Cuatro Cabezas.


‘A Liga’ estreia até março de 2010, investindo em um formato jornalístico em que quatro repórteres-atores dão depoimentos subjetivos sobre as experiências das reportagens. O programa vai usar recursos como a tela dividida para mostrar mais de uma ação ao mesmo tempo. A emissora já está selecionando os repórteres que comandarão ‘A Liga’.


Fundada em 1993 no país vizinho, a Cuatro Cabezas vem conseguindo boas audiências com adaptações nacionais de seus programas.


O pioneiro foi o humorístico ‘CQC’ (‘Caia Quem Caia’ na versão argentina, que foi rebatizado de ‘Custe o que Custar’ no Brasil). Exibido nas noites de segunda-feira, elevou a audiência da Band de 2,4 para 5 pontos no horário (comparativo das médias anuais entre 2007 e 2009).


‘É mais fácil adaptar um formato como o ‘Big Brother’, porque você pode confinar 15 pessoas em uma casa em qualquer lugar do mundo. Mas adaptar um programa humorístico é trabalhar com a alma e as idiossincrasias de um país’, compara o argentino Diego Barredo, diretor da produtora no Brasil.


‘Cansei de ouvir que o ‘CQC’ jamais daria certo aqui porque o humor do brasileiro não é refinado, ou que o brasileiro não se interessa por política.’ A bobeada das outras emissoras tem trazido boa repercussão -e uma conversa afinada entre Band e Cuatro Cabezas.


A escolha de Marcelo Tas, por exemplo, foi uma decisão conjunta entre emissora e produtora. ‘Testamos vários candidatos antes dele, mas o Tas era uma escolha natural. Ele já fazia coisas ao estilo ‘CQC’ na TV muito antes de o programa existir’, diz o diretor.


No caso de ‘E24’, um reality show sobre as operações de emergência em hospitais públicos de São Paulo, exibido às terças, a audiência foi de 2,4 para 6,2 pontos após a estreia do programa.


Cinema é luxo


Embora tenha ficado conhecida pelos projetos na televisão, a Cuatro Cabezas já chegou a coproduzir, no início da década, filmes cult na Argentina, como ‘Plata Quemada’, de Marcelo Piñeyro, e ‘O Pântano’, de Lucrecia Martel.


‘Mas o cinema hoje para a gente é um luxo. Temos muitas pretensões, mas nos falta tempo. Por ora, estamos satisfeitos com nossas propostas para a TV’, completa Barredo.


Em paralelo à parceria com a Band, a Cuatro Cabezas já produziu programas para outros canais, como ‘Rally MTV’ (MTV), ‘A Chegada do Bebê’ (Discovery Health) e ‘Histórias Secretas’ (History Channel).


CQC


Quando: às segundas, às 22h30, na Band


Classificação: não indicado a menores de 12 anos


E24 Quando: às terças, às 22h30, na Band


Classificação: livre’


 


 


LÍNGUA


Marcos Strecker


Portugueses resistem a adotar nova ortografia


‘Desde o início do ano, o novo Acordo Ortográfico já é uma realidade no Brasil. Mas em Portugal, por enquanto, não há acordo. As novas regras aprovadas no país em 2008 previam sua adoção em até seis anos. Os ministérios da Educação e da Cultura cogitaram sua rápida aplicação, de forma escalonada, já a partir de 2009. Mas o movimento contrário à reforma, iniciado ano passado, se expandiu e provoca dúvidas.


Um abaixo-assinado contrário ao acordo, liderado pelo tradutor e ex-deputado Vasco Graça Moura, alcançou mais de 113 mil assinaturas. A petição ‘Manifesto em defesa da língua portuguesa contra o Acordo Ortográfico’ foi apreciada por uma comissão parlamentar, onde um relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado recomendando a apreciação pela Assembleia Nacional. Isso ocorreu em maio passado. Na ocasião, a maioria governista descartou rever a sua aplicação.


O movimento contrário aposta nas eleições legislativas de setembro para conseguir força política e forçar a revisão.


Editoras


Os dois maiores grupos editoriais do país (Leya e Porto Editora) ainda não têm planos de adotar a nova ortografia.


