Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

20/05/2008 na edição 486

CAMPANHA
Silvia Amorim

Alckmin nega desvantagem na TV

‘O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, disse ontem que o tempo de cerca de cinco minutos que deverá ter para sua campanha na TV durante as eleições é mais do que suficiente para fazer de sua candidatura vitoriosa. O espaço é metade do que terá o prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM). ‘Vamos ter um tempo mais do que suficiente’, afirmou Alckmin, um dia depois da confirmação da aliança com o PTB.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o ex-governador não considerou uma ameaça o fato de Kassab ter assegurado quase o dobro do seu tempo. Com o apoio do PMDB, PR e PV, o prefeito garantiu cerca de 10 minutos de propaganda eleitoral na campanha deste ano. ‘Política não é só marketing. Televisão é importante, claro. Mas campanha não é só isso. Campanha é rua. Eu vou pra rua falar com a população, conversar com as pessoas.’

Ele disse ainda que o número reduzido de aliados não significa que sairá em desvantagem na corrida pela prefeitura. ‘Que eu saiba eu estou à frente nas pesquisas’, ironizou.

Na segunda-feira, Alckmin anuncia oficialmente a aliança com o PTB e o PSDC.

VICE

O nome do candidato a vice – que virá do PTB – ainda está indefinido. O ex-governador explicou ontem que a questão será definida em junho. Um dos nomes cogitados é o do deputado estadual Campos Machado (PTB), que foi vice de Alckmin na eleição de 2000 à prefeitura. ‘Eu gosto muito do Campos Machado, mas essa não é uma decisão minha. É uma decisão a ser amadurecida pelo PMDB e PSDB.’ Além dele, estão cotados para a vaga o deputado Arnaldo Faria de Sá (SP) e o senador Romeu Tuma (SP).

Também está indefinida uma coligação com o PTB para a eleição de vereadores. Alckmin disse ontem que é favorável a essa parceria e não considerou que ela seja uma ameaça à eleição de parlamentares tucanos como tem argumentado a bancada de vereadores do PSDB. ‘Temos candidatos muito fortes. Na última eleição fizemos cerca de meio milhão de votos de legenda. Não vejo problema.’ Mas ponderou: ‘Vamos discutir isso melhor’.

Apesar do racha interno do PSDB, Alckmin não acredita numa disputa na convenção do partido, em princípio marcada para o dia 22 de junho. Mas se houver um outro candidato, a possibilidade, afirmou, não será uma ameaça. ‘Que haja uma outra proposta na convenção. Ela não é nenhuma ameaça. É um debate democrático. Não tem nenhum problema.’

Tucanos ligados ao governador José Serra e a Kassab ameaçam colocar em votação na convenção a tese de apoio do PSDB ao prefeito. ‘Se quiser ouvir de novo na convenção não tenho dúvida que o partido vai se manifestar pela candidatura própria’, afirmou o ex-governador.

Hoje os tucanos pró-Alckmin realizam mais um evento na capital a favor da candidatura do ex-governador. Desta vez vão pedir a união do partido para a campanha. Alckmin disse ontem que poderá aparecer no ato.

Na entrevista, o tucano reiterou que não trabalha com outro hipótese que não seja a de ter o governador José Serra no seu palanque. ‘O Serra é um homem de partido e não existe a possibilidade de ele não apoiar a candidatura do PSDB.’ ‘Aqueles que apostarem no PSDB dividido vão se equivocar’, emendou.’

 

GOVERNO
Luciana Nunes Leal

Sem avanço, PAC fica fora de publicidade oficial

‘A primeira campanha publicitária produzida para o governo federal pelas agências Propeg, Matisse e 141/Soho Square, que venceram licitação feita em janeiro, vai entrar em exibição na terça-feira. O trabalho, que consumirá R$ 40 milhões dos R$ 124 milhões reservados para a propaganda oficial neste ano, deixará de fora o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal projeto do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Propulsor da ministra Dilma Rousseff como possível candidata à sucessão presidencial, o PAC ainda não tem o que mostrar. O entendimento é que o cidadão precisa ser informado de obras já avançadas e principalmente de realizações como geração de emprego e aumento da renda, que têm efeito prático na vida das pessoas. O PAC, por enquanto, é mais um conjunto de intenções, com várias obras sem projeto concluído nem licença ambiental ou data para começar.

