Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 27/09

Tereza Cruvinel vai
dirigir a TV Pública

Por Textos selecionados por Luiz Antonio Magalhães em 28/09/2007 na edição 452


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 27 de setembro de 2007


TV PÚBLICA
Folha de S. Paulo


Jornalista vai presidir nova TV pública


‘A jornalista Tereza Cruvinel será a presidente da Empresa Brasil de Comunicação, a rede pública de TV que o governo Luiz Inácio Lula da Silva pretende lançar em dezembro.


Cruvinel é a principal colunista de política do jornal ‘O Globo’, onde trabalha há mais de 20 anos. Também faz comentários na Globonews. Ela foi convidada pelo ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Franklin Martins, que também pertenceu à Rede Globo. Ainda não há data para a posse de Cruvinel.


Antes de convidá-la, o governo sondou personalidades públicas que não são do ramo jornalístico para comandar a parte operacional da rede de TV. Algumas delas: o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o cientista Enio Candotti e o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence.


Os três recusaram convites para o posto. Belluzzo aceitou integrar o Conselho Curador, órgão que ficará acima da direção da rede e que dará as diretrizes da TV pública. O governo deseja que ele seja o presidente do Conselho Curador, cargo para o qual haverá eleição entre os conselheiros. Estima-se que poderá haver 20 conselheiros.


Após a recusa dos três convidados, o governo se fixou na busca de um jornalista da grande imprensa. Desde o primeiro mandato, quando a idéia de TV pública já era discutida no Planalto, Cruvinel era cotada para comandar esse projeto.


Antes de a sondagem ser feita, o presidente Lula foi informado e aprovou a idéia. Para a direção de jornalismo foi convidada Helena Chagas, que dirigiu a sucursal de Brasília de ‘O Globo’, onde trabalhou com Cruvinel. Ela deixou há pouco a chefia de jornalismo do SBT em Brasília. É colunista de política do ‘Jornal de Brasília’.


Cruvinel montará a equipe diretora da rede pública em acordo com Franklin. Essa equipe deverá ter entre cinco e seis diretores. Entre os cotados estão o atual presidente da Radiobras, José Roberto Garcez, e o secretário do audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Salles de Senna, convidado para a área administrativa.


Esse corpo diretor prestará contas a um Conselho Curador. Há possibilidade de que exista ainda um conselho administrativo. O governo planeja um orçamento anual de cerca de R$ 350 milhões para a TV -o que corresponde ao montante gasto pela Rede Bandeirantes. Uma operação como a da Rede Globo custa aproximadamente R$ 5 bilhões por ano.


A medida provisória que cria a TV deve ser enviada nos próximos dias ao Congresso. Só depois será publicada a nomeação de Cruvinel, que não quis antecipar seus planos na emissora.


Desde o primeiro mandato, Lula e o PT desejam criar uma rede pública de TV, pois avaliam que a grande imprensa não faz uma cobertura isenta. Lula e Franklin têm dito que a rede terá linha editorial independente do governo. A oposição acusa o governo de tentar criar uma rede simpática ao PT.’


CONCESSÕES EM DEBATE
José Alberto Bombig


PT promove corpo-a-corpo para mudar regras de concessão de TV


‘A direção do PT dará nos próximos dias mais um passo em sua campanha pela revisão do modelo de concessão de emissoras de rádio e televisão no Brasil, conforme decisão de sua Executiva do início deste mês.


Uma comissão do partido deverá ser recebida entre hoje e o dia 5 de outubro pelos ministros Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) para propor alterações no atual padrão de renovação das concessões do setor.


No dia 5, expiram as concessões das TVs Bandeirantes, Gazeta, Cultura e de cinco afiliadas da Globo. Na mesma data, movimentos sociais prometem manifestações contra as grandes redes do país.


Segundo Gleber Naime, secretário-nacional de Comunicação do partido e membro da Executiva Nacional, o encontro será definido nesta semana. ‘Eu mesmo já tive alguns contatos com o ministro Luiz Dulci. O ideal é que [a audiência] seja o mais rápido possível.’


O deputado federal Jilmar Tatto (SP), que é um dos vice-presidentes do PT, nega que a iniciativa tenha viés ‘chavista’. Em maio deste ano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não renovou a concessão de uma emissora privada.


‘Não tem nenhuma ligação com a Venezuela, mas com o processo de democratização das comunicações do país.’


Para o presidente da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Daniel Pimentel Slaviero, é incorreto dizer que o atual modelo das comunicações no país é ‘antidemocrático’.


‘O setor entende que esse modelo é definido pelo Estado, com base na lei e parte sempre de regras transparentes’, disse.


Segundo ele, a pressão do PT sobre os ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá interferir na renovação das concessões.


‘Uma coisa é o PT, outra, é o governo. Nós não imaginamos que o partido esteja se inspirando em exemplos antidemocráticos. Quem estiver em dia com suas obrigações, com os pré-requisitos da lei, não poderá ter dificuldade em renovar suas concessões’, afirmou.


Outro ponto da pauta a ser apresentada aos ministros diz respeito à implantação da televisão digital. Os petistas defendem o espaço para novos canais e o aproveitamento da tecnologia nacional no sistema.


‘O encontro com os ministros de Lula vai tratar da realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, da política de concessões de canais de televisão e a criação da TV Pública’, afirmou Tatto. Em resolução aprovada no seu mais recente Congresso, em agosto, o PT diz que o setor é uma ‘terra sem lei’.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Poder Legislativo


‘A horas da votação da CPMF na Câmara, ‘foi batido o martelo’, segundo Lauro Jardim, na Veja On-line, e ‘a disputada diretoria internacional da Petrobras vai mesmo para os braços da bancada federal do PMDB’. A diretoria vai investir, ‘só este ano’, R$ 2,3 bilhões.


A decisão foi ‘uma derrota para os peemedebistas Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá, que lutavam pela manutenção’ do atual diretor. Algumas horas mais e o PMDB do Senado derrubou, no voto, a secretaria criada por Lula para Mangabeira Unger.


Na manchete do Globo Online, ‘PMDB puxa tapete do governo’ por estar ‘descontente com o tratamento recebido’. E depois da Câmara tem CPMF no Senado.


