Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

“Uma revolução sem
repórteres nas barricadas”

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 18/12/2008 na edição 516


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


MÍDIA & MEIO AMBIENTE


Marcos Sá Corrêa


Uma revolução sem repórteres nas barricadas


‘Esta coluna cumpre o doloroso dever de informar que os jornalistas ambientais entraram na lista das espécies ameaçadas de extinção. A notícia saiu em GreenBiz, site estrategicamente plantado na esquina onde o caminho do planeta para o pronto-socorro cruza com formas mais limpas de ganhar dinheiro. E dali se vê que a crise financeira está batendo em cheio na área verde das redações, segundo o colunista Joel Makower.


O vento que soprou as folhas de pessoal nas últimas semanas ‘foi devastador’, segundo Makower. A revista Fortune demitiu seus dois especialistas no assunto. A rede CNN desmontou sua equipe de cobertura ambiental, a começar pelo âncora Miles O?Brien. O Weather Channel fechou o departamento responsável pela série Forecast Earth que, em vez de previsões meteorológicas para os próximos dias, trata de adivinhar o destino da Terra.


E houve baixas notórias nas editorias ambientais dos jornais The New York Times, Los Angeles Times e San Francisco Chronicle. Em parte, porque a receita publicitária caiu. E sem dúvida porque há ofertas mais baratas ou gratuitas no mercado de derivativos jornalísticos, onde se acotovelam blogueiros, oferecendo mais ou menos os mesmos serviços.


Tudo isso poderia caber tranqüilamente na conta da economia desgovernada, que engole tudo. Mas Makower alega que, assim como as montadoras de carros americanos, o jornalismo ambiental já vinha mal das pernas antes da quebradeira geral. Simplesmente porque envelheceu. Ele herdou dos bons tempos de militância ecológica o faro muito atilado para rastrear más notícias, e não notou a tempo que seu próprio êxito em despertar para a causa a opinião pública conspira contra a obrigação quase diária de tirar novidades da eterna fonte de más notícias.


Para convencer o mundo de que qualquer atividade humana – inclusive respirar – tem preço para o equilíbrio geral da Terra, o repórter especializado começa a precisar de reciclagem, sob pena de parar no aterro do desemprego vitalício. Denúncia tem limite, numa civilização industrial que até agora foi incapaz de produzir um alfinete, e levá-lo da fábrica ao balcão, sem poluir ou desperdiçar.


Fazer tudo errado é a rotina. E a rotina, em si, não dá notícia. Makower, que tem 20 anos de experiência nesse tipo de cobertura, diz que os jornalistas estão perdendo, nessa quebradeira mundial, uma chance histórica de renovar seu ofício, aprendendo a olhar de perto o que vem pela frente.


A indústria automobilística americana, com ou sem respiração boca-a-boca do governo, tende a se transformar radicalmente ou desaparecer. Depois de entupir as ruas por mais de um século com motores de combustão interna, ela já estava mesmo no fim da linha, adiando a chegada do carro elétrico. A construção civil, desde a virada da década, tem fincado em prédios auto-sustentáveis, que geram eletricidade com seus próprios resíduos e esgotos. As fábricas tratam rapidamente de se livrar dos tóxicos, rejeitados pelos consumidores ao menos em produtos de ponta.


Se uma só dessas profecias se concretizar, ocorreria o que Makower chama de revolução. E as revoluções sempre foram a notícia favorita de nove entre dez jornalistas.


* É jornalista e editor do site O Eco (www.oeco.com.br)’


 


 


TELECOMUNICAÇÕES


Gerusa Marques


Anatel pode aprovar hoje a fusão Oi-BrT


‘A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve aprovar hoje a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, que resultará em uma megaoperadora com posição dominante em todo o País, com exceção de São Paulo. A reunião do conselho diretor sobre a anuência prévia para a aquisição será fechada, e está marcada para começar às 10 horas. Há dois meses, quando aprovou a mudança de regras que permitiu a aquisição, a reunião foi aberta, e pôde ser acompanhada pelo público. A formação de uma grande operadora com capital nacional tem recebido apoio do governo, o que inclui R$ 6,869 bilhões de bancos estatais.


Para dar seu aval ao negócio, a Anatel deve estabelecer cerca de 30 contrapartidas, que terão de ser cumpridas pela nova Oi até junho de 2010. Se concluído hoje, o processo de anuência prévia da BrOi, como foi apelidada a empresa, será o mais rápido da história da Anatel. A Oi deu entrada no processo no último dia 21. Levantamento da Associação Brasileira de Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), que reúne rivais da Oi e da BrT, mostrou que o menor prazo até hoje foi de 63 dias.


