Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

TV EM QUESTãO > BEM ESTAR

Médicos midiáticos

Por Bianca Alighieri em 29/03/2011 na edição 635

O Bem Estar, novo programa das manhãs da Globo, consolida na televisão brasileira a presença de um novo profissional: os médicos midiáticos. Convidados para participar ao vivo de programas matinais em rede nacional, eles mostram tanta desenvoltura diante das câmeras como a que têm com seus ramos de atividade. Se antes eles dirigiam a palavra apenas aos apresentadores, hoje eles falam diretamente com o telespectador. Cara a cara, como em um consultório médico. A desenvoltura é tanta que eles se sentem à vontade até mesmo para interromper os apresentadores quando os mesmos tentam roubar-lhes a função de especialista autorizado.

Os médicos midiáticos são o resultado de um processo que a televisão brasileira tem vivido nos últimos – o de entrar na casa dos brasileiros com ainda mais intimidade. Acredito que estamos diante de um processo renovatório por meio de estratégias de contato que buscam romper com antigas lógicas de produção centradas na figura de um apresentador sisudo. Não que os novos apresentadores não devam passar confiança ao telespectador, mas, nos novos tempos, só a presença deles não é garantia de credibilidade.

Entretanto, a desenvoltura dos profissionais midiáticos pode confundir o público. Afinal são médicos ou apresentadores? Para distingui-los, os programas lançam mão de um artefato simbólico: o jaleco branco. Símbolo da autoridade médica, que os legitima enquanto ‘doutores’.

‘Mídia Training’

Um caso notável é o do médico Guilherme Furtado, do programa Mais Você. Sua intimidade com o mundo midiático já atingiu níveis tão profissionais, que até de repórter ele já atuou. O médico troca o jaleco branco por uma vestimenta hospitalar, usada, em geral, por médicos que trabalham em hospitais, e apenas em ocasiões específicas, quando é preciso uma intervenção ou um procedimento além do clínico. Mais médico do que isso, só se o jovem pendurasse o diploma de Medicina no pescoço.

Pois bem, observam-se mudanças não apenas no modo de fazer televisão, como também nos currículos de Medicina. Não estranhem se adicionarem à grade curricular das escolas de Medicina uma disciplina chamada ‘Mídia Training’. E, médicos, não esqueçam, para ser consultor em programas de TV não basta ser competente; é preciso incluir no currículo a seguinte qualificação: ‘experiência em falar diante das câmeras’.

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Jornalista e mestranda em Comunicação na Unisinos

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/04/2011 Eduardo França

    A Globo é o mal supremo do mundo… ok, isso não é exatamente verdade, embora muita gente afirme que seja. (espero que não cortem esse comentário por isso, galera da censura)
    Embora existam sim programas interessantes na tv aberta, sua presença é tão ínfima que ninguém pode culpar aqueles que fazem questão de simplesmentene não assistir tv aberta.
    (Com CNN, History Channel, National Geographic e Discovery, quem assiste Zorra (mental) Total?)
    Mas não podemos culpar só as emissoras, elas passam o que o grande público quer ver e é necessário admitir que o brasileiro médio está mais próximo do nivel cultural daquele Pedreiro que trabalhou na sua casa do que um ganhador do Nobel de Literatura.
    Gostaria, antes de terminar esse comentário quilométrico que, felizmente, niguém vai ler, digo, gostaria de comentar que, não fosse o engessamento de nossas instituições educacionais, esse encontro de áreas, a priori, tão distantes, seria algo corriqueiro e sem dúvida um dos maiores avanços educacionais das últimas décadas.
    Não compreendo porque um estudante de exatas não deceria ser aconselhado a estudar arte, as vantagens podem não ser aparentes, mas estão lá.

    P.S.:

    Gostaria de escrever uma (mais) matérias para o observatório, é possível?

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