Principal crítico do acordo ortográfico em Portugal, o tradutor Vasco Graça Moura diz que o grande número de assinaturas que conseguiu reunir já era esperado. ‘Não se esqueça de que dispomos de nove pareceres qualificados contra o Acordo, não havendo nenhum a favor dele’, afirmou.


Graça Moura diz que a petição antirreforma continua aberta à subscrição e calcula que dentro de alguns meses as assinaturas terão duplicado. ‘É sintoma da indignação geral que o Acordo vem causando.’


O político acha que a discussão está longe de terminar. ‘Considero que é possível evitar a adopção [ele pediu para manter o ‘p’ mudo na grafia da palavra] de um documento absolutamente aberrante em Portugal’, disse. ‘É certo que o acordo não foi adoptado em Angola, nem em Moçambique, nem na Guiné-Bissau, pelo que não vale nada como acordo internacional e não pode considerar-se em vigor. Sem contar que adoptá-lo nessas condições seria estimular o fosso ortográfico que tanto se dizia querer evitar.’


Graça Moura diz que o acordo é inconstitucional e beneficia sobretudo o Brasil, já que as adaptações são menos numerosas aqui. Para o tradutor, ‘o Brasil quase não teve de fazer cedências e vê abrir-se a porta de grandes mercados à sua indústria editorial e a um reforço de influência política e cultural no plano transcontinental’.


O professor de linguística portuguesa e de fonologia António Emiliano, da Universidade Nova de Lisboa, diz que a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa neste ano, pela Academia Brasileira de Letras, contraria o segundo artigo do acordo assinado em 1990, que previa uma edição comum aos países.


Diante das críticas, a Academia das Ciências de Lisboa divulgou em 25 de junho um comunicado se comprometendo a lançar uma edição portuguesa do ‘Volp’ até o final do ano.


‘Isso não satisfaz. O ‘Volp’ brasileiro e o que a Academia das Ciências de Lisboa tenciona elaborar até ao fim do ano não cumprem os quesitos do acordo’, diz Emiliano.


Segundo Graça Moura, ‘a edição do ‘Volp’, se chegar a ser feita, não pode escamotear a questão do vocabulário científico e técnico também exigido pelo Acordo’.’


 


 


Bechara defende o Vocabulário Ortográfico e chama crítica de ‘balela’


‘O linguista e acadêmico brasileiro Evanildo Bechara, responsável na Academia Brasileira de Letras pelas novas regras, qualificou as críticas de ‘balela’ e disse que hoje ‘é moda falar mal do acordo’. Afirmou à Folha que as manifestações são ‘coisa de quem quer ter os seus cinco minutos de fama’ e que ‘está convicto do sucesso da reforma’.


Bechara não aceita as críticas contra a edição de um Vocabulário Ortográfico pela ABL, sem a participação dos outros países lusófonos. ‘Quem diz isso não leu o artigo 2º [do acordo de 1990]. O que se fala sobre isso é uma mentira, as pessoas usam esse artifício para fazer críticas ao acordo. A decisão da ABL de publicar o ‘Volp’ está de acordo com a reforma, isso é um jogo baixo.’


O artigo diz que ‘os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração (…) de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas’.


Segundo Bechara, a edição brasileira não ‘atropela’ a publicação comum e faz somente a normatização de ‘terminologias científicas e técnicas, como a geográfica’, sem interferir nas normas do acordo.


‘Isso [o movimento contrário em Portugal] não vai dar em nada. Esse acordo é entre governos, nasceu das academias.’


Para Bechara, ‘essa mania portuguesa de subscrever documento e memorial sobre ato do governo a respeito da ortografia é coisa antiga’. Ele cita polêmicas que aconteceram desde a reforma de 1911, ‘um testemunho centenário’.


O linguista português António Feliciano critica a supressão das chamadas consoantes mudas (‘c’ e ‘p’ em posição final de sílaba gráfica). Para o português, ‘esta injustificada supressão tem consequências desastrosas para a norma europeia. Destrói dígrafos (grafias compostas por duas letras) como ‘ac’ ou ‘ec’ em centenas de palavras e aumenta exponencialmente o número de palavras graficamente irregulares’.