PORTAS ABERTAS


Enquanto o site do ‘Wall Street Journal’ já analisava a desistência da Exxon da América do Sul como uma reação à renegociação de contratos em países como a Venezuela, a Agência Nacional de Petróleo avisou à Reuters que ‘Brasil não vai renegociar’ como os vizinhos. E à Bloomberg que, além de Petrobras, a mesma Exxon, mais as gigantes BP, Repsol, Chevron e outras estarão no leilão de novembro.


BRASIL E AS AMÉRICAS


Nas manchetes de Folha Online, UOL, Terra, G1, a bolsa ‘passa dos 59 mil pontos’. E mais, ‘só o Brasil recuperou patamar pré-crise no continente’, ‘único nas Américas’. Efeito da ‘percepção de que emergentes têm desempenho melhor que EUA’, dizia o site de ‘O Estado de S. Paulo’.


Enquanto isso, Lula falou a Charlie Rose na americana PBS, com acesso on-line, e alardeou, no destaque da Bloomberg, que ‘a maior economia da América Latina está afinal tendo crescimento forte com inflação baixa’. E prometeu ‘controlar a inflação por todos os meios’.


DE SAÍDA DOS EUA


O ‘WSJ’ tratou da ‘busca de refúgio no exterior’ para os americanos, com o dólar em queda recorde, a um passo de valer menos que o canadense.


Para gerentes de aplicação, ‘não, não é tarde demais’ e, ‘se ficar só em dólar, o mundo deixa você para trás’. O texto sugeriu ações de emergentes.


‘NOUVELLE VAGUE’


Já o financeiro francês ‘Les Echos’ deu que ‘Brasil seduz nova onda de investidores’. Cita números, casos franceses e de outros europeus, ouve o ministro Guido Mantega -e compara a onda às ‘grandes privatizações dos anos 90’.


ÀS COMPRAS NOS EUA


Em especial sobre fusões e aquisições, com reportagens longas sobre o Brasil, o ‘Financial Times’ destacou a compra da texana Chaparral pela brasileira Gerdau -e concluiu que o país ‘deverá continuar aproveitando a fraqueza nos desenvolvidos’.


‘DENTES AFIADOS’


Mais do ‘FT’. O avanço das empresas de emergentes, com exemplos dos quatro Brics, sobre as empresas dos EUA e outros seria efeito do crédito maior e do crescimento que supera os mercados internos. Por aqui, o estopim teria sido o ‘boom’ das commodities.


BRICS, BUSH E O CLIMA


A agência Associated Press foi atrás dos emergentes, questionar sobre o encontro convocado por George W. Bush para discutir o clima, hoje, e ouviu questionamentos de China e Brasil. Da primeira, ‘para um país em desenvolvimento, a tarefa principal é reduzir a pobreza’. Do segundo, ‘é um mito pensar que os países em desenvolvimento nada fazem para enfrentar a mudança no clima’.


De todo modo, na manchete do estatal ‘China Daily’, ‘Governo aprova plano de proteção ao meio ambiente’.


LEILÃO DE CARBONO


Globo News e G1 cobriram ‘o primeiro leilão de crédito de carbono do mundo’, ontem em São Paulo. A AP ecoou, mas dizendo que foi ‘o primeiro’ segundo a bolsa brasileira -que o realizou.


CORTINA DE FUMAÇA


Meses atrás, o ‘Financial Times’ deu uma ‘investigação’ de primeira página sobre o mercado mundial de créditos de carbono, com evidências de ‘nenhuma redução nas emissões’ e ‘fraudes’.


NOVAS MÍDIAS


Em seus telejornais, em seus intervalos, sem parar a Rede Record anuncia a estréia do Record News para hoje, com entrevista de Lula. Enquanto isso, o blog de Jorge Moreno anunciou que Tereza Cruvinel é quem vai presidir a TV Brasil


TELE VS. TELE


Carlos Slim, o homem mais rico do mundo, da Telmex, apareceu no ‘FT’ dizendo à ‘rival’ Telefônica ‘para abrir o jogo sobre planos no Brasil’.


A espanhola, que já tem a Vivo, diz que não vai interferir na gestão da TIM se a compra for aprovada. ‘Falta clareza’, diz o mexicano Slim, que já tem a Claro e tentou, antes da Telefônica, comprar a TIM.


INVASÃO GOOGLE


O site Relatório Reservado deu que a gigante Google vai fazer ‘download financeiro’ de R$ 200 milhões no Brasil.


Deve ampliar o atual e abrir mais dois centros de pesquisa no país. A subsidiária passa a testar e ‘lançar produtos de classe mundial da Google’. E o Brasil se torna, finalmente, a base operacional do site de relacionamento social Orkut.’


CASO MADDIE
Folha de S. Paulo


Suposta foto de Madeleine é na verdade retrato de camponesa marroquina


‘Caíram por terra as esperanças de que a menina inglesa Madeleine McCann, desaparecida desde o último dia 3 de maio, tivesse sido achada. A foto de uma garota que acreditava-se ser ela, tirada em Marrocos, revelou-se ser de outra menina -a marroquina Bouchra ben Aissa, de 5 anos de idade. Madeleine tinha quase 4 quando sumiu.


Enquanto a Interpol examinava a foto, tirada pela turista espanhola Clara Torres no norte de Marrocos no mês passado e divulgada na internet, o tablóide britânico ‘Evening Standard’ enviou à região onde a foto foi tirada um de seus repórteres.


O jornalista afirma ter encontrado a menina que aparecia na fotografia -de muito má qualidade, pois tirada à distância. A pequena Bouchra é filha de uma família de agricultores de azeitonas da vila de Zinat.


Um outro tablóide do Reino Unido, o ‘Daily Mail’, confirma a história do concorrente e alega que chegou a conversar com os pais de Bouchra. ‘Bouchra é minha filha, não é Madeleine’, disse o pai da menina, Hamid, que sabia da história da inglesinha desaparecida. ‘Lamento por seus pais. Espero que a encontrem’, desejou.


O ‘Daily Mail’ publicou ontem em sua edição on-line uma foto nítida da menina marroquina, a qual permite perceber que, apesar de seus traços lembrarem os de Madeleine, não se trata da mesma criança.


Uma porta-voz de Gerry e Kate McCann, os pais de Madeleine, declarou que o casal tem vivido numa ‘montanha-russa emocional’. ‘Claro que, se as informações de que a garota na fotografia não é Madeleine são verídicas, é uma frustração’, afirmou Clarence Mitchell.


