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Os meninos jornaleiros

Alberto Dines | Programa nº 702 | 24/09/2013 | 0 comentários

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Esta é uma edição especial, homenagem ao Dia do Jornaleiro e principalmente ao pequeno jornaleiro. Manchetes são escritas, portanto não falam, mas eu as ouvia desde criança – gritadas no bonde, nas esquinas e ruas do centro do Rio.

Aprendi o que era notícia ouvindo estas manchetes sonoras e compreendi que há notícias mais importantes do que outras, quando reparei naqueles meninos de uniforme azul, casquete na cabeça, uma bolsa no ombro cheia de jornais, anunciando o que era mais dramático e o mais sensacional. Crianças iguais a mim me ensinaram o que era jornal, o que era a vida, também o que era injustiça, fome e desamparo. Indiretamente, mostraram a magia do jornalismo.

O pequeno jornaleiro é descendente direto dos camelôs que, antes, durante e depois da Revolução Francesa anunciavam panfletos e pasquins satíricos e revolucionários. Em Paris foram chamados de patos, canards, porque grasnavam os papéis que vendiam. Mesmo quando estavam proibidos pela censura.

Quando os jornais começaram a alcançar grandes tiragens, os quiosques e as bancas mostraram-se insuficientes – era preciso levar os milhares de exemplares até os leitores espalhados pela cidade. Primeiro usaram-se adultos, depois alguém descobriu que crianças poderiam fazer a mesma coisa por um custo irrisório.

Também foram os franceses que entronizaram o deus Mercúrio, o deus do comércio e do intercâmbio – aquele com as asinhas no capacete e nos pés – como o símbolo da imprensa. É o deus das trocas. Filhos de Mercúrio, mercuriais, volantes, incansáveis, os pequenos jornaleiros ajudaram a construir uma indústria e uma instituição. Ajudaram a criar a poderosa imprensa e o quarto poder. Heróis anônimos, perderam a infância na luta para manter vivo um dos esteios da democracia.

Os arautos da liberdade, em muitas ocasiões, foram estes meninos e adolescentes, sem liberdade, que engrossavam a voz para tornar os seus apelos mais fortes e candentes. Onde houvesse um jornal, havia um coro de meninos entoando manchetes e as ideias nelas contidas. E não apenas aqui, nas esquinas do mundo inteiro. O pequeno jornaleiro é miúdo e global. (Alberto Dines)

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