Bechara rebate a crítica. ‘Em todas as reformas há os que concordam, os indiferentes e os inimigos. Eu prefiro a audácia dos portugueses do século 16 aos de hoje que estão atrás de uma consoante que não se pronuncia e não tem valor linguístico.’’


 


 


INTERNET


Malu Delgado


‘Big Brother’ on-line desafia novos escritores


‘Com base em duas premissas – a primeira, de que os reality shows provocam certa repulsa, mas inevitavelmente fisgam um número assustador de telespectadores; e a segunda, de que o computador é um vício contemporâneo opressor, porém imprescindível para a cultura do século 21-, o escritor e jornalista cipriota Constantine Markides, 32, lançou um projeto inovador em que mistura esses tais ‘pecados’ do novo mundo com uma espécie de ‘absolvição’ invocada desde os primórdios da humanidade: a literatura.


Markides é o fundador do blog Fourth Night/ Fourth Fiction (www.fourthnight.com), que ‘hospeda’ o que ele considera ser o primeiro reality show literário da rede -outras ideias similares já foram tentadas, mas não com a mesma concepção, tampouco com os mesmos critérios. Da competição, que foi lançada oficialmente na terça, participam 12 escritores que não são celebridades e usam pseudônimos para evitar reações de amor e ódio dos fãs.


O projeto termina no dia 4 de dezembro, quando apenas um escritor terá sobrevivido às vorazes críticas e ‘paredões’ dos leitores desse ‘Big Brother’ cibernético. As postagens dos votos para eliminação vão ocorrer nos dias 4, 14 e 24 de cada mês. Ao final da competição, o vencedor terá escrito 12 capítulos de uma ficção.


O jornalista, graduado em filosofia pela Columbia University e com mestrado em literatura inglesa pela University College of London (UCL), disse à Folha que trabalha na concepção do projeto há um ano e meio. ‘Essa ideia surgiu quando eu terminava o meu mestrado na UCL, com ênfase na literatura revolucionária do século 20. Desde então, comecei a pensar em como a literatura se desenvolve e como será revolucionária -no sentido de rupturas, alternativas, de novas abordagens- ao longo do século 21’, afirmou.


Segundo ele, a cultura deste século é extremamente interativa e qualquer pessoa envolvida no mercado literário -sejam editoras ou escritores- está ciente de que é preciso criar novas maneiras de tornar a literatura disponível via on-line. O voyeurismo e o exibicionismo dos reality shows, assim como as novas tecnologias, afirma Markides, estão introjetados na cultura contemporânea. ‘Comecei a pensar em como a literatura pode e está sendo absorvida por tudo isso’, explicou o blogueiro.


‘Se formos honestos, temos que admitir que, embora os reality shows sejam ridículos e detestáveis, eles inevitavelmente nos fascinam. Eles são a versão moderna das lutas de gladiadores romanos. O ser humano tem esse desejo inconfesso de ver pessoas sendo atiradas aos leões. É por isso que os reality shows são repletos de manipulação, jogos sexuais, narcisismo, competição e fofocas’, disse Markides.


‘O Fourth Fiction, apesar do tom sarcástico em relação aos reality shows, também tem como intenção entender o nosso desconforto em como nós gastamos o nosso tempo com as nossas próprias invenções.’


Nem um tostão


Aos leitores, Markides promete diversão genuína e a chance de deixar a imaginação viajar para além das telas do computador. Aos escritores, nada. Eles não vão receber um tostão pelo projeto -estão fazendo isso pelo prazer de escrever e pelo interesse em testar uma nova forma de comunicação. Nenhuma promessa miraculosa foi feita.. Há contatos com editoras em andamento, mas o blogueiro, honestamente, não vende um peixe maior que o pescado.


‘Existe o interesse de editoras em publicar o romance do vencedor, mas isso vai depender do número de acessos e da receptividade do projeto’, admite o jornalista.


O projeto também abrangeu testes no Twitter. De 4 de julho até hoje, o criador do projeto permitiu que os escritores usassem o Twitter (@fourth fiction) para se apresentar aos leitores. Eles também usaram a rede de microblogs para responder a dez desafios literários feitos por Markides.