Os pais de Madeleine deram queixa de seu desaparecimento no último dia 3 de maio, após voltarem do jantar e não a encontrarem no quarto de hotel onde a deixaram na Praia da Luz, em Portugal.


A cargo das investigações sobre o caso, a polícia portuguesa chegou a indiciar os McCann sob a acusação de que teriam matado acidentalmente a menina e se desfeito do corpo -o que o casal nega.’


TELECOMUNICAÇÕES
Elvira Lobato


Brasil Telecom lança TV por banda larga


‘Aproveitando uma brecha na legislação, a Brasil Telecom lançou o primeiro serviço de televisão por assinatura do país com transmissão pela rede de banda larga da telefonia. A tecnologia, conhecida pela sigla IPTV, ainda não está regulamentada no Brasil. ‘O que não é proibido é permitido’, resumiu o vice-presidente de operações da concessionária, Francisco Santiago.


O serviço será comercializado com a marca Videon, inicialmente, em Brasília e, posteriormente, nos demais Estados da área de concessão da empresa (regiões Sul, Centro-Oeste e parte da Norte).


A tele montou um banco de vídeos (filmes, seriados, documentários etc.) com mais de 500 horas de programação. A assinatura mensal básica custará R$ 29,90. O objetivo declarado da empresa é oferecer pacotes do tipo multisserviço (telefone fixo, celular, acesso à internet e TV paga) até à classe C, replicando o modelo implantado pela Embratel e pela Telefônica no Brasil.


Por não existir regulamentação para o IPTV, a Brasil Telecom usará a licença de Serviço de Comunicação Multimídia, expedida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que lhe permite usar apenas parcialmente os recursos da tecnologia.


Ela não poderá oferecer uma grade de programação com vários canais simultâneos, o que caracterizaria serviço de TV a cabo. As teles são proibidas por lei de oferecerem TV a cabo dentro de suas áreas de concessão de telefonia fixa.


Sob demanda


De acordo com Santiago, o assinante verá a programação na tela da televisão.


O sinal chega às residências via cabo e passa por um decodificador, semelhante aos das TVs por assinatura. A tele transmitirá um menu com as opções de vídeo, e o usuário escolherá a opção pelo controle remoto do televisor. Os filmes de lançamento e programação de conteúdo erótico serão cobrados à parte, como no sistema ‘pay-per-view’ das televisões por assinatura.


Por se tratar de um serviço novo, de resultado financeiro imprevisível, a Brasil Telecom fez o investimento em parceria com a japonesa Nec, em que as duas dividem o risco do empreendimento. A tele não informa o valor investido.


Os equipamentos (modem e decodificador) serão entregues em comodato (empréstimos) aos assinantes, o que indica que as empresas estarão subsidiando o serviço. A Brasil Telecom assinou contratos, para a compra de conteúdo, com fornecedores internacionais, como Disney, Universal, Playboy e Turner e também programação local educativa da TV Cultura, TV Escola e Sesc TV. Segundo Santiago, a concessionária quer comprar conteúdos de produtores independentes e das TVs abertas.


Segundo ele, 250 empresas oferecerem TV paga na tecnologia IPTV no exterior atualmente. Em vários países, elas se tornaram um competidor das TVs a cabo.


No Brasil, a tendência é no mesmo sentido. Há projetos na Anatel e na Câmara dos Deputados para a unificação das licenças de TV por assinatura, independente da tecnologia.


Disputa de mercado


A primeira tele a entrar no mercado de televisão por assinatura foi a Embratel, controlada pelo grupo mexicano Telmex. Em 2005, comprou 34% do capital da Net Serviços, das Organizações Globo. Em outubro do ano passado, a Net adquiriu parte importante do capital da Vivax e passou a controlar 75% do mercado de TV a cabo. Com isso, ela passou a oferecer pacotes de TV, internet e telefonia.


As demais concessionárias reagiram. A Telefônica passou a oferecer TV paga via satélite. A Telemar tentou comprar a operadora de TV a cabo WayTV, mas o negócio foi vetado pela Anatel.’


Lorenna Rodrigues


Leilão da Anatel movimenta R$ 570 milhões


‘O leilão de freqüências para celular feito pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nos últimos dois dias movimentou cerca de R$ 570 milhões, um ágio de R$ 100 milhões em relação ao preço mínimo exigido pela agência. De acordo com a Anatel, foram vendidos 77 lotes, de 105 oferecidos.


‘Nós atingimos o grande objetivo que é ter quatro grandes operadoras atuando em todas as áreas do país. Quem ganha é o consumidor, que terá mais competição’, declarou o superintendente de serviços privados da agência, Jarbas Valente.


De acordo com Valente, a expectativa é que as empresas invistam nas novas redes cerca de R$ 300 por aparelho celular.


No total, as empresas deverão pagar um valor menor do que os R$ 570 milhões anunciados pela Anatel, porque quem já tem licença para operar em uma área em que comprou freqüências poderá ter desconto. A Anatel não soube informar o valor final que será arrecadado.


A Claro foi a empresa que arrematou mais freqüências, 26 lotes ao todo. A operadora garantiu a cobertura nacional ao comprar, na terça-feira, faixas nos Estados de Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão e Roraima, além de Londrina (PR), onde não atuava.


A Oi, que na terça-feira comprou freqüências para operar em São Paulo, arrematou ontem novas faixas para o interior do Estado, além de lotes no Nordeste, Norte e no ES. No total, a TIM levou 14 faixas nas regiões Norte e Centro-Oeste, além de SP, Rio e ES.’


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Slim cobra da Telefónica ‘clareza’ sobre atuação no Brasil; espanhóis rebatem


‘DO ‘FINANCIAL TIMES’ – Carlos Slim, o bilionário mexicano das telecomunicações, cobrou da arquirrival Telefónica, da Espanha, que seja clara sobre seus planos no mercado de celulares no Brasil, o de crescimento mais rápido na América Latina.


O grupo espanhol faz parte de um consórcio que assumiu uma participação controladora na Telecom Italia, que é dona da TIM no Brasil -vice-líder do mercado de celulares. A Telefónica já é dona da Vivo, a maior do mercado brasileiro, em joint-venture com a Portugal Telecom. Slim e os espanhóis também duelam em telefonia fixa e internet.