VETO


A relatora na Anatel do processo de fusão, Emília Ribeiro, disse ontem que não deverá propor em seu relatório que o BNDES tenha algum tipo de poder de veto na nova Oi, para evitar que a empresa seja vendida a grupos estrangeiros depois da fusão com a Brasil Telecom. A polêmica surgiu após reportagem da Folha de S. Paulo apontar que não há nenhuma barreira legal à compra da empresa por grupos estrangeiros.


Segundo Emília, o acordo de acionistas da Oi já estabelece que a empresa só pode ser vendida com a concordância de 84% de seus acionistas. ‘Vejo isso como um resguardo importante para essa empresa continuar brasileira’, afirmou.


O acordo de acionistas da Telemar Participações (Oi), registrado na Bovespa no dia 25 de abril deste ano, tem sido interpretado por fontes do governo como um instrumento de garantia para que a União tenha o controle sobre a propriedade da empresa, preservando o interesse de manter um grupo nacional forte no mercado.


O entendimento das mesmas fontes, ouvidas pela Agência Estado, é de que o BNDES, que tem 34% de participação, poderia vetar qualquer decisão que desagrade ao governo. Associado a isso estaria a cláusula VIII, que trata do direito de preferência dos sócios controladores em comprar a participação do acionista que quiser deixar a companhia. Para tanto, ficou estabelecido prazo de 45 dias para a conclusão da compra. Alguns integrantes do governo, no entanto, ficaram surpresos ao descobrir, no final do processo, que não existe nenhuma garantia legal de que a empresa irá continuar sob controle nacional.


O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, disse ter obtido do próprio BNDES a informação de que o contrato de acionistas prevê o poder de veto da instituição no caso de qualquer operação de venda do controle da companhia. ‘Essa é a informação que o BNDES nos passou. O banco pode vetar uma eventual venda e pode indicar um outro comprador’, disse.


O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, afirmou ontem que esse direito de preferência é garantia suficiente para o governo evitar que a nova Oi seja vendida para um grupo estrangeiro. ‘Não tem nada de novo. Funciona no mundo inteiro.’


Falco avaliou que mecanismos de veto, como uma golden share (ação especial), desvalorizam as companhias. ‘É um excesso de zelo para uma coisa que pode ser feita de outra maneira, sem prejudicar.’


MEGATELE


Aquisição: Em abril, a Oi comunicou ao mercado seus planos de compra da Brasil Telecom (BrT). A operação, porém, não era permitida pela regras do setor de telecomunicações


Proibição: Para que pudesse ir em frente, a compra dependia de uma modificação no Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto presidencial que impedia que duas concessionárias de telefonia fixa tivessem o mesmo controlador. Hoje, são quatro as concessionárias: Oi, BrT, Telefônica e Embratel


Mudança: Em outubro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou um novo texto para o PGO, permitindo que até duas concessionárias tivessem o mesmo controlador. O texto foi encaminhado ao presidente pelo Ministério das Comunicações e publicado no Diário Oficial no mês passado. A Oi deu entrada no processo para conseguir a anuência prévia da Anatel no dia 21 de novembro


COLABORARAM LEONARDO GOY E RENATO CRUZ’ 


 


SAPATADA NO PRESIDENTE


Gilles Lapouge


Sapatada em Bagdá iguala vencedor e vencido


‘Não apenas um, mas dois sapatos atirados contra a cabeça de um presidente americano não é algo que se vê todo o dia. Estamos de alma lavada. Bush nos proporcionou um grande prazer antes de sua saída. E se esquivou dos dois projéteis com a destreza de um Pelé.


O incidente teve o mérito de corrigir algumas idéias falsas. Bush não é um incapaz. Sabe, ao menos, abaixar a cabeça quando recebe uma sapatada. E ainda observou que o agressor tinha os pés grandes, número 42.


O episódio é sério: quando se trabalhou uma vida inteira para chegar à presidência, receber uma sapatada na cara é bem triste. Ainda mais quando os sapatos são iraquianos. Ser fustigado com sandálias, sapatos ou tênis, é a pior das afrontas em um país árabe. O responsável pela sapatada tentou explicar o gesto. Antes de ser dominado, Muntadhar al-Zaidi gritou: ‘Este é o beijo de adeus do povo iraquiano, cachorro!’