Por exemplo: escreva um post (no tamanho dos do Twitter, com 140 caracteres) sobre uma história que tenha um ato de canibalismo; ou escreva uma cena de sexo que contenha um título de uma música do Michael Jackson; ou crie um final alternativo para a história dos Três Porquinhos. Para os interessados em votar, participar ou gastar o tempo com literatura on-line, é só acessar.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 6 de agosto de 2009 


 


SARNEY


Fausto Macedo


‘Estado’ pede que juiz se declare suspeito no caso


‘O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira requereu ontem ao desembargador Dácio Vieira, que censurou o jornal O Estado de S. Paulo, que imediatamente se declare suspeito para tomar decisões no processo em que é parte Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A exceção de suspeição foi protocolada às 17h38 na distribuição do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, onde atua o desembargador.


O advogado pede a Vieira que envie o feito à redistribuição. ‘A Vossa Excelência impõe-se, como indeclinável encargo, o de jurisdicionar com independência’, assevera o advogado do Estado. Na hipótese de Vieira não reconhecer que é suspeito, Affonso Ferreira requer que a exceção seja submetida ao julgamento do TJ, segundo o regimento interno da corte.


A assessoria do tribunal informou que o desembargador não iria decidir ontem sobre o pedido de O Estado.


Vieira, no dia 30, concedeu liminar a agravo de instrumento contra decisão da 12ª Vara Cível de Brasília em ação inibitória por meio da qual o filho de Sarney pretendia que o Estado fosse proibido de publicar dados relativos a ele. O desembargador impôs ao jornal sanção pecuniária de R$ 150 mil ‘por cada ato de violação do presente comando judicial’.


O advogado sustenta que ‘face às especificidades do recurso e da causa que lhe deu origem (Vieira) é duplamente suspeito, na ótica da amizade que o liga ao autor (Fernando) e à sua família, mas igualmente comprometido porque interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes’.


CÓDIGO


Seu pedido é amparado no artigo 135 do Código de Processo Civil, que define situações de suspeição. (‘Íntima diz-se a amizade quando há laços afetivos, notórios ou não, mas verificáveis por fatos de estreita solidariedade, que possam influir no julgamento pela determinação psicológica, consciente ou inconsciente.’)


O advogado Affonso Ferreira observa que o legislador destacou que a suspeição se dá ‘pela convivência freqüente, familiaridade no tratamento, prestação repetida de obséquios e outras manifestações de acentuada estima’.


Ele ressalta que o desembargador, durante ‘largo período’, desde 1º de agosto de 1986, prestou serviços ao Senado, inicialmente na assessoria jurídica do Centro Gráfico (Cegraf), depois passando a titular do cargo de consultor jurídico.


Vieira atuou também na Consultoria-Geral da Casa, entre 1990 e 1991, e, por designação especial, foi colocado à disposição da Presidência do Senado.


No texto da exceção, Affonso Ferreira anota que, ‘em contraponto’, José Sarney, ‘em função de seu poderio político e influência nas esferas governamentais’, ocupa pela terceira vez a presidência do Senado..


O advogado ressalta que Vieira, enquanto funcionário do Senado, exerceu funções ‘concomitantemente àquelas implementadas por Agaciel Maia, outra das importantes figuras imiscuídas no que é conhecido como o ?escândalo do Senado?’. ‘Tudo isso faz presumir que apontada ?amizade? com o autor (Fernando Sarney) efetivamente existe e é estreita.’


Affonso Ferreira afirma que o desembargador, ‘ainda que esse não seja o seu propósito, há de ser entrevisto como interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes’.


O advogado sustenta que Vieira proibiu o Estado de informar seus leitores sobre acontecimentos que ‘são de manifesto interesse público e que, nem sequer de raspão, transgridem privacidade alguma’. ‘O juiz melhor é o que oferece maior garantia de imparcialidade.’