A menos de cinco meses das eleições municipais, o governo fará durante dez dias inserções sobre um programa de âmbito nacional e, ao longo de junho, divulgará projetos federais específicos para cada Estado.

A idéia central é explicar ao espectador o mote usado na última campanha, ‘Mais Brasil para mais brasileiros’. Pesquisas de opinião mostraram que as pessoas não tinham entendido bem o significado do slogan. Por isso, o novo bordão será ‘Isso é mais Brasil para mais brasileiro’ e várias propagandas regionais serão protagonizadas por pessoas com o sotaque local. Os programas estaduais estão em fase de elaboração. Um dos poucos concluídos é o de Minas, que apresentará o programa de agricultura familiar, as obras nas estradas federais e a ampliação dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets). O programa nacional terá 1 minuto de duração e os estaduais, 30 segundos.

‘Estamos prestando contas à sociedade das ações de governo em andamento no País. O que fizemos no ano passado era uma abordagem geral. Agora, será regionalizada’, afirmou o secretário de Comunicação Integrada da Secretaria de Comunicação de Governo (Secom), José Otaviano Pereira.

Segundo Otaviano, a previsão inicial de R$ 150 milhões de gastos em publicidade federal foi reduzida, na revisão orçamentária, para R$ 124 milhões. Além da TV, os programas estaduais serão veiculados também no rádio e haverá propaganda na mídia impressa e na internet, com o portal www.maisbrasil.gov.br. No segundo semestre, nova campanha será deflagrada, dessa vez, segundo o secretário, com temas de utilidade pública.

Cada uma das três agências foi encarregada de produzir os programas de um grupo de Estados. A Matisse ficou com São Paulo, Estados do Norte, Alagoas, Piauí e Maranhão. À Propeg ficaram reservados os programas dos outros Estados do Sudeste, Sul e parte do Centro-Oeste. A multinacional 141/Soho Square fará as inserções do Distrito Federal, de Goiás e de Estados nordestinos, além do Acre.’

 

INDESEJADOS
Laura M. Holson

Spams também invadem os telefones celulares

‘Se você achava que as mensagens indesejadas que recebe por e-mail no seu computador, os spams, são uma coisa extremamente aborrecida, prepare-se: elas querem ir atrás de você no seu celular.

Os telefones celulares tornaram-se os dispositivos tecnológicos mais pessoais dos consumidores. Alguns executivos, grupos de consumidores e especialistas em segurança temem que essas mensagens se tornem uma dor-de-cabeça maior ainda do que as mensagens indesejadas que aparecem no seu computador.

Os spams que a gente vê no celular são particularmente incômodos para os destinatários porque são mais invasivos – eles se anunciam com um bip -, e podem até mesmo ser caros.

Taber Lightfoot, diretora-assistente para nova mídia da Faculdade de Administração de Yale, é uma das pessoas que foi indenizada pelo recebimento de spams no seu celular.

‘Estava trabalhando e fiquei muito aborrecida’, ela falou a respeito da primeira série de três mensagens que recebeu. Dois dias mais tarde, recebeu nova série.

‘Foi então que chamei a Verizon e exigi que me reembolsassem US$ 1,60 por oito mensagens de texto’, conta. ‘Não era muito dinheiro, mas era dinheiro meu.’ Os consumidores americanos deverão receber, ao que se calcula, 1,5 bilhão de mensagens de texto não solicitadas em 2008, segundo a Ferris Research, sediada em San Francisco, que monitora as tendências do tráfego de mensagens por telefone móvel. É quase o dobro do que receberam em 2006.