Mas, num esforço para conseguir a aprovação da Anatel (agência reguladora do setor), a Telefónica disse que não exercerá qualquer influência sobre a TIM no Brasil, apesar de pretender fazer parte do grupo que controla a matriz italiana. A Anatel deve decidir sobre o negócio em outubro.


Em entrevista ao ‘FT’, Slim, considerado o homem mais rico do mundo, disse que a situação está ‘confusa’.


‘A coisa lógica a fazer, e por isso acho ruim que eles [a Telefónica] não definam a situação, é que a Telefónica se una à Telecom Italia no Brasil. O que não gostamos é dessa incerteza, incerteza para a agência reguladora brasileira, incerteza para seus concorrentes, incerteza para o mercado’, afirmou Slim.


Procurada, a Telefónica disse que seu compromisso de não interferir no Brasil, ou em qualquer outro país onde as duas companhias estejam presentes, está sacramentado num acordo com seus sócios na Telecom Italia.


Slim chegou a disputar com a Telefónica a compra da participação na tele italiana, como parte de uma oferta conjunta com a AT&T neste ano.


O negócio teria dado a Slim, dono da Telmex, operadora de linhas fixas no México, e da América Móvil, de celulares, uma fatia da Telecom Italia e, mais importante, presença maior no mercado brasileiro.


Mas a oferta conjunta não deu certo, com a AT&T culpando a ‘incerteza’ política e regulatória, depois do que a Telefónica entrou com sua oferta. A confirmação dessa oferta agora depende da aprovação das autoridades do Brasil e da Argentina, onde o grupo italiano também opera.


Slim, que tentou deter o acordo da Telefónica -a Claro, sua operadora de celular, conseguiu uma decisão temporária da Justiça para impedir que a Anatel considerasse o caso-, acusou os espanhóis de ‘falta de clareza’.


‘É confuso. De um lado eles têm essa realidade [como parte do grupo controlador italiano] e de outro dizem que não têm nada a ver com a operação. É como ser o parceiro principal de um grupo controlador de uma companhia e dizer que não tem nada a ver com essa companhia.’’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record News ameaça ir à Justiça contra Net


‘O canal de notícias Record News entra no ar hoje, às 20h, ameaçando travar uma batalha judicial contra a Net Serviços, maior operadora de TV paga do país. Sócia da Net, a Globo tem poder de veto sobre os canais nacionais que ela carrega.


Formalmente, a Record News é a nova denominação comercial da Rede Mulher, emissora em UHF da Igreja Universal. A Rede Mulher tem contrato com a Net para ser distribuída no cabo _em São Paulo, no canal 93. Por lei, a Net não é obrigada a carregar a Rede Mulher, porque seu sinal em São Paulo é de retransmissora.


Segundo a Record, o contrato da Net com a Rede Mulher não prevê rescisão no caso de a emissora mudar de nome e de programação, como agora.


No último dia 24, a Net enviou pedido de informações à Rede Mulher. Para a Record, a carta insinua que o sinal será cortado assim que virar Record News. ‘A gente sabe que o motivo [do corte] é a concorrência com o canal de notícias da Globo’, diz Alexandre Raposo, presidente da Record.


A Net afirma que a ‘situação [da Rede Mulher/Record News] está indefinida’. A operadora informa que até ontem não tinha sido procurada ‘oficialmente’ para conversar sobre a mudança, o que a Record nega _diz que tenta uma reunião há mais de um mês.


A Record News será aberta (em São Paulo, canal 42) e paga (está confirmada na TVA).


TRÍPLICE ALIANÇA O botão ‘play’ que colocará a Record News no ar será acionado pelo presidente Lula. Ao lado dele, estará o bispo Edir Macedo, que confirmou presença na inauguração _a ser transmitida também pela Record.


TRUNFO 1 O presidente do Senado, Renan Calheiros, deu entrevista exclusiva à Record News. O material será exibido hoje à noite, às 22h, no programa ‘Entrevista Record’, com uma hora.


TRUNFO 2 Segundo a Record News, Calheiros rebateu as denúncias contra ele, fez acusações ao usineiro João Lira e criticou a imprensa. Mas o momento mais tenso da entrevista, dada a Adriana Araújo, foi quando falou de Mônica Veloso, com quem tem uma filha.


DIGITAL A MTV captará em alta definição (HDTV) todo o Video Music Brasil (VMB), que exibe hoje à noite. Será a primeira transmissão em HDTV da MTV, experimental, no canal 31 _que o telespectador ainda não consegue sintonizar. O VMB será reprisado quando as transmissões digitais passarem a serem abertas, em dezembro.


ACONTECEU DE NOVO O ‘Show da Fé’, teleculto de R.R. Soares na Band, voltou a ganhar do SBT anteontem, por três pontos a dois. Mas ‘apenas’ empatou com o ‘SBT Brasil’, que mudou de horário (agora entra às 21h40).


SEIS POR SEIS A próxima novela das seis da Globo se chamará ‘Desejo Proibido’. O título substitui ‘Milagre do Amor’.’


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 27 de setembro de 2007


TV PÚBLICA
Lisandra Paraguassú


Colunista vai presidir TV Pública


‘A presidente da nova TV Pública, a ser criada pelo governo federal, será a jornalista Tereza Cruvinel, colunista de política do jornal O Globo. A indicação, que estava sendo negociada entre Tereza e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, foi confirmada na noite de ontem pela própria jornalista.


Ainda não há data para a posse – a TV ainda não foi nem mesmo criada. O grupo de trabalho que analisa o formato da nova empresa encerra os seus trabalhos hoje e, em seguida, a proposta terá que ser aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A medida provisória que criará a TV, de acordo com a Secom, ainda precisa de ajustes jurídicos. Apesar da previsão inicial de que todo o processo estaria concluído ainda em setembro, o próprio governo ainda não garante esse prazo nem quer apostar em outro.


SEDE NO RIO


A TV Pública deverá usar parte da estrutura que hoje pertence à Radiobrás, a rede de comunicação do governo federal. A sede da nova emissora deverá ser no Rio de Janeiro.


Formada em Comunicação Social pela Universidade de Brasília, a colunista – que é também comentarista do canal a cabo Globonews – está no jornalismo político desde o início de sua carreira. Trabalhou na TV Brasília, depois no Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Globo, no qual é responsável, desde 1986, por uma coluna diária de notas políticas. Em 2002, Tereza ganhou o Prêmio Unisys de Jornalismo por seu trabalho em favor da inclusão digital.’