TRECHOS DA PETIÇÃO


Ligações


‘Sendo Vossa Excelência, mercê da carreira funcional pretérita, afetiva e estreitamente ligado ao senador Sarney, pai de Fernando, ainda que involuntariamente passou a ser interessado na vitória judicial do filho demandante. É que o interesse ao qual a lei buscou tolher quando forçou a suspeição pode expressar-se em mero interesse moral, consistente em ?pressão psíquica sobre o juiz? , pressão essa que Vossa Excelência certamente sentiu, diante dos sólidos e antigos laços com o pai, ao despachar o recurso interposto pelo filho, e que assim prosseguirá experimentando caso nele se mantenha.’


Imparcialidade


‘Alegada transgressão inocorreu. A não ser que aos agentes do Parlamento se tenha concedido, em ignota e desconhecida passagem da Constituição, a perversa e satânica prerrogativa de, sob o escudo da vida privada e lançando às urtigas a solar visibilidade e a ortodoxa transparência daqueles servidores reclamadas, impunemente escamotearem aquilo que fizeram em benefício pessoal, ou no dos seus parentes e afins, nessa reprovável conduta arrostando, sem mínimo pudor ou elementar constrangimento de consciência, os recursos da coletividade e os valores éticos do Estado Democrático de Direito.’


Suspeição


‘A Vossa Excelência impõe-se, como indeclinável encargo, o de jurisdicionar com independência. E assim aqui não poderá atuar, porque suspeito no tocante ao conflito forense do qual participam no processo, ou à margem dele mas sempre contígua e lindeiramente, pessoas às quais esteve ou ainda está ligado, tudo portanto obrigando-o a que, reconhecendo essa achavascada suspeita, decline da jurisdição recebida. Vossa Excelência mantém com o senador Sarney e Agaciel Maia convívio sócio-familiar tanto que não hesitou em se deixar fotografar pelas colunas sociais ao lado de ambos.’’


 


 


GAMMA


Andrei Netto


Ícone da fotografia corre o risco de falência


‘Um ícone do fotojornalismo dos anos 70 e 80, a agência francesa Gamma, uma das mais respeitadas do mundo, está enfrentando o risco iminente de falência. A empresa, fundada em 1966 por Raymond Depardon e Jean Lattès, teve a concordata decretada no fim de julho e recebeu um prazo de seis meses do Tribunal de Comércio de Paris para pagar as dívidas e encontrar novos investidores. A crise, segundo seus atuais proprietários, é causada principalmente pela redução do espaço para as grandes reportagens na mídia global.


Os problemas financeiros foram externados em 30 de julho, quando o Grupo Eyedea Presse, proprietário da agência, fez o pedido de concordata no Tribunal de Comércio de Paris, depois de experimentar perdas de 3 milhões em 2008.


A Gamma e a Rapho – a mais antiga agência de fotojornalismo da França, propriedade do mesmo grupo – empregam hoje 55 pessoas, dos quais 14 fotógrafos. Junto com o pedido de concordata, a Justiça designou um administrador judiciário, que terá a missão de analisar o plano de recuperação a ser elaborado pela companhia. Um programa de demissões voluntárias está previsto. Caso o esboço não seja aceito pela Justiça, ofertas de aquisição serão consideradas, antes da eventual falência.


Ao lado das agências Sygma e Sipa, a Gamma passou a ser referência no jornalismo europeu pouco após sua criação. Sua estratégia era investir em fotos de personalidades, ao mesmo tempo em que fazia grandes reportagens, muitas das quais em zonas de conflito em todo o mundo. Além disso, abrigava em seus quadros profissionais que se tornaram referências internacionais, entre os quais o brasileiro Sebastião Salgado, entre 1975 e 1979.


De acordo com o diretor-presidente de Eyedea, Stéphane Ledoux, parte das dificuldades financeiras está relacionada justamente ao seu modelo de negócios. ‘A imprensa não se interessa mais pelos temas profundos, cuja produção custa caro e é vendida cada vez mais barata’, argumenta.


A crise também teria se aprofundado a partir de dezembro, quando a imprensa norte-americana, também prejudicada pela crise do setor, reduziu os pedidos de pautas.


Hugue Vassal, fotógrafo e um dos fundadores da agência, entretanto, tem outra análise para a concordata. Para ele, a mudança na forma de pagamento dos profissionais, que previa a divisão do lucro de uma foto em 50% para a agência e 50% para o fotógrafo – um modelo do qual a Gamma fora uma das pioneiras -, teria diminuído o interesse de grandes fotógrafos, resultando em queda da qualidade.