Adeus a Bush, adeus aos EUA, adeus a essa guerra estúpida que pode ser sintetizada em duas imagens idênticas e incompatíveis: a primeira, em 2003, quando soldados dos EUA derrubaram a monumental estátua do líder iraquiano Saddam Hussein. Vimos o povo se vingar de 20 anos de sofrimento esbofeteando a estátua do tirano com suas sandálias.


Cinco anos depois, o vencedor dessa guerra, George W. Bush, é ‘bombardeado’ por sapatos número 42. Uma imagem trágica? De qualquer modo, uma imagem simbólica: os dois atores da tragédia mais imbecil do século, Saddam, o vencido, e Bush, o vencedor, são desprezados e atacados com sapatos. E sapatos que contam uma verdade curiosa. O vencedor é também o vencido.


IMAGENS


A história do mundo é um álbum de imagens. Na França, é a imagem da destruição da Bastilha, em 1789, a beleza do jovem Bonaparte sobre a ponte de Arcole. No Brasil, é o enforcamento de Tiradentes, em 1792, e a imagem de D.Pedro I às margens do Ipiranga gritando ‘Independência ou Morte!’, em 1822.


O sapato de Bagdá fará parte da mitologia das grandes imagens do nosso obscuro destino? Cabe à ‘câmara escura’ do tempo revelar, como um clichê fotográfico, tais episódios. Às vezes, uma cena simples é glorificada, enquanto outra, aparentemente forte, se dissipa.


Qual será o destino da sapatada de Bush? Uma cena cômica sem conseqüências, como desejam os EUA? Ou o anúncio de um declínio? Há meio século, os americanos foram desafiados por um outro sapato. Na ONU, o líder da União Soviética, o extravagante Nikita Kruchev, bateu como um louco o seu sapato sobre a mesa, protestando contra uma decisão desagradável para o seu país.


Na ocasião, o presidente americano era John Kennedy, um líder jovem e magnífico. O sapato de Kruchev não o intimidou. Hoje, um presidente desonrado também é vítima de um sapato. Ele, contudo, está às vésperas de partir. Outro presidente vai substituí-lo, o democrata Barack Obama, que parece ter capacidade de fazer com que se esqueça a lembrança de dois sapatos iraquianos lançados na cabeça do Ocidente.’


 


 


TELEVISÃO


Julia Contier


Globo exporta séries


Portugal Moçambique: No menu, Toma Lá Dá Cá e A Diarista


‘Depois de vender A Diarista para Equador e Malásia e Globo DOC para Geórgia e Uruguai, a Globo Internacional fechou a venda de séries para Portugal e Moçambique. A rede portuguesa SIC, ex-sócia da Globo e que tradicionalmente só compra novelas do plim-plim, adquiriu agora o humorístico Toma Lá Da Cá. Ainda em Portugal, a Rede Globo está negociando com outro canal, a RTP, a compra do Globo DOC – série de documentários sobre a fauna e flora brasileira.


Na África, em Moçambique, o produto vendido foi A Grande Família. A série foi comprada pela Televisão Independente de Moçambique, TIM, e entrará na programação do canal no final de dezembro como a grande aposta da emissora. Também chegam a Moçambique as séries A Diarista e Antonia, pela STV-Soico, um dos principais grupos de comunicação do país.


Desde o começo do ano, a Globo TV Internacional vem investindo na venda de séries ao exterior para variar o seu portfólio. Em janeiro, a Globo TV Internacional vai participar da feira Natpe, em Las Vegas, e irá oferecer formatos dos programas de entretenimento, como Conexão Xuxa e Soletrando.


De pitboy a mauricinho


Depois de várias tentativas, Tom Cavalcante conseguirá emplacar o especial Louca Família na grade da Record. Em 2009, atração ganha 16 episódios, e o primeiro da série vai ao ar na segunda-feira, às 23h. Nele, Dado Dolabella deixa o papel de pitboy, para viver o mauricinho Patrick, que fará de tudo para casar com a empregada Jarilene.


Um reality para chamar de meu


Coadjuvantes dos realities Project Runway, America?s Next Top Model e Queer Eye for the Straight Guy ganharam atrações próprias que serão exibidas em 2009 no canal Discovery Home & Health. Duas delas são sobre moda e estilo. Tim Gunn: Guru do Estilo é apresentado pelo conselheiro do reality de Heidi Klum, o Project Runway. Já Jay Manuel, que acompanha as modelos de Tyra Banks no America?s Next Top Model, comanda o Glamour Superstar. Para deixar a casa mais bonita, Thom Filicia, do Queer Eye, dará dicas de decoração no programa Dress my Nest.