CONCESSÕES EM DEBATE
Paulo Darcie


Abert defende modelo de concessões de TV e rádio


‘A intenção do PT de pressionar o governo para formular outro modelo de escolha para as concessões de TV é ‘apenas mais uma discussão interna do partido’, diz o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero. Os critérios para concessão, lembra ele, são conduzidos pelo Ministério das Comunicações. Para Slaviero, a revisão dos critérios de concessão não é necessária.


Ele contesta o secretário de Comunicação do PT, Gleber Naime, segundo o qual as concessões estão nas mãos de poucos. No Brasil, afirma, existem mais emissoras e retransmissoras comunitárias do que comerciais. Isso, segundo ele, deixa claro que os movimentos sociais têm espaço. O controle das concessões – que, segundo Naime, está em grande parte nas mãos de políticos – é fruto, para Slaviero, de falha na legislação. Ela proíbe políticos de serem diretores e gestores de canais de TV, ‘mas não fala nada sobre o direito de serem donos de veículos de comunicação’, observa. Ele considera rígidas as exigências para renovar concessões.


O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, afirma que as finalidades do rádio e da TV não são atendidas. ‘A TV tornou-se vendedora de tapetes.’ Além disso, acha que os movimentos sociais só aparecem na tela quando há algo violento em sua conduta. O presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV, Fernando Dias, acredita que a ausência dos movimentos sociais se deve a falhas da legislação. Em outros países, conteúdo regional e produções independentes são obrigatórios.’


Ipojuca Pontes


Em torno das concessões de TVs


‘No próximo dia 5 de outubro se finda o prazo de renovação das concessões de licenças para o funcionamento de algumas emissores de televisão, entre elas as TVs Record, Gazeta, Bandeirantes, Cultura e, em destaque, a Rede Globo e cinco das suas afiliadas.


Em nota divulgada no dia 6 de setembro, reportando-se ao fato, a Executiva do Partido dos Trabalhadores informou aos interessados que ‘acompanhará’ as manifestações de protestos a serem acionados pela UNE, pelo MST e pela CUT nas 27 capitais do País. Tais entidades, afinadas com o pensamento petista, são contra a renovação das concessões sem a imposição de novas regras, tais como, por exemplo, cota mínima de programação cultural e educativa com a respectiva ampliação da produção regional e, ademais, o acesso mais fácil ao direito de resposta.


Diz a Executiva do PT: ‘Os movimentos sociais e entidades do campo da comunicação vêm preparando mobilizações nas quais pretendem questionar o sistema de concessões, a concentração de propriedade e cobrar critérios que garantam a participação da sociedade organizada nas outorgas e renovações e no acompanhamento do conteúdo transmitido. A Executiva acompanhará o desenrolar destas mobilizações e solicitará a nossa bancada no Parlamento que faça as gestões necessárias para que seja revisto o atual sistema de concessões.’


Por sua vez, o deputado Jilmar Tatto, um dos dirigentes da agremiação, solidário com as manifestações das referidas entidades, afirmou, num tom de indisfarçável advertência: ‘O PT, pela sua história, não teria dificuldade nenhuma em apoiar os protestos sobre comunicação. Mas por enquanto é só um acompanhamento político que estamos fazendo.’


No dia 3, em declarações prestadas aos jornais, José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil e ex-deputado, cassado, enfatizou ser fundamental a tarefa de regular a mídia no País. ‘Essa discussão mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que fazer’, disse o líder oficioso do PT, acusado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de ser o principal mentor da ‘sofisticada organização criminosa’ responsável, em Brasília, pela execução do esquema do ‘mensalão’.


No mês de agosto, semanas antes de o Supremo Tribunal Federal aceitar a denúncia contra os 40 acusados de participarem do ‘mensalão’, considerado o maior esquema de corrupção da nossa história política, o hoje consultor de negócios José Dirceu batia na tecla de regulamentar os meios de comunicação no Brasil. Para o ex-deputado, que se julga vítima da mídia, diante de um comportamento ‘anacrônico e antidemocrático’, faz-se urgente a aprovação de uma ‘nova Lei de Comunicação Eletrônica de Massa que avance na democratização do acesso à informação e no controle social dos meios de comunicação’.


E aqui reside o ponto crítico do problema, que consiste no seguinte: o que José Dirceu (amigo dileto de Fidel Castro) entende por ‘democratização’ e ‘controle social dos meios de comunicação’ nem sempre ou quase nunca coincide com os reais anseios da democracia representativa e da própria sociedade. De fato, o conceito político de democracia propugnado pelo PT, partido ‘hegemônico’ de Dirceu, está irreversivelmente ligado à visão de uma ‘democracia popular’, extinta na Rússia e no Leste Europeu e de cunho abertamente classista. Com efeito, conforme as atas do Foro de São Paulo realizado em Porto Alegre no ano de 1997, do qual o Partido dos Trabalhadores foi um dos principais signatários, o regime democrático com que ora se convive na América Latina não passa de uma transição para se chegar ao socialismo – quem sabe idêntico ao imposto por Fidel Castro ao povo cubano.


Para quem desconhece, vale salientar que no citado Foro, durante o Encontro Paralelo de Comunicação, depois de inúmeras discussões entre os seus integrantes, foram definidos os meios pelos quais o PT e as demais organizações de esquerda chegariam ao controle da informação no Brasil, uma vez que ‘a questão da comunicação e da telecomunicação tem um sentido estratégico no enfrentamento ao neoliberalismo’.


Então, de forma objetiva, para destruir o neoliberalismo e chegar ao socialismo, são explicitados no documento alguns pontos programáticos de ação política efetiva, destacando-se, entre eles, os seguintes:


Urgente constituição do controle público (por via de conselhos e sindicatos) sobre os meios de comunicação e telecomunicação; mobilização da sociedade civil organizada, tarefa que ‘caberá aos partidos de esquerda’; reorganização dos sistemas de comunicação no sentido contrário da concentração monopolista (tipo TV Globo, por exemplo); prioridade do envolvimento dos partidos e organizações de esquerda na luta pelo controle público destas áreas.