Outra razão, segundo Vassal, teria sido o advento da foto digital. ‘Hoje, em uma guerra ou em um terremoto, teremos a foto de todo modo. Na época, vendíamos uma reportagem por 15 mil. Hoje, vende-se por 3 mil. A época de ouro acabou.’


Mesmo com a turbulência financeira, o destino da Gamma não está selado. Além do prazo de seis meses para buscar novos investidores, a agência deve contar com o suporte do governo francês. O sinal foi dado pelo ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand, ao afirmar que está ‘à escuta dos profissionais nesse momento difícil’.’


 


 


INTERNET


Brad Stone e Ashlee Vance, The New York Times


Yahoo enfrenta crise de identidade


‘Carol A. Bartz, diretora executiva da Yahoo, anda capengando. Há três semanas, ela passou por uma cirurgia para a colocação de um joelho esquerdo novo, de titânio e plástico. Por isso, anda mancando na sede do Yahoo; de vez em quando fica em pé, apoiada a uma cadeira e estica a perna. Ao seu lado, na mesa de trabalho, há um vidrinho de um potente analgésico.


O Yahoo também passou por uma cirurgia invasiva, recentemente, quando vendeu sua operação de busca para a Microsoft por uma parcela inicial de 88% da receita das buscas num acordo de dez anos de duração. Desde a conclusão do negócio, na semana passada, o Yahoo também está capengando, porque os investidores ficaram desapontados e indagam se Bartz não poderia ter conseguido condições mais favoráveis, enquanto as ações da Yahoo estão em queda de mais de 15%.


Em uma longa entrevista concedida antes de sair de férias, Bartz disse que vendeu a operação porque o Yahoo não podia mais continuar tentando chegar ao patamar de investimentos que a Google e a Microsoft estavam fazendo em buscas, um dos negócios mais lucrativos e tecnologicamente mais complexos da Internet.


Reduzindo os custos de marketing e infraestrutura relacionados à busca, o acordo também proporcionará recursos que o Yahoo poderá utilizar para sustentar outras operações. Bartz planeja investi-los em banners, conteúdo e tecnologia de serviços móveis do Yahoo.


‘Minha primeira reação quando cheguei aqui’, ela disse, ‘foi nunca fazer um acordo na área de busca enquanto não tivesse noção da nossa estrutura de gastos, de nossas reais opções, e enquanto não analisasse a fundo o que seria nossa função fundamental, ou seja, aumentar o número de consultas do público.’


CORTES


Com o acordo, o Yahoo perderá alguns dos seus mais talentosos engenheiros para a Microsoft e nada menos que 400 funcionários serão demitidos. O acordo também liquida anos de investimentos em tecnologia de busca. Com a venda das joias da coroa da área tecnológica, a companhia também poderá perder em parte a credibilidade em alta tecnologia entre seus funcionários e clientes.


Mas a operação fundamental do Yahoo permanece intacta, segundo Bartz. ‘Não despedaçamos a companhia’, afirmou.


Considerando os reiterados ataques feitos à empresa pelos investidores, Bartz lamentou que o Yahoo e a Microsoft não tenham explicado melhor seu relacionamento a Wall Street.


E reconheceu sua culpa por um comentário que fez anos atrás, em uma conferência do setor, quando disse que a Microsoft teria de pagar ao Yahoo ‘muito dinheiro’ para conseguir sua operação de busca. A afirmação, ela disse, consolidou a expectativa de que o Yahoo receberia US$ 1 bilhão ou mesmo mais de entrada como parte do acordo.


‘Nunca vi os investidores tão zangados’. O presidente executivo da Microsoft, Steven A. Ballmer, fez o possível para defender o acordo em favor do Yahoo. Na semana passada, ele disse a um grupo de investidores reunidos na sede da Microsoft que era ‘quase inacreditável’ que o Yahoo tivesse conseguido manter uma porcentagem tão elevada de vendas de anúncios e não gastasse nada em infraestrutura para gerir a operação de busca.’


 


 


 


 


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