Evidentemente, essa cifra é uma pequena porcentagem do total: uma pesquisa realizada no setor mostrou que os consumidores nos Estados Unidos enviaram e receberam cerca de 48 bilhões de mensagens de texto somente no mês de dezembro. Mas, para muitas pessoas que têm de pagar US$ 0,20 para cada mensagem que recebem ou que são interrompidas no meio do jantar, uma apenas já é demais.

‘Esse fato irrita as pessoas porque têm de pagar por mensagens que elas não querem, e não deveriam pagar’, disse Chris Murray, advogada-sênior do grupo sem fins lucrativos União dos Consumidores.

Agora, alguns consumidores decidiram controlar seus celulares de uma forma mais agressiva, para evitar mensagens indesejadas, e exigindo reembolso. As empresas de segurança em computadores aperfeiçoaram recursos que ajudam a combater os spams nos telefones móveis. E algumas companhias já facilitam o bloqueio de mensagens não solicitadas e controlam os usuários que as enviam. As tarifas que os clientes pagam para receber mensagens são fonte de lucro para as telefônicas, e é difícil calcular quanto elas ganham.

Muitos consumidores pagam um plano mensal que lhes permite enviar e receber um grande número de mensagens. Mas os que não têm um plano e recebem em torno de 10 mensagens mensais não solicitadas, a US$ 0,20 cada uma, têm de pagar mais US$ 24 por ano.

As empresas de comunicações não estão interessadas em spams como fontes de lucro. Elas pretendem explorar o poder da publicidade direcionada nos telefones móveis, e a quantidade de mensagens de mau gosto ameaça provocar a hostilidade dos clientes.’

 

PROFISSÃO PERIGO
Bruno Tavares e Marcelo Godoy

Corregedoria apura possível ação de policiais em atentado contra repórter

‘A Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito ontem para apurar a possível participação de policiais civis no atentado contra o repórter Edson Ferraz, de 25 anos, da TV Diário de Mogi, afiliada da Rede Globo. Ferraz voltava às 22 horas de anteontem para casa em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, quando seu carro, uma Montana com logotipo da emissora, foi fechado por dois homens mascarados em um veículo parecido com um Voyage. Eles dispararam duas vezes. O jornalista saiu ileso, e os criminosos fugiram. ‘Queriam intimidar. Se quisessem matar podiam ter descido e atirado de perto’, disse o repórter ao deixar a Corregedoria, onde foi ouvido.

A Corregedoria registrou o caso como ameaça e disparo de arma de fogo. Segundo o delegado José Antônio Ayres de Araújo, policiais envolvidos em três casos de corrupção noticiados pelo repórter serão chamados a depor. ‘Por enquanto não há provas, mas nós apuramos a possibilidade de policiais civis estarem envolvidos nos fatos.’

Além da Corregedoria, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) também investigará o caso. A idéia é verificar se bandidos comuns estão por trás do crime. Os promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) de Guarulhos vão acompanhar a apuração. ‘Não falta suspeito nesse caso’, disse o promotor Marcelo de Oliveira.

Há três meses, o repórter acompanhava denúncias de corrupção envolvendo 19 policiais subordinados à Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. São casos como o de 13 integrantes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da cidade, que são acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Na tarde de anteontem, o jornalista recebeu um telefonema. Um homem que não se identificou pediu que ele tomasse cuidado. Ferraz entendeu a ligação como um alerta de alguém que queria ajudá-lo.

Desde que iniciou a série de reportagens sobre a corrupção policial, Ferraz passou a andar acompanhado. Na noite de anteontem, porém, estava só. Ele havia ido ao fonoaudiólogo em São Paulo e voltava para casa quando foi ultrapassado pela direita por um carro. O repórter trafegava na Avenida Lothar Waldemar Hoehne, em Mogi, a perimetral. ‘É um lugar ermo’, disse o delegado.

