Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > TV & INFORMAÇÃO

Programação revisitada

Por Raphael Gouvea Monteiro em 26/10/2010 na edição 613

Muito já se teorizou sobre os verdadeiros objetivos da televisão. Entre benefícios e malefícios, sua função social é discutível e tendenciosa. Atualmente, a programação pode ser contagiosa, mesmo através de uma espessa parede, pois diante do dinamismo da sociedade pós-moderna e do excesso de informações, os estímulos tanto visuais quanto auditivos ganham status de raciocínio, logo tornam-se capazes de interferir ativamente no comportamento de grande parte da população.

O intuito financeiro-capitalista da televisão é tão velho quanto as escrituras. Já sua função democrática – de manter a ordem – é tão nova como o nascer do sol. Necessita-se de um meio eficiente de comunicação para promover a ordem; imaginar o sucesso de uma votação presidencial, ou o simplório ajuste do horário de verão sem a ‘telinha’ é inviável para um país de tamanha proporção territorial, embora isso não a isente da culpa por programas de baixa qualidade e reificadores.

O fogão que se cuide

O espectro da importância do aparelho no país é tão amplo que pesquisas do IBGE revelam que 94,8% das residências têm ao menos uma TV; ganhando da geladeira, com 91,4%, e perdendo apenas para o fogão que lidera a pesquisa com 98,2%. A televisão não tem o poder – monopólio da força –, mas tem o mais importante, a autoridade – habilidade de convencer pessoas. Com base nessa confiança, cria-se um laço (até mesmo afetivo) entre aparelho e telespectador. Por conseguinte, acredita-se na ideia de aquisição de conhecimento, de estar informado e ter cultura. Entretanto, o envolvimento tem raízes diferentes das do comprometimento. O primeiro é tênue e fugaz; já o segundo tem características fortes e duradouras, pois, sustenta-se no raciocínio.

A influência da televisão é indubitável, porém o problema disso não está no tipo de programação veiculada, mas sim, na reflexão feita a partir desta. Programas ruins têm sua importância e também servem como exemplos (do que não se deve assistir). Entretanto, o que ocorre é uma alienação por parte da audiência já massificada diante de um grande manipulador comportamental. Pessoas atravessariam paredes para não perder a novela. Nesta batalha, o fogão que se cuide com o advento e a difusão das TVs de LED.

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Estudante de Jornalismo, São Paulo, SP

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