Entre-linhas


A Favorita bateu recorde de audiência anteontem, com 48 pontos de média.


E João Emanuel Carneiro às vezes esbarra na má caricatura. Depois de Alícia levar um tiro com a arma vendida pelo pai, ontem foi a vez de Orlandinho ser aplaudido (e premiado com uma refeição) após surrar dois sujeitos no restaurante, em defesa de sua mulher. Agora sim ele é hétero!


Uma Escolinha Muito Louca estreou na Band anteontem com 6 pontos de média de audiência e deixou a emissora à frente do SBT, que somou 4.’


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


 SAPATADA NO PRESIDENTE


Ruy Castro


O repórter e a objetividade


‘Chocado e divertido com o repórter da TV iraquiana que atirou os sapatos contra o presidente Bush durante uma coletiva em Bagdá no último domingo, fui aos alfarrábios para ver o que os manuais de redação e as velhas apostilas mimeografadas dos cursos de jornalismo teriam a dizer sobre tal atitude. Não encontrei nada. Sinal de que os professores não pensaram na possibilidade.


Nem precisavam. A ética jornalística exige que as relações entre repórter e entrevistado sejam de objetividade total. O repórter pergunta, o entrevistado responde e o repórter anota ou grava, e faz nova pergunta. Não é permitido ao repórter flertar com o entrevistado, piscar para ele ou pedi-lo em casamento, mesmo que o entrevistado seja a Alessandra Negrini. Muito menos dar-lhe uma bofetada, cuspir-lhe no olho ou atirar-lhe os sapatos, mesmo que o entrevistado seja o Bush.


Nesse caso, pode dizer-se que Muntazer al Zaidi, o repórter iraquiano, transgrediu uma das cláusulas pétreas do jornalismo. Onde já se viu um repórter atirar os sapatos no homem mais poderoso do mundo? E ainda mais no Iraque, onde tal ato tem um forte conteúdo subjetivo -significa que a pessoa alvejada com os sapatos está abaixo da sujeira que eles pisam na rua.


Duas coisas chamaram a atenção: a rapidez com que Bush se esquivou, como se treinasse isso todos os dias, e a lerdeza dos seguranças, permitindo que Al Zaidi se agachasse, descalçasse o segundo sapato e o atirasse. E se a arma não fosse um sapato, mas uma pistola? Quantos disparos não teriam sido feitos no mesmo espaço de tempo?


Para milhões de iraquianos, o dramático Al Zaidi é um herói. Mas outros estão tiriricas, por ele ter preferido ofender Bush subjetivamente, ao invés de -aí, sim- objetivamente matá-lo.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


O teste


‘Da Costa do Sauípe, a chinesa Xinhua despachou o enunciado ‘Lula diz que a crise financeira revela a perversão do sistema econômico mundial’.


Já a americana Associated Press, postada por Google, Yahoo e o ‘New York Times’, trazia como enunciado ‘Brasil pode enfrentar reação em cúpula da América Latina’. Vê um ‘teste para o papel de superpotência benevolente’ e prenuncia, no fim, ‘uma região dividida, com o Brasil incapaz de representar o papel de força unificadora’.


Por outro lado, no venezuelano ‘El Universal’, Hugo Chávez declarou que ‘se alegra em celebrar a cúpula no Brasil e não em Nova York’.


BRASIL & CUBA


Os enviados dos espanhóis ‘El País’ e ‘ABC’ e de sul-americanos como o ‘Clarín’ destacaram ontem, da ‘macrocúpula na Bahia’, que o Brasil quer uma ‘estratégia regional para Cuba’, ‘abre caminho para Cuba regressar aos órgãos multilaterais’, ‘vê mais próximo o ingresso de Cuba na OEA’.


‘COMPAÑERO LULA’


A agência cubana Prensa Latina reproduziu o discurso de Raúl Castro. Ele saudou em nome do irmão ‘a primeira cúpula que reúne todas as nações ao Sul do rio Bravo’, disse que ‘Cuba reafirma sua disposição solidária irrestrita para trabalhar junto com vocês’. No fim, ‘muchas gracias, compañero Lula’.


RAÚL E MR. OBAMA


Na capa, ‘Raúl no Brasil’


O canal Al Jazeera destacou de Raúl Castro que ‘a era de concessões unilaterais acabou’, mais a cobrança de um primeiro ‘gesto’ dos EUA. ‘Não temos pressa. Se Mr. Obama quer conversar, vamos conversar. Se não quer, não vamos.’ Na agência russa RIA Novosti, citou chineses para dizer que a integração latino-americana é longa marcha que exige ‘o primeiro passo’.