O carro deu a volta numa rotatória e fechou Ferraz, que se aproximava no sentido contrário. O motorista pôs uma arma para fora e atirou a uma distância de seis metros. Ele e o passageiro do carro estavam com capuzes que só deixavam descobertos olhos e boca. Depois dos tiros, Ferraz foi à sede da TV Diário de Mogi e chamou a Polícia Militar. Ele e sua família deixaram ontem a cidade. Os repórteres da TV não estão trabalhando à noite por razões de segurança. ‘Houve um atentado, mas é preciso saber quem é o autor e a mando de quem ele foi cometido’, disse o promotor José Barbuto, do Gaerco.’

 

LITERATURA
Ubiratan Brasil

Coração satânico na festa da Flip

‘O escritor colombiano Fernando Vallejo é descrito como um homem inofensivo, olhar tranqüilo, voz musicada, gestos suaves. Basta abrir qualquer página de seus livros ou questioná-lo sobre determinados assuntos, porém, que se descobre uma prosa feroz, raivosa, corrosiva. Aos 65 anos, Vallejo arregala os olhos de quem o lê ou escuta ao comentar sobre a Igreja Católica (‘Inquisidora, torturadora, falsificadora, homofóbica…’ e outros adjetivos do gênero), o papa (‘Besta vaticana’), a Colômbia (‘Lá, até os mortos têm cédula de identidade e votam’) e até de colegas famosos (‘García Márquez é uma cortesã de Fidel Castro’).

Um dos principais convidados da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que ocorre em julho, Vallejo vai comentar O Despenhadeiro, que a editora Alfaguara já lança nesta segunda-feira, com competente tradução de Bernardo Ajzenberg (176 páginas, R$ 28,90). Como boa parte de sua obra, trata-se de um relato autobiográfico, sem disfarces ao retratar um ódio escancarado pela sociedade, especialmente a colombiana.

Nascido em Medellín, Vallejo conheceu a degradação da cidade pelo tráfico de drogas. É justamente essa cidade devastada pelos entorpecentes e pela juventude amoral que o escritor retratou em A Virgem dos Sicários, seu primeiro romance lançado no Brasil, povoado de pobres, drogados, mendigos impertinentes e grávidas que só pensam em parir e rezar.

Em O Despenhadeiro, a acidez e o sarcasmo continuam na história do homem que volta à casa onde viveu, na Colômbia, local marcado pelo adoecimento das pessoas que realmente lhe interessam, como o pai, um político, e o irmão Dario, com quem compartilhou intensas experiências na juventude. A ferocidade de Vallejo aparece na forma como o narrador descreve as outras pessoas da família, como a mãe (‘A Louca’) e o irmão caçula (‘Aborto da Natureza’). Indiferente aos críticos que apontam sua iconoclastia como oportunista, Vallejo, que vive no México desde 1971, tal qual um pugilista, não abaixa a guarda.’

 

CANNES
Luiz Carlos Merten

O brilho de Julianne, a serviço da cegueira

‘Julianne Moore anuncia que em agosto estará de volta ao Brasil, para participar das entrevistas de lançamento de Blindness, ou melhor, Ensaio sobre a Cegueira, que Fernando Meirelles adaptou do romance de José Saramago. Julianne nunca havia estado na América do Sul, antes de rodar cenas de Blindness em Montevidéu (uma semana) e São Paulo (duas semanas). ‘É uma cidade muito cosmopolita e atraente. Fiquei bem feliz por ter estado lá e agora poder voltar’, ela diz.

César Charlone, o grande diretor de fotografia dos filmes de Fernando Meirelles, já havia comentado com o repórter do Estado que Julianne, como Ralph Fiennes – ator de O Jardineiro Fiel -, representa para a câmera. Ao chegar ao set, a primeira preocupação de ambos é saber onde estará a câmera e com que lentes ou de que ângulos serão filmados. Quando o repórter observa que ela é sempre tão intensa e pede que defina seu segredo de atriz – se representa para a câmera ou tenta ignorá-la -, Julianne não vacila. ‘A câmera mediatiza minha relação com o público. É através dela que sou filmada. É importante saber onde estará a câmera e como serei filmada. Faz parte das minhas ferramentas de atriz do cinema. Mas, depois, o movimento é rigorosamente inverso. Sabendo onde está a câmera, tenho de me esquecer dela para me entregar à personagem.’