Hoje, no que tange à tarefa de ‘reorganizar os sistemas de comunicação no sentido contrário da concentração monopolista’, pode-se presumir a que servirá a rede de TV Pública, em que o ‘Estado paga, mas não manda’, agendada pelo governo Lula para estrear no próximo mês de dezembro. Segundo se anuncia, a TV Pública será orientada por um conselho curador cujos membros serão indicados pelo governo petista e por organizações civis, tal como recomendado pelo Foro de São Paulo, cujo objetivo é transformar a democracia representativa em democracia ‘popular’ ou ‘participativa’.


Quanto às intenções do ex-deputado José Dirceu e da Executiva do Partido dos Trabalhadores, em torno da regulação da mídia e da liberdade de imprensa, resta considerar o seguinte: estabelecido o controle sobre os meios de comunicação e a imprensa livre, quem vai controlar os arroubos ‘hegemônicos’ de José Dirceu e da Executiva do PT?


Por acaso seria a rede TV Pública criada por Lula?


* Ipojuca Pontes, cineasta e jornalista, é autor do livro Politicamente Corretíssimos’


GOVERNO SERRA
Silvia Amorim e Renata Cafardo


Serra faz troca no secretariado


‘O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), confirmou ontem a demissão do secretário de Comunicação, Hubert Alquéres. Assumirá o cargo o subsecretário de Gestão Estratégica da Casa Civil, Bruno Caetano. Ainda ontem Hubert despachou na secretaria. ‘Já há algum tempo ele tinha manifestado desejo de permanecer somente na Imesp (imprensa oficial). Eu que insisti que ficasse nas duas funções. Mas depois me convenci de que não era o caso’, afirmou Serra.


Alquéres é o terceiro secretário a deixar o governo Serra. A primeira deserção foi em julho com a saída da então secretária de Educação Maria Lúcia Vasconcelos. Ela alegou motivos pessoais, mas, nos bastidores, a conversa era de que Serra estaria descontente com o desempenho da auxiliar.


No mês seguinte, José Aristodemo Pinotti pediu para se desligar da recém-criada Secretaria de Ensino Superior. Eleito deputado pelo DEM, Pinotti largou a Câmara para integrar a equipe de Serra, mas sofreu desgastes desde o início do governo. O pior deles foi a briga de forças com as universidades devido a um decreto de Serra que, segundo os reitores, acabava com a autonomia do setor.


INVESTIGAÇÕES


A mudança teria sido decidida no fim da noite de anteontem. Alquéres é alvo de seis investigações no Ministério Público Estadual, a mais recente delas publicada pelo Estado no dia 10. A promotoria investiga contratos entre uma empresa da qual Alquéres é sócio e a Secretaria de Estado da Educação.


Segundo o Ministério Publico, a investigação está sendo conduzida pela promotora Andréa Chiaratti e ainda não há conclusões. A empresa da qual Alquéres é sócio, o Instituto Japi, ganhou três pregões em 2005 e 2006 para oferecer cursos de formação de professores da rede estadual de ensino. A secretaria havia empenhado R$ 607.308,58 para contratos com valor total de R$ 224 mil. Procurada pela reportagem, a secretaria informou que R$ 382 mil foram anulados, depois do empenho.


Alquéres é engenheiro civil, sempre atuou na área de educação e os problemas seriam causados pelo fato de ele não ter experiência na área de comunicação. O ex-secretário chegou a pedir demissão ao governador perto do dia em que a reportagem do Estado foi publicada, mas Serra teria aconselhado que ele ficasse para que a mudança não fosse associada à denúncia. Alquéres continuará na presidência da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.


Ontem, por e-mail, o ex-secretário disse que solicitou o desligamento da pasta ‘por razões estritamente pessoais’. ‘Tive três conversas com o governador José Serra – a primeira delas há mais de um mês – e, apesar dos pedidos para que eu reconsiderasse a decisão, estava claro para mim que este era o melhor caminho a ser seguido’, afirmou.’


PUBLICIDADE
Patrícia Cançado


Camila é cobiçada por empresas


‘A atriz Camila Pitanga – que até amanhã interpreta a prostituta Bebel na novela Paraíso Tropical – entrou definitivamente para o time de garotas-propaganda de peso. A partir da semana que vem, quando o folhetim eletrônico já não estiver mais no ar, Camila será a estrela da nova campanha da joalheria de luxo H. Stern. Ela substituirá a atriz hollywoodiana Ashley Judd nas campanhas de circulação nacional.


O sucesso de Bebel transformou a atriz na nova queridinha da publicidade. Camila é a estrela da campanha de verão da marca Melissa, o rosto atual da grife Cori e deve participar de campanha do Ministério da Saúde e da ONG Cedus contra a sífilis.


A H. Stern não usava um rosto brasileiro havia três anos – o último foi o da modelo Talita Pugliese. Nesse intervalo, a joalheria contratou as tops Kate Moss e Yael Goldman. ‘‘O fato de Camila ter vivido uma prostituta não vai afetar a imagem da joalheria. Nós contratamos a mulher Camila, que é sofisticada e sensual, e não a personagem Bebel’’, diz o embaixador da H. Stern, Christian Hallot. ‘‘Na década de 80, contratamos a atriz francesa Catherine Deneuve alguns anos depois de ela ter vivido uma prostituta.’’


O uso de estrangeiras faz parte do projeto de internacionalização da grife, iniciado em 2003. Atualmente, 80 das 160 lojas próprias da rede estão fora do Brasil e quase metade da produção é exportada.’


CRÔNICA
Luis Fernando Veríssimo


Em torno da fogueira


‘Escritores como Balzac e Dickens publicavam seus livros em capítulos na imprensa, no caso do Dickens em revistas que ele mesmo editava e que algumas vezes só continham o seu trabalho. A popularidade de Dickens era imensa. Multidões impacientes iam ao porto de Nova York esperar os navios que chegavam da Inglaterra com novos exemplares dos seus folhetins, e só se pode imaginar a angústia que era depender de ventos e correntes marítimas para saber quem matara uma Thaís da época. Como o Gilberto Braga, Dickens também recebia sugestões do público sobre o que fazer com seus personagens e como direcionar suas tramas. Italo Calvino escreveu que essa interação entre público e autor não vinha de uma confusão de ficção com realidade mas da velha comunhão tribal em torno das primeiras fogueiras com os primeiros contadores de histórias, uma tradição que sobreviveria à substituição da narrativa oral pela escrita – e bem mais tarde a da fogueira comunitária pela televisão. O próprio Dickens reforçava a analogia e, transformado em celebridade pelo sucesso e valendo-se da sua vocação de ator frustrado, lia suas histórias em público na Inglaterra e suas províncias e nos Estados Unidos, podendo sentir ao vivo a reação às suas criações e o poder encantatório da sua arte antiga. E, sem dúvida, ouvir protestos e palpites sobre suas narrativas. Olha aí, Gilberto: uma idéia. Que você pode tomar como uma receita para a loucura.


