Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Reparos e correções necessárias

Por Luis Erlanger em 25/01/2005 na edição 313

A TV Globo tem por princípio respeitar a opinião de todos. No artigo ‘O que é isso, companheiro’, publicado pelo professor Jackson Saboya no Observatório da Imprensa [edição nº 309, de 28/12/2004, ver remissão abaixo], no entanto, existem algumas informações pontuais equivocadas que nos sentimos no direito de corrigir.


Em respeito ao signatário, em princípio preferimos alertá-lo sobre as imprecisões cometidas, mas ele preferiu ignorar.


Não é fato, como foi afirmado, que a sobrevivência da TV Globo dependa da publicidade oficial, simplesmente porque a conta ‘governos’ representa somente cerca de 5% do faturamento da empresa. Setores privados como varejo, alimentos, bebidas, higiene pessoal, telecomunicações, financeiro e têxtil constituem o grande peso. Não existe, portanto, vulnerabilidade e dependência, mas sim independência das instâncias de governo.


Essa dependência não existe também sob o enfoque de endividamento ou financiamento. As Organizações Globo conseguiram concluir o processo de reestruturação da dívida da Globopar (a holding de participações que não inclui os ativos de jornal e radiodifusão) sem a necessidade de linhas de financiamento do BNDES, tampouco houve algo como um empréstimo-socorro. Não há margem para pressões via banco estatal, portanto. Quanto ao mercado investidor, o planejamento da renegociação da dívida com o conjunto dos credores estabeleceu uma ‘blindagem’ para a administração das empresas do grupo, de forma que o processo não interferisse nas operações, muito menos que houvesse ingerência no controle. E assim foi feito. Independência assegurada, igualmente. Vale ressaltar, ainda, que a TV Globo é uma empresa lucrativa, com grande capacidade de geração de caixa e sem dívidas.


A TV Globo tem se prestado, sim, à exibição de filmes nacionais. Vide, por exemplo, o ‘Festival Nacional’, exibido na primeira semana de janeiro, programação que se repete duas vezes por ano. Temos também um ‘Intercine’ semanal só com películas brasileiras. A TV Globo dedica quase 100% do seu horário nobre às produções nacionais. Produzimos mais de 2.500 horas (finalizadas) por ano só de programação de entretenimento. Desde a sua criação, a TV Globo tem como projeto empresarial levar o Brasil ao brasileiro, por isso as inúmeras novelas, minisséries etc. inspiradas na nossa realidade, literatura e diferentes manifestações culturais regionais.


TV e cinema


A TV Globo se posiciona, legitimamente, como um canal que pretende falar com o conjunto da sociedade. Sua audiência tem o mesmo perfil da população brasileira e essa é uma medida de sucesso, portanto. Não somos uma TV segmentada. E o mercado brasileiro de cinema ainda não atingiu volume suficiente de produção de filmes em linha com esta proposta, muito menos o fez no passado. A Globo Filmes não é uma atividade superavitária, significativa por este enfoque. Ela apenas se paga. A idéia é que, ao aportar seu know how de produção acumulado em TV e propiciar uma divulgação no lançamento com a qual só as majors americanas podiam contar, a Globo está viabilizando maior oferta de filmes brasileiros de qualidade e adequados ao seu perfil de público para exibição na telinha lá na frente.


Também não é fato que a Globo Filmes só co-produza filmes de diretores de TV. São diversos os exemplos, basta olhar o portfólio, que conta com parcerias com diretores como Cacá Diegues, Bruno Barreto, Hector Babenco, Fernando Meirelles, Jorge Furtado, Vicente Amorim, entre outros.


Vale registrar que o episódio ‘Palace II’, de Katia Lund e Fernando Meirelles, exibido em dezembro de 2000, na primeira edição do seriado Brava Gente, antecedeu e funcionou como laboratório para o consagrado Cidade de Deus, lançado em 2002. E o contrário também acontece: projetos de cinema que se desdobram em produtos de TV. Em 2005, teremos a série Carandiru, parceria com Hector Babenco a partir do filme.


Por tudo isso, contamos com a publicação de nossos esclarecimentos no Observatório de Imprensa em reparo às incorreções relacionadas no artigo do professor Jackson Saboya.

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Diretor da Central Globo de Comunicação

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