Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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CADERNO DO LEITOR >

Mídia estilo Caras

09/03/2004 na edição 267

A hipocrisia da imprensa me deixa indignado, e a cada dia sinto mais vontade de abandonar esta profissão. É engraçado como a maioria dos jornalistas faz de tudo (inclusive entrar em acordo com interesses escusos) só para obter informação inédita. Para mim, ninguém está interessado em informar o leitor ou propor a ele um debate sério sobre a situação política do país. Não há jornalismo realmente investigativo no Brasil. Não vejo muita diferença entre os que cobrem política e os que cobrem o mundo das celebridades. Por que ninguém fala mais do assassinato dos fiscais do trabalho em Unaí? É que o assunto não está mais em pauta, na moda… o quente agora é o caso Waldomiro, de que daqui a um mês ninguém, principalmente a imprensa, vai falar mais.

Ulisses de Freitas, jornalista, Brasília



Filosofia simplória

Mais uma vez o Dines tem toda a razão. Mas há um detalhe que parece escapar dos objetivos de cobertura da nossa imprensa. A quem interessa o caso Waldomiro? Quem gravou a fita? A fita foi entregue ao Andrei ou ao chefe dele, o Gustavo Krieger, que parece ter saído brigado da Radiobrás, onde era diretor de jornalismo? Quem entregou a fita? Já perguntaram ao senador Antero se não teria sido ele? O senador é do PSDB, o FHC também. Desgastar o Lula agora e levar este caso em água morna até o final de seu mandato não seria uma mácula irrecuperável para a próxima eleição?

É aquela velha história: a ditadura acostumou os jornalistas a adotar a filosofia dos dois lados. Muito simplório para o meu gosto. Cadê a independência para se fazer uma matéria de verdade sobre este caso? Grana do jogo do bicho para eleição é coisa antiga. Vem desde o Chagas Freitas. Qual o governador nordestino que se elegeu sem grana do jogo do bicho? Duvido que exista algum vivo. E o Joaquim Roriz, do DF? Neste caso, como em outros, a imprensa está andando que nem caranguejo.

As futuras gerações de jornalistas hão de perguntar: onde nossos pais estavam com a cabeça? Será que eles lutaram pela derrubada do Lula que chegou ao governo democraticamente? Não será hora de se fazer uma matéria inteligente mostrando o poder de reação da direita, via compra de votos, comissões de construtoras etc? E a compra de votos pelo FHC, foi completamente esquecida? E o caso Teixeirinha, protagonizado pelo ex-governador Álvaro Dias, uma das maiores vergonhas do Paraná?

Por outro lado, quem do PT está defendendo o governo? Será que o próprio PT não estaria fazendo um esforço para derrubar o José Dirceu, ou pelo menos torcendo para que isto aconteça, tendo em vista que o ministro é um homem sério e não gosta de porra-louquices, comuns num partido que nunca exerceu o poder de fato? A chance de um partido ganhar experiência enquanto exerce o poder é defendida desde os gregos, desde Heródoto. Errar é humano, e neste caso o erro de José Dirceu foi acreditar num funcionário desonesto. Se juntarmos todos os escândalos da era FHC essa história do jogo do bicho vai acabar parecendo brincadeira de mau-gosto.

Marcio Varella, jornalista, Brasília



Tapete cheio

Há muita mais sujeira embaixo desse tapete do Dirceu. Waldomiro avisou aos bingos que seria assessor de Dirceu.

Enido Michelini

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O vencedor é… o anonimato! – Alberto Dines



Band-Rio expõe a fonte

Debate-se a preservação ou não da identidade do informante do caso Waldomiro. Entretanto hoje, no jornal Band Rio, a emissora citada não teve escrúpulos em mostrar de corpo inteiro a ‘menina’ que desesperada e preocupada com a segurança da polícia foi alertá-la de uma possível emboscada. Eu pergunto: serão os repórteres e câmeras tão inocentes e inábeis que não perceberam a gravidade de expor a jovem daquela forma? A partir daquele momento, aquela moça se transformou em X-9, na linguagem dos bandidos, e como eles dizem X-9 tem que morrer. Será que a Band perderia muito em velar o rosto da moça? Não a conheço, sou apenas uma professora da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro, que, indignada com tal exposição, recorro a vocês por acompanhá-los na TVE.

Fatima dos Santos Gouvêa



Fiscal da sociedade

A fonte que denunciou Waldomiro Diniz deve ser preservada, pois num país com o nosso seria a mesma coisa que instituirmos a pena de morte. Outra questão do papel da imprensa, e que até o momento não foi abordada, é que a imprensa age como um fiscal para a sociedade, ou seja, aquilo que os eleitos deveriam fazer, e a maioria não o faz.

André Luís Donatoni



Caso a analisar

Acredito que deve haver uma reformulação no código de ética do jornalismo. A proteção das fontes é, sim, uma das características respeitáveis do comunicador social, principalmente o jornalista, mas casos como este de Waldomiro Diniz deveriam ser analisados, pois preserva e beneficia uma parte da sociedade que é do crime organizado. O jornalista deveria ser mais opinativo, exercendo um papel social, não ficar tão preso à forma da indústria cultural.

Sarah Johnson, estudante de Jornalismo



Perigo de represália

Ao não ser preservada, a fonte pode sofrer represálias. A partir deste fato, quantas outras possíveis fontes ousariam se apresentar? O debate é válido e muito importante.

Marcel Nunes

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