Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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CADERNO DO LEITOR >

Ruminar é bom

09/03/2004 na edição 267

A clareza com que os textos selecionados pelo Observatório (4/3) colocam as questões em torno do ‘Waldogate’, o posicionamento de cada veículo, a escorregada da Veja e a bela e oportuna lembrança da frase do Elio Gaspari na cobertura das Diretas pela própria revistona (‘Nossas fontes carregam nossa credibilidade nas costas, para o bem ou para o mal’) já valeram a leitura. Em minha idiota ‘inocência’, sempre achei que isso era coisa de cidadezinha de dois jornais, em que realmente basta ter uma denúncia (mesmo que desqualificada) contra o governo para sair na capa de um deles. O OI também clareou o entendimento da conjuntura, incluindo a briga das TVs pelo dinheiro do BNDES no meio desta confusão em que, de novo com clareza, deixou claro que nada vai ficar claro. É claro.

O que também está no Observatório mas não é tão novo assim é a cumplicidade da jogatina com o poder, inclusive o nosso. Mas ruminar o fato é bom, a tal ponto que hoje a gente já pode quase fechar o DNA da quadrilha. É, com algum esforço até dá para a gente encontrar uma parte boa no meio da baba nojenta que volta. Também ficou legal o texto sobre o ‘titulaço’ que a Folha deu sobre o governo barbudo. A postura dissimulada do jornalão realmente não faz justiça nem a sua própria história, me parece. O autor lembrou com propriedade a Última Hora e a Tribuna da Imprensa, que não tinham vergonha de colocar o carimbo na testa. Para resumir, como estudante de primeiro semestre de Jornalismo da Fasul, em Toledo, e por viver aqui no meio do mato, digo, no meio da soja e do trigo, me consolo em saber que os pequenos vícios malditos do jornalismo daqui da paróquia, meio amador e sem dinheiro, não são tão diferentes, para nossa tristeza, da realidade das grandes redações.

Robinson Nogueira, publicitário, Toledo, PR



Casos sem desfecho

Não seria um papel da imprensa estar sempre atenta a casos como o do Waldomiro, procurando levantar o perfil de homens que ocupem cargos de influência pública? Será que ninguém nunca teve referências sobre os atos do Sr. Waldomiro? E nesse caso incluo os senhores presidente e primeiro-ministro. Por exemplo, o que está escondido no caso de Santo André. Por que a imprensa não busca levantar informações e colocar o público a par da verdade? Nós ficamos sempre na dúvida. É ou não verdade? A forma que temos para definir é obtendo o desfecho pela imprensa, e isso não acontece.

João Patrício



Correntes de fantasma

A questão se arrasta, como correntes de fantasmas, há décadas. A imprensa deveria buscar na gaveta a questão do financiamento público/privado de campanhas eleitorais. Lembro-me de que algumas empresas jornalísticas publicaram reportagens levantando dúvidas sobre o financiamento da campanha do PSDB em 2002. No entanto, quase todas as reportagens não têm seus desfechos publicados. Talvez não seja importante, mas queria colocar a seguinte pedrinha no sapato da imprensa: quem financia os pequenos jornais espalhados em todo o Brasil? A revista Época é totalmente imparcial em relação ao governo Lula? Bem, se a Justiça comprovar que o ministro José Dirceu tem culpa, que o puna.

Geraldo Magela Matias

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O poder da direita

Caro André Lux, o que mais me impressionou ao ler seu e-mail ao Observatório foi a consciência súbita do tamanho e da magnitude do poder desta direita brasileira identificados pelo seu faro jornalístico. Realmente, a constatação da existência de uma direita de tal envergadura que conseguiu fazer com que o substituto da figura mais importante do primeiro escalão do governo petista pedisse propina a um bicheiro, em seu passado recente, é algo absolutamente repugnante. Essa direita se torna mais repugnante ainda quando se constata que ela tudo fez para que seu chefe ignorasse inúmeras denúncias sobre o comportamento conspiratório de seu substituto, o que já era público desde julho do ano passado, vide reportagem da revista IstoÉ.

O mais incrível foi a liberdade que a direita deu a esse assessor. a ponto de ele ser tratado como ministro pelo Legislativo. Tal qual um agente duplo, essa direita foi cafajeste a ponto de fazê-lo, também, dividir a moradia com seu futuro chefe. Ou que seu futuro chefe o tenha indicado e mantido na presidência da Loterj. Realmente, esta direita, cujos muitos adjetivos são de minha concordância, excetuando-se pelo caráter fascista atribuído por você, é realmente vergonhosa e abjeta.

Robson Caetano



Alguns postulados

O texto de André Lux é longo, mas pode ser resumido a partir de alguns postulados feitos por ele: 1) Lula é de esquerda. 2) Lula é bom por ser de esquerda. 3) Quem critica Lula é direita, logo é mau. 4) Criticar Lula é coisa de gente má. Conclusão: Lula não pode ser criticado, a menos que sejamos maus. Esta é uma lição resumida do stalinismo. Além disso, o postulado nº 1 é bem discutível. Baseia-se em definição, não em prática política.

Ernani Porto

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Abuso da estatística

Cláudia Rodrigues, que com a mão no coração declara sua desilusão, legítima, quero corrigir a afirmação feita de que o poder é a corrupção em si mesma. Não é, o que acontece é que quando pessoas despreparadas chegam a ele (99% delas) tornam mesquinha sua administração. A alma pequena torna tudo pequeno, e em vez de permitir-se o engrandecimento pelo cumprimento de sua função nivela tudo por baixo, que é o espírito da corrupção. Esse é o lado sombrio da democracia, a de nivelar tudo por baixo. Como dizia Jorge Luis Borges, a democracia é um abuso das estatísticas.

Oscar Quiroga

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