Foi, é claro, manchete do cubano ‘Granma’. Sobre a ‘intermediação do Brasil para um diálogo’ com Obama, ‘preferiu não se pronunciar’.


CONTRA A REVOLUÇÃO


Às vésperas da cúpula que tem Cuba por protagonista, o ‘Miami Herald’ iniciou uma série sobre a Revolução Cubana aos 50, a serem comemorados em janeiro. Avalia, em suma, que ‘os ganhos se esvaem, o desespero perdura’. Andres Oppenheimer participa do esforço, que deve se prolongar por dez edições, e escreveu uma coluna três vezes maior do que o usual, sob o título ‘Depois de 50 anos, Cuba tem pouco para mostrar’.


EUA, EUA, EUA


Nem ‘Miami Herald’ nem Americas Society acompanham a cúpula latino-americana, mas o diretor da instituição, Christopher Sabatini, escreveu no jornal que a América Latina é tão ‘afetada pelos EUA’ que devia votar na eleição americana -e que com Obama as relações devem se aprofundar.


ESQUERDA VS. CRISE


O britânico ‘Guardian’ traz longo artigo em que o argentino Rodrigo Orihuela pergunta se ‘os governos de esquerda da América Latina vão manter a luta contra a desigualdade, diante da recessão global’. Diz que a manutenção das políticas sociais na crise será o teste para conhecer ‘a verdadeira esquerda’.


ENQUANTO ISSO


BBC e agência IPS vêem intensificação nas ações dos ‘brasiguayos’, fazendeiros que hoje ‘plantam soja transgênica’ no Paraguai, contra ocupações por sem-terra paraguaios


RODA


Do blog de Frederico Vasconcelos na Folha Online, sob o título ‘Serviço público e liberdade de expressão’, em referência ao ‘Roda Viva’ com Gilmar Mendes: ‘Se ainda não o fez, e em nome do contraditório, a produção do programa deveria convidar para ser entrevistado o juiz Fausto De Sanctis’. Aliás, ‘pela mesma bancada’.


CONEXÃO


Os sites de ‘NYT’ e ‘WSJ’ abordaram ‘a conexão brasileira’ na fraude do ex-presidente da Nasdaq. A origem seriam ‘relações pessoais’ com o fundo Fairfield, que admitiu perdas pelo esquema. Bancos daqui, ouvidos pelo ‘WSJ’, negaram perdas.


CONTRASTE


Na manchete on-line do ‘NYT’, o juro ‘perto de zero’. Fixada entre 0% e 0,25%, a taxa é ‘histórica’, nas manchetes de ‘WSJ’ e ‘WP’.


A ‘Economist’ avalia que o Fed ‘fixou as suas baionetas’ e promete mais, em seu ‘assalto à recessão’.’


 


 


50 ANOS DE ILUSTRADA


Folha de S. Paulo


‘Cinema já viveu apogeu, mas há expansão de meios’


‘O melhor cinema já passou? Para os críticos da Folha Cássio Starling Carlos, Inácio Araujo, José Geraldo Couto e Sérgio Rizzo, a arte cinematográfica viveu um período de apogeu entre o final dos anos 50 e o início dos anos 70, que dificilmente será igualado.


No entanto, novas formas de produção e difusão audiovisual dão ao cinema uma nova configuração. E novos cineastas, como o chinês Jia Zhang-ke, a argentina Lucrecia Martel e o francês Olivier Assayas, atestam a vitalidade de tal arte.


O diagnóstico foi feito durante debate promovido pela Folha e pelo Espaço Unibanco em comemoração dos 50 anos da Ilustrada, após projeção de ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, de Glauber Rocha, anteontem à noite. O longa de Glauber foi o mais votado da década de 60 em enquete promovida pela Folha Online. Os outros títulos preferidos dos internautas foram: ‘O Poderoso Chefão’ (anos 70), ‘Blade Runner’ (anos 80), ‘Pulp Fiction’ (anos 90) e ‘O Senhor dos Anéis’ (de 2000 a 2008).


Araujo afirmou que, entre o final dos anos 50 e o começo dos 70, havia três gerações de momentos-chave do cinema em atividade. Dos originários do cinema mudo, vinham Alfred Hitchcock, Howard Hawks e Carl Dreyer, entre outros. Do pós-guerra, filmavam nomes como Rossellini, os outros neo-realistas italianos e, dos EUA, Samuel Fuller e Anthony Mann, por exemplo. E a geração que emergia era a da nouvelle vague e do cinema novo, além dos japoneses liderados por Nagisa Oshima.


