Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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ENTRE ASPAS >

Laura Mattos

25/05/2004 na edição 278

‘Os direitos do roteiro que deu origem à novela ‘Roque Santeiro’, de Dias Gomes, foram comprados por uma produtora, que pretende transformá-lo em filme.

Com título original de ‘O Berço do Herói’, o texto foi criado para uma encenação teatral, em 1965. Censurado pela ditadura militar, sofreu uma readaptação para novela da Globo em 75, que também acabou proibida pelo governo. Só pôde ir ao ar dez anos depois.

A negociação entre os herdeiros do escritor (morto em 99) e a Master Shot Filmes ocorreu há pouco mais de uma semana, segundo Vicente Miceli, sócio da produtora. De acordo com ele, a marca ‘Roque Santeiro’ é da Globo. Assim, o filme, que entra em produção em 2005, só poderá levar esse título se houver uma parceria, o que está nos planos de Miceli. Há a possibilidade de a Globo Filmes -braço cinematográfico do grupo- entrar como co-produtora. O acordo poderia facilitar ainda a contratação dos mesmos atores que estavam na telenovela.

Aniversário

A histórica trama das oito, protagonizada por Regina Duarte (viúva Porcina), Lima Duarte (sinhozinho Malta) e José Wilker (Santeiro), bateu recordes de audiência na TV. Sua adaptação para longa-metragem estava nos planos da Globo, para a comemoração de seus 40 anos, em 2005.

A emissora acabou optando por ‘Guerra dos Sexos’, segundo Jorge Fernando, que a dirigiu com Guel Arraes, em 1983. A estréia do filme, diz o diretor, se dará na ‘Tela Quente’ da semana do aniversário, em abril. Há planos de levá-lo às salas de cinema quatro meses depois, numa rara inversão da indústria cinematográfica, na qual a exibição na televisão aberta costuma ficar em último lugar.

A decisão por ‘Guerra dos Sexos’, conta Jorge Fernando, foi tomada há pouco mais de uma semana. ‘Já é fase de produção. Estamos marcando uma reunião com Paulo Autran e Fernanda Montenegro para tentar acertar a participação deles’, disse à Folha o diretor, que acaba de reestrear sua peça ‘Boom’ em São Paulo.

Os atores protagonizaram a novela, marco do horário das 19h pelas célebres cenas de comédia pastelão. Eles interpretavam Otávio e Charlô, primos que tiveram um romance na adolescência, mas que se transformaram em inimigos numa disputa por herança. Representaram brigas memoráveis, como a que um joga uma torta na cara do outro. ‘Essa, com certeza, estará no filme.’

O diretor diz, no entanto, que o projeto estará de pé mesmo que não seja possível contar com eles.

A novela foi escrita por Silvio de Abreu e o consagrou como um ‘autor de inovações’. Após o sucesso da trama, o humor se consolidou no horário das 19h. O próprio escritor voltou ao tom cômico em outros sucessos das sete, como ‘Cambalacho’ (1986) e ‘Sassaricando’ (1987/88).’



BAIXARIA NA TV
Esther Hamburger

‘TV precisa de alternativas à violência’, copyright Folha de S. Paulo, 19/05/04

‘Como representar a violência sem contribuir para aumentá-la ou ocultá-la? Ao contrário da vigilância centralizada de que falava Michel Foucault, a difusão contemporânea excessiva de violência sugere uma espécie de panóptico ao contrário.

Grupos e exércitos atuantes nas regiões onde o conflito étnico e religioso tornou-se endêmico apostam em uma espécie de guerrilha audiovisual, estratégia tão ou mais importante que a disputa bélica. Os atentados cinematográficos feitos para a televisão em 11 de setembro de 2001 são, é claro, o exemplo mais acabado dessa técnica pós-moderna de intervenção simbólica.

Mas a disputa pelo controle dos mecanismos de produção e circulação da representação vai além dos grandes eventos. A cada dia o estoque internacional de imagens de violência radical se renova.

A última semana foi rica em exemplos escabrosos de uma variedade obscena de técnicas de tortura. As fotos oficiais de corpos nus de prisioneiros iraquianos humilhados continuam a ser exaustivamente exibidas nas TVs do mundo inteiro.

O contra-ataque na forma de degola on-line seguiu o mesmo caminho, invadindo o espaço doméstico. Explosões cotidianas ao redor do mundo garantem uma repercussão que contrasta com a relativa invisibilidade da chaga brasileira.

Aqui não há facções que clamem por atentados. Não há ‘imagens de impacto’ dos policiais que invadiram um supermercado na zona leste paulistana, matando ‘por acidente’ a dona Raimunda Furtado, que fazia compras no último domingo. Ela caiu sem socorro. Ou dos misteriosos assassinos que, na calada da noite, acertaram oito tiros em Luís Pereira do Nascimento, o ex-interno da Febem que acabara de lançar um livro em co-autoria com outros colegas de internato.

Tampouco visualizamos o funcionário fantasma de uma empresa de segurança privada que matou à queima-roupa e à luz do dia um estudante em uma praça do Alto de Pinheiros na capital paulista. A falta de imagens deveria estimular a pesquisa de formas de representação que contribuam para eliminar a demanda diária da mídia por doses crescentes de sangue. Esther Hamburger é antropóloga e professora da ECA-USP’



Laura Mattos

‘Record ameaça deputado ‘antibaixaria’’, copyright Folha de S. Paulo, 23/05/04

‘Chegou ao fim o clima de conciliação e a ‘guerra’ foi declarada. A TV Record enviou ofício à corregedoria da Câmara e ao deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), coordenador da campanha ‘antibaixaria’ na televisão, ameaçando processar o parlamentar.

