Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MARCHA DO TEMPO > TV E CULTURA

Só antes das 7 da manhã

Por Vanderson de Souza Cordeiro em 29/04/2008 na edição 483

Onde andam os programas culturais da TV brasileira? Certamente antes das 7 da manhã, excelente horário para obtermos conhecimento e informações de qualidade, melhor ainda se os dias que vão ao ar são sábados e domingos.

Preocupam-se tanto em conscientizar as pessoas sobre isso ou aquilo, como fazer sexo seguro, diminuir a violência no trânsito tentando mostrar às pessoas que dirigir embriagado pode causar um acidente fatal… Mas não se preocupam com a qualidade dos programas exibidos nos meios de comunicação de massa deste país. Por aqui, é possível ver mulheres se agarrando com seus amantes por volta das 21:30 hs., a última edição do Big Brother Brasil teve mais votos que o presidente Lula, nas novelas dirigir embriagado é comum, são freqüentes casais que se traem mutuamente.

Dificilmente os temas abordados pelos programas de auditório têm algo de produtivo. Nunca vi um debate sobre alcoolismo, sexo na adolescência, valorização familiar nas emissoras de grande porte e que uma capacidade imensa ‘faz a cabeça’ dos brasileiros; pelo contrário, o que a gente mais acompanha nas novelas é namoro de adolescentes na faixa etária dos 13 aos 18 anos – os jovens que estudam e pensam em ser algo na vida são raros nos folhetins.

Programas educativos

Respeito e liberdade de escolha também são importantes, mas a grande quantidade de homossexuais existentes no horário nobre, a meu ver, já ultrapassou o limite entre direito e imposição. As atitudes tomadas por certos personagens nem de longe se comparam com os costumes e reivindicações dos homossexuais do Brasil. Um certo tom de gozação e desrespeito passeia pelo ar.

Tentam nos impor costumes, ideologias políticas, religiosas e até o que está certo ou errado. Como se traição, desonestidade, desrespeito e excessos de autoridade fossem algo comum e corriqueiro.

O jornalismo não fica atrás e segue os rumos da mídia, abusando do sensacionalismo em certas ocasiões e deixando passar despercebido. Temas importantes, como o aumento da verba de gabinete dos deputados federais. É mais digno nos encher de reportagens sobre o assassinato da pequena Isabella Nardoni do que mostrar que os crimes contra crianças vão muito além do que é divulgado pela imprensa. Esquecem-se que o número de crianças maltratadas neste país vai além de um ou outro assassinato bárbaro.

Resumindo de forma breve: quem quiser assistir algo educativo na TV brasileira precisa estar de pé aos sábados e domingos antes das 7 horas da manhã e assim poder dizer que a televisão serve para alguma coisa além de consumir energia elétrica.

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Jornalista precário, Santo Antonio do Aracangua, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/05/2008 ANTÓNIO CARLOS RODRIGUES

    Eu já tinha observado os fatos mencionados pelo artigo e imaginava porque as autoridades brasileiras não tomam providência no interesse das crianças, principalmente. Pelo menos o jornalismo da TV Cultura e o OI poderia dar mais ênfase nessa conduta ‘criminosa’ da TV aberta com vistas a conscientizar os telespectadores e indicar a direção às autoridades que quiserem ver.

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