Já disseram que se aprende mais sobre a Europa, e principalmente Paris, do começo do século 19 na ficção de Balzac do que no trabalho de qualquer historiador ou sociólogo. Balzac fez de Paris não apenas cenário mas personagem dos seus livros, e lá estão, além da aristocracia e do povão com seus modos e diferenças, as pretensões, as manias, até as gírias da época. Seria demais dizer das novelas de televisão sobre o Rio, que mesmo feitas por um especialista em Rio como Gilberto Braga são muitas vezes simplistas e improváveis, o que (de novo) Calvino disse de Balzac, que sua obra é uma espécie de topografia moral de Paris, que nela a cidade se transforma em linguagem e ideologia, mas não é improvável que no futuro se descubra a topografia moral do Rio desta época numa novela popular. E certamente não faltará quem dirá que seus autores foram os Dickens e Balzacs do seu tempo.


No fim, admirável mesmo é este gosto nacional pela narrativa, esta reunião em torno de uma fogueira eletrônica para ouvir histórias que no Brasil se repete mais do que em qualquer outro lugar do mundo. E no horário nobre!’


TELEVISÃO
Luiz Carlos Merten


Consagrado na TV e aplaudido no cinema


‘Ator desde os 15 anos, Wagner Moura, aos 31, vive um momento glorioso de sua carreira. O Brasil inteiro estará em suspense amanhã, grudado diante da TV para assistir ao final de Paraíso Tropical. Para muitos, a grande pergunta não é ?Quem matou Taís?? e, sim, ?Olavo vai ficar com Bebel?? O empresário mau-caráter e a garota de programa caíram no gosto do público e há grande expectativa para que eles fiquem juntos. Será? Paraíso Tropical tem registrado altos índices de audiência, mas outra faceta do talento de Wagner Moura tem dado o tom da discussão no cinema brasileiro.


Ele faz o capitão Nascimento de Tropa de Elite, o filme polêmico de José Padilha que virou a sensação do ano. O êxito de Tropa de Elite tem sido anunciado por vários indicadores. Nas sessões especiais, como a que abriu o Festival do Rio na quinta-feira da semana passada, o Capitão Nascimento foi aplaudido em cena aberta quando mata e tortura traficantes nos morros do Rio. Pirateado, calcula-se que Tropa de Elite já tenha sido visto por 3 milhões de pessoas. Muita gente garante que isso não vai impedir o filme de se transformar no sucesso do ano, quem sabe no sucesso do cinema brasileiro da Retomada, a fase que começou há 12 anos. O capitão Nascimento é um herói? Tropa de Elite é fascista?


Na segunda-feira, Wagner Moura conversou sobre tudo isso com a reportagem do Estado. Ele havia marcado a entrevista para o meio-dia, no café do Parque Lage, no Jardim Botânico. Como mora ali perto, veio caminhando, ainda sonado. Desculpou-se por ficar bocejando – ‘Bicho, passei a noite gravando. Fui dormir às 7 da manhã.’ Nos últimos dias, tem sido essa a sua rotina. Nas madrugadas de sábado e domingo, ele gravou uma cena de perseguição particularmente trabalhosa. Ontem, receberia as cenas finais de Paraíso Tropical, que serão gravadas hoje. A pergunta que não quer calar – Olavo vai ficar com Bebel?


‘Cara, não sei. Não estou mentindo. Já tem até capa de revista detalhando a morte do Olavo, mas ainda não recebi o capítulo final. Mas eu desconfio de que Gilberto Braga vai aprontar alguma com a gente. Olavo e Bebel viraram queridinhos do público, mas aprontaram muito. Acho que o Olavo vai ser punido, não sei se com a morte.’ Wagner tem alguma explicação para o fato de dois personagens de moralidade tão discutível – Olavo e Bebel – terem superado o afeto que o público tradicionalmente dirige para o mocinho e a mocinha? Pode-se ver nisso um sintoma da crise que assola o País – moral, institucional, como não brada a oposição?


‘Não sou sociólogo para ficar opinando sobre isso, mas tem um lado técnico que eu acho importante destacar. É o humor. No início, nem Olavo nem Bebel tinham muito humor, não. Foi algo que descobrimos e desenvolvemos, Camila (Pitanga) e eu. Os autores começaram a escrever cada vez mais pensando no humor.’’


Luiz Carlos Merten


‘‘Problema é o olhar torto do público’’


‘Wagner Moura escolheu o café do Parque Lage, no Jardim Botânico, zona sul do Rio, para conversar com o repórter do Estado. Por quê? ‘‘Moro aqui perto e este é um lugar que visito bastante. Tem um café da manhã ótimo e gosto de sentar aqui nestes bancos com meu filho. Leio, brinco com ele, me dá muita paz’’, ele diz. O sucesso não mudou o perfil de Wagner. Baiano, de Salvador, continua boa-praça – e ralando. ‘‘Ralo desde os 15, bróder. Comecei no teatro com essa idade. Há seis vim para o Rio com A Máquina. Viemos – Lázaro Ramos, Vladimir Brichta. Continuo ralando, mas a diferença é que agora ganho um pouco mais.’’


Não vamos falar de ‘‘Quem matou Taís?’’, mas da outra pergunta: ‘‘Tropa de Elite é fascista?’’


É absurdo esse debate criado em torno do filme. Padilha (o diretor José Padilha) é um humanista que fez Ônibus 174, pô. Como um cara desses pode ter feito um filme fascista?


Digamos então que o filme estimula o fascismo das pessoas. Na sessão de abertura do Festival do Rio, o público queria sangue e gritava ‘‘Mata!’’, sempre que o capitão Nascimento estava torturando traficantes.