A emissora reclama do fato de a campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania ter solicitado às Casas Bahia que deixasse de anunciar no ‘Cidade Alerta’ ou que se mostrasse contrária ao conteúdo do telejornal.

O policialesco da Record faz parte do mais recente ‘ranking da baixaria’, organizado com base em denúncia de telespectadores. Além das Casas Bahia -uma das principais fontes de renda das redes de TV-, outros 13 anunciantes receberam solicitação semelhante no mês de março.

Na carta à corregedoria, datada de 13 de maio, a Record acusa Fantazzini de usar de ‘poderes conferidos ao Ministério Público’ para acusar o programa de inadequado ao horário livre. A emissora afirma que o pedido às Casas Bahia foi um ‘desrespeito moral e jurídico’, coisa de ‘regime totalitário’. Diz que não teve direito de defesa e que foi julgada e condenada ‘de acordo com critérios pessoais’ do deputado. Afirma que os prejuízos são evidentes, ainda mais nesta época ‘em que muito tem se valorizado as ‘empresas politicamente corretas’.

Pede que a corregedoria da Câmara impeça que ‘tais procedimentos se repitam’, caso contrário, ameaça tomar medidas judiciais contra Orlando Fantazzini.

Para o deputado, o ofício da Record é ‘uma tentativa de intimidá-lo’. ‘A emissora sabe como funciona a campanha, até porque há um representante deles, o Roberto Wagner, na comissão.’

Segundo o parlamentar, a campanha não reflete suas opiniões pessoais, pois conta com o apoio de 60 entidades, entre elas a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). ‘Não estamos obrigando nenhuma empresa a deixar de anunciar. O anunciante acata nossa solicitação se quiser, mas sabe que há por trás dela uma pressão da sociedade civil.’

O deputado acusa a Record de pretender usar seu ‘poder econômico para acabar com a campanha’. ‘Eles querem continuar ganhando dinheiro explorando a miséria e a violência’, afirma.

As Casas Bahia não se pronunciaram sobre o assunto. Procurada pela Folha, a Casa de Imprensa, responsável por sua assessoria, afirmou que a resposta deveria ser dada pela Young & Rubicam, sua agência de publicidade. Esta, por sua vez, solicitou que a Folha procurasse a Casa de Imprensa.’



MTV
Laura Mattos

‘MTV elabora canal de clipes 24 horas’, copyright Folha de S. Paulo, 23/05/04

‘Aqueles saudosos dos tempos em que a MTV Brasil era praticamente um canal de clipes podem torcer: na próxima sexta-feira, será apresentado à cúpula da rede brasileira o projeto da MTV2, com 24 horas de videoclipes.

A emissora, já presente nos Estados Unidos, seria veiculada no Brasil em televisão por assinatura, ao contrário da MTV -um sinal aberto, transmitido por UHF.

‘O mercado de TV paga começa a reaquecer no país, e esse projeto passa a se tornar mais viável’, disse à Folha André Mantovani, diretor-geral da MTV Brasil.

O canal musical entrou no ar no país em 1990 e hoje tem uma programação de variedades, com ‘reality shows’ (‘Família MTV’), humorísticos (‘Hermes e Renato’), debates (‘Meninas Veneno’), entre outros gêneros.

Fora videoclipes, a MTV2 teria só algumas inserções de notícias, provavelmente as mesmas produzidas para a MTV Brasil.

Mantovani afirma que a criação desse canal é bem mais provável atualmente do que a do VH1, uma espécie de ‘MTV adulta’, pertencente ao mesmo grupo empresarial da emissora musical.

Com a audiência consolidada nos EUA e em países da Europa, o VH1 já tem segmentações como o Country, Classic, Megahits e Soul. No mês passado, ganhou a versão Latin America e é distribuído por TV a cabo para México, Argentina, Venezuela e República Dominicana. Em breve, deverá chegar a Chile, Bolívia e Caribe.

É um canal com videoclipes e programas sobre a vida de artistas e outros ídolos pops. Exibe, por exemplo, o ‘Behind the Music’ (Por Trás da Música) e o ‘The Fabulous Life of…’, que pode contar desde a vida dos filhos da princesa Diana até a da patricinha norte-americana Paris Hilton.

Dirigido a um público dos 25 aos 49 anos, tem uma carga menor de lançamentos do que a MTV e veicula clipes mais antigos, dos anos 70, 80 e 90. Rola até o lendário ‘We Are the World’.

A versão Latin America é comum a todos os países. Por isso são contemplados apenas astros latinos famosos internacionalmente, como o porto-riquenho Rick Martin, a colombiana Shakira e o grupo mexicano Maná.

A rede é uma ‘continuidade’ da MTV, voltada a jovens de 14 a 24 anos -a qual, por sua vez, mira os telespectadores que deixam o infantil Nickelodeon, outro canal do mesmo conglomerado.

O VH1 não tem VJs, considerados ídolos dos teens. Apesar disso, demanda produção, principalmente em razão do número de programas com tom de documentário. ‘Esse é um dos motivos que tornam hoje o VH1 menos provável para o Brasil do que o MTV2, um canal que, por ser 24 horas de videoclipes, exige menos estrutura, uma equipe bem menor’, diz André Mantovani.

O diretor-geral da MTV Brasil afirma acreditar que um VH1 em português teria audiência no Brasil e não está totalmente descartado. Mas seria um projeto de longo prazo, ‘para um outro cenário do mercado televisivo’.

Um dos fatores que devem favorecer a aprovação do MTV2 é a digitalização das principais operadoras de cabo do país, Net e TVA, prevista para o mês de agosto. Com a nova tecnologia, o espaço para canais deverá dobrar. Diante disso, o Multishow também já estuda a criação do Multishow2.’

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