Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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VJs em desordem

Por Fabio Leon Moreira em 05/10/2004 na edição 297

Tá certo que o forte da MTV nunca foi velar por grandes serviços jornalísticos, apesar de tentar imitá-los com graça, leveza e um certo toque de saudável anarquia. Mas quando a bagunça generalizada substitui o que deveria ser um debate entre os VJs da casa sobre os mais variados assuntos, como foi a estréia de VJs em Ação há três semanas, fica a impressão de que a emissora, que um dia já foi musical e ousada em sua proposta de programação e entretenimento jovem, ficou desgovernada num redemoinho de tendências da TV por assinatura que não ficou adequado ao formato idealizado pela direção do programa em si.

Que atire a primeira pedra quem não identificou sobras recicladas de Saia Justa e Manhattan Connection. Some-se a isso uma boa pitada do antigo Barraco MTV, bastante criticado por, na maioria das vezes, priorizar a poluição sonora e a balbúrdia no lugar da conclusão das idéias sustentadas por temas polêmicos. O fato de o programa ser ao vivo foi algo completamente desfavorável, pois evidenciou o extremo despreparo e o conflito de egos que rondam os colegas de trabalho. Dessa forma, a audiência testemunhou a má vontade de alguns participantes (eram visíveis os sinais de desconforto de Cazé, completamente apático e com ares de cansado). Marina Person passou boa parte do programa tentando apagar o incêndio criado entre Daniella Cicarelli e João Gordo, que disse ter ficado envergonhado com uma matéria sobre ela e o namorado Ronaldo Fenômeno no Fantástico, e a todo instante insinuava sobre uma possível saída da modelo da emissora.

Pontos fracos

Didi foi eleita o patinho feio do grupo, pois a todo instante, e de maneira quase histérica, implorava para que tivesse uma sobra de espaço para falar alguma coisa. Levantava o dedo pedindo permissão para falar como se estivesse num colégio primário. Cantou parte de um rap de Thaíde, também apresentador da emissora, e só. Rafael é um caso a parte. Até hoje não se entende como alguém que tem a dicção de um epilético em crise e demonstra insegurança para fazer as matérias mais banais ainda esteja na folha de pagamento da casa.

O programa tem dois pontos fracos. Erra quando insiste na proposta de os VJs se provocarem mutuamente. É desgastante para os próprios. E quando coloca diversos assuntos em pauta, sem dar tempo ao devido aprofundamento. Porque, afinal de contas, a programação da Music Television é uma faca de dois gumes: se a seriedade reinar na programação perde-se o estilo MTV de ser. Mas, se continuar essa zorra total de VJs em ação é melhor extinguir o programa e devolver os apresentadores a seus respectivos programas.

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Jornalista (www.inocentesuspeito.weblogger.com.br)

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