Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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TV EM QUESTãO > OI NA TV

Observando o Observatório

Por Marcelo Salles em 23/05/2006 na edição 382

A edição do Observatório da Imprensa na TV de 16/5 tratou, mais uma vez, de criticar o jornalismo praticado pela revista Veja. Para tanto, Alberto Dines recebeu os jornalistas Luís Nassif, colunista e integrante do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, e Luiz Garcia, articulista de O Globo, além de André Singer, porta-voz da Presidência da República.

Sublinhe-se: Folha, Globo e Presidência.

O objetivo era comentar a revista da Editora Abril, mais especificamente a edição em que levantou suspeitas sobre a existência de contas bancárias em paraísos fiscais do presidente Lula e de outros integrantes da cúpula petista. Claro que é importante denunciar esse tipo de jornalismo; claro que é importante denunciar a revista Veja, que há muito optou pela prática sistemática da impostura. Mas isso basta?

Durante o programa, não pareceu que os participantes estivessem preocupados em questionar a estrutura dos meios de comunicação social no Brasil. Condenar o jornalismo praticado por Veja sem expor o quadro que tornou possível suas práticas não vai além da crítica superficial. Assim, analisar as falhas existentes no texto dessa revista acabou se tornando mais importante que investigar como é possível não existirem outros veículos decentes com a mesma audiência. Ou será que o jornalismo praticado pelos demais veículos da mídia grande é decente porque sutil? Será que só a Veja criminaliza os movimentos sociais? Será que só a Veja defende o oligopólio da mídia? Será que só a Veja reproduz as bases da injustiça social brasileira?

Elevar o debate

Nesse sentido, como interpretar o tom inquisidor da pergunta de Luiz Garcia ao porta-voz da Presidência da República sobre a existência de projetos que regulem a profissão de ‘jornalista’, que Garcia apresenta como ‘projetos que tenham o objetivo de controlar os jornalistas’? Como interpretar a resposta claudicante de André Singer, baixando a cabeça e garantindo a Garcia que ele poderia ficar tranqüilo, pois não, não existe qualquer projeto desse tipo no Executivo?

Entre as iniciativas que se propõem a analisar os meios de comunicação, o Observatório da Imprensa é o de maior alcance. Programas belíssimos já foram exibidos sobre a necessária e urgente democratização do setor, como aqueles que trouxeram o professor Venício A. Lima e outros personagens mais livres para criticar a estrutura da concentração dos meios de comunicação.

Assim, o público espera que o programa não nivele sua crítica pela superficialidade de Veja, mas que eleve o debate e questione sempre governos e empresas que não cumprem a Constituição Federal – sobretudo o artigo 220, que proíbe o monopólio e o oligopólio nos meios de comunicação social.

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Todos os comentários

  1. Comentou em 25/05/2006 Alexandre Carlos Aguiar

    Aliás, a elevação desse debate consiste em discutir algo essencial, porém esquecido há muito: qual o papel da imprensa numa sociedade? Têm-se a suspeita de que as convenções da mídia pendem para o lado do mais forte, na medida que esse lado é o que paga suas matérias.
    A Veja capitaneia essa gama de ofertas, pois é mais descarada e mais incisiva, defende o lado que lhe dá sustento mesmo e não se importa com as caras feias.
    E também outra pergunta surge nesse intermédio: por que o jornalismo brasileiro tem medo de um conselhão que o toque o ventre, que cutuque o mau jornalismo?
    Qualquer categoria profissional tem seus conselhos, seus códigos de ética. O jornalismo não precisa, ou não é enquadrado como categoria profissional? Será que a velha conversa de que isso podará a liberdade de expressão ainda cola?

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