Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

TV EM QUESTãO > QUALIDADE NA TV

O remédio chamado jornalismo público

Por Fernando Pinto em 30/11/2004 na edição 305

A idéia de se ter uma televisão vigiada pelo Estado pode parecer a nós, brasileiros, ruim pelas experiências ditatoriais que vivemos. Mas, apesar das subvenções do governo, a TV pública se torna independente a partir do momento em que se isola da ideologia do mercado.

No mundo mercadológico, o lucro é mais importante do que as pessoas. A audiência da TV prevalece sobre a qualidade de sua programação, e os telespectadores tornam-se reféns do espetáculo. As pessoas ficam restritas a uma produção desenfreada de notícias superficiais e sensacionalistas, sem ao menos poderem reagir aos ataques da TV comercial.

Surge, então, o jornalismo público, uma espécie de fuga das intervenções comerciais. O cidadão-telespectador encontra o local em que pode expor e discutir suas dúvidas referentes a assuntos que interessam à sociedade. A televisão deixa de ser apenas um produto da indústria cultural, e passa a fazer parte de um ciclo de debates, do qual não só as ‘celebridades’ participam, mas também o cidadão comum.

Um remédio

Mais: o fetiche do ‘furo’ cede lugar à cobertura regular e aprofundada. Livre da concorrência exigida pelas leis de mercado, o jornalismo público se preocupa em informar bem. Os noticiários tornam-se cada vez mais reflexivos, as reportagens ficam mais longas e as edições mais bem elaboradas. O programa Roda Viva é um exemplo disso: privilegia a compreensão do fato, e não o show da notícia.

Nele, é possível encontrar jornalismo com o intuito exclusivo de expor opiniões claras e compreensíveis. Opiniões essas que são dadas por jornalistas que interrogam, cutucam e pressionam os convidados, a fim de esclarecer.

Public jornalism funciona como remédio no controle do vício dos ‘pacientes’ consumidores de notícias sensacionalistas. Um medicamento que tem surtido efeito denomina-se TV pública, composto por alguns miligramas de TV Cultura e Observatório da Imprensa. Esse remédio, espera-se, nunca será manipulado.

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Estudante de Jornalismo, Belo Horizonte

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