Outra coisa que se discute é se o capitão Nascimento é um herói. Nem o filme é fascista nem ele é um herói. Acho que o que há é um olhar torto do público. As pessoas sentem-se tão inseguras, tão desprotegidas que embarcam em qualquer promessa, mesmo que mínima, de segurança. Tropa de Elite está provocando esse bochincho porque é o filme certo, na hora certa. O que o Padilha discute é a falência do sistema de segurança no País. E não só. Ele discute o papel da classe média diante do tráfico. Quando Nascimento esfrega a cara do boyzinho no sangue do traficante morto, ele está chamando a classe média à responsabilidade. Se não houvesse consumidores, não haveria tráfico.


O filme discute a corrupção da polícia comum. Ao mesmo tempo, documenta a violência do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Como foi vestir a farda e subir o morro?


Havia um acordo com o movimento (o tráfico) para que a gente pudesse filmar. Num determinado momento, ele foi rompido e as armas da produção foram roubadas, mas nunca senti que corria risco de morrer, por exemplo. Havia tensão, alguns oficiais do Bope tentaram impedir a exibição do filme, mas, cara, a maioria da polícia e do Bope é a favor. Os integrantes do Bope amam o batalhão e acham que o filme divulga o trabalho deles. A polícia comum acha que o filme explica por que eles são corruptos.


Nascimento é um homem em crise. Quer salvar a família e o batalhão, arranjando um substituto para ele mesmo no Bope.


Tem gente que acha o filme fascista e o Nascimento, um herói porque o humanizo. É meu papel como ator. Entender e humanizar esse cara que, apesar de toda sua violência, é humano. Saí do set de Saneamento Básico – O Filme e caí no meio da preparação de Tropa de Elite. Foi a coisa mais doida, aquilo mesmo que está no filme, em relação aos novos aspirantes. Meu filho tinha nascido, era a mesma situação do Nascimento no filme. A diferença é que quando chegava em casa, após um dia extenuante de filmagem, olhava meu filho no berço e isso me dava muita paz.


Sua carreira teve um desenvolvimento extraordinário nos últimos tempos. É um sucesso atrás do outro: Cidade Baixa, JK, Paraíso Tropical, Tropa de Elite. Qual é a fórmula?


Trabalho, e sorte. Todo aquele pessoal da Máquina, o Lázaro, o Vladimir e eu estamos colhendo um pouco o trabalho do nosso esforço. Mas foi duro, meu irmão. Não pensa que foi mole, não.


Você diz que Olavo só deslanchou na novela por causa do humor. Você imaginava que o personagem teria essa repercussão toda?


Digamos que ele superou minha expectativa, mas Gilberto Braga criou alguns dos maiores vilões e vilãs da história da TV brasileira. Fazer um vilão numa novela dele é muito mais interessante, e estimulante, para qualquer ator, que o mocinho. O vilão provoca. O mocinho, como poço de virtudes, é um chato.


Suas cenas com Bebel possuem alto apelo erótico. Outro dia você a chamou de cachorra, esculachou, mas as mulheres não acharam vulgar. Tem gente dizendo que você virou mito sexual…


Cara, eu? Não sei nem como responder a isso. Acho legal as pessoas curtirem os diálogos, as cenas, mas mito sexual? Sou casado, um homem de família, não sou boyzinho para posar de gostoso.


A novela termina amanhã, o filme estréia dia 12. Qual será o dia seguinte de Wagner Moura?


Vou tirar férias com a família, depois volto ao teatro. Foi lá que comecei, é lá que me alimento, que ganho energia. O teatro é a arte do ator, não o cinema, não a TV.


E o que você vai fazer?


Hamlet, com direção de Aderbal Freire Jr., no ano que vem.


Por quê?


Porque é a melhor peça já escrita. Shakespeare é tudo.


Mas daqui a 30 anos você vai chegar à conclusão de que Rei Lear é melhor ainda.


Bacana. Vou ter mais um grande papel e texto para sonhar.’


Keila Jimenez


Intervalos engordam


‘Paraíso Tropical chega em sua reta final com overbooking de anunciantes. Agências e profissionais do mercado já foram avisados pela Globo que não há mais espaço nos breaks e nos merchandisings da trama em seus dois últimos dias no ar. A demanda é tanta que a Globo abriu esta semana um break a mais para cada capítulo.


Segundo levantamento da Controle da Concorrência, empresa que monitora as inserções comerciais para o mercado, na segunda-feira Paraíso teve cinco intervalos comerciais, com 49 inserções e 33 anunciantes. O número impressiona se comparado às inserções do dia 17, que teve 4 breaks comerciais com a presença de 25 anunciantes.


Entre os principais anunciantes da novela estão o Bradesco e a Grendene.


O folhetim também se fartou de merchandising. Ministério do Turismo, Itaú e Natura foram algumas das marcas que desfilarem na trama. Isso sem falar em um dos merchandisings mais caros na história da telenovela, o lançamento de um carro da Cintrõen: a ação contou com participação de boa parte do elenco, mereceu festa montada dentro do Projac e custou mais de R$ 1 milhão.


Entre- linhas


Em nota, a Net informa que não foi procurada ainda pela Record para discutir a mudança de Rede Mulher para Record News, canal que entra no ar hoje. ‘‘Em relação à perspectiva de mudança do conteúdo transmitido pela Rede Mulher, a Net informa que enviou carta à emissora em 24 de setembro solicitando esclarecimentos sobre assunto. Até o momento, a Net não foi procurada oficialmente para conversar sobre mudança.’’


A propósito: a Record News entra no ar hoje, com entrevista de Lula. E José Serra gravou entrevista a Celso Teixeira para ir ao ar amanhã, às 23h30.


Pânico renova até 2010 com a RedeTV!


A turma do Pânico está garantida na RedeTV! até 2010. E desta vez, o contrato da trupe, que venceria no fim do ano, foi renovado há dois meses, antes mesmo de começarem as especulações em torno de propostas de outros canais.


Há quatro anos no ar, os humoristas ganharam dois reforços que emplacaram de vez no programa: Daniel Zukerman, ex-estagiário da rádio Jovem Pan que faz a sátira do cantor Supla, o Xupla, e Evandro Santo, o Cristian Pior. Os dois também acertaram contrato fixo com a RedeTV!.


Se ela dança, eu danço


Eis Sofia (Juliana Barone) e Rafael (Ricardo Martins), protagonistas de Dance Dance Dance, novela da Band que estréia segunda-feira. Na cena, eles engatam um tango. A trama promete exibir coreografias diversas, passando por mambo, salsa, balé, jazz e sapateado.’


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