Ela ri do que, afinal de contas, é este métier de atriz. ‘Sou uma mãe dedicada, mas se meus filhos quiserem jogar bola e me atirarem uma, eu vou fugir. Se isso faz parte da natureza de minha personagem, vou até o fim.’ Apesar da dedicação, ela comenta, como verdadeira, uma frase que lhe disse justamente Ralph Fiennes. ‘Não importa o que a gente faça para estar na pele do personagem, ao me ver na tela sou sempre eu.’ Julianne admite que não conhecia o romance de Saramago antes que o roteiro do filme lhe fosse enviado. Ela aceitou, entusiasmada (‘excited’) com a idéia de filmar com o diretor de ‘City of God’ (Cidade de Deus). Quando leu o livro foi que ela se deu conta das dificuldades que Meirellres e o roteirista Don McKellar haviam enfrentado. ‘O livro é muito mais interiorizado. Quase tudo se passa dentro dos personagens. Seus sentimentos, sensações. E isso não se mostra no cinema, que capta basicamente o exterior.’

No ano passado, ela esteve em Cannes mostrando, na Quinzena dos Realizadores, o filme de Tom Kalin, Pecados Inocentes (Savage Grace), que ainda está em cartaz nos cinemas de São Paulo. Julianne faz uma mãe que estabelece uma relação destrutiva com o filho. Em Ensaio sobre a Cegueira, sua personagem precisa se transformar na mãe do próprio marido para redimir a humanidade, quando um vírus transforma todo mundo em cego e só ela permanece vendo. Alguma conexão entre as duas personagens? Julianne surpreende-se. ‘Savage Grace baseia-se numa história real. Blindness é uma ficção que pretende ser uma alegoria sobre a fragilidade da nossa civilização e o risco da barbárie. Mas, já que você falou, meu marido no filme de Meirelles (Mark Ruffalo), no início, infantiliza a mulher. Depois, ela o atende como se fosse criança, quando fica cego. E só bem mais tarde ambos conseguem estabelecer uma relação madura, como casal.’

Ela não concorda com uma coisa que está sendo dita com alguma freqüência aqui em Cannes – o que existe de mais iluminador em Blindness não basta para compensar toda aquela degradação, urbana e social, que se vê na tela. ‘Acho que Fernando fez um ‘terrific job’ (um trabalho maravilhoso). Há todo um subtexto realista e eu duvido que outro diretor conseguisse filmar melhor do que ele, e creio que é esse realismo que sustenta o nível filosófico e o caráter de advertência política contidos em Blindness.’ Já que ela falou em degradação urbana – a cidade do filme não é identificada, mas Meirelles junta, numa mesma tomada, cenas filmadas em São Paulo com outras no Uruguai e no Canadá. ‘É desconcertante. Muitas vezes cria uma sensação de confusão. Onde eu estava naquele momento? A unidade me pareceu impressionante, mesmo que às vezes seja nítida a passagem de um plano mais aberto para outro fechado onde se lêem melhor os signos da degradação.’

Uma pergunta mais frívola refere-se à sua decisão de transformar a personagem em loira. ‘Achei que meus cabelos ruivos seriam chamativos dentro do visual adotado por Fernando para recriar a cegueira branca do livro. A idéia de tingir os cabelos partiu de mim, mas confesso que não agüentava mais esperar pelo final da filmagem para voltar a ser eu mesma.’ Isso não parece contradição em relação ao que ela diz sobre um ator permanecer o mesmo, não importando o papel? ‘Pode ser, mas trocar a cor do cabelo é uma experiência que espero não repetir. É como abrir mão de uma marca pessoal. Serviu à personagem, mas acabou.’

O que Julianne sente quando avalia sua carreira. ‘Sinceramente? É uma coisa que sempre me surpreende. Nunca pensei chegar aonde cheguei, ter feito os filmes que fiz. Para mim, o cinema é uma arte do encontro. Tive a sorte de encontrar grandes diretores – Todd Haynes, Neil Jordan, Fernando Meirelles. Todos eles me ofereceram papéis que são verdadeiros sonhos para qualquer ator.’ Já que ela falou sobre diretores, a pergunta inevitável – o que ela conhece de cinema brasileiro, tendo trabalhado agora com um cineasta do Brasil? ‘Não muito, infelizmente. Conheço Walter – ela diz Úalter – Salles.’ Apesar desse conhecimento restrito, Julianne vê em Blindness o futuro do cinema. ‘Um filme supranacional, com a participação de artistas e técnicos de tantos países distintos. É eramos como uma família interagindo, e isso foi muito bonito.’’

 

TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo

Peça premiada chega à tela da TV Cultura

‘A peça O Fingidor valeu o prêmio Shell de teatro ao seu autor, Samir Yazbek. Inspirada na vida do poeta Fernando Pessoa, ganha adaptação televisiva. Mesclando ficção e realidade, o texto flagra os últimos dias de vida do poeta, que se emprega como datilógrafo na casa de um crítico literário. O Fingidor dá seguimento à segunda fase do programa de teledramaturgia Direções, realizado pela TV Cultura em parceria com o SescTV. Será apresentado amanhã, às 23 h, na TV Cultura, e entre os intérpretes estão Hélio Cícero, Mariana Muniz, Douglas Simon, Antônio Duran, Álvaro Motta, Edgar Castro, Eduardo Semerjian e Marcelo Diaz.’

 

Keila Jimenez

Volta de Bial é incerta

‘Após 12 anos no comando do Fantástico, Pedro Bial pode não voltar ao programa. Em férias desde o fim da oitava edição do Big Brother Brasil, o jornalista não assumirá a bancada do dominical quando voltar.

No fim de junho, quando retornaria ao ar, Bial viajará para Pequim (China), onde participa da cobertura da Olimpíada. O jornalista ainda tem o projeto de um quadro – mantido em sigilo – que ele pretende desenvolver, e já manifestou a vontade de voltar a fazer reportagens especiais para os jornalísticos da casa.

Assim que a Olimpíada acabar, Bial e a direção da Globo decidirão seu rumo no canal.

A Globo, por meio da Assessoria de Imprensa, diz que não há rusga nenhuma entre o apresentador e a direção do Fantástico, e que essa decisão será tomada em conjunto.

A emissora também faz questão de informar que a formação atual, com Patrícia Poeta e Zeca Camargo no comando, vem obtendo ótimos resultados, mas que haveria espaço para Bial nessa composição. No entanto, nos bastidores, comenta-se que o jornalista, até pela proximidade da edição seguinte do BBB, talvez nem volte mais ao posto.’

 

CINEMA E CIGARRO
Ubiratan Brasil

O controle de informação e a importância da educação paterna

‘O charme de fumar tornou-se, ao menos no cinema, assunto do passado – a indústria da chamada sétima arte investe cada vez mais pesadamente contra o tabagismo. Basta lembrar O Informante, de Michael Mann, que revela os bastidores condenáveis dos empresários do fumo. É o caso também de Obrigado por Fumar, comédia de Jason Reitman (o mesmo de Juno) que o Telecine Premium exibe hoje às 20h15.

Aaron Eckhart interpreta, com brilho, Nick Naylor, porta-voz chefe de uma fábrica de cigarros, que vive um dilema: ao mesmo tempo em que deve passar uma imagem benéfica do cigarro, ele tenta posar de modelo adulto para seu filho de 20 anos. Dono de uma retórica convincente, bem apessoado, Naylor consegue convencer diversas platéias de que não há provas químicas que garantem ser o câncer do pulmão, por exemplo, conseqüência de uma existência marcada pelo vício do fumo.

Inspirado no romance homônimo de Christopher Buckley, Obrigado por Fumar traz, como subtexto, o poder do controle da informação. E, correndo por fora, a importância da responsabilidade paterna na formação dos filhos, que se espelham nas atitudes dos mais velhos.’

 

 

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