‘Esse é um momento muito precioso do cinema. Era uma arte nova e moderna, mas clássica também. O cinema viveu uma espécie de apogeu, difícil de igualar. Mas com a modernidade de Godard e Glauber, a invenção tornou-se mais complicada’, disse ele. ‘A arte envelhece. Não há profusão de grandes talentos. Mas o cinema tem uma vitalidade muito grande.’


Para Starling Carlos, o apogeu dessa fase é incontestável, mas deve ser evitado o saudosismo. ‘O futuro está espalhado em centenas de possibilidades. Existem tantas outras formas variantes e substitutas de narrativas audiovisuais. Godard e Varda, por exemplo, foram levar as criações deles para o museu’, disse ele. ‘Mas o amador do YouTube tem uma outra forma de veicular sua idéia. Ela é menos valiosa? Não, ela é outra. Prefiro pensar positivamente. Não vejo limitação, vejo expansão.’’


 


 


TELEVISÃO


Audrey Furlaneto


Jake vira musa com ‘Pó Pará com Pó’


‘‘Meu nome é Jacqueline Michelly Santos Trevisan, tenho 29 anos, sou paulistana e sempre fui muito ligada à música.’


O ritmo acelerado da fala da cantora de axé é cortado em seguida: ela vai soletrar o nome.


‘É J-a-c-q-u-e-l-i…’, vai dizendo até terminar o nome todo -embora ele não seja conhecido, já que ela adotou, há dois anos, a versão reduzida Jake como nome artístico.


Vale dizer também que o nome dela, o artístico, é quase nada conhecido se comparado à mais famosa ‘composição’ da cantora: é dela o ‘axé católico’ ‘Pó Pará com Pó’, tornado célebre quando Jake o cantou na TV Aparecida que, pouco depois, disponibilizou o vídeo no YouTube -até ontem, já somava mais de 400 mil acessos.


O refrão (‘Pó pará com pó/ Pó pará com pó aê/ Pó pó pó pó pará com pó/ Pó pará com pó aê’) é intercalado com versos -todos de Jake- como ‘Você tem que tomar uma overdose de Jesus/ Injetar na veia o sangue que correu na cruz’. E, como um axé que se preze, o ‘Pó…’ tem coreografia -assinada por Jake, com a mãe e a irmã. A saber: dedo indicador esquerdo tapando uma das narinas e mão direita à frente em sinal de ‘pare’, e vice-versa.


‘O que eu faço é música pra animar micareta, alegre. E eu pensei: entre cantar nada e qualquer besteira, vou cantar coisa que preste.’ Entrou aí o tema cocaína. ‘A droga está famosa, popular. Por que não dizer uma mensagem que todo mundo precisa ouvir?’, avalia. ‘Saíram por aí dizendo que era a melô do Fábio Assunção e da Amy [Winehouse], aquela cantora do topetão, sabe?’ Ela nega. ‘Não tem nada a ver.’


O público do ‘Pó…’


A letra foi recomendada por Caetano Veloso em seu blog (www.obraemprogresso.com.br) -’Quero ‘Pó Pará com Pó’ cantado por Ivete [Sangalo], Daniela [Mercury], Chiclete [com Banana]…’, escreveu o músico. Ivete, aliás, já cantou o hit com Jake, num trio em Natal (RN), a pedido do ‘Pânico’, da Rede TV!.


A cantora, que faz shows só de vestido longo (‘Já tem tanta gente explorando a questão do corpo, né?’), liberou as músicas no site www.jake.com.br.


Desde o vídeo no YouTube, em novembro, ela tenta ‘assimilar o sucesso’, ‘não esquecer suas origens’ [trabalhou em gráfica com o pai até lançar o CD, em 2006], mesmo porque já tem público para suas canções -há outras como ‘Pressão’, com o refrão: ‘Pressão/ Pressão/ Pra pegar cristão fujão’.


‘Estou na estrada há dois anos, tenho meu público. E não vão só católicos nos shows! Vai de tudo! Dá muito bêbado! Tem sempre um bêbado em show, né?’, diz, rindo.


Quanto a ela, bebe pouco -vinho, vez ou outra. Diz que nunca usou drogas e não tem vícios. ‘Ah! Talvez tenha um! Dormir é vício?’, pergunta.’


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