Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

TV EM QUESTãO > THE NEW YORK TIMES

Sobre entrevistas e regras de edição

16/10/2007 na edição 455

Em sua coluna deste domingo [14/10/07], o ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, avaliou a coluna ‘Questions For’, de Deborah Solomon, publicada na revista do diário. A rubrica foi criticada recentemente quando um repórter do New York Press, semanário gratuito, entrevistou dois jornalistas – Amy Dickinson, do Chicago Tribune, e Ira Glass, criador do programa de rádio This American Life – que revelaram que suas entrevistas publicadas na coluna de Deborah continham perguntas que ela não havia feito.

Segundo Hoyt, alguns leitores podem imaginar que as entrevistas que a colunista realiza fluem tão bem como bate-papos na varanda, pois o texto sugere uma transcrição literal. No entanto, a realidade é bem diferente: Deborah tem que entregar uma coluna com aproximadamente 700 palavras a cada semana, o que significa que ela deve sintetizar uma entrevista que dura, às vezes, mais de uma hora e que rende mais de 10 mil palavras. A ordem das perguntas e respostas é alterada em alguns momentos, para dar mais clareza, alegam os editores. Pelo menos três entrevistas já foram feitas por e-mail, porque os entrevistados não falavam inglês ou tinham dificuldade de fala.

Sem mãe

Ainda assim, a maior parte dos entrevistados não reclamou destas pequenas alterações, embora os dois jornalistas não tenham sido os primeiros. No ano passado, a revista publicou uma carta de Tim Russert, da NBC, que reclamou que a entrevista de Deborah com ele foi ‘insensível, enganosa e danosa’. Russert, autor de dois livros sobre seu pai, contou ao ombudsman que Deborah lhe disse que a entrevista seria uma oportunidade de falar sobre sua mãe no Dia das Mães. No entanto, a coluna teve como título ‘Tudo sobre o meu pai’ e foi apresentada de modo a parecer que ele evitou responder às perguntas sobre a mãe. ‘Falei muito sobre a minha mãe, mas nada foi publicado’, conta.

Gerald Marzorati, editor da revista, analisou o caso e disse que ele tinha ‘mais ou menos’ razão. ‘Ele falou sobre sua mãe e Deborah fez parecer que não’, concordou Marzorati. A colunista confessa que errou ao não colocar o que Russert falou sobre a mãe. Depois deste episódio, uma nova regra foi colocada em prática, exigindo que Deborah entregue as fitas de suas entrevistas para seu editor ou para um pesquisador da revista, caso algo parecido volte a ocorrer.

Sem fitas

A entrevista de Amy foi feita em julho de 2003, antes desta nova regra e, portanto, não chegou a ser gravada. Segundo a jornalista, Deborah publicou frases que ela não chegou a dizer sobre outra jornalista, Ann Landers. Amy assumiu a coluna de Ann no Chicago Tribune e, na entrevista, ficou subentendido que ela estava falando mal de sua antecessora. Já a entrevista de Glass foi publicada em março, pouco depois das normas e da estréia da versão televisiva de seu programa de rádio. Ele também alega que Deborah não fez uma pergunta sobre a emissora Showtime, onde seu programa estava sendo exibido, e a impressão era que ele estava criticando o canal. Como os editores e a jornalista não encontraram a fita, não puderam tirar as dúvidas.

Hoyt diz que no manual do NYTimes há regras sobre a publicação de entrevistas. Segundo elas, os leitores têm o direito de acreditar que cada palavra entre aspas equivale exatamente ao que o entrevistado disse. A coluna ‘Question For’ não usa aspas, mas é apresentada de modo a parecer uma transcrição da entrevista. Marzorati alega que a coluna tem um estilo mais para o entretenimento do que para o jornalismo, mas o ombudsman não comprou a desculpa. ‘Isto não alivia a obrigação de seguir os padrões do NYTimes‘, afirmou.

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