Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

VOZ DOS OUVIDORES > THE WASHINGTON POST

Debatendo o custo da reforma na saúde

17/04/2012 na edição 690
Sobre artigo de Patrick B. Pexton, de Washington (EUA)

“Por que uma matéria curta e modesta publicada no Washington Post sobre a lei de reforma da saúde tornou-se um sucesso online? O que isto diz sobre nossa cultura midiática partidária e reativa?”, indaga o ombudsman do diário, Patrick Pexton, na sua colunadesta semana [13/4/12].

A matéria em questãofoi publicada na semana passada, na página A3, assinada por Lori Montgomery, repórter de questões fiscais e financeiras nacionais. Tratava de um novo estudo sobre o Ato de Proteção a Pacientes e Serviços de Saúde Acessíveis, que ficou conhecido informalmente como “Obamacare”. A pesquisa, feita por Charles Blahous, do Mercatus Center, na Universidade George Mason, reforça um argumento feito pelo Partido Republicano já em 2009, de que a lei vai aumentar o déficit do país. Segundo o estudo de Blahous, o aumento seria de US$ 340 bilhões a US$ 527 bilhões (cerca de R$ 969 bilhões) ao longo de 10 anos.

O resultado vai de encontro aos argumentos de analistas não partidários do Gabinete de Orçamento do Congresso, corroborados pelo presidente Barack Obama – eles defendem que o ato irá diminuir o déficit ao longo dos 10 primeiros anos em modestos US$ 132 bilhões (cerca de R$ 242 bilhões). Este era um dos pontos fortes da lei.

O estudo de Blahous questiona a forma como o Gabinete contabiliza as economias projetadas do Medicare, o sistema de seguro de saúde americano. Estes números, segundo ele, seriam obtidos por uma série de reformas enigmáticas projetadas para economizar US$ 575 (cerca de R$ 1 milhão) ao longo de 10 anos. O debate sobre como o Gabinete contabiliza as economias projetadas é antigo: Republicanos dizem que as economias seriam contadas duas vezes, enquanto Democratas e o Gabinete alegam que não, que se trata da única maneira realista de contabilizá-las.

Novos tempos

Colocar a matéria na página A3 foi uma decisão correta para uma publicação impressa, acredita o ombudsman. Lori Montgomery, a repórter que assinou a reportagem, solicitou que ela não fosse publicada na capa, por não ter justificativa para tal. Mas, hoje em dia, pouco importa o espaço impresso ocupado por uma matéria para que ela tenha destaque: no site do Post, apesar de não ter ficado por muito tempo na home, o texto de Lori chamou atenção e logo foi engolido pelo poder de disseminação na internet. Em pouco tempo, a matéria já estava sendo replicada e exagerada pelo debate partidário. Passou primeiro pelo blogueiro conservador Matt Drudge, que postou um linkpara ela com o título “Obamacare explode o déficit”; em seguida chegou a um blog da revista Forbes e por Jennifer Rubin, blogueira conservadora do próprio Post; e se espalhou por sites conservadores. Os liberais logo lançaram o contra-ataque. Jonathan Chait, da revista New York, publicou artigointitulado “O falso estudo sobre o déficit do Obamacare”;Paul Krugman, do New York Times, linkoupara o texto de Chait, e logoele estava sendo debatido em diversos sites liberais, criticando o estudo.

Pexton diz que a maior parte dos emails que recebeu sobre a matéria de Lori vinha de leitores com inclinação Democrata reclamando da publicação do texto. “Nós da mídia gostamos do tráfego online que uma matéria como esta atrai”, diz o ombudman. “Ela acelera o pulso da mídia; todos experimentamos uma onda de prazer ao nos tornarmos virais na internet por um dia”. Mas, completa ele, todo este frisson não significa que a verdade saia ganhando no processo. “A verdade é que cada complexa reforma de leis, cada orçamento anual, traz um risco. São todos baseados em suposições e previsões que podem, ou não, tornar-se verdadeiras. E quando não se tornam verdadeiras, o Congresso e o presidente têm que ajustá-las”

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