Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

TV EM QUESTãO > TV CULTURA

Osvaldo Martins

24/04/2006 na edição 378

‘Noves fora os equívocos decorrentes de leituras apressadas, a recente discussão em torno do jornalismo da TV Cultura foi tema de algumas análises oportunas e bem fundamentadas. O debate ensejou reflexões interessantes a respeito do telejornalismo em geral e do seu papel em uma emissora pública, em particular, como aquelas publicadas no site do Observatório da Imprensa por Alberto Dines e Luiz Weis.

Algumas observações de Dines: ‘A mídia eletrônica (rádio e TV), embora favorecida por um sistema de concessões que ninguém fiscaliza, jamais atendeu às pressões para estabelecer algo minimamente assemelhado a um diálogo com seu público. (…) Implícita na crítica pontual ao jornalismo da TV Cultura está uma crítica ampla aos paradigmas do telejornalismo comercial que acabaram por dominar e distorcer a nossa forma de fazer jornalismo pela televisão. Ao recomendar um afastamento desses paradigmas, Osvaldo Martins deixou claro o que convém e o que não convém ao público telespectador brasileiro. Todo jornalismo é público, cívico ou social. A diferenciação entre telejornalismo privado e ‘público’ foi habilmente explorada neste debate por aqueles que não estão interessados em desvendar as deficiências da nossa TV comercial, cada vez mais inclinada para coberturas superficiais, parciais e fragmentadas’.

Concordo plenamente com o mestre Dines em sua crítica à TV comercial. Acrescento, apenas, algo que já afirmei muitas vezes neste espaço: além de criar uma alternativa às ‘coberturas superficiais’, que chamo de fast news, diferenciando-se da TV comercial, uma TV pública deve enfrentar outro desafio – o de livrar-se dos vícios de uma repartição pública.

Qual é, então, a receita para o bom telejornalismo de uma emissora pública, compatível com o orçamento da Cultura? O da BBC? Nem pensar. A poderosa rede britânica trabalha com um caixa equivalente a 15 bilhões de reais/ano.

Weis acerta na mosca: o modelo que pode inspirar o principal telejornal da Cultura é o do Jim Lehrer Newshour, da PBS, a rede pública americana. Informa Weis: ‘A pauta se concentra em um punhado de assuntos do dia apenas – meia dúzia, se tanto. Trabalha com as imagens que todo mundo tem, novas e de arquivo, e as recobre de inteligência: explicações, análises, controvérsias, contexto’.

Nunca vi o telejornal da PBS. Mas há vinte meses defendo um formato muito parecido com esse para a Cultura. Para um telejornal de horário nobre, como o Jornal da Cultura, dar as principais notícias do dia é obrigatório; separar um ou dois assuntos e ‘recobri-los de inteligência’, como diz Weis, deveria ser, a meu juízo o grande diferencial de qualidade da Cultura em relação às demais emissoras.

A nova direção de jornalismo da Cultura assumiu há dez dias e deve estar formulando modificações. Não sei quais serão. A conferir.’

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VOZ DOS OUVIDORES > TV CULTURA

Osvaldo Martins

24/04/2006 na edição 378

‘Noves fora os equívocos decorrentes de leituras apressadas, a recente discussão em torno do jornalismo da TV Cultura foi tema de algumas análises oportunas e bem fundamentadas. O debate ensejou reflexões interessantes a respeito do telejornalismo em geral e do seu papel em uma emissora pública, em particular, como aquelas publicadas no site do Observatório da Imprensa por Alberto Dines e Luiz Weis.

Algumas observações de Dines: ‘A mídia eletrônica (rádio e TV), embora favorecida por um sistema de concessões que ninguém fiscaliza, jamais atendeu às pressões para estabelecer algo minimamente assemelhado a um diálogo com seu público. (…) Implícita na crítica pontual ao jornalismo da TV Cultura está uma crítica ampla aos paradigmas do telejornalismo comercial que acabaram por dominar e distorcer a nossa forma de fazer jornalismo pela televisão. Ao recomendar um afastamento desses paradigmas, Osvaldo Martins deixou claro o que convém e o que não convém ao público telespectador brasileiro. Todo jornalismo é público, cívico ou social. A diferenciação entre telejornalismo privado e ‘público’ foi habilmente explorada neste debate por aqueles que não estão interessados em desvendar as deficiências da nossa TV comercial, cada vez mais inclinada para coberturas superficiais, parciais e fragmentadas’.

Concordo plenamente com o mestre Dines em sua crítica à TV comercial. Acrescento, apenas, algo que já afirmei muitas vezes neste espaço: além de criar uma alternativa às ‘coberturas superficiais’, que chamo de fast news, diferenciando-se da TV comercial, uma TV pública deve enfrentar outro desafio – o de livrar-se dos vícios de uma repartição pública.

Qual é, então, a receita para o bom telejornalismo de uma emissora pública, compatível com o orçamento da Cultura? O da BBC? Nem pensar. A poderosa rede britânica trabalha com um caixa equivalente a 15 bilhões de reais/ano.

Weis acerta na mosca: o modelo que pode inspirar o principal telejornal da Cultura é o do Jim Lehrer Newshour, da PBS, a rede pública americana. Informa Weis: ‘A pauta se concentra em um punhado de assuntos do dia apenas – meia dúzia, se tanto. Trabalha com as imagens que todo mundo tem, novas e de arquivo, e as recobre de inteligência: explicações, análises, controvérsias, contexto’.

Nunca vi o telejornal da PBS. Mas há vinte meses defendo um formato muito parecido com esse para a Cultura. Para um telejornal de horário nobre, como o Jornal da Cultura, dar as principais notícias do dia é obrigatório; separar um ou dois assuntos e ‘recobri-los de inteligência’, como diz Weis, deveria ser, a meu juízo o grande diferencial de qualidade da Cultura em relação às demais emissoras.

A nova direção de jornalismo da Cultura assumiu há dez dias e deve estar formulando modificações. Não sei quais serão